Para que seja efetuada uma intervenção que de fato contribua e corresponda aquilo que é mais necessário ao comprometimento do aluno, é necessário fazer uma observação que acumule o maior número possível de informações relacionadas ao objeto de estudo do caso, buscando selecionar os detalhes que às vezes tendem a passar despercebidos no cotidiano completo de atividades. Todos os pontos ressaltados e desenvolvidos nessa etapa do trabalho (observação, análise de dados e intervenção) contribuíram para que o aluno com necessidades educacionais especiais e/ou deficiência, possa ser mais notado e valorizado na escola, assim como, evidencia a crença de que, independente do grau de comprometimento oriundo da deficiência que se tem, o aluno tem toda capacidade de aprender, desenvolver-se em novos meios que antes não eram conhecidos por ele, e exercitar novas áreas do cérebro para novas atividades cognitivas.
A importância de acreditar que antes de tudo, o aluno é alguém capaz de aprender, fomenta no trabalho a disposição de intervir de forma esperançosa para obtenção de resultados
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que expressem a evolução originária da capacidade de saber, levando em consideração que todo ser humano está apto à modificabilidade. Sobre isso, Feuerstein, Feuerstein e Falik (2014, p. 34) nos dizem que “quando falamos da modificabilidade do indivíduo assumimos que esta habilidade permite a aquisição de habilidades adicionais que não estavam previamente presentes ou acessíveis”. Esse princípio ressaltado pelos autores citados, perpassou por todas as etapas deste trabalho, mediando assim uma aprendizagem significativa da aquisição de novos conhecimentos dos quais Antônio foi favorecido.
O período de observação teve início livre de orientações a respeito de fichas ou documentos complementares, para que pudesse ser registrado o maior número possível de informações, através de anotações. A recepção do aluno diante da nova companhia em razão desse trabalho (companhia da pesquisadora) foi algo que, de início, já admirou os atores da pesquisa, visto que, Antônio recepcionou de forma positiva e afetiva. Ele se mostrava entusiasmado com a presença da pesquisadora, como também com as novidades que lhes eram propostas pela professora Amanda. Nesse primeiro momento, foi necessário o contato efetivo entre o aluno e a pesquisadora para que, conquistando-o a partir de então, Antônio pudesse ganhar confiança e no momento da intervenção desenvolver as orientações de uma forma mais amigável e com melhor aceitação. Portanto, a observação ficou cercada por momentos de afetividade para com o aluno, como por exemplo, troca de comunicação não oral e carinho através das solicitações feitas por ele.
Os primeiros registros foram feitos, e após as análises foram realizadas discussões com a professora orientadora desta pesquisa, Kátia Regina Lopes Costa Freire, especialista na área do autismo, o que possibilitou que o trabalho pudesse receber um norte para qual área do desenvolvimento de Antônio seria trabalhado. Aqui, registrou-se com mais ênfase o comportamento desregulado do aluno, expresso através da agressividade e autoagressividade sempre que era contrariado em seus desejos, impossibilitando, assim, o êxito de qualquer atividade pedagógica proposta. Outro registro recorrente foi com relação ao comportamento social do aluno, como permanecer em sala de aula, por exemplo, visto que também comprometia o andamento de qualquer atividade orientada para ele. Outro ponto constatado durante as análises foi a necessidade de comunicar-se que Antônio exprimia através da comunicação não verbal, balbucio comunicativo com certa anormalidade no volume e entonação, bem como suas expressões faciais e gestos, o que demonstrava o reconhecimento da função social da linguagem para a comunicação e o desejo de se comunicar.
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Após estes momentos da análise do relatório de observação e a discussão das análises feitas com a professora orientadora, passamos a estudar uma metodologia de intervenção que alcançasse aquilo que fosse mais necessário para o bem estar de Antônio naquele momento. A escolha foi pela educação cognitiva baseada na Neuroeducação, utilizando dos estudos de Feuerstein (2014) e Vitor da Fonseca (2011). Para isso, a professora Dra. Kátia Regina Lopes Costa Freire orientou uma nova observação, sendo dessa vez baseada no documento “Programa de regulação do comportamento do aluno com TEA” (anexo I) por ela criado e direcionado a guiar uma análise mais restrita e detalhista. Com o programa, passou-se então a investigar os interesses do aluno, suas habilidades e competências – ressaltando aqui a importância de favorecê-lo com atividades que ele possa realizar e propiciar intervenções que estejam compatíveis com o seu nível de dificuldade, reforçando a capacidade que ele tem de se sobressair em novos desafios – os seus comportamentos externalizantes (agressões físicas e/ou verbais, agitação, movimentos estereotipados, etc) e comportamentos internalizantes (apatia, tristeza, depressão, raiva, angústia, alegria, afeto, etc), como também quais os acontecimentos que poderiam vir a acionar tais comportamentos, para que assim pudesse ser elaborada uma intervenção naquilo que mais o evoca a comportamentos desregulados.
A partir da nova investigação, observou-se que Antônio era solícito na maioria das vezes em que eram solicitados movimentos de afetividade como abraço, beijo ou carinho, o que proporcionou a pesquisa a incrementação do sentimento de afeição pelo trabalho realizado, fomentando um clima de cooperatividade para as demais atividades. Suas habilidades estavam voltadas para a coordenação motora. Ele apresentava comportamentos externalizantes, principalmente a raiva, agressividade e autoagressividade física, todas as vezes que era contrariado ao solicitar algo (geralmente comida e doces).
Os comportamentos internalizantes como angústia através das expressões faciais e/ou choro, eram geralmente provenientes de momentos que ele não conseguia se expressar e solicitar o que queria, ou não era compreendido em algum sinal não verbal que demonstrava, o que ratificava a necessidade de comunicação correspondida que Antônio tinha e que originava grande parte dos seus comportamentos desregulados.
Passado o momento de registro das análises, os documentos foram compartilhados com a professora orientadora e considerados para que, a partir daí, a intervenção tivesse um cunho de contribuições consideráveis aos comprometimentos mais acentuados encontrados diante dos escritos, fundamentando a pesquisa nos estudos tanto da professora orientadora como da pesquisadora.
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Na etapa posterior, a professora orientadora se reuniu com a pesquisadora e juntas analisaram que a intervenção deveria ser voltada para a área da comunicação, visto que essa comprometia o relacionamento de Antônio com a professora auxiliar e os demais participantes de sua vida cotidiana na instituição de ensino, causando ao aluno inquietação e angústia. A linguagem é um marco primordial para todo o desenvolvimento da criança com TEA, tanto para que exista uma possibilidade de mediação como para a sua relação social com os demais indivíduos da sociedade. Assim, Moraes (2015) salienta que “as dificuldades de comunicação dos autistas fazem com que eles procurem um mundo mais previsível, buscando situações conhecidas e repetindo comportamentos de modo compulsivo” efetivando os comportamentos compulsivos que Antônio expressa ao não ser compreendido ou não expressar o que de fato é o seu desejo em determinado momento.