• Aucun résultat trouvé

No caso do s “d iscurso s sob re”, foram analisadas ap enas as chamadas de cada texto. No ano d e 2003, foram localizado s quatro textos publicados e m colunas de opinião que se rela cion am ao tema da campanha. O prim eiro data de 08 d e junho de 2003, publicado no mesmo dia de lan çamento oficial da campanha nos ve ícu los da RBS. Publicado sob a chamada “Omiss ões particulares e negligências

públicas”, ane xo C-1. A filiação ide ológica à campanh a “O amor é a

melhor heran ça. Cuide das crianças.” se possibilita atra vés das referências de sen tido produ zidas pelas re gu laridades discu rsivas na forma dos já-d itos que a í se repetem – omissão no plano particula r le va à perspectiva do indivíduo e da família. Essa ausência estaria apontando para um dito, para o silenciamento diante da vio lência praticada contra m enores.; ne gligência na esfera pública possibilita a vincu lação de as dimensões, o que acontece no inte rio r da família também deve ser do interesse da sociedade, especialme nte quando se trata do cu idado co m as crianças.

Ao inscre ve r ta is sentidos, o rdena discursivamente o espaço imaginário da vio lência, estabe lece ndo didaticamente uma ordem

gradativa dos lu ga res de respon sabiliza ção. Na forma do dizer podemos entender que

n o t ic ia r , n o d is c u r s o j o r n a lí s t ic o , é t o r n a r o s a c o n t e c im e n t o s v is í v e is d e m o d o a im p e d i r a c ir c u la ç ã o d e s e n t i d o s i n d e s e j á v e is , o u s e j a , d e t e r m i n a u m s e n t id o , c u j o m o d o d e p r o d u ç ã o p o d e s e r v a r iá v e l c o n f o r m e c a d a j o r n a l, m a s q u e e s t a r á s e m p r e s u b m e t i d o à s i n j u n ç õ e s d a s r e la ç õ e s d e p o d e r v i g e n t e s e p r e d o m in a n t e s . " ( M AR I AN I , 1 9 9 8 , p . 8 2 ) .

O segundo, pub licado em 21 de setembro de 2003, tem a mesma autoria e vem sob o título de “Uma ja nela para pedir s ocorro”, ane xo C-2. Refere-se e xp licitamente também à campanha. A janela aqu i está como uma metáfora que funciona na perspectiva de constitu ir a lgumas possib ilidades de sentido – toda casa tem uma janela, mas essa jane la é justamente a abertura que a sociedade está dando às questõe s vincu ladas ao bem-estar da criança e do adolescente. O funcionamento do discu rso va i consolidando a rede de memória institu ída pela campanha.

O terceiro, pub lica do em 17 de no ve mbro de 2003, de nomina-se “Mons tros no mundo da cria nça”, anexo C-3, abrindo-se para a polissemia ao empre gar o te rmo monstro, uma ve z que desencadeia o

já-lá da campanha , ou seja, do monstro que cuida, que é gua rdião e

que defende a criança; ao mesmo tempo tra z novamente o possib ilidade de u ma outra linha discu rsiva – e sse monstro pode ameaçar, pois está no mundo da criança. A qu i o mundo da criança parece a lgo dissociado de sua existên cia social. A passa gem destacada no te xto (po r meio de u m box, recurso m uito fre qüente gênero jorna lístico ) possib ilita a pro dução de novos sentidos, pois a ausência de pais e mães também pode constituir uma ameaça, uma forma de vio lência : “A falta de pai o u de mãe (ou de alguém que os substitua ) é uma violência que pode reprodu zir violên cia . O monstro da violên cia está sem pre presente, con stituindo, simbolica mente, o jogo de repetição e pará frase.

O qua rto te xto sob re a temática divu lgada em 18 de de zembro de 2003, denomina-se “Os personage ns do ano”, ane xo C-4, fazendo uma referência ao s persona gen s-mo nstro que po voara m os anúncios, inúmeras peça s gráficas (adesivos, carta ze s, panfletos) e que foram

temática reco rrente em diferentes m ateria is divu lgados pela m íd ia, ao longo do ano. O qu e possib ilita filia r o discu rso ao conte údo enunciado é a formação discursiva identitá ria da campanha que criou sítios de sentido que lhe sã o constitu tivo s.

