Não há veículo jornalístico da atualidade que não tenha usado, ao menos uma vez, o recurso da infografia para alguma notícia ou reportagem especial. As origens da infografia, no design gráfico, vem do século XVII quando o matemático René Descartes utilizou, em 1637, a álgebra para resolver problemas de geometria. Para representar a equação matemática de forma gráfica, Descartes traçou duas retas transversais e perpendiculares. Estavam criados os eixos horizontal e vertical, importantes até hoje para nossas representações gráficas e consecutivamente nossa vida cotidiana. Por volta do ano 1786 (século XVIII), o cientista William Playfair incrementou esse modelo convertendo dados estatísticos em gráficos simbólicos. Foi ele o criador do que hoje conhecemos como gráfico em barras e gráfico em pizza (MEGGS, 2009, p.162).
Playfair criou uma nova categoria, agora chamada de infografia. Esse campo do design ganhou importância devido à expansão de nossa base de conhecimento, que requer gráficos para apresentar informações complexas de uma forma compreensível (MEGGS, 2009, p. 162).
Na imprensa moderna, os infográficos ganharam notoriedade quando o designer e tipógrafo Thomas Maitland Cleland projetou algo para a revista de finanças Fortune que, segundo Zappaterra (2009), unificava os conceitos visuais e editorias de forma inovadora:
Junto com a fotografia e a ilustração, os gráficos informativos são uma potente ferramenta visual nas mãos do designer e têm experimentado um
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forte ressurgimento com a chegada da internet. Sua versatilidade para atuar como imagens decorativas e simplificar informações complexas se adapta perfeitamente na cultura visual da informação que impera no século 21 (ZAPPATERRA, 2009, p. 149).
Infográficos desenham algumas reportagens para que os leitores a compreendam melhor. Em uma espécie de simbiose, imagem e texto comunicam algo em um material que não pode abrir mão de um ou de outro para cumprir sua missão informativa. Segundo Amaral (2010), a infografia é um subgênero (ou modalidade) no gênero jornalístico informativo. Para o autor, infográficos diferem-se de gráficos na medida em que:
[...] estes são apresentação de dados de forma organizada, seja por tabelas, diagramas, sendo os dados apresentados “puros”. Já a infografia – que pode utilizar gráficos como elementos de composição da sua narrativa – é uma história a ser contada, pois apresenta narrativa, e no caso do jornalismo, há informações jornalísticas que são repassadas ao leitor (AMARAL, 2010, p.28).
Em “A Arte Funcional”, Alberto Cairo (2011) introduz a infografia e a visualização de informações na comunicação de forma geral. Assim como Arnheim, Cairo defende o quão visual os seres humanos são, tendo mais de 30 áreas no cérebro dedicadas a processar imagens e sendo capazes de compreender o que veem em seu entorno e também gerarem novas imagens em suas cabeças. Contudo, o autor prefere não separar a infografia da visualização, já que; segundo ele, a beleza de uma visualização deriva de sua funcionalidade: “Um infográfico não é algo simplesmente para ser observado e sim para ser lido. O objetivo central de qualquer trabalho de visualização não é a estética ou seu impacto visual, mas sim se é compreensível primeiro e belo depois” (CAIRO, 2011, p. 18).
Segundo Lucas (2009), no jornalismo atual não basta apenas classificar, descrever, hierarquizar, categorizar, selecionar, omitir e visibilizar falas e opiniões de vozes autorizadas; é preciso mais do que nunca explicar textualmente e visualmente, incluindo ainda uma descrição mais detalhada que reproduza tanto aquilo que é fato consumado quanto às previsões.
Parte da infografia utilizada no jornalismo está ligada à arquitetura da informação, aquela que organiza os elementos de maneira que possam ser assimilados com mais facilidade por seus leitores. O que nos direciona para a colocação de Cairo sobre a figura do arquiteto da informação, cuja tarefa é estruturar
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e contextualizar conteúdos e também ser responsável pelo design (ou projeto) dos meios (ou plataformas) pelos quais os leitores virão a acessar o conteúdo.
O objetivo fundamental da arquitetura da informação (que pode ser uma profissão ou uma atividade que caiba em outras profissões) é combater a ansiedade previsível diante do fato de termos tantos dados úteis e interessantes ao alcance das mãos ou do mouse (CAIRO, 2011, p. 30).
Nesse sentido, a infografia se apresenta como solução possível e largamente utilizada no jornalismo e no jornalismo digital. Na classificação de Leturia (1998), a infografia se apresenta no formato de:
● Gráficos (para apresentação de informação numérica e estatística); ● Mapas (para mostrar a localização de um acontecimento);
● Tabelas (quadro simples para a apresentação de dados descritivos que não podem ser cruzados ou comparados facilmente);
● Diagramas (para mostrar como se vê ou funciona algo, com utilização de legendas ou diversos ângulos de representação).
