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: LES ZONES NATURELLES

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Para descrever as aulas selecionadas, usamos um instrumento de descrição específico: a sinopse. Conforme Schneuwly, Cordeiro e Dolz (2000, p. 25):

A sinopse é um instrumento metodológico utilizado para condensar uma unidade de ensino. Ela é constituída por trechos das sequências de ensino e auxilia no processo de comparação e análise de dados, bem como para situar momentos específicos de todo o material didático organizado. O nível de condensação é definido pragmaticamente pelas atividades descritas. Esta forma de reduzir as sequências didáticas permite evidenciar a estrutura hierárquica e as sequenciação das unidades e sequências de ensino54.

Para os pesquisadores mencionados, a sinopse é um instrumento de descrição das atividades efetivadas em sala de aula, a fim de apresentar os principais traços constitutivos do

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Tradução nossa de "Le synopisis est un outil pour condenser en une unité plus appréhendable les transcriptions des séquences d’ enseignement afin de les rendre comparables et analysables, d’ en saisir la structure et de pouvoir situer chaque moment analysé dans un tout. Le dregré de condensation est défini pragmatiquement par les fonctions que nous venons de décrite ; pour donner une idée quantitative [...] La forme de cette réduction doit permettre de mettre en évidence la structuration hiérarchique et la séquentialité d’ une séquence d’ enseignement.”

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trabalho docente, que permite demonstrar a construção de objeto de ensino, os modos de apresentação, os dispositivos didáticos usados ao longo da intervenção didática. Trata-se de uma macroestrutura ou um sistema da lógica geral do trabalho docente. Por intermédio deste instrumento, é possível definir pragmaticamente as etapas de uma unidade do trabalho de ensino, conferir a quantidade de sequências e de módulos de trabalho, demonstrar a estrutura hierárquica e a sequenciação das unidades ensinadas.

A produção de sinopses demanda tarefas básicas, a saber: (i) transcrição das sequências de ensino de modo integral; (ii) leitura dos dados para o levantamento das atividades realizadas; (iii) etiquetagem das atividades desenvolvidas ao longo das aulas; (iv) decupagem das ações docentes executadas; (v) (re)constituição da narrativa de cada nível da atividade escolar. Integrado a estas tarefas, é necessário apresentar as informações interligadas ao contexto, às situações de ensino, aos dispositivos didáticos, aos suportes e aos modos de trabalho concatenados ao processo de decomposição e transformação de um dado objeto de ensino.

Tendo em vista os pressupostos teóricos sobre sinopse do grupo de didática das línguas de Genebra, usamos sinopses para o trabalho de descrição dos dados. Isso pode ser justificado pelo fato de as mesmas facilitarem a recuperação de momentos das aulas e a realização de gestos profissionais55 do ensino, além de outras características, como a temporalidade do objeto - memória e antecipação didática-, os dispositivos didáticos, a regulação, a reação e o efeito de obstáculos para a construção de um objeto, a institucionalização de novos saberes, a avaliação, etc. Porém, o modelo de sinopse utilizado é uma adaptação utilizada em Ferreira (2008), inspirada no modelo produzido pelo grupo de Genebra, para descrição de aulas do contexto escolar brasileiro.

Para os fins desta investigação, elegemos os elementos que consideramos mais pertinentes ao desenvolvimento da atividade de ensino: os marcadores de tempo para cada tarefa, os dispositivos didáticos, a descrição geral de cada atividade efetivada. Vejamos a

seguir o modelo de sinopse a ser adotado:

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Os gestos profissionais constituem uma das etapas de análise fundamentais para o entendimento do desenvolvimento e progressão do trabalho de ensinar. O professor recorre a uma série de gestos profissionais para o entendimento da lógica das atividades empreendidas, essenciais à abordagem do processo de ensino-aprendizagem de um objeto de ensino. As análises de aulas efetivadas pelo grupo de Genebra apontam para quatro gestos fundamentais: memória e antecipação – é um gesto ligado a um conhecimento que deve ser lembrado ao longo do processo didático; Proposição dos dispositivos didáticos – durante o ensino, a elementarização (divisão, compartilhamento) do objeto é traduzida em diferentes suportes materiais e modos de trabalho, revelando diferentes dimensões do objeto; Avaliação e regulação- para descrever e compreender o lugar da avaliação e da regulação, da construção e da transformação de um objeto de ensino; IV- Institucionalização – esse gesto é concebido como fixação explícita e convencional de um saber a ser construído num dado nível de aprendizagem e a ser utilizado e cobrado em determinadas circunstâncias. Informações apresentadas em Ferreira (2008, p. 53-61), construídas a partir do seguinte referencial teórico-metodológico: SCHNEUWLY; CORDEIRO; DOLZ (2000), SCHNEUWLY (2001), SCHNEUWLY; DOLZ; RONVEAUX (2005). Cabe mencionar que tais categorias não serão utilizadas neste trabalho.

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Quadro 5 - Modelo de identificação

Sinopse de sequência de ensino:

Professora: Episódio:

Série: MP3 Tempo de gravação: Data:

Quadro 6 - Modelo descritivo

Nível Marcadores Instrumentos Descrição das Atividades

1 Episódio 1

Reconstituição

Cadernão56 Introdução ao estudo de erro e estilo: conceituação, exemplificação e início da resolução dos primeiros exercícios.

1.1 5’40’’-10’53’’ t.3

--- Comentário geral sobre o que vem a ser o uso criativo da linguagem e exemplificação.

1.2 10’54’’- 23’14’’

t.3 a 36 ---

Exposição sobre a problemática da criatividade e o rompimento com a gramática normativa: conceituação de erro e exemplificação.

1-3 23’15’’- 31’40’’

t.36 a 64 ---

Leitura de uma peça publicitária e questionamentos sobre duas leituras possíveis para o texto. Comentário da professora sobre o sentido subjacente ao texto da propaganda.

1.4 35’16’’- 41’11’’

t.74 a 110 ---

Início da resolução do primeiro exercício: leitura de uma propaganda da Sadia.

Fonte: Ferreira (2008, p. 63).

O nível 1 faz referência à tarefa geral a ser feita em uma etapa do trabalho de ensino, os sub-níveis (0, 1.1, 1.2, 1.3, 1.4) estão articulados às etapas de trabalho para executar a tarefa geral. Em relação aos sub-níveis iniciados por zero, temos dois casos: o nível 0 transição, que se refere à passagem de uma tarefa para outra e o nível 0 intermediário, que faz menção à retomada de uma dada informação. A leitura dos níveis hierárquicos do maior para o menor deve possibilitar a construção da tarefa geral. Os marcadores correspondem ao tempo em que cada nível é construído e aos turnos em que os níveis estão dispostos. O instrumento diz respeito aos dispositivos didáticos mