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a) Área de lavra: perfazia uma faixa de terreno com largura variando de 100 a 150 metros, que iniciava defronte a parede nordeste da cava da Mina Esperança e seguia, na direção sudoeste, pela cumeada da Serra das Farofas por uma distância aproximada de 1.000 metros. Na extensão em que esta faixa margeava a cava da mina, a crista da Serra sofreu um rebaixamento de aproximadamente 40 metros. Constatou-se, ainda, que a extremidade noroeste da cava da mina ultrapassou a linha de crista da montanha, modificando o divisor de águas, passando a drenar, para Brumadinho, área pertencente ao município de São Joaquim de Bicas. No restante da faixa mencionada, onde a EMESA promoveu a extração de minério de canga, verificou-se a conformação da frente de lavra em bancadas dispostas de maneira não muito regular, com alturas em torno de 5 metros e bermas com aproximadamente 3 metros de largura. Em toda área de lavra, eram raros os pontos que possuíam vegetação, e não existia um sistema de drenagem pluvial que conduzisse as águas para as laterais e daí para bacias de contenção de sedimentos. Essa drenagem vinha ocorrendo pela crista das bancadas, provocando erosões em sulcos perpendiculares e o consequente carreamento de matérias para o Córrego Elias, ou em menor proporção, para o interior da cava da Mina Esperança. Na Figura 74 pode ser observada a área da antiga lavra da EMESA na vertente do município de São Joaquim de Bicas, no local conhecido como Mina Saraiva.

Figura 74 – Área da antiga lavra da EMESA, na vertente do município de São Joaquim de Bicas, local conhecido como Mina Saraiva

Fonte: Acervo do autor (janeiro/2003).

b) Depósitos de Estéreis: Na vertente de São Joaquim de Bicas, dois depósitos de estéreis de EMESA estavam localizados ao norte da extremidade da cava da Mina Esperança à montante do Córrego Cocho das Éguas. Da mesma forma como acontecia na vertente de Brumadinho, o lançamento do material estéril era em ponta de aterro, sem maiores preocupações quanto à sua contenção, drenagem ou preservação de nascentes. Um deles, mais antigo, estava parcialmente coberto por vegetação, porém ainda apresentava processos erosivos. Uma de suas faces, voltada para sudoeste, desenvolveu inclinação muito acentuada, ocasionando deslizamentos de encostas. O entorno de sua base possuía vegetação arbórea expressiva, que contribuiu para amenizar efeitos da erosão. O segundo depósito de estéreis ficava mais próximo da área de extração de minério da EMESA, drenando igualmente para o Córrego Cocho das Éguas. Permaneceu quase totalmente desprovido de vegetação que se apresentava em alguns pontos situados ao longo das cristas formadas pelos inúmeros sulcos que partiam da ponta em direção à base. Já a área à jusante da base possuía cobertura vegetal, embora menos expressiva que a do primeiro depósito. Constituiu-se na maior fonte de sedimentos que assoreava o Córrego Cocho das Éguas. A EMESA elaborou um projeto para a estabilização deste depósito, o qual foi aprovado pela FEAM em 1992, porém sem nunca ter sido colocado em prática. Na Figura 75 podem ser observados os depósitos de estéreis na vertente de São

Joaquim de Bicas. Na Figura 76, pode ser observado o deslizamento do material desses depósitos para a drenagem do Córrego Cocho das Éguas.

Figura 75 – Depósitos de estéreis conhecido como pilha Elias, localizados na vertente de São Joaquim de Bicas

Fonte: Acervo do autor (fevereiro/2002).

Figura 76 – Deslizamento de material da Pilha Elias para a vertente do Córrego Cocho das Éguas

Fonte: Acervo do autor (fevereiro/2002).

c) Córrego Elias: Possuindo suas cabeceiras no flanco noroeste da Serra das Farofas, o Córrego Elias é afluente pela margem esquerda do Rio Paraopeba, desaguando cerca de 1 km à montante da ponte da Rodovia BR-381 sobre este rio, no município de São Joaquim de Bicas. Esse Córrego nasce a sudeste, junto à antiga Mina do Pau de Vinho, cujos processos erosivos decorrentes de sua explotação no período 1992-1995 pela empresa Carvominas – Carvoejamento Minas Ltda causaram assoreamento neste curso d’água. Após percorrer certa distância, recebe pela margem direita o Córrego Cocho das Éguas, o qual tem sua cabeceira junto aos antigos depósitos de estéreis da EMESA, conhecido como Pilha Elias. O Córrego Cocho das Éguas percorre cerca de 800 metros antes de desaguar no Córrego Elias. Desde o sopé da Serra até a confluência, formou-se, ao longo do Córrego Cocho das Éguas, uma extensa planície aluvial, composta de material proveniente do despejo de 60 anos, aproximadamente, de atividade minerária em suas cabeceiras. No início da década de 70, a quantidade de material na planície atingiu níveis tão elevados que viabilizaram um alvará de lavra e a criação de uma empresa, a Empresa Paraopeba Ltda (EMPARA), com a finalidade de aproveitar o minério ali depositado. Anos depois, a EMPARA foi vendida e acabou por

adquirir o controle acionário da EMESA. Havia um plano de recuperação do Córrego Cocho das Éguas, elaborado por essa empresa e aprovado pela FEAM em 1992, mas ele somente era possível de execução se fosse realizada a contenção dos depósitos de estéreis situados à montante. Na Figura 77 pode ser observada a foz do Córrego Cocho das Éguas com as águas turvas do Córrego Elias. A Figura 78, mostra parte do leito do Córrego Cocho das Éguas, à jusante dos depósitos de estéreis, assoreado.

Figura 77 – Córrego Cocho das Éguas e sua foz, com as águas turvas do córrego Elias, que nasce nas proximidades da Mina Pau de Vinho

Fonte: Acervo do autor (fevereiro/2002).

Figura 78 – Leito do Córrego Cocho das Éguas, assoreado à jusante dos depósitos de estéreis

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