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Linux

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3  State of the Art Multi-Core Operating Systems

3.5 Current Main-Stream Operating Systems

3.5.1 Linux

A enfermagem é a profissão que cuida da pessoa ao longo de todo o ciclo vital, para

manter ou reconquistar a saúde, pelo que constitui a profissionalização da capacidade

humana de cuidar, pela aquisição e aplicação de conhecimentos, atitudes e habilidades

apropriadas aos papéis que lhe são conferidos. De facto, a enfermagem nasce como a

profissão que cuida dos grupos sociais, do ser humano doente ou são, ao longo do ciclo vital,

de forma que recuperem e mantenham o potencial máximo da saúde. Assim, ao investir na

área científica e na prática clínica humanizada, torna-se necessária uma abordagem sobre o

cuidar.

Collière (1999) afirma que os cuidados de enfermagem representam um assunto vasto e de

uma grande complexidade. São de carácter universal e multidimensional, singularizando-se

em cada cultura, em cada sistema socioeconómico, em cada situação. Os cuidados de

enfermagem, são definidos por Hesbeen (2000, p. 69) como sendo:

“ (…) a atenção particular prestada por uma enfermeira ou por um enfermeiro a

uma pessoa ou aos seus familiares com vista a ajudá-los na sua situação. Englobam

tudo o que os profissionais fazem, dentro das suas competências, para prestar

cuidados às pessoas. Pela sua natureza, permitem sempre fazer alguma coisa por

alguém a fim de contribuir para o seu bem-estar, qualquer que seja o seu estado.”

A enfermagem é uma ciência e, como tal, está empenhada no desenvolvimento constante,

consolidando, assim, a prática clínica. Assim sendo, e por definição, as Ciências de

Enfermagem caminham na direcção do seu núcleo, na sua perspectiva epistemológica. Do seu

desenvolvimento, emergiram os modelos conceptuais em enfermagem, tendo, entre outros,

surgido a “Escola do cuidar”. Numa preambular abordagem conceptual de Cuidar em

Enfermagem, vejamos que, para Roach (1992), a enfermagem é a profissionalização da

capacidade humana de cuidar, sendo que para Lenninger (1991), cuidar é a essência da

enfermagem e, para Watson (2002), a enfermagem consiste na ciência e filosofia do cuidar.

De facto, ao longo dos tempos, o cuidar esteve implícito ao “Ser Humano”, inserido numa

comunidade. Identificar a prática de cuidados/cuidar em enfermagem desde a origem da

humanidade até aos nossos dias revela-se importante, pois, como nos refere Watson (2002),

o processo de cuidar dos indivíduos, famílias e grupos é um enfoque importante para a

enfermagem, não apenas devido às transições dinâmicas de humano para humano, mas

também em virtude dos conhecimentos necessários, valores humanos, compromisso pessoal,

social e moral do enfermeiro no tempo e no espaço.

Cuidar de indivíduos, famílias e intervir nas comunidades é o fundamento da enfermagem,

não apenas pela relação que se estabelece, mas principalmente pela aplicação daqueles

conhecimentos, valores humanos e compromisso que, através do empenho e dedicação, o

enfermeiro tem com a sociedade. Neste sentido, na base do cuidar, está também a relação

de ajuda, vontade, compromisso, conhecimentos, acções e valores que o EESMO desenvolve

ao direccionar o seu olhar profissional, por vezes desviado, para as mulheres que vivenciam

transições associadas ao desenvolvimento, como a menopausa.

Leininger (1991) apresentou o conceito de cuidado (caring) como sendo essencial e central à

enfermagem. Na perspectiva de Leininger (1991), os cuidados de enfermagem

compreendem comportamentos, funções e processos de cuidados personalizados, dirigidos

para a promoção e manutenção de comportamentos de saúde e para a recuperação da

saúde. A enfermagem engloba cuidados transculturais, centrados num cuidado humano, com

respeito pelos valores culturais da pessoa. Hoje, para além do nascimento, importa também

pensar e agir no cuidar em todas as fases do percurso de vida das mulheres, ao longo do seu

ciclo reprodutivo e não deixando de ter em conta os sentidos atribuídos por elas próprias às

suas experiências e contextos sócio-culturais.

No desenvolvimento da enfermagem e das sociedades, nomeadamente a ocidental, o direito

à saúde tornou-se um imperativo e o campo de competências de um/a enfermeiro/a deve

estar em sintonia com o campo de capacidades e necessidades da utente. Isto exige, por

parte do EESMO, que não actue como substituto da pessoa / utente, mas sim, que a leve a

ultrapassar os seus processos de transição de acordo com as suas necessidades, dificuldades

e potencialidades. Desta forma, informar e ensinar são intervenções capazes de potenciar -

“empoderar” - as mulheres, preparando-as para vivenciar a menopausa, constituindo a pedra

angular da profissão de enfermagem.

Watson (1989) tem uma perspectiva de cuidar existencial, fenomenológica e espiritual,

inspirada em valores humanistas, na arte e na ciência. Nesta perspectiva, está implícita uma

valorização da vida, com respeito pela sua autonomia e liberdade de escolha. A

enfermagem, na perspectiva de Watson, citada por Fazenda et. al (1993, p. 11), é “(…)

talvez a melhor abordagem que a enfermagem pode fazer, dentro do contexto da ciência do

cuidar e examinando as necessidades humanas, é desenvolver uma abordagem dinâmica e

holística que sintetize os quatro componentes (biofísico, psicofísico, psicossocial e intra-

pessoal).” Assim, o enfermeiro dirige a sua atenção à pessoa como um todo, único, digno;

alguém detentor de uma visão do mundo que lhe é específica, tais como valores, crenças,

cultura, sentimentos e emoções próprias.

