6 Postes de déchargement d’hydrogène gazeux chez les utilisateurs
6.6 Limitation des dommages dus au feu
Relativamente à fotografia, esta técnica foi accionada nas Lojas do Mundo, feiras e eventos em que a organização participou.
Existem, ainda, escassos guias e reflexões detalhadas sobre a utilização da fotografia social em trabalhos desta índole, o que reflecte a parca importância que esta técnica recolhe no conjunto dos procedimentos técnicos habitualmente mobilizados na pesquisa sociológica. Porém, e como realça Harper, “muitas categorias sociológicas são baseadas em fenómenos observáveis e, na verdade, muitos destes fenómenos podem ser mais bem compreendidos se forem fixados em imagens fotográficas do que apresentados por escrito num caderno de campo” (Lee, 2003: 87). Nesta pesquisa utilizei ambas as técnicas, o diário de campo e a fotografia.
Num mundo em constante mutação e movimento, o recurso à fotografia reveste- se de capital utilidade, no sentido em que esta técnica encerra em si a imobilidade de um determinado momento, captado pela lente num dado instante. Uma fotografia comprova que aquilo que observamos existiu realmente, como afirma Roland Barthes: “toda a fotografia é um certificado de presença” (Barthes, 2005: 122). A utilização da fotografia social baseia-se em dois grandes pilares: por um lado, propõe-se documentar a investigação com registos perenes da realidade observada, servindo, deste modo, como ponto de apoio para a sua caracterização e problematização; por outro lado, visa fortalecer a heuristicidade do processo de pesquisa, ao apontar para novas dimensões de análise e novas questões a colocar ao fenómeno observado e fotografado. O “princípio
de interrogação da documentação fotográfica” de que fala Suchar reporta-se a um “processo interactivo através do qual as fotografias são usadas como modo de resposta ou de formulação de questões acerca de um assunto particular” (Lee, 2003: 89). Neste sentido, a função heurística do recurso à fotografia social aproxima-se dos procedimentos analíticos da “teoria fundada” (grounded theory) de Glaser e Strauss (Glaser et al, 1967), na medida em que faculta o enriquecimento e a inovação teórica a partir dos dados empíricos recolhidos.
No âmbito desta pesquisa empírica, as fotografias foram tiradas de modo espontâneo, isto é, sem recorrer a um guião previamente estabelecido. O recurso à fotografia social pautou-se por pressupostos teórico-metodológiocos. Deste modo, foram tiradas fotografias não só nas lojas, mas também em alguns dos diversos espaços onde tiveram lugar eventos em que a Reviravolta participou, com o objectivo de apoiar a caracterização resultante da observação directa. O recurso à fotografia apresenta como grande vantagem a possibilidade de documentar a situação visual do território. As fotografias recolhidas foram posteriormente catalogadas e analisadas, e contêm uma pequena síntese interpretativa do seu conteúdo.
A importância da fotografia remete para a peculiar possibilidade que o uso desta técnica oferece ao investigador: o congelamento de um determinado momento, um instante, uma situação específica. Como refere Roland Barthes (Barthes, 2005), a fotografia “reproduz até ao infinito algo que acontece uma só vez”, isto é, repete de forma mecânica algo que não se repete existencialmente.
4.11. A construção da amostra
Colocada perante as questões de quem interrogar e porquê, e também de quem excluir e porquê, seleccionei pessoas privilegiadas pelas suas qualidades como informantes e pelos seus pontos de vista variados sobre a realidade estudada.
Como esta pesquisa se caracteriza por ser um estudo de caso, e um dos seus objectivos é o de avaliar o funcionamento da estrutura enquanto organização, decidi entrevistar a Direcção, com o intuito de apreender quais as suas representações sobre a Associação que dirigem. Tendo em conta que a Direcção é constituída por cinco
assumo um cargo directivo, ainda que na condição híbrida de suplente, optei por entrevistar a totalidade dos directores, com excepção de mim mesma, obviamente.
No funcionamento da Associação Reviravolta estão integrados imensos voluntários, de quem recolhi quatro histórias de vida. Num universo de cerca de sessenta voluntários, elegi quatro, e tive como pano de fundo uma das regras básicas da construção amostral em sociologia: a diversificação da amostra. Isto é, apliquei a técnica da amostragem por quotas, em que o acento é colocado na distribuição da população. Neste sentido, procurei voluntários com perfis diferenciados, e a escolha recaiu sobre dois elementos do sexo feminino e dois do sexo masculino, de idades diferentes. Todavia, esta opção não se afigurou fácil de concretizar, na medida em que, na lista de voluntários que gentilmente me foi cedida, constatei que o corpo de voluntários da Associação é constituído, maioritariamente, por elementos do sexo feminino.
Assim, no universo masculino, elegi dois dos voluntários mais antigos, um dos quais o primeiro voluntário português de CJ, pioneiro na introdução do conceito no nosso país, e sócio fundador da Associação Reviravolta. A outra escolha recaiu sobre um elemento que já pertenceu a Direcções anteriores da Reviravolta e que tem assumido cargos nos órgãos sociais e fiscais desde a abertura da primeira loja de CJ da cidade do Porto. Relativamente ao universo feminino, as escolhas incidiram sobre uma das primeiras associadas e voluntárias da Associação que, no entanto, nunca foi dirigente, mas que actualmente ocupa um cargo nos órgãos sociais.
Subjacente à outra opção está uma das características específicas desta Associação, que é a de que duas das suas funcionárias se integraram na organização, inicialmente, na condição de voluntárias, passando posteriormente a exercer a sua actividade de forma remunerada. Não obstante, ambas optaram por continuar a ser voluntárias, isto é, para além das horas de trabalho a que estão obrigadas, dão ainda à Associação um contributo voluntário. Por essa razão, considerei pertinente incluir um testemunho de uma delas, de forma a ilustrar esta realidade peculiar.
Estes foram, em suma, os pressupostos teóricos e metodológicos nos quais se alicerçou a minha investigação empírica.
Capítulo 5
NO MUNDO DA REVIRAVOLTA: UMA ASSOCIAÇÃO, UMA HISTÓRIA
“As pessoas tendem a ver o Comércio Justo como um acto de caridade, mas estão enganadas, pois do que se trata é de justiça. O Comércio Justo promove duas acções importantes: mudar as más condições de vida das pessoas, e é uma ferramenta de protesto, uma forma de manifestar uma opinião. Apesar disso, nós não boicotamos nada, apenas suportamos algo de positivo.” Bruce Crowther, FairTrade Towns Co-ordinator, Fairtrade Foundation (2003)