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4. CONNECTED BID

A Serra das Farofas (trecho da Serra do Curral, onde se insere a EMESA), é integrada predominantemente por litologias paleoproterozóicas pertencentes ao Supergrupo Minas, além de rochas intrusivas de natureza básica, ou ácida (granitos e pegmatóides), de idade Pós-Minas. No flanco sul desta Serra ocorre rochas granito- gnáissicas atribuídas ao assim designado Gnaisse Souza Noschese, que representa o embasamento arqueano e são correlacionadas ao Complexo Bonfim. O Supergrupo Minas, nos domínios dos direitos minerários em tela, está representado pelo Grupo Caraça, através de quartzitos e filitos atribuíveis, respectivamente, às formações Moeda e Batatal, no flanco sul da Serra; pelo Grupo Itabira, integrado pelas formações ferríferas itabiríticas e rochas hematíticas, da Formação Cauê, além de itabiritos e filitos manganesíferos que ocupam a porção cimeira da Serra; e pelo Grupo Piracicaba, do qual ocorrem filitos e quartzitos ferruginosos da Formação Cercadinho, e que ocupam o flanco norte da Serra das Farofas.

A Formação Itabirito Cauê, primordialmente, constitui a unidade litoestratigráfica que encerra as litologias que integram a jazida de minério de ferro, objeto do presente estudo, e, secundariamente, a Formação Gandarela. A rigor, o contato entre essas duas unidades é transicional, a partir do aparecimento dos itabiritos dolomíticos.

Na faixa de topo da Serra, ocorrendo de forma associada, como camadas interdigitadas, notavelmente deformadas, destacam-se as rochas itabiríticas e hematíticas, entre as quais se distinguem os seguintes litotipos:

a) Hematita Compacta (HCO): ocorrem como corpos discordantes, com espessuras métricas a decamétricas, entremeados nos itabiritos, apresentando-se com coloração cinza metálico a cinza azulado, com tonalidades avermelhadas de alteração, fortemente fraturadas. Corpos lenticulares, de pequena extensão e espessura, ocorrem associados a itabiritos dolomíticos da Formação Gandarela (GEOMIL, 2012).

b) Itabirito Hematítico (IHM): apresentam caráter bandado típico, com o predomínio das bandas hematíticas sobre aquelas de sílica ou carbonato. O óxido predominante é a hematita, mas com magnetita frequente. Podem se apresentar como rocha sã ou intemperizada, neste caso apresentando matizes avermelhadas.

c) Itabirito Anfibolítico (IAN): ocupam uma porção importante na sequência das formações ferríferas, posicionando-se estratigraficamente em sua base, junto aos filitos da Formação Batatal. Quando isentas de intemperismo, estas rochas exibem tonalidades esverdeadas, observando-se a presença de agulhas de anfibólios orientados segundo a foliação e, quando alterados, exibem coloração amarelo-ocre típica.

d) Itabirito Manganesífero (IMN): têm presença subordinada, ocorrendo geralmente no contato entre o pacote de formações ferríferas e as sequências superiores. Apresentam-se normalmente friáveis, de coloração escura a preta.

e) Itabirito Carbonático (ICA): são bastante expressivos na sequência metassedimentar química, apresentando-se de forma praticamente contínua na porção mais ao norte da Serra. Quando semi-intemperizadas a saprolitizadas, as bandas de carbonatos exibem coloração típica amarronzada a amarelada.

5.3 Geomorfologia

No aspecto geomorfológico microrregional, a área encontra-se inserida no conjunto denominado de Serra do Curral.

A área focalizada neste estudo abrange o segmento denominado como Serra das Farofas, extensão oeste da Serra do Curral, que é sustentada por rochas itabiríticas e hematíticas da Formação Cauê (Grupo Itabira – Supergrupo Minas), onde

as cotas altimétricas máximas predominantes situam-se entre 1.300 m (oeste) e 1.100 m (leste).

A Serra das Farofas, local de inserção do empreendimento, é composta por um alinhamento de cristas com aproximadamente 12 km de extensão, partindo da BR- 381 até atingir o local denominado Fecho do Funil, importante quebra na topografia, resultante de uma falha geológica, formando um canyon por onde atravessa o Rio Paraopeba. Sua feição estritamente morfoestrutural, representa, basicamente, um extenso hogback, onde sua vertente sul caracteriza o reverso, e a porção norte constitui o seu front. A Figura 8 mostra a inserção da Serra das Farofas no Quadrilátero Ferrífero.

Figura 8 – Denominação fisiográfica das Serras do Quadrilátero Ferrífero, destacando a Serra das Farofas, onde se localiza a EMESA

Fonte: Landsat Embrapa, Miranda e Coutinho (1994 apud GEOMIL, 2012).

A morfoestrutural da Serra é condicionada por fatores associados aos níveis de alteração das rochas. A alteração supergênica de rochas, como o itabirito, proporciona o surgimento de encostas íngremes. Em oposição, itabiritos friáveis, de mais fácil alteração, condicionam encostas de menor declividade. A morfoestrutural encontra-se condicionada a fatores endógenos tais como dobramentos, fraturamentos e soerguimentos ressaltados mais especificamente nas escarpas de maior elevação da Serra.

Nas áreas marginais à Serra, o relevo torna-se mais suavizado se comportando-se como morros arredondados de baixa elevação com talvegues apertados e planos ondulados. Ao norte, essas feições encontram-se associadas a rochas metassedimentares dos Grupos Piracicaba e Sabará, ao sul são sustentadas pelo substrato gnáissico e vulcanossedimentares do Grupo Nova Lima (MEDINA et al.

2005). Essas feições correspondem às unidades de relevo denominadas morros de transição e arredondados.

A Figura 9 mostra o perfil topográfico e geológico da Serra do Curral no trecho da Serra de Igarapé, evidenciando a compartimentação geomorfológica dos terrenos:

Figura 9 – Perfil topográfico e geológico da Serra do Curral no trecho da Serra de Igarapé evidenciando a compartimentação geomorfológica dos terrenos

Fonte: Silva (2007).

A recorrente atividade minerária promoveu grandes alterações na morfologia original da Serra (principalmente através das empresas incorporadas à MMX e pela Mineração Esperança). Sua cumeada apresenta variados cortes em grandes extensões de área e alterações de declividade nas encostas. A condução da lavra em sistema de cava/encosta promove expressiva alteração na configuração morfológica, realocando níveis de base e consequentemente, proporcionando mudanças na orientação do modelamento do relevo.

A Serra das Farofas corresponde a um divisor de águas local, sendo que em ambas as encostas, no trecho onde se situam as instalações da antiga Mina Esperança, os cursos d’água que nela têm origem configuram afluentes diretos e indiretos da margem esquerda do Rio Paraopeba, posicionado aproximadamente na cota 720 m a sudeste da área e correndo na direção N-S.

A Figura 10 mostra as bacias hidrográficas e as drenagens da área onde se localiza a EMESA:

Figura 10 – Bacias hidrográficas e drenagens da área onde se localiza a EMESA

Fonte: GEOMIL (2012).

5.4 Solos

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