3. A New Analysis Method
3.2. Root Causes Identification
3.2.3 Levenshtein distances
PETROQUÍMICOS BÁSICOS PRODUTOS FINAIS PETROQUÍMICOS QUÍMICA FINA E ESPECIALIDADES
BRASIL PETROBRÁS Centrais Produtores Shell, Exxon, Chevron, Amoco, Mobil, Occidental
Dow, UCC, Eastman, Phippls, Quantum Himont (PP) Rexene Estados Unidos
Monsanto Shell, Exxon
Canadá
Dupont, Dow, UCC, NOVACOR
Grã-Bretanha B P, Shell
ELF ATO
França RHÔNE POULENC
VEBA HÚLS
BP ERDÖLCHEME BAYER BAYER Alemanha
Shell Row (Shell+BASF) BASF
Espanha REPSOL
Bélgica PETROFINA
ENI, ENICHEM
(Praoil) ENI, ENICHEM e subsidiárias Itália
HIMONT
Áustria ÖMV PEIROC H DANUBIA
Finlândia NESIE
IDEMITSU, PETROLEUM, IDEMITSU, PETROCHIMIC AL Japão
MITSUBISH MITSUBISH KASEI, MITSUBISH PETROCHEMICAL Yukong, Honam
Coréia do Sul
Samsung, Hyundai PEMEX
México
C YDSA, IDESA, POLIOLES
Venezuela PDVSA PEQUIVEN Dupont, Dow, UCC, NOVACOR
O Quadro 8 destaca a diversificação produtiva da maioria das empresas petroquímicas líderes do mundo, assegurando-lhes com esta estratégia, integração e diversificação, vantagens competitivas significativas para sustentar posições privilegiadas no mercado internacional.
Em paralelo e em contraponto ao que ocorria no mundo, os critérios de decisão da tecnoburocracia ganhavam forma e conteúdo, oferecendo aos decisores dos altos escalões, a bula com os benefícios da panacéia, sem a referência às contra-indicações, ou efeitos colaterais do método, atuando como verdadeiros Dale Carnegie35 na arte de persuadir pessoas. Faz-se então, da verticalização a panacéia do momento.
Assim, num contexto permeado pelos ideais desenvolvimentistas do II PND36 o processo decisório que deu origem ao programa de química fina, estava assentado em voluntarismo ideológico e idealista, intuitivismo e racionalismo burocrático, como foi mostrado nas citações e considerações sobre as discussões do I Seminário Brasileiro de Química Fina (1982).
Permeado de boas intenções, mas em contrapartida, com falta de capacidade de julgamento da realidade, das ações e de valores (CHECKLAND; CASAR, 1986), bem como, também carente de imaginação e criatividade a Tecnoburocracia não conseguiu compreender a realidade que se avizinhava – conforme alertaram Albert Hahn e Thomas Unger, por ocasião do I Seminário Brasileiro de Química Fina (1982) – e buscou encontrar soluções domésticas que não resolveriam o problema da diversificação através da química fina.
35 Professor norte americano, que em princípios do século XX, dedicou-se a escrever livros sobre
a capacidade de influenciar pessoas, sendo o mais notório "Como ganhar amigos e influir nas pessoas", baseado na sua própria experiência, e formulou regras de comportamento que têm como principal argumento: “A crítica é inútil porque põe a outra pessoa na defensiva e faz com que a pessoa trate de se justificar. A crítica é perigosa, porque fere o orgulho e desperta ressentimento”.
36 O II PND, lançado em setembro de 1974, propunha um aprofundamento do processo de industrialização por substituição de importações, com vistas a tornar o país auto-suficiente em insumos básicos e bens de capital. Em paralelo, buscava a capacitação tecnológica, com base no apoio governamental. Portanto, um plano fortemente nacionalista.
A indústria brasileira naquele momento provou que estava voltada para si, para o seu mercado local, não conhecia a realidade mundial dos seus concorrentes, agia como se estivesse fazendo um exercício acadêmico para a obtenção de um título, não conseguia compreender estratégias sendo desenvolvidas em cadeias sistêmicas, apenas viam o verniz das ações e não a sua seiva. Portanto as suas convicções eram utópicas, pois os cérebros que deveriam estar envolvidos no processo decisório estavam voltados para quimeras.
Ou seja, este foi um dos grandes dilemas do processo de decisão da tecnoburocracia, que na tentativa de ser eclética, desprezou a dialética e se concentrou nas metas e objetivos “Brasil Grande”, e do “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Manter o que tinha funcionado na implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari (processo decisório claro, pois a União participou do planejamento, da delimitação de mercados, da seleção dos sócios, da garantia de provisão de matéria-prima, da infra-estrutura e do apoio financeiro), já não seria possível na química fina.
Pouco afeitos ao mercado e ao crescimento/desenvolvimento econômico, muito menos ao planejamento econômico, no vocabulário dos tecnocratas não cabia a dinâmica evolutiva dos instrumentos conceituais que contextualizam o crescimento econômico, a idéia básica era crescer tal como um bolo, cujo fermento eram os investimentos da então sólida indústria petrolífera.
Os “talentosos” tecnoburocratas não se deram conta de que são as reproduções ocorridas no mercado e as conseqüentes transformações daí advindas que aproximam ou distanciam a possibilidade de crescimento econômico, pois, é na inter-relação entre os mercados e a competitividade dos setores, em seus processos estáticos e incidentais, em suas diversidades e contradições, que há o encaixe ou desencaixe direcionador para um maior ou menor equilíbrio em direção ao desenvolvimento.
Ou seja, a dinâmica do mercado e dos fenômenos que gravitam em sua órbita, direcionam os rumos das unidades de negócios. O exemplo da petroquímica, que pode ser contextualizado para a química fina, são as análises
feitas por Erber e Vermulum (1993), por exemplo ao destacar os desencontros dos arranjos societários do modelo tripartite, pois
[...] os sócios estrangeiros das firmas a jusante eram em geral entrantes no mercado brasileiro [...] poucas empresas estrangeiras participaram de mais de um empreendimento, caracterizando uma intervenção sem sinergia [...] os sócios nacionais privados eram, em sua maioria, inexperientes no setor petroquímico e, mesmo em atividades industriais, destacando-se a participação de grupos da construção civil e do setor financeiro, normalmente oriundos da região [...]. (ERBER; VERMULUM, 1993, p. 83) (negrito do autor).
Assim, tem-se estrangeiros, experientes no mercado internacional, “donos” da tecnologia, mas distantes do processo decisório, e os sócios nacionais inexperientes “donos” do mercado e o governo, “dono” do dinheiro e do aparato legal de proteção eram patrões diretos dos decisores tecnoburocratas locais.
Os percalços também surgiram, pois o mesmo processo decisor que se orientava pelo crescimento, fragmentava a atividade empresarial.
A rapidez do processo de implantação da indústria deixou marcas que perduraram ao longo da década de 80 e ainda estão presentes37. De um lado criou-se o que se pode chamar uma ‘cultura de crescimento’ nas empresas, traduzida na expectativa de altas taxas de expansão e uma forte orientação para implantação de novas unidades produtivas. De outro, agravou um dos problemas estruturais do processo de implantação, qual seja a fragmentação empresarial. (ERBER; VERMLUM, 1993, p. 89).
No que respeita à ênfase com que a decisão estratégica de implantar a química fina na Bahia, cabe observar que em mais de 15 anos (1965/1981) os investimentos em química fina foram de US$ 453,5 milhões (SUAREZ, 1986, p. 211) entre projetos nacionais e estrangeiros e em âmbito nacional. E a grande
37 Até o início da década de 1990, o Governo do Estado da Bahia e a FIEB ainda dispendiam
concentração era projetos de empresas estrangeiras e localizadas na Região Sudeste. Após a formação da NORQUISA e do seu projeto-núcleo de química fina, NITROCLOR, em 1986 chegaram a ser contabilizados 10 projetos de química fina, em Camaçari, totalizando investimentos em torno de US$ 400 milhões (AVENA, 2002, p. 169). Esta “contabilização” também pode ser verificada em Suarez (1986, p. 219) quando cita declaração de Ernesto Geisel, prevendo que o empreendimento NITROCLOR “[...] juntamente com os demais, deverão absorver nos próximos três anos, 1985/1987 cerca de 400 milhões de dólares da NORQUISA [...]” .
5.2.3 Desempenho
Os Quadros 9 e 10, mostram indicadores do efetivo desempenho do Projeto de Implantação da Química Fina no Brasil.
QUADRO 9 – PARALISAÇÃO DA PRODUÇÃO DE QUÍMICOS NO BRASIL