Recorrendo aos exemplos que Zappaterra (2009) reúne com jornais do mundo que fazem uso da infografia, podemos destacar que as principais motivações dos editores e equipes de redação para o uso da infografia são: realçar visualmente a publicação, envolver o leitor com um material denso e variado, transmitir a informação de um modo inesperado, explicar histórias complexas, ilustrar aspectos de acontecimentos que não foram fotografados, proporcionando um entendimento mais minucioso, passar mais informação de forma mais nítida (ZAPPATERRA, 2009, p.149).
Lima Júnior (2004) explica que os infográficos permitem que matérias complicadas, que precisam de muitas palavras para serem compreendidas, possam se fazer entender de maneira rápida e lúdica. Segundo o autor, as informações numéricas, estatísticas e outras são mais efetivas do que o puro uso da escrita, além de proporcionarem maior variedade e agilidade no planejamento gráfico. No mesmo estudo, o autor faz a ponte com a infografia digital. Naquela época ele destacava a falta de pesquisas na infografia “analógica”, enquanto que a técnica já migrava para o digital.
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Segundo Barboza (2015), a infografia multimídia deve o seu surgimento e expansão à popularização da Internet e, consequência desta, do jornalismo que começou a ser produzido nesse novo ambiente tecnológico.
Em uma época de smartphones, redes sociais digitais e-readers e etc., jornalistas, designers, publishers buscam novas formas de produzir, veicular e vender conteúdo, acompanhando a demanda dos leitores. “As novas gerações, cada vez mais conectadas por meio de múltiplas telas, querem obter informações de maneira diferenciada. Além de personalizado e segmentado, o conteúdo precisa ser atrativo, tal como um jogo” (BARBOZA, 2015, p.72).
Algo comum de se observar nas produções atualmente é seu caráter transmídia. Temos a notícia em diferentes meios e formatos e, no caso do uso da infografia, as combinações de conteúdo e formato podem ser infinitas. Para Barboza, “se [o infográfico] for integrado a uma narrativa que agregue outras ferramentas multimídias – tais como textos, vídeos, arquivos de áudio, slides de fotos, newsgames – pode atrair ainda mais interessados no material divulgado” (BARBOZA, 2015, p.90).
Os infográficos são motivados e possuem os elementos de uma narrativa: o que, o quem, o como; representando uma estratégia comunicacional. Segundo Resende:
Estes níveis representam diferentes preocupações na construção da história jornalística: o conteúdo, o ato de narrar e as estratégias utilizadas. A infografia está imbuída destes três tópicos, pois sua narrativa apresenta as características comuns a qualquer narrativa, o que a difere são as especificidades presentes neste subgênero jornalístico (RESENDE 2004, 2009 apud AMARAL, 2010, p. 32).
De forma análoga, a ilustração também é aplicada ao jornalismo em situações nas quais uma fotografia não daria conta. Zappaterra, ao mesmo tempo em que coloca os elementos de composição de livros, jornais e revistas - sobretudo os impressos -, aplica exemplos de peças de comunicação que demonstram o uso de cada elemento em algumas situações. Um dos elementos é a ilustração nos jornais e revistas. Zappaterra afirma que alguns editores utilizam o recurso para trazer dinamismo à página, enquanto outros lançam mão do recurso quando a reportagem demanda algum tipo de interpretação conceitual ou mesmo quando não há fotografias em qualidade suficiente.
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Uma ilustração pode expressar um conceito ou um sentimento melhor que uma fotografia, pois os leitores, frequentemente, não podem evitar de associar um conteúdo narrativo a uma foto, sobretudo se é uma foto figurativa. Isto é assim, pois, como leitores que somos, lemos a imagem literalmente: ‘Esta foto trata-se de uma figura, vestindo uma roupa neste cenário e fazendo tal coisa, logo está me dizendo isto’. Mas, ao contrário, as ilustrações ‘se lêem’ de um modo diferente, permitindo à história, ao diretor artístico e ao leitor criar outros tipos de associações abstratas, frequentemente mais expressivas. A ilustração pode representar também o espírito do seu tempo, o zeitgeist, com mais eficácia que a fotografia, e ser usada como imagem da marca (ZAPPATERRA, 2009, p. 71).
Sendo a infografia, ainda segundo Zappaterra, a representação visual de informações, dados ou conhecimentos, chegamos a um ponto de contato com a Facilitação Gráfica, nosso objeto de pesquisa e análise. Essas semelhanças e diferenças serão abordadas mais adiante em nosso trabalho.