Em todos os texto s acima caracte rizados não há espaço para vo zes d issonantes, para sentido s de resistência, pa ra o utras pa la vras que desafiam a FD dominante, conforme atesta Mariani (1998, p.138):

"co m ou se m o s muitos pe ríodos censório s, no d iscu rso jorna lístico h á pouco espaço para vo ze s ideolog ica mente dive rgente s se fa ze re m entender." O discurso jo rnalístico centra liza uma vo z e inscre ve a

instituciona lização dos sentido s que d idatizam o cotid ian o, os fatos e o mundo, pois a t u a n a i n s t it u c i o n a l i za ç ã o s o c i a l d o s s e n t i d o s , b u s c a n d o p r o m o v e r c o n s e n s o s e m t o r n o d o q u e s e r ia a v e r d a d e d e u m e ve n t o . P a r a t a n t o , o d is c u r s o j o r n a l í s t ic o a s s u m e u m c a r á t e r d id á t ic o , e m q u e a s e x p lic a ç õ e s t ê m a f o r m a c a u s a / c o n s e q ü ê n c i a , a p a r e c e n d o p o n t u a d a c o m e x e m p lo s . A o p e r a ç ã o d e d e f in iç ã o f a z p a r t e d e s s a p e d a g o g i a in s t it u c io n a l j o r n a lí s t ic a , c o m o m o d o d e d i d a t i za r a s i n f o r m a ç õ e s " ( M AR I AN I , 1 9 9 8 , p . 1 4 5 ) .

Em 2004, foram localizado s oito te xtos sob re violência. O primeiro de les, publicado na se ção ao lado dos edito ria is,em 1° de janeiro de 2004, se apresenta com o título “Comunicação e e moção”, anexo C-5, fazend o referência, na co nstrução discu rsiva, à campanha dos monstrinhos. O box que acompanha o texto diz: “O gesto reforça a

convicção do posiciona mento ético que todos deve mo s ter no nosso dia-a -dia.” A chamada do te xto, assim como o box, nã o permitem sua

filiação imediata ao discu rso da campanha. Para isso é preciso mergu lhar na in stâ ncia do d ito e construir as filiações d e Co mun icação

e E moção ao d iscu rso da campanha d e combate à vio lência.

O se gundo te xto data de 06 de jane iro de 2004, apre sentando- se sob o título “Adoçã o: herança de amor”, ane xo C-6, fa zendo também referência exp lícita à campanha em sua formulação discu rsiva. Retoma o vocábulo herança, já in stitu ído pela campanha com uma força discu rsiva. Tra z no seu d ize r uma que stão que é de gran de importância na dimensão da criança e do adolescente, especialmente daqueles que

não têm uma família, ou que fora m retirados de seu con vívio em conseqüên cia de alguma p rática de violência. O bo x no interio r do te xto diz: “Lida r com uma trama de imagin ários institu ídos n uma sociedade como a nossa e xige muito mais do que cora gem”. A cora gem a qui empregada se vincula à chamada do texto que ap resenta adoção como uma herança de amor. Adotar constitui um ato de coragem e de amor – e é dessa heran ça que o te xto fala.

Publicado em 12 de maio de 2004, encontramos o terceiro te xto sobre a temática - “Uma a genda para todos”, ane xo C-7, que também faz referência à ca mpanha dos monstrinhos. Pela chamada do texto, a vincu lação à cam panha não se constitu i de forma imediata, o que ocorre coma le itura do box que tra z: “O chamado ‘la r, doce la r’ e ra muitas ve zes o e spaço de confronto e agre ssão ”. Assinado por uma soció lo ga, faz uma refle xão sobre o “lar, doce la r” – e sp aço também de violên cia, filiando esse discu rso à formação discursiva d a campanha da RBS, em defesa da criança e no comb ate à vio lência e à negligência.

O qua rto e o qu into te xtos foram publicado s em 14 de maio de 2004. Apresentam-se sob as chamad as “Sobre direitos, mons tros e

valores humanos ” e “ Abrigos de jovens: o que falta dizer”, ane xo

C-8. O p rime iro a ssinado po r um Juiz de Dire ito e o se gundo pelo presidente da FA SC (Funda ção de Assistên cia Socia l e Cidadania ), representando do is aparelho s rep re ssore s de estado, no dizer de Althusse r (1974 ). Ambos funcionam como aparelhos de repressão, o do Juiz, rep resentando a Justiça, de garantia do dire ito de crianças e adolescentes. O p rimeiro fa z referência à campanha pelas escolhas le xicais – monstros, va lore s humanos e direitos. A rede de memória já institu ída é condicionante do sentido . O segundo se apropria de um tema que deriva dos que são constitutivos da campanha em seus dizere s – vítima de violên cia e a gre ssão, criança s e a dolescentes são le vados a ab rigo p or determ inações judicia is.

