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Com o advento do capitalismo industrial, o trabalho passa a ser assalariado. Grupos de indivíduos que possuem somente sua força de trabalho a vendem a um capitalista que, do outro lado, é dono dos meios de produção necessários para se criar um produto que passa a ser mercadoria e ter um valor - de - troca. A transformação do trabalho em elemento subordinado à troca e à propriedade privada, segundo Antunes (2004, p. 173), promove a alienação e o estranhamento6 do trabalho. A base do estranhamento é a apropriação privada dos bens

produzidos coletivamente.

De acordo com Antunes (2004) e Ranieri (2001), o trabalho estranhado promove novas formas de exploração do trabalho, a partir da reestruturação produtiva ocorrida no final do século XX. Entre essas novas formas, apresenta-se a intensificação do trabalho como elemento de concentração e centralização do capital. (RANIERI, 2001, p. 06).

Os dois principais elementos que promovem o processo de intensificação do trabalho são, segundo Dal Rosso (2006), a polivalência e o uso de novas tecnologias. O trabalhador realiza diversas tarefas ao mesmo tempo, utilizando-se de instrumentos e máquinas portadoras de novas tecnologias, que também realizam tarefas múltiplas, reduzindo consideravelmente o número de pessoas necessárias para a realização do trabalho.

São denominados intensificação do trabalho os processos que resultam em maior dispêndio das capacidades físicas, cognitivas e emotivas do trabalhador com o objetivo de elevar a quantidade ou melhorar a qualidade dos resultados. (DAL ROSSO, 2006, p. 70).

O trabalho docente inserido na lógica capitalista pode se tornar trabalho estranhado, alheio e oposto ao professor.

Garcia e Anadon (2009) afirmam que

Entre os aspectos e as mudanças que apontam para a precarização do trabalho dos professores podem-se destacar a desqualificação da formação profissional dos docentes pela pedagogia oficial das competências, a intensificação do trabalho dos professores em decorrência do alargamento das funções no trabalho escolar e das jornadas de trabalho, os baixos salários docentes que não recompuseram as perdas significativas que sofreram nos anos da ditadura militar. Também a padronização dos currículos do ensino básico e da formação docente e a instituição de exames nacionais favoreceram a emergência de novas estratégias de controle, baseadas na auditoria, no desempenho e no recrudescimento da culpa e da autorresponsabilização docentes. (GARCIA E ANADON, 2009, p.67)

Segundo Garcia e Anadon (2009), entre os aspectos e as mudanças que apontam para a precarização do trabalho dos professores podem-se destacar

a desqualificação da formação profissional dos docentes pela pedagogia oficial das competências, a intensificação do trabalho dos professores em decorrência do alargamento das funções no trabalho escolar e das jornadas de trabalho, os baixos salários docentes que não recompuseram as perdas significativas que sofreram nos anos da ditadura militar. Também a padronização dos currículos do ensino básico e da formação docente e a instituição de exames nacionais favoreceram a emergência de novas estratégias de controle, baseadas na auditoria, no desempenho e no recrudescimento da culpa e da autorresponsabilização docentes. Essas estratégias estão deslocando, em parte, formas de controle do trabalho docente que predominaram na organização curricular da década de 1970, baseadas na vigilância e supervisão direta dos professores pelos chamados especialistas da educação e na demanda intensa de trabalho burocrático para prestação de contas do ensino. (GARCIA, ANADON, 2009, p.67)

De acordo com Enguita (1991), a urbanização e a expansão do ensino público e privado, e a consequente hierarquização da organização escolar, com a figura do diretor e dos especialistas educacionais, resultaram numa redução da autonomia docente no processo educacional. A padronização dos programas de ensino e dos currículos escolares contribuiu para uma diminuição na participação do professor no resultado do seu trabalho, já que estas regulamentações influenciam no conteúdo que o professor deve ensinar e em como ele irá ensinar.

Atualmente, o papel do professor ultrapassa a mediação do processo de conhecimento do aluno, o que amplia a missão do profissional para além da sala de aula, a fim de garantir uma articulação entre a escola e a comunidade. O professor, além de ensinar, precisa participar da gestão e do planejamento escolares, o que significa uma maior dedicação, a qual se estende às famílias e à comunidade.

Apesar do sucesso da educação depender do perfil do docente, a administração escolar não fornece os meios pedagógicos necessários à realização das tarefas, cada vez mais complexas. Os professores vêem-se obrigados a buscar, então, por seus próprios recursos, formas de requalificação que se traduzem em aumento não reconhecido e não remunerado da jornada de trabalho (TEIXEIRA, 2001; BARRETO E LEHER, 2003; OLIVEIRA, 2003).

É necessário esclarecer que o sistema escolar transfere ao profissional a responsabilidade de cobrir as lacunas existentes na instituição, a qual estabelece mecanismos rígidos e redundantes de avaliação e contrata um efetivo insuficiente, entre outros.

No contexto do neoliberalismo, o conceito de competências transfere para o indivíduo sua própria formação e a responsabilidade de execução das ações pedagógicas cotidianas. É

necessário reconhecer que neste contexto a formação básica dos professores foi minimizada em detrimento de uma maior valorização das “experiências” de trabalho e de uma concepção individualista de sucesso nas escolas (CUNHA, 1999; LÜDKE E BOING, 2004; SAMPAIO E MARIN, 2004). É necessário demonstrar que nos últimos anos as escolas e seus professores tiveram um aumento significativo da responsabilização por questões sociais mais amplas.

O crescimento da responsabilização e da culpabilização, associada à sobrecarga de trabalho, ao enfraquecimento do poder do magistério e a redução da expectativa social com relação à escola, parecem características do ofício de professor neste início de século, não somente no Brasil, mas em várias partes do mundo desenvolvido ou em desenvolvimento.

Através da análise da evolução do sistema educacional, pela relativa democratização do público escolar e pela complexificação dos objetivos do ensino, o professor é colocado diante de uma atividade em completa modificação. O acúmulo de tarefas, os novos tipos de comportamentos dos jovens, seja com relação à autoridade do professor, seja com o significado do ato de aprender, levam os professores a construir regularmente a “ordem escolar”. (VASCONCELOS, 2002)

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