Eric Ries desenvolveu o Lean Startup (Startup Enxuta) após sofrer algumas frustrações como empreendedor, baseado em teorias prévias da administração científica e do desenvolvimento de produto. É uma nova proposta de pensamento e construção de produtos e serviços fundamentados na inovação. Dentre os principais direcionadores da abordagem realizada existem a manufatura enxuta (lean thinking), criada e desenvolvida no contexto do Sistema Toyota de Produção; o desenvolvimento de clientes (customer development); e o desenvolvimento ágil.
O método Lean Startup não está relacionado a custos, mas sim à velocidade. Lean
Startups desperdiçam menos dinheiro porque usam interpelações disciplinadas para
testar novos produtos e ideias. Lean, quando usado em um cenário de Startup enxuta, refere-se a um processo ágil de construção de empresas e produtos que utiliza os princípios de manufatura eficaz aplicada à inovação. Esse processo envolve testes rápidos de validação de hipóteses, aprendizado sobre clientes e uma abordagem disciplinada para o desenvolvimento do produto (Grando, 2012).
De acordo com Grando (2012), o modelo Lean se baseia em uma metodologia de breve passagem por ciclos de construir – medir – aprender, transformando ideias em Produtos Mínimos Viáveis (PMV), medindo as respostas dos clientes para então decidir entre diversificar ou perseverar. Dessa forma, é possível elaborar uma abordagem científica ao desenvolvimento de produtos. Ademais, os processos da empresa devem ser orientados para acelerar esse ciclo de feedback e monitorados de perto, para que se possa manter números de progresso continuamente elevados.
A filosofia Lean consiste na ideia do que é valor para o cliente e com base nos dados delimita o desperdício, ou tudo que o cliente não percebe como valor. A proposta é revisar o processo visando a conciliação de dois objetivos presumivelmente conflitantes, porém vitais para o negócio: disponibilizar valor para o cliente e utilizar, de maneira apropriada, os ativos existentes. Algumas similaridades da filosofia Lean da Toyota com o Lean Startup de Ries podem ser identificadas, uma vez que as duas possuem como foco o cliente, não se isolam do mundo, nem gastam meses desenvolvendo um produto da mente dos empreendedores. Nas duas, objetiva-se entender o que é valor para o cliente, através de uma abordagem de desenvolvimento de produto.
Ries (2010), após seu contato com Steve Blank, no vale do Silício, começou a buscar teorias fora das ideias de empreendedorismo para explicar e dar sentido à nova experiência de desenvolvimento de negócios. Blank defendia que as áreas de marketing e negócios de uma Startup dispensam tanta atenção quanto a engenharia e o desenvolvimento de produto. Ries (2010) encontrou na filosofia Lean um referencial de gestão capaz de sustentar grande parte dos novos conceitos desenvolvidos, onde a abordagem enxuta de gerir operações é fundamentada em fazer satisfatoriamente as coisas simples, cada vez melhor e, acima de tudo, em eliminar todos os desperdícios em cada passo do processo.
A abordagem Lean Startup veio do Japão, onde a Toyota desenvolveu uma série de técnicas que foram moldadas ao que atualmente se conhece por filosofia enxuta, que prega, de forma sucinta, que ao se entender o que é valor para o cliente, identifica-se e elimina-se desperdícios via o melhoramento contínuo de processos de produção, alavancando, assim, a posição competitiva, em particular no que se refere a fatores como a velocidade no atendimento aos clientes, a flexibilidade para se ajustar aos seus desejos específicos, a qualidade e o preço do produto ofertados .
Ries (2010) sugere o método da Startup enxuta unindo conceitos que vinha estudando e aplicando em seu próprio negócio. Em seu livro, ele detalha aplicações e acaba defendendo a criação de uma nova disciplina da administração de empresas pautada no desenvolvimento ágil, na qual utiliza-se da experimentação científica na descoberta e no desenvolvimento de negócios sustentáveis. Entretanto, para tal, é preciso entender os suportes dessa nova forma de pensar a progressão organizacional, antes de se aplicar efetivamente os métodos por ela propostos.
Ries (2010) enumera os cinco princípios fundamentais do modelo:
- Empreendedores estão por toda a parte. O conceito de empreendedorismo inclui qualquer indivíduo que trabalha dentro da elucidação de tal conceito, o que significa que os empreendedores estão por toda parte e a abordagem da Startup enxuta pode funcionar em empresas de qualquer tamanho, mesmo numa de grande porte, em qualquer setor ou atividade.
- Empreender é administrar. Uma Startup é uma instituição, não um produto, requerendo, assim, um novo tipo de gestão, especificamente organizada para seu contexto de extrema incerteza. O empreendedor deveria ser considerado um cargo em todas as empresas modernas dependentes da inovação para seu crescimento venturo. - Aprendizagem validada. Startups existem não apenas para fabricar objetos, ganhar dinheiro ou mesmo atender a clientes; elas existem para aprender a aprimorar um negócio sustentável. Essa aprendizagem pode ser corroborada cientificamente por meio de experimentos frequentes, que permitem aos empreendedores testar cada elemento de sua visão.
- Construir-Medir-Aprender. A função principal de uma Startup é transformar ideias em produtos, medir a reação dos clientes e, então, decidir se é o caso de parar ou
perseverar. Todos os processos de Startup exitosos devem ser voltados para a aceleração desse ciclo de feedback.
Em suma, a ideia principal de Lean Startup é fazer tudo da forma mais acessível possível, usando o mínimo de recursos e o máximo de velocidade para economizar dinheiro e diminuir riscos. A empresa enxuta começa com um produto mínimo exequível e, através de um processo interativo de aprendizagem e validação qualitativa, ajuste-o ao mercado, para só então crescer em escala e estrutura (Sebrae, 2012).