O sexto te xto, divulgado em 21 de maio de 2004, apresenta-se com a chamada “Abus o sexual é problema nosso”, anexo C-9. A filiação ao discurso contra a violên cia é imediata, uma ve z que vem na

esteira dos mesmos dize res que lhe são constitutivo s, apropriando-se da mesma linha de formação discursiva.

O sétimo e o oita vo foram publicados em 17 de julho de 2004. Um denomina-se “Cidade amiga da criança”, ane xo C-10, não fazendo referência em sua formulação, de form a exp lícita, à campanha em foco, mas ancorando se u dizer nos sentid os já p rodu zido s no conte xto da formação discursiva da campanha. O oita vo denom ina-se “Bicho-

papão”, ane xo C-1 0, fazendo uso direto de um dos personagens, bem

como referindo-se, em sua formulação, de forma explícita à campanha. A rede de sentidos produ zido s pelo discurso da campanha é reaquecida com a retomada d e um dos persona gens que se rviram de ícones da campanha – o Bich o-Papão.

Observamos que há um processo de formação imaginária que sustenta esse funcionamento do discurso midiático, já que, os te xtos são produ zidos a p artir da ima gem qu e o ve ículo possui de seu leito r, isto é, um consumidor a quem se que r a grada r, vende r informações ou presta r serviços: "... se a instituiçã o jornalística não funciona se m

leito res, e se ela busca atraí-los co mo consu mido re s, há que se conside rar que to do jorna l noticia para seg mento s d eterminados da sociedade, produ zindo para u ma image m de leito r suposta a ta l seg mento". (MARIANI, 1998, p.57). No modo de d ize r já está imbricada

a representa ção do possível leito r, atra vés desse mecanismo de formações imagin árias, pre sentes no discu rso jorna lístico , no qual estão em jogo a s imagens que o su jeito tem de si mesmo e do outro (PÊCHEUX, 1997a).

Na tabela 3, retomamos todas as chamadas dos texto s já referidos, de stacan do as a marca s que são constitutiva s do dize r e o s luga res de fala dos suje itos, que possib ilitam o funcionamento discu rsivo que se desencadeia. Os lugare s de fala são ocupados pelo ve ículo de comunicação, pela Justiça, por um órgção de representa ção do Estado(FAS C), pelo conhecimento especializado (pedagó gico ou

técnico ) pelo próprio Estado. E sses lu ga res determinam um

funcionamento ideológico que inte rpela os suje itos pelo dize r do discu rso jorna lístico.

Tabela 4 – marcas lingüístico-discursivas presentes nos discursos sobre

Chamada do Texto Sujeito Lugar de Fala Anexo Página Data

Omissões particulares e negligências públicas

Jornalista Jornal ZH C1 153 08/06/03

Uma janela para pedir socorro

Jornalista Jornal ZH C2 154 21/09/03

Monstros no mundo das crianças Terapeuta de família Conhecimento especilizado – autoridade C3 155 17/11/03

Os personagens do ano Jornalista Jornal ZH C4 156 18/12/03

Comunicação e emoção Jornalista Jornal ZH C5 157 01/01/04

Adoção, herança de amor

Professor Conhecimento

pedagógico C6 158 06/01/04 Uma agenda para todos Sociólogo Conhecimento

especilizado – autoridade

C7 159 12/05/04

Sobre direitos, monstros e valores humanos

Juiz de Direito Justiça

C8 160 14/05/04

Abrigos de jovens: o que falta dizer

Presidente FASC

FASC – órgão de

estado C8 160 14/05/04 Abuso sexual é problema

nosso Jornalista Jornal ZH C9 161 21/05/04 Cidade Amiga da Criança Prefeito Governo /Estado C10 162 17/07/07

Bicho-Papão Estudante Conhecimento acadêmico

C10 162 17/07/07

Há, na constru ção dos discursos a qui analisado s, jogos de imagens p róp rias do discu rso mid iático. Pe rcebemos ainda que, em todos esses te xtos, há uma relação e ntre a m ídia – ocup ando um luga r de poder – o esta do e o leito r, ca ra cterizando, a ação da ideolo gia no atra vessamento do dize r.

As chamadas dos texto s possibilitam que sentidos já co nstitu ídos em outros dizere s possam irromper na formulação do discu rso – é a memória funcionando pelo inte rdiscu rso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS