4. Applications and New Results
4.2 Deloder worm and aftermath
QF – Busca da situação ideal AC – Não identificadas
QF – Busca da situação ideal AC – Evolução e aprendizado estratégicos QF – Não identificadas AC – Racionalidade limitada QF – Não Identificadas AC – Gerar aprendizado
CARACTERIZAÇÃO DOS MODELOS 1 - VOLUNTARISTA 2 – RACIONAL / BUROCRÁTICO 3 – POLÍTICO / ADAPTATIVO 4 – PRESCRITIVISTA / CONSTRUTIVISTA
a) Racionalismo decisório /
Processualismo estratégico Baixos Altos Baixos Altos
b) Construtivismo decisório /
Concepcionalismo estratégico Baixos Baixos Altos Altos
OBJETIVOS QF – Determinísticos, Megalômanos AC – Não identificadas QF – Limitados AC – Ampliados QF – Limitados AC – Ampliados QF – Não Identificadas AC – Incorporando necessidades emergentes CONJUNTO DE CRITÉRIOS DE DECISÃO QF – Limitados, Inconsistentes AC – Não identificadas QF – Parâmetros Pseudotécnicos AC – Diversos tipos de objetividades
QF – Não Identificadas AC – Quebra de paradigmas QF – Não Identificadas AC – Expandidos, Negociados CONJUNTO DE ALTERNATIVAS ESTRATÉGICAS
QF – Poucas, Pré-fixadas, Panacéia AC – Não identificadas QF – Parciais AC – Estudadas QF – Não Identificadas AC – Quebra de paradigmas QF – Não Identificadas AC – Pesquisadas, Geradas
CENÁRIOS QF – Não consideradas as alternativas AC – Não identificadas
QF – Parciais AC – Realidades previsíveis QF – Não Identificadas AC – Alternativas de contextos consideradas QF – Não Identificadas
AC – Variedade de contextos considerados
FONTES: Elaboração própria, adaptações de Ensslin et al. (2001) e entrevistas.
*QF – Projeto de Implantação da Química Fina
estratégico”) e o Projeto de Ampliação do Pólo Petroquímica de Camaçari, com características do “modelo prescritivista / construtivista” (altos “racionalismo decisório / processualismo estratégico” e “construtivismo decisório / concepcionalismo estratégico”), como resultado final de seu trajeto evolutivo, do “modelo racional / burocrático”, passando pelo do “modelo político / adaptativo”, onde “racionalismo decisório / processualismo estratégico” e construtivismo decisório / concepcionalismo estratégico”, estão presentes em vários níveis, permitindo vislumbrar o “aprendizado forçado” para decisões em investimentos estratégicos, entre os dois projetos.
Esta análise para o Quadro 13 pode ser complementada, no caso do Projeto de Implantação da Química Fina, onde se verifica que a Tecnoburocracia, cometeu todos os “[...] pecados que ocorrem com freqüência no processo de decisão [...]” (WANDERLEY, 2003), quais sejam, “[...] Não descrever a situação de forma adequada [...] Optar por alternativa de solução sem antes formular um número adequado de possibilidades [...] Acreditar que existe uma solução sem pontos negativos [...] Não planejar adequadamente a implantação da decisão tomada, estabelecendo mecanismos de controle [...]”, isto é, houve cegueira e falta de controle estrutural, as decisões vinham de cima para baixo, já pré-fixadas, pelo convencimento prévio das pessoas-chave. A tecnoburocracia falhou nas avaliações básicas da competitividade.
Em continuação a esta análise crítica ao projeto da química fina, pode-se citar Bresser-Pereira (1981, p. 98-99): “[...] o tecnoburocrata detesta discutir valores. Faz parte da sua ideologia ter horror às ideologias [...] o método é simples. Resume-se em afirmar que todos os demais objetivos políticos que o homem pretenda alcançar dependem do desenvolvimento econômico [...] para provar estas hipóteses, análises parciais de regressão são realizadas e altos índices de correlação obviamente são alcançados. As teses tecnoburocráticas
ganham, assim, fóruns de proposições científicas [...]”. E Beetham (1988, p. 99) acrescenta: “[...] a tendência da burocracia para exceder a sua função administrativa e assumir o papel político constituía um perigo inerente que provinha do seu controlo sobre os acontecimentos [...] e de uma ideologia que colocava os valores administrativos acima da política [...]”
Na análise de Wongtschowski (2002), com base em análise estratégica e na visão de que, alianças, como estratégias amplas, não garantem o sucesso e liderança, tem-se “[...] nenhuma empresa pode depender de outra, da qual seja independente, para conhecimentos, habilidades e ativos que sejam centrais para sua vantagem competitiva [...]” (WONGTSCHOWSKI, 2002, p. 184) o que certamente aconteceu com a química fina, quando a empresa chave na concepção do projeto (NITROCLOR) tinha uma empresa estrangeira (LIQUIPAR/ENI45) como fornecedora de tecnologia. (SUAREZ, 1986, p. 219). No projeto da ampliação de Camaçari, isto não aconteceu, pois “[...] fica claro que a empresa (COPENE) manteve permanente preocupação com a sua atualização tecnológica [...] desde 1984 realiza P&D [...] vem cada vez menos licenciando novas tecnologias, tendo inclusive conseguido registrar no INPI 4 patentes [...]” (ROCHA, 1994, p. 118-119).
Esta análise para o Projeto de Implantação da Química Fina mostra enfim, cega confiança no papel do Estado e mimetismo equivocado do histórico sucesso da implantação da petroquímica brasileira, no início da década de 1970.
Por sua vez, para complementar a análise do Quadro 13, em relação ao Projeto da Ampliação de Camaçari, no qual os decisores eram os mesmos tecnoburocratas, mas já não possuíam o respaldo do momento anterior de poder absoluto e autoritário, presentes no evento de Implantação da Química Fina, verifica-se a rendição às evidências do enfraquecimento do aparato estatal regulador, do novo cenário político-econômico do país, da evolução da abertura participativa na gestão das empresas e da importância do capital privado, e a busca de resultados nos processos decisórios, com punição aos fracassos.
E para a Ampliação de Camaçari tem-se por trás das características apontadas, a constatação implícita do declínio do papel do Estado, que, portanto encaminhou para o “aprendizado forçado”, e daí exigindo níveis mais elaborados no processo de tomada de decisão, fomentando um modelo que privilegiou o realismo e o conhecimento, construindo processualmente a tomada de decisão.
Portanto, do malogro da experiência do projeto da Química Fina resultou o “aprendizado forçado” para os envolvidos no projeto da Ampliação de Camaçari, pois nesta fase, graças à arqueologia dos erros, foi possível definir bases para uma arquitetura de decisão mais sólida.
Em conjunto, verifica-se então, nas características e arquitetura dos processos para a tomada de decisão, a predominância do “voluntarismo”, com aspirações a “racionalismo”, no projeto da Química Fina, e, no projeto de Ampliação de Camaçari, a presença de forças que possibilitaram o “aprendizado forçado” com o uso do “racional/burocrático”, com características de “político/adaptativo” e tendendo a “prescritivista/construtivista”. Esta verificação, quanto ao Projeto de Ampliação de Camaçari, pode ser comentada com base em Gomes et al. (2002, p. 75-76) “[...] visão prescritiva, fazem-se modelos [...] com bases em hipóteses normativas [...] que são apresentados ao decisor e este decide se os aceita ou não [...] restringe o envolvimento dos atores [...] visão construtivista consiste em construir modelos utilizando o processo decisório [...] de modo coerente com os objetivos e valores do decisor [...] permite o envolvimento dos atores [...] permite levar em conta os aspectos subjetivos [...]”. (negritos do autor).
No projeto da Ampliação de Camaçari, pela via do aprendizado construtivista, aumentou o entendimento do problema, e, portanto mais gerações de oportunidades, mais rigor na seleção das alternativas e como conseqüência, maior aderência entre estratégias, objetivos e resultados, o que não se deu no projeto da química fina.
Em continuação da análise dos projetos do estudo de caso, também se faz a seguir, a análise dos processos de decisão estratégica pelas categorias,
estratégica, metodológica e comportamental, também com base nas referências bibliográficas e documental, entrevistas e vivências do autor.
5.4.2 Análise estratégica
Do ponto de vista estratégico e com base na fundamentação teórica e nos já citados itens 5.2 e 5.3 (que desenvolvem o estudo de caso), verifica-se que o projeto de Implantação da Química Fina foi majoritariamente “concepcional”, pois se pode dizer que teve seu processo estratégico atendendo principalmente as características da “Escola do Design” e da “Escola Empreendedora”, pois foram concepções deliberadas e visionárias. Para o projeto da Ampliação do Pólo Petroquímico de Camaçari, constatam-se principalmente as características “processuais”, pois identificam-se majoritariamente características dos processos da “Escola de Planejamento”, da “Escola de Posicionamento”, da “Escola Ambiental” e a “Escola de Configuração”, pois foram processos formais, controlados, que usaram ferramentas de análise estratégica, exigiram habilidades emergentes, com ampliação do número de atores, respeito às condições do ambiente e adaptabilidade às necessidades de cada momento e cada contexto.
Ainda, nesta categoria estratégica, no que respeita à expansão das opções para a decisão (opções, são as ações disponíveis no contexto decisório na metodologia MCDA), podemos dizer que esta etapa do fluxo decisório foi negligenciada na Implantação da Química Fina pelo próprio modelo predominante, voluntarista, dirigista e autoritário, enquanto no Projeto da Ampliação de Camaçari, as mudanças foram sentidas, enriquecendo esta etapa de geração de opções, o que é mostrado o Quadro 14.
QUADRO 14 – USO DE ESTRATÉGIAS PARA EXPANSÃO DE OPÇÕES