Progressivamente reconhecida como um fator de competitividade empresarial, a logística ascendeu a uma função de destaque no contexto organizacional devido ao potencial de ganhos ou proveitos a obter através da gestão dos fluxos de materiais, desde a origem até aos seus destinos. Esses ganhos podem traduzir-se, entre outros, na redução de custos ou no aumento do nível de serviços prestados ao cliente.
No presente, os responsáveis e decisores empresariais veem que a vantagem de uma aposta na gestão da logística pode originar a redução ou eliminação de inventários existentes entre as funções da empresa e entre estas e o exterior, nomeadamente com os clientes e fornecedores. Os ganhos ao nível do serviço prestado aos clientes também podem ser substanciais, com evoluções em vários elementos que compõem o serviço aos clientes, como a diminuição do prazo de entrega ou o aumento do volume das entregas com baixa probabilidade de enganos. Por fim, as vantagens podem ser evidentes em termos dos custos totais de logística.
Mas, reportando à literatura, verifica-se que apesar de existir um consenso generalizado sobre a importância desta nova área disciplinar nas ciências empresariais, existem porém múltiplas definições de Logística ou de gestão logística (Pimor et
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al.,2008). De acordo com o dicionário de língua portuguesa da Porto Editora3 a logística é um termo de origem militar, que se estendeu às organizações civis como a ”organização dos pormenores de uma operação ou de um processo”.
Mais amplamente, segundo o comité científico da CNL (2015)4, o vocábulo
logística é na atualidade um conceito polissémico, que se pode designar conforme o contexto em que é utilizado, nomeadamente em três campos distintos:
Em primeiro lugar, a Logística designa um conjunto de operações “físicas” sobre os produtos, que complementa a sua fabricação, e que incluem o transporte, o manuseamento de materiais, a armazenagem e a embalagem, agregando valor aos produtos finais (Savy, 2016).
Em segundo lugar, o mesmo termo designa uma das componentes das ciências empresariais, pelo argumento de que a empresa e as suas relações (ao nível interno e interempresarial) são constituídas por um sistema de fluxos de informação e de produtos fundamentais à gestão empresarial.
Por último, a logística é um sector da economia emergente, constituído pelas empresas de prestadores de serviços logísticos.
Para a mesma definição do termo Logística, também outros autores como Pimor et al. (2008) salientam que a Logística engloba as funções de transporte, armazenamento, manuseamento de produtos e, nas empresas com produção, alarga o seu domínio a montante, englobando as compras e o fornecimento, e a jusante com a gestão comercial e a distribuição. Relembrando a sua funcionalidade na esfera militar que era “disponibilizar os materiais certos, onde for necessário e quando for necessário”.
Na opinião destes autores existem diversos tipos de logística com objetivos e métodos diferentes como: a logística de abastecimento que fornece os equipamentos e componentes necessários à produção.
3 Logística in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora. Disponível na internet: http://www.infopedia.pt/ dicionários/lingua-portuguesa. Consultado em 2016-01-31.
4 Relatório da Conferência Nacional sobre Logística em França (CNL). Acedido em 2016-02-26.
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A logística de abastecimento geral para produtos de uso corrente, como por exemplo o economato. A logística de produção que disponibiliza as matérias necessárias ao processo de fabrico. A logística da distribuição, utilizada pelos distribuidores, que consiste em fornecer aos clientes finais, ou nas grandes áreas comerciais, os produtos de acordo com as suas necessidades.
Na sua opinião, ainda são referenciadas a logística militar e de suporte e abastecimento de índole militar, a atividade designada por serviço pós-venda e a logística inversa.
De acordo com Ballou (2006), inicialmente a distribuição física e posteriormente a logística foram áreas disputadas pela produção (invocando o tempo) e pelo marketing (invocando o “place”) nas empresas. Como resultado dessa disputa começou a desenvolver-se uma nova função na estrutura organizacional das empresas, estimulada pelo reconhecimento de que os custos logísticos eram altos e que havia uma oportunidade não realizada para os reduzir.
Esta disputa entre funções organizacionais, académicos e profissionais originou uma proliferação de termos em relação à logística, que contribuiu para uma normalização das definições existentes, como as que se enunciam como referência para os investigadores e profissionais da área:
Tabela 3- Definições Normalizadas de Logística e de Função Logística5
Definição Referência
Planeamento, execução e controle do movimento e colocação de pessoas e/ou bens e das atividades de suporte relacionadas com esses movimentos e colocação, dentro de um sistema organizado para alcançar objetivos específicos.
Norma EN 14943:2011
e ELA (2004) A logística é um processo de conceção e gestão da cadeia de
abastecimento num sentido mais amplo. Esta cadeia pode compreender o fornecimento de matérias-primas necessárias à produção, através da gestão de materiais no local de fabrico, expedição para os armazéns e centros de distribuição, triagem, movimentação e distribuição final para o local de consumo. CEE/ONU e Fórum Internacional de Transportes 5 Tradução do autor.
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Função cuja finalidade é satisfazer as necessidades expressas ou latentes, às melhores condições económicas para a empresa e para um determinado nível de serviço. As necessidades são de natureza interna (aquisição de bens e serviços para assegurar o funcionamento da empresa) ou externa (satisfação dos clientes). A Logística recorre a vários métodos e conhecimentos/aptidões que contribuem para a gestão e controlo de fluxos físicos, informação e recursos.
NF X 50-600
A Logística ou Gestão Logística é uma parte da Gestão da Cadeia de Abastecimento que planeia, implementa e controla de forma eficiente e eficaz os fluxos (incluindo os inversos) e armazenamento de matéria-prima, produtos em vias de fabrico e produtos acabados e toda a informação associada desde o ponto de origem ao ponto de consumo, de forma a satisfazer os requisitos dos clientes.
Council of Supply Chain Management
Professionals (2016)
De salientar, nestas definições apresentadas, a possibilidade de distinguir dois traços relevantes relacionados com o conceito apresentado. Em primeiro lugar, destaca- se o reconhecimento de quatro grandes áreas da logística, que são a logística de montante ou de aprovisionamento, que visa assegurar o fluxo de entrada e saída de produtos e mercadorias. A logística interna ou de produção, relacionada com os fluxos de fabricação no local de produção ou assemblagem. Existe também a referência à logística a jusante, que corresponde ao abastecimento das redes de distribuição e, por último, a logística inversa, que consiste na recolha de produtos ou elementos não utilizáveis para tratamento ou reciclagem.
Num segundo ponto é possível distinguir formalmente, através da definição do CSCMP (2016), a prática anglo-saxónica de particularização do conceito de Logística em relação a Gestão da Cadeia de Abastecimento.
Consequentemente, face ao exposto e num cômputo geral, destaca-se o facto de a Logística se assumir como um sistema que abarca um conjunto de atividades, como os transportes, a gestão de infra-estruturas, a gestão de inventários, manuseamento de produtos e a informação e comunicação, fatores determinantes para os objetivos do presente trabalho.
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