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5. Document Processor (DOC)
5.4. INTERNAL CONTROL DIRECTIVES
5.4.3. Listing Control
Segundo Banes (2004), alguns insinuaram que o Break era apenas uma febre passageira, uma mera distração, coisa de criança. Chamado de contracultura, fazia- se presente em metrôs, estacionamentos, parques. A dita “moda” atraiu a atenção da mídia. Os passos se multiplicaram, surgiram mais Danças Urbanas e cresceu vertiginosamente o número de adeptos. Espalhou-se ainda mais pelos Estados Unidos com o lançamento de livros tutoriais e livros práticos.
A autora e outros estudiosos (GUARATO, 2008; ALVES, 2004; DAUPHIN,1999; VERÁN,1999) também apontam que as Danças Urbanas logo chegaram a outros países e continentes – Canadá, Japão além de vários países da Europa e América Latina – através do Cinema. Tanto a partir da exibição de filmes hollywoodianos como “Flash Dance” como de filmes independentes: “Wild Style”,
“Style Wars”, “Breakin”, “Breakin 2: Eletric Boogaloo”,“Beat Street”, “Body Rock”,
“The Warriors”.
De acordo com Guarato (2008), Alves (2004) e Dauphin (1999), tais filmes ajudaram a divulgar as gestualidades das danças. E não somente a dança era analisada, estudada e reproduzida por quem assistia os filmes. Além disso, os comportamentos, pensamentos, atitudes, vocabulário, roupas eram observados pelos dançarinos. Ao se identificarem com o contexto apresentado na película, apropriavam-se dos passos, da visão de mundo, dos sneakers8, das gírias e tentavam trazer tudo aquilo para sua própria realidade.
Com a chegada dos anos 1980, uma explosão de Break principalmente aconteceu nos EUA. Os meios de comunicação em massa veiculavam as Danças Urbanas e seus dançarinos não somente nos filmes. Eles eram encontrados com
8 Sneakers : Modelo de tênis confortável para a prática de esportes muito comum entre dançarinos de Danças Urbanas na década de 1980 (DAUPHIN,1999).
bastante frequência também em programas de TV, videoclipes, teatros e shows (DAUPHIN,1999;GUARATO, 2008).
As danças eram bem vistas e mal quistas nos jornais. Exaltadas em uma matéria ou outra, porém, concomitantemente eram assuntos de matérias no caderno policial. Os dançarinos sofriam constantemente com ataques repressivos da polícia por dançar em locais públicos como ruas, shoppings e etc. E se a polícia os abordasse eram acusados de baderna (BANES, 2004).
Antes da mídia o Break em especial era considerado um entretenimento deslumbrante, um jogo, uma dança originada na urbanidade. Dançar simbolizava uma luta cuja performance tinha significado social urgente para os dançarinos. Para outros era o resultado da fusão entre esportes como Ginástica Artística e certas Artes Marciais (BANES, 2004).
Quando ascendeu na mídia, os dançarinos passaram atuar de diferentes modos. Alguns optaram por uma carreira profissional e outros continuaram amadores. Isso dividiu a dança (BANES, 2004).
Para os profissionais o Break tomou uma forma mais teatralizada que apresenta um vocabulário e técnica próprios. Na medida em que isso aconteceu, outras danças Urbanas como o Locking e o Popping eram misturadas a ele, sendo dançadas juntas. A competição assumiu outros sentidos. Dessa vez, ganhar uma batalha podia significar ser premiado com um cachê ou conseguir papéis no Cinema ou poder embarcar para turnês pela Europa (BANES, 2004).
A importância das batalhas era diferenciada para dançarinos amadores. Para estes serviam para eleger aqueles dançarinos cujos estilos seriam tendências para os demais. Ou somente para disputar de forma amistosa como faziam as crianças. Também se interessavam pelas batalhas para melhorar o condicionamento físico (BANES, 2004).
As Danças Urbanas continuaram a se espalhar pelo globo tanto através de dançarinos amadores como pelos profissionais. Encontraram lugar nos espaços urbanos, nas escolas, nas escolas de dança, nos projetos sociais, nas propagandas da televisão, nas redes sociais, em diferentes sites de compartilhamentos de vídeos. Várias películas foram produzidas na década de 1980, como as comentadas anteriormente, e muitas outras foram lançadas após os anos 2000: As franquias
Step Up (2007), Step Up 2 (2008), Step Up 3 (2010), Step Up 4 (2012), Step Up 5
(2011), Save The Last Dance (2001), Save The Last Dance 2 (2007) e outros como
Take The Lead (2006) e Battle of The Year (2013).
A Globalização do Hip Hop e o lugar das Danças Urbanas
Segundo Halifu Osumare (2002) a Cultura Hip Hop tornou-se uma importante força no mercado contemporâneo de cultura popular norte-americana. Ao mesmo tempo, também se espalhou como um conjunto de comportamentos, costumes, conhecimentos, crenças e produtos underground conectando comunidades Hip Hop pelo mundo. Fez-se presente em todas as esferas culturais com muita rapidez e, ainda, sendo vendida e comprada respeitando as demandas das leis do mercado capitalista.
A globalização das Danças Urbanas permitiu que indivíduos de diferentes países se comunicassem através de seu repertório sem que estes precisassem compreender o idioma um do outro. A gestualidade da dança os conectava. Dessa forma, ao compartilhar de uma estética comum tem-se uma socialização. Em uma época de globalização das Danças Urbanas e das outras referências da Cultura Hip
Hop, parte dessa socialização contribuiu para desenvolver um corpo intercultural
com semelhanças e diferenças dançantes em várias partes do globo (GUARATO,2008; OSUMARE, 2002).
E as diferenças advêm de um processo em que tanto aquele que dança como as próprias condições do meio podem selecionar as referências a serem incorporadas ao se dançar. Processo que também inclui a modificação, a transformação do passo incorporado que pode ganhar uma forma diferenciada. Um exemplo é trazido por Guarato (2008) quando menciona em sua obra que parte dos dançarinos que não podiam frequentar academias de dança no Brasil criavam um nova forma de se usar os passos e com isso decorria uma modificação a partir do processo de apropriação (GUARATO,2008; OSUMARE, 2002).
Os passos eram alterados ao serem associados a elementos já existentes como a postura, modo de andar, correr, alongamento precário. Tais modificações passaram a ser incorporadas, praticadas e transmitidas. Assim, a dança era recriada, ressignificada encontrando um contexto próprio no cotidiano do sujeito dançante (GUARATO,2008; OSUMARE, 2002).
Danças Urbanas no Brasil
De acordo com Pimentel (1999) e Alves (2004), por volta de 1982 a dança
Break já chegara ao Brasil. Dentre as Danças do Hip Hop, o Break foi o mais
conhecido no país e seu nome foi usado como referência para essa dança ,outras Danças Urbanas e outras danças (GUARATO, 2008; ALVES, 2004; PIMENTEL, 1999).
Alves (2004) afirma que elas foram trazidas através de pessoas de classes mais abastadas que viajavam para os EUA onde aprendiam e, ao retornar, utilizavam seus passos nas casas noturnas mais badaladas. Segundo ele, quem esteve nessas festas e levou essas danças para pessoas de classes mais populares foi o dançarino Nelson Triunfo. Os autores Guarato (2008) e Pimentel (1999) não mencionam como chegaram, mas afirmam que as danças Funk e Break eram muito conhecidas entre os jovens da periferia por volta da década de 1980.
Eram encontradas nos bailes black, festas que celebravam o orgulho de ser negro. Os bailes precedem a chegada dessas danças porque existiam desde 1970 tocando gêneros musicais Soul e Funk enquanto que os primeiros registros sobre
Break foram feitos uma década após. As manifestações do Hip Hop contribuíram
para que os bailes black resistissem através do tempo (PIMENTEL, 1999).
Alves (2004) e Pimentel (1999) afirmam que as informações sobre o Hip Hop circulando no Brasil eram escassas e fragmentadas. Os objetivos do movimento ainda não eram bem conhecidos. O que se sabia sobre Break era aquilo transmitido pela TV ou veiculado nos filmes como “Beat Street”. Quem se interessava em conhecer contava com as aparições da dança na mídia à época (ALVES, 2004; PIMENTEL,1999).
Nelson Triunfo é um importante mediador das Danças Urbanas segundo Pimentel (1999). Ele dançava com o Funk e Cia na rua 24 de Maio em São Paulo levando o Break, o Funk e outras danças do Hip Hop para classes populares (ALVES, 2004;PIMENTEL,1999). Também se apresentou em programas de auditório na televisão e gravou uma abertura de novela para a rede Globo de televisão (GUARATO, 2008; ALVES, 2004).
Como já mencionado acima, o cinema também teve um papel importante para irradiar as Danças Urbanas pelo país. Dentre as películas que chegaram por aqui, as que mais se destacaram para os adeptos dessas danças, rememora-se “Beat
Street”, “Flash Dance”, “Breakin” e “The Warriors” (GUARATO,2008; ALVES, 2004).