Collière (1999) defende que o cuidar em enfermagem se centra na interrelação de quem

presta assistência e de quem necessita de ajuda. Argumenta que o ser humano consciente -

com objectivos e capacidades de desenvolvimento e de aquisição - possui o domínio de

pensar, sentir, acreditar e actuar, imputando à pessoa a característica de ser único, que

interage com o meio envolvente, podendo ser influenciada e influenciando-o, pelo que o

enfermeiro deve respeitar sempre a individualidade e manter a visão holística da pessoa.

Citando ainda Collière, esta autora refere que:

“ (...) dois tipos de cuidados de natureza diferente: - Os cuidados quotidianos e

habituais: care, ligados às funções de manutenção, de continuidade da vida; - os

cuidados de reparação: cure, ligados à necessidade de reparar o que constitui

obstáculo à vida. Os cuidados quotidianos e habituais ou cuidados de sustento e

manutenção da vida: care representa todos esses cuidados permanentes e

quotidianos que não têm outra função para além de sustentar a vida,

reabastecendo-a em energia, seja de natureza alimentar, a necessidade de água (...)

cada um destes aspectos interferindo entre si”. (1999: 237)

Para Roach (1992), o cuidar - embora não sendo único à enfermagem, no sentido de a

distinguir das outra profissões - torna-se único já que, entre as outras características descritas

para a enfermagem, é considerado a sua essência, onde as outras características se integram

e corporizam.

No entanto, perspectivar o cuidar e definir domínios do conhecimento implica identificar

especificidades e afirmar “territórios” do saber constituído. Uma das dificuldades com que se

confrontam as diversas perspectivas que tentam apresentar argumentos em torno de uma

Enfermagem Avançada é a especialização, o aprofundamento de competências e a

expansão do saber. E é nesta valorização do pensamento crítico em Enfermagem que

emerge o conceito de transição.

Chick e Meleis (1986, p.239) expressam que “(…) a transição é uma passagem ou movimento

de um estado, condição ou lugar para outro”. Esta citação traduz a necessidade de que este

processo exija do ser humano a utilização imediata de mecanismos ou recursos de suporte

disponíveis para o confronto e adaptação, visando a resolução bem sucedida de desajustes,

conflitos, desorganização ou desarmonia, encontrando assim uma nova maneira de ser e de

estar. Embora se considere que o conceito de transição aplicado à enfermagem seja

contemporâneo, ele foi desenvolvido há mais de duas décadas.

As transições são, portanto, componentes do domínio de enfermagem (Meleis, 1997). Ao

aplicar o cuidado, em enfermagem, diante de eventos de transição, surge o cuidado

transicional, descrito por Zagonel (1999). O cuidado transicional não é algo definível,

palpável, visível, Não é algo que se possa reduzir a uma simples definição. Todavia, surge

da consciencialização do/a enfermeiro/a ao descobrir a compreensão da mulher em

menopausa, enquanto esta vivencia o processo transicional. Pelo facto de a transição

permear todos os momentos da vida, precisam de ser enfrentados através de

comportamentos que possibilitem o cuidado particularizado a cada situação vivenciada.

O conhecimento sobre a Teoria das Transições subsiste no empoderamento daquelas que o

desenvolvem, das que o usam e das que beneficiam dele. A compreensão das propriedades

e das condições inerentes a qualquer processo de transição impulsionará o desenvolvimento

de cuidados de Enfermagem que sejam congruentes com a experiência única dos clientes e

das suas famílias, promovendo respostas saudáveis à transição (Meleis et al, 2000).

Desenvolvendo uma breve nota de encerramento, importa estabelecer um paralelismo entre o

fenómeno da menopausa, o cuidar e o modelo conceptual da Teoria das Transições na

trajectória da Enfermagem, porque a menopausa - como processo natural de transição na

vida de toda a mulher - comporta o desafio que marca o fim da vida reprodutiva feminina e

faz-se acompanhar de mudanças hormonais e/ou físicas, e/ou emocionais, e/ou sociais. O

objectivo principal do atendimento integral, com abordagem à Teoria das Transições, é situar

as mulheres nessa nova etapa da vida, para que possam vivê-la como um processo natural e

fornecer-lhes instrumentos que favoreçam conhecimentos, contribuindo para que sejam

proactivas e responsáveis pela sua própria saúde e bem-estar, com qualidade de vida.

É, portanto, pertinente a abordagem que Sardo e Sousa (1999) fazem às qualidades que o

EESMO deve desenvolver nas suas práticas, apoiando-se em Bergman, segundo o qual se

limitam à habilidade, responsabilidade, autoridade e autonomia, objectivando assim o

campo de acção de uma profissão. Para que as qualidades sejam mobilizadas, é necessário

que o/a enfermeiro/a seja detentor de um corpus de conhecimentos próprio que sustente a

sua actuação e que seja capaz de mobilizar, integrar e transferir esses saberes teóricos com

os saberes adquiridos com a experiência, conseguindo uma prática reflectida com base no

pensamento crítico. Só reflectindo na e acerca da nossa prática e tomando consciência do

que é evidente, ou seja, daquilo que constatamos, poderemos contribuir para a evolução da

disciplina de Enfermagem, para a melhoria da prática dos cuidados e para a (re) construção

da identidade profissional.

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