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CULL Processor

Dans le document Volume 4 System Utility Programs (Page 123-127)

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4. CULL Processor

Com tempo, surgiram outras manifestações de Danças Urbanas. O Waacking ainda surgiu na década de 1970, nos clubes voltados para o público homossexual de Los Angeles. Primeiramente era chamado de “Posing” porque enquanto era dançado eram feitas poses. Também foi chamado “Punking”, nome que fazia referência a termo depreciativo usado para denominar os homossexuais (TORRES, 2015; DURDEN, 2017).

Os primeiros dançarinos de Waacking foram muito influenciados pelas películas cinematográficas como filmes mudos, musicais e seus atores e atrizes – Marilyn Monroe, Greta Garbo, Fred Astaire, Charlie Chaplin. Foram influenciados também pela Dança Jazz e pelo Locking e dançavam as músicas dos gêneros Funk e Disco (TORRES, 2015; DURDEN, 2017).

A dança se popularizou na comunidade de heterossexuais por causa do programa Soul Train e pela disputa amistosa entre o dançarino “Tinker” do grupo

“Outrageous Waackers” e o “Shabba Doo” do grupo “Lockers”. Os movimentos surgiam enquanto um tentava copiar o outro adicionando a gestualidade do Locking.

O Voguing surgiu mais adiante, por volta de 1980 no bairro do Harlem em Nova York (EUA). Foi criado por um grupo de intérpretes de dança que usavam do movimento para afirmar sua condição de serem homossexuais na cena urbana. À época, sentiam uma necessidade dessa afirmação porque não encontravam uma dança com que se identificassem no próprio meio (OLIVEIRA, 2012).

Inicialmente, era marcado por uma batalha dançada entre indivíduos não agressiva em que aquele cujos movimentos fossem considerados melhores era eleito vencedor. Em sua essência, consiste afirmar o gênero feminino no corpo masculino em movimento. Com isso questiona como os sujeitos dançantes são moldados no corpo do homem contemporâneo pela condição de “naturalidade” de gênero e sua estética torna-se marcada por uma performatividade cosmopolita (OLIVEIRA, 2012).

A origem do nome da dança advém da Revista Vogue, especializada em moda. Os dançarinos denominam-se voguers e se baseavam nas poses que as modelos dos editoriais faziam para construir o repertório de suas movimentações. Assim, enquanto dançavam, construíam fotos com seus corpos (OLIVEIRA, 2012).

De acordo com Passos (2004), o Voguing é uma sequência de vários movimentos que param e congelam constituindo poses femininas. Nesse ínterim, o foco do olhar do dançarino pode se dirigir a diferentes pontos da plateia. Sua intenção é dar forma ao espaço e para isso usam uma geometria de ângulos e linhas retas em que moldam a si e ao mundo.

A preocupação predominante no Voguing reside na construção dessa geometria. A postura do voguer é hierática, rígida e alongada o que revela uma linguagem corporal marcada por uma tensa sedução, superioridade e controle incansável. Enfim, Voguing é um modo de ser e como uma Dança Urbana é também uma “dança de gênero” porque a performance dos sujeitos relaciona a dança à condição de eles serem, seus discursos e lutas (PASSOS, 2004; OLIVEIRA, 2012).

O House surgiu por volta das décadas de 1970 e 80 em clubes noturnos dos EUA. Constituiu-se a partir do contato entre diferentes grupos étnicos, culturais e raciais advindos de várias partes do globo, que residiam nos EUA nesse período e eram parte de uma cena alternativa de Arte. Isso foi importante para conceber a identidade do público dessa dança tão diversa. Um grupo de pessoas que se une a

partir de suas diferenças. No seio de suas peculiaridades, expressavam a união, a troca e partilha através do movimento (CARRION,2016; GUARATO 2008).

Suas técnica e estética são mais ou menos fixas, pois apesar de apresentar alguns gestos padrões, seus praticantes têm uma abertura bastante significativa para compreender a dança House. Isto é, existem os passos básicos, mas o dançarino pode interpretá-los com certa liberdade, sem se prender muito a formas muito estruturadas (CARRION, 2016).

E essa interpretação mais livre se relaciona ao próprio repertório do dançarino, ao seu estilo próprio, suas ideias e ideologias. Tem relação com a intenção do sujeito com sua dança, com sua escolha por liberdade, com a medida de fluidez a que se permite, sua individualidade. Por isso, pode-se apontar dimensões que modelam o House no corpo de cada um: Subjetiva, objetiva, coletiva, individual, artística, ideológica e gregária (CARRION, 2016).

A partir dessas dimensões é possível vislumbrar uma técnica padronizada da dança House, afinal seu vocabulário é compartilhado e os que o praticam conseguem comunicar-se entre si pelos gestos dançantes e compreender uns aos outros. O que caracteriza o House como algo coletivamente construído e compartilhado, que ultrapassa a dimensão individual. E também entender que usam desses movimentos para expressarem uma ideologia livre de expectativas e pressões como aquelas existentes em outras Danças Urbanas e outras danças em geral. E isso faz da liberdade de interpretar uma marca diacrítica dessa dança (CARRION, 2016).

Incorporou gestos sensuais. E isso reflete à liberação sexual decorrente na década de 80 assim como está de acordo com a necessidade de conectar os corpos para alguns dançarinos. Seu repertório também foi muito influenciado pelas danças

Voguing e Waacking porque também foram danças que eram encontradas nos

clubes, logo compartilhavam o mesmo ambiente e uma cultura foi congregando a outra (CARRION,2016).

Além dos Voguing e Waacking, o House também teve como base o Sapateado, o Jazz e o Break. Desenvolveu-se por causa do contato entre diferentes pessoas, culturas, etnias e raças embaladas pela música House. Seu aparecimento foi também um reflexo do contato entre as diferenças em um espaço comum e dos ímpetos individuais que se expressam e se adaptam uns aos outros agregando para si e contribuindo uns com os outros (SOMMER, 2001; CARRION,2016).

Voguing, Waacking e House são algumas das muitas Danças Urbanas

existentes e disseminadas pelo mundo. Ainda podemos listar mais danças que constituem o universo das Danças Urbanas: Street Jazz (CARRION, 2016), Krump (GUARATO, 2008), Reggaeton (FAIRLEY, 2009; MORENO, 2009), Charme ou Passinho (CRUZ, 2017) e muitas mais.

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