Alves (2004) afirma que “Beat Street” contribuiu para que se entendesse que aquelas danças eram um elemento do Hip Hop. Um movimento cultural cujo universo compunha-se de outros três elementos e que se constituía junto a estes luta e resistência em favor das populações marginalizadas.
O filme “The Warriors” apresentou o mundo de gangues de rua de Nova York, as vestimentas rasgadas e coloridas, as brigas e a exclusão social sofrida pelos membros de gangue. Muitos fatores presentes no filme foram incorporados por grupos de Dança brasileiros. Em relação a eles, a lealdade entre os membros de gangue era muito marcante entre os praticantes dessas danças em Uberlândia- Minas Gerais (GUARATO,2008; PIMENTEL,1999).
Conforme explicam Guarato (2008) e Pimentel (1999), as Danças Urbanas chamaram atenção dos brasileiros porque houve um processo de identificação. Afinal, os filmes retratavam o cotidiano de indivíduos cuja realidade era semelhante àquela vivenciada pelos jovens daqui. Os atores traziam para as telas as vidas daqueles moradores das RUG’s. Personagens que moravam em pequenas casas na periferia, dependentes de transporte público precário, que eram rejeitados quando estavam nos locais centrais, mal vistos e que encontraram na dança um local de pertença.
Artistas como Prince, James Brown, consagrados na mídia internacional, contribuíram também para espalhar as manifestações de Danças Urbanas pelo país. Em especial, Michael Jackson foi um dos mais evidentes divulgadores com o lançamento milionário do álbum “Thriller” e o advento dos videoclipes, que são pequenos vídeos que ilustram as músicas. Através de seus videoclipes, Michael Jackson atingiu todas as camadas sociais fazendo vários passos de Danças Urbanas serem conhecidos (GUARATO,2008; ALVES, 2004; PIMENTEL,1999).
Com isso, constata-se que a influência dos meios massivos de comunicação e a presença da Indústria Cultural foram muito interessantes para que se divulgassem as Danças Urbanas e o Hip Hop como um todo em território brasileiro. Afinal, corroboraram para a propagação de informações sobre a Dança e do movimento. Sua circulação foi mais intensa em cidades como São Paulo, Santos, Belo Horizonte e Brasília (GUARATO,2008).
Os dançarinos iam ao cinema para assistir os filmes de dança como “Beat
Dedicavam a atenção às aparições da dança na TV, nos videoclipes. Atentos, esforçavam-se para copiar os passos buscando a maior riqueza de detalhes (GUARATO,2008; ALVES, 2004).
Segundo Guarato (2008), as estruturas dos passos sofreram modificações quando os dançarinos locais passaram a executá-los apesar das tentativas de reprodução dos passos tal qual apresentavam forma nesses meios. Eles tentaram aprender apenas olhando e dispunham apenas daquele momento para tentar dançar o que viam. Não havia ainda quem os ensinasse, manuais não acompanhavam os materiais audiovisuais lançados naquele período no país, as informações eram fragmentadas.
Os passos foram modificados, o que foi a diferença provocada pelo processo de apropriação. E isso aconteceu porque os dançarinos apresentavam uma vivência de corpo própria do contexto onde viviam, do Brasil. Já tinham uma forma deles de dançar e isso interferiu ao se debruçarem sobre novos gestos, incorporando-os ao seus repertórios. Afinal, tais gestos eram transpostos àqueles corpos que apresentavam uma vivência, um contexto e uma forma diferenciados de dançar preexistentes (GUARATO, 2008).
O modo como as informações chegavam levaram os dançarinos a desconhecer o Break, o Popping, o Locking em seus moldes oficiais. E isso resultou em fenômenos tal qual em Uberlândia, onde a nomenclatura Break era usada para se referir a movimentos próprios do Popping (GUARATO, 2008).
Dado esse contexto de dificuldade de acesso às informações e do processo de apropriação, Guarato (2008) afirma que quando as Danças Urbanas chegaram ao Brasil não foram aprendidas tais como eram nos EUA. Dentre as que eram frequentes na época destacavam-se o Break e o Funk. O autor relata também que sua chegada foi acompanhada de outras danças como o Jazz e a partir dessas danças surgiu o que se constituiu o que ele denomina de Dança de Rua. Uma expressão genuína do Brasil que condensa as três manifestações dançantes e é conhecida nacionalmente.
CAPÍTULO II
Neste capítulo apresentamos as falas dos entrevistados, as impressões sobre a presença das Danças Urbanas nas escolas em Natal/RN e suas contribuições para a Educação Física Escolar. As perguntas foram transcritas e as respostas respectivas apresentadas. Com isso, estabeleceu-se uma comparação entre elas e um diálogo com estudos já publicados. Também foram incluídas as minhas impressões subjetivas sobre as Danças Urbanas em comparação ao que se é dito pelos estudantes, observado nas escolas e encontrado na literatura.
Inicialmente, foi perguntado aos entrevistados sobre o que eles entendem ser
Hip Hop a partir da experiência de cada um com a Cultura Hip Hop, suas vivências
da dança pertencente a esse movimento. Dentre as respostas, foi observado que esse conceito foi relacionado por alguns à própria Dança. Outros o relacionaram aos Movimento e Cultura Hip Hop. E ainda houve aqueles que atribuíram ao Hip Hop um sentido bastante subjetivo a partir de seus estados emocionais e sensações.
“(...) Dança de Rua resume o Hip Hop (...)” (Participante 01, Entrevista, 2017).
“(...) Então eu fui aprendendo que o Hip Hop é uma cultura, né? E aborda várias vertentes.” (Participante 08, Entrevista, 2017).
“Pra mim, assim, o Hip Hop é tipo: Me traz paz, alegria…(...)” (Participante 03, Entrevista, 2017).
Predominou a construção do conceito de Hip Hop relacionado ao universo das Danças Urbanas nas respostas dadas. Ou seja, os participantes fundamentaram-se nas danças que vivenciam para conceber o que é Hip Hop.
O que diverge dos autores estudados. De acordo com Rabaka (2013), Price (2006), Alves (2004), George (2004), Fernando Jr (1999), Szwed (1999), Macedo
(2011), Pimentel (1999) Hip Hop é um movimento cultural nascido nos EUA por volta da década de 1970.
Dentre os participantes entrevistados, poucos reconheceram o Hip Hop como movimento. Entre estes, destacou-se a fala do participante 08 porque foi um dos poucos a entender que o Hip Hop é um movimento cultural. Chamou atenção também relatou que foi o contato prolongado com o movimento que contribuiu para que o entendesse como cultura. Foi necessário o tempo para tanto.
Isso sustenta também o que Alves (2004) e Pimentel (1999) relatam quando afirmam que as informações sobre as Danças Urbanas e o Hip Hop chegaram no Brasil escassas e fragmentadas. Para se entender o que é Hip Hop e o lugar das Danças Urbanas em seu contexto era preciso um envolvimento com ele, tempo de estudo, de dedicação. Portanto, dificilmente era uma informação a que se acessava imediatamente quando se via uma performance de Danças Urbanas ou outra via de manifestação do movimento.
E não só à época que chegou ao Brasil. O acesso às informações na cidade de Natal/RN ainda é fragmentado como decorreu com o participante 08. Quando fiz os meus primeiros contatos com a cultura nesta cidade não era óbvio que se tratava de um movimento cultural. Fato foi que percebi que o nome Hip Hop era usado para denominar a música e também a dança. Foram necessários o envolvimento assíduo com as aulas de Danças Urbanas e a pesquisa para compreender que Hip Hop é um movimento e que as Danças Urbanas fazem parte dele.
Inicialmente, o Hip Hop é reconhecidamente constituído de quatro elementos:
DJ, MC, Graffiti e Break (MIYAKAWA E SCHLOSS, 2015; PRICE, 2006; BANES
,2004; JENKINS,1999; PIMENTEL, 1999). Atualmente, os autores reconhecem que o Break não é mais a única dança que o integra. Hoje há um universo de danças relacionadas a ele que constituem um conjunto chamado de Danças Urbanas. Também que o movimento se expressa através da moda, do linguajar, do estilo de vida, do conhecimento (MIYAKAWA E SCHLOSS, 2015). Logo, não se restringe mais só aos elementos iniciais.
A ideia de que Hip Hop apresenta elementos em sua base pode ser constatado nas falas dos participantes 05, 09 e 08:
“O que eu entendi na base do Hip Hop, no cotidiano, no dia-a-dia, né? Nos anos que eu aprendi. Na verdade, o Hip
Hop é vários elementos. Não existe só um, é vários.(...)”
(Participante 05, Entrevista, 2017).
“(...) O que é Hip Hop? Hip Hop é o movimento que compõe quatro estilos. “É” quatro estilos ele (...)” (Participante 09, Entrevista, 2017).
“A dança em si, que é uma das vertentes do Hip Hop (…)” (Participante 08, Entrevista, 2017).
Embora que os participantes não concordem sobre ou não saibam que elementos são esses:
“(...) Na verdade, o Hip Hop é vários elementos. Não existe só um, é vários. Tem batida, tem estilo de roupa...A gente encontra tudo na base do Hip Hop. Estilo de roupa, estilo de música, estilos de coreografia porque muda muito (...)” (Participante 05, Entrevista, 2017).
“(...) É quatro estilos ele: Breakdance,o Graffiti, o Basquete e o rapper9. O Hip Hop pra mim é essas quatro
composições de cada um. (...)” (Participante 09, Entrevista, 2017).
Ainda sobre a fala dos participante 05 e 09, percebe-se que o Hip Hop é mais que os elementos descritos como os iniciais pelos autores referidos. Principalmente no depoimento do participante 05, constata-se que é possível contemplar todas as expressões culturais humanas no Hip Hop. Ainda, indicou que pode orientar a formação do sujeito porque tudo pode ser encontrado na base do Hip Hop.
9 Rapper: Músico que canta Rap. A expressão rap significa rhytm and poetry,em português, ritmo e poesia. Dá nome a um gênero musical estadunidense.
Nas minhas vivências e pesquisa ao longo dos anos, os elementos do Hip
Hop que conheci de forma mais aprofundada foram aqueles iniciais apontados pelos
autores. Contudo, a dança com que tinha contato não era somente o Break. As demais Danças Urbanas já me foram apresentadas mescladas com ele e todas eram concebidas como estilos de Dança de Rua. À medida que me envolvia pude conhecer várias manifestações de dança pertencentes ao universo Hip Hop.
Ao serem perguntados sobre o significado que a Dança do movimento Hip
Hop apresenta para eles foi possível observar que todos tinham uma relação muito
apaixonada com esta como vemos nas falas a seguir:
“E, como você me perguntou antes, o que ela significa pra mim é paixão. O amor que você sente quando você dança. Quando você tenta passar alguma imagem através da dança. Quando a música passa através de seus movimentos. Isso é uma paixão que você sente (...)” (Participante 04, Entrevista, 2017).
“Eu acho que a dança significa pra mim tudo. (...)” (Participante 06, Entrevista, 2017).
Afirmações semelhantes foram feitas pelos demais participantes demonstrando uma relação afetiva com a prática dessas danças. O que corrobora com a ideia de que o seu aprendizado associou-se com o envolvimento emocional dos participantes.
Os entrevistados também apontaram que tal envolvimento tem relação com o estreitamento de laços com outros dançarinos, com a constituição de suas identidades, com estados de profundas paz e harmonia e com alívio porque dançar significa escapar das pressões do cotidiano.
“(...) Pra mim a dança significa muita coisa, né. Significa se envolver com as pessoas, criar novas amizades.
Perder a vergonha. Falar diante do pessoal.” (Participante 09, Entrevista, 2017).
Ou seja, para esse participante, dançar é uma maneira de socializar e o estabelecimento desses laços tem uma importância subjetiva. Isso coloca a dança em um local de destaque em sua vida. A importância de se estar com o outro através da dança também é afirmada pelo participante 12:
“(...) eu dou o nome de amizade, família. Atrai muita gente, a gente faz amizade. Quando eu faço amizade com esse povo da dança, então pra mim é família. (...)” (Participante 12, Entrevista, 2017).
Em sua fala, 08 reflete como as Danças Urbanas contribuíram para a sua formação como sujeito, para a constituição de seus valores e atributos:
“(...) A dança em si, que é uma das vertentes do Hip
Hop, significa muito pra mim. Que através dela que eu me
tornei a pessoa que eu sou hoje. Entendeu? Uma pessoa tranquila. Uma pessoa que vê mais o lado da harmonia entre as pessoas, né? Então, através do Hip Hop eu conheci muito sobre o ser humano.” (Participante 08, Entrevista, 2017).
Destaca-se ainda em sua fala que vivenciar as Danças Urbanas foi crucial para se harmonizar e encontrar a harmonia no outro. O estado de harmonia também é relatado pelo participante 03:
“(...) Então a paz traz, muita harmonia como eu já falei e etc.” (Participante 03, Entrevista, 2017).
Alguns afirmaram que essas danças são um refúgio, que ajudam a lidar com os seus cotidianos ao aliviar seus estresses e tristezas. Nas horas alegres, os
sujeitos celebram através dessas danças também. Logo, fazem-se presentes em variados momentos de suas vidas.
“(...) Traz paz também, bastante paz porque quando eu “tô” dançando, eu esqueço de tudo...Tipo...se eu “tô” estressada? Eu jogo na dança. Eu me esqueço de tudo.Então a paz traz, muita harmonia como eu já falei e etc.” (Participante 03, Entrevista, 2017).
“(...) Significa emoção, alegria...O que a gente… Se estiver estressado dentro de casa, poderia se expressar na