Segundo a ANEEL (2011), em todas as regiões do Brasil existem UTEs com motores diesel de pequeno, de médio e de grande porte.
Estas usinas fornecem energia elétrica para vários municípios, em serviço público. Muitas delas operam continuamente, em sistemas isolados de geração de energia, sendo que a maior concentração delas está nos estados das regiões Norte, Nordeste e o Centro–Oeste.
Em algumas regiões, como no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste existem usinas com motores diesel, de médio e grande porte, que operam em regime de complementação de carga, sendo que estas UTEs estão interligadas ao Sistema Elétrico Nacional e operam segundo as normas e gerência do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS.
As UTEs, tanto em sistemas isolados quanto no interligado, são gerenciadas pelas concessionárias dos seus respectivos estados, existindo algumas empresas que operam como PIE. Algumas dessas empresas recebem subsídios governamentais para a compra do óleo combustível utilizado para a geração de energia elétrica através da Conta de Consumo de Combustível – CCC, controlada pela Eletrobrás (ELETROBRÁS, 2011).
De acordo com a ANEEL (2011), especificamente nos sistemas isolados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, estão em operação mais de quinhentas UTEs, distribuídas nas mais variadas localidades, não existindo critérios e padronizações, quanto às instalações, aos equipamentos geradores, aos procedimentos de operação e de manutenção, ao controle e supervisão do consumo de combustível, e índices de acompanhamento do desempenho das usinas específicos para a geração, entre outros.
Em usinas com motores diesel de pequeno e médio porte os controles e acompanhamento dos parâmetros da geração, como a potência para cada hora do dia, a energia gerada em um determinado período, a tensão, a corrente, o consumo de combustível, o acompanhamento dos estoques de biodiesel nos tanques de armazenamento, etc. são feitos através de planilhas, chamadas de Registro Diário de Operação – RDO, preenchidas manualmente pelos operadores durante os seus turnos de trabalho.
Outras informações que constam dos RDOs das usinas são as ocorrências de anomalias nas UDGs, que são preenchidas de forma resumida.
Nas usinas existe ainda um livro de ocorrências, onde são realizados os registros de todos os eventos ocorridos durante um turno de trabalho dos operadores.
Nestas condições percebe-se que a coleta das informações de ocorrências depende diretamente da equipe dos operadores da UTE, sendo que, em alguns casos muitas informações relevantes para as análises das condições de operação são omitidas ou não são registradas, ou pelo nível de escolaridade exigido para os operadores (ensino fundamental), ou pela falta de conhecimento dos sistemas e subsistemas que fazem parte das UDGs.
As grandes distâncias e a logística de algumas regiões, como por exemplo, as regiões Norte e Centro-Oeste, tornam-se um limitante na obtenção das informações das ocorrências nas usinas e para o planejamento da manutenção.
Em algumas concessionárias e PIEs os relatórios diários são enviados para a sede das empresas, via fax ou através de ligações telefônicas, sendo que estas informações são pós- processadas vinte quatro horas após suas ocorrências.
Este cenário propicia o desenvolvimento de manutenção do tipo corretiva não planejada, pois por melhor que seja o sistema de comunicação da usina, sempre haverá um atraso nas ações corretivas de anomalias.
Apesar de algumas empresas geradoras adquirirem softwares para gerenciamento dos processos de manutenção, muitos controles ainda são feitos por acompanhamentos paralelos (planilhas do Microsoft Excel), pois os programas computacionais não se adequam ou não atendem as condições necessárias para o gerenciamento dos sistemas de geração.
Outro aspecto relevante a ser contextualizado é a falta de controle sobre a quantidade de desligamentos que ocorrem nas UTEs do sistema isolado. Apesar do esforço dos órgãos e agencias de fiscalização e de regulação, estes índices são altos e apresentam uma tendência de forte crescimento nos próximos anos.
Segundo a ANEEL (2011) o número de falhas no atendimento de energia de usinas, em sistemas isolados brasileiro é alto, superando os 20 % e apresentam uma tendência de crescimento acentuado.
De acordo com a ELETROBRÁS (2011) são altas também as perdas nos processos de distribuição, armazenamento e consumo de combustível, acima de 18 %, o que mostra um completo descontrole ou inexistência de índices de avaliação.
A grande questão é como determinar as falhas ou os pontos mais críticos dos sistemas de geração, a fim de minimizar tais falhas? E mais, como reduzir os custos operacionais e de manutenção das UTEs, aumentando a confiabilidade operacional dos sistemas de geração, reduzindo o custo da geração e, consequentemente, o custo final da energia gerada?
É preciso ainda considerar que, as degradações do desempenho de alguns componentes das UDGs causarão, com o tempo (vida útil), um aumento gradual no consumo das peças e acessórios necessários para se manter a operação normal da usina, quando comparado com a geração da mesma quantidade de eletricidade de um sistema em perfeito estado.
Além disso, deve ser ainda considerado, o comportamento da tendência dos custos da manutenção que, segundo JELEN, F. C., et. al., (1983) e SANTOS e NASCIMENTO (2009), variam, em média, entre 5 a 15 % do custo do investimento no sistema de geração termelétrico por ano.
Este custo é ainda maior quando a usina opera em condições de reserva fria, ou seja, quando uma UTE é destinada a manter suas UDGs fora de operação, ficando aguardando uma ordem do ONS para entrar em funcionamento, para complementação da carga do sistema ou gerando energia para uma determinada área de um município ou estado.
Na condição de reserva fria um equipamento tem seu custo operacional elevado, pois devem ser consideradas, nos custos de operação e de manutenção, as variáveis de vida útil e de depreciação dos equipamentos.
O controle dos parâmetros operacionais das usinas pode levar a uma economia considerável, já que facilita a avaliação dos custos de possíveis ações corretivas imprevistas,
ou de manutenção de emergência nas UTEs, permitindo a identificação dos componentes e/ou sistemas responsáveis pela perda de rendimentos e pelas causas de falhas.
Como consequência do controle operacional, tem-se a redução do consumo de combustível e dos elementos consumíveis das usinas. Além disso, o conhecimento das condições de funcionamento, dos custos da manutenção e a definição dos parâmetros operacionais das UDGs propiciam a definição do momento onde se pode ou quando se deve intervir em uma unidade geradora, com menor custo operacional e de forma planejada.
Diante deste cenário a metodologia Ciclo de Rotinas visa desenvolver práticas de planejamento, de controle, de supervisão e a elaboração de diagnósticos de manutenção em usinas termelétrica com motores diesel. No Apêndice A são encontrados outros elementos identificados como relevantes na operação de UDGs em UTEs com motores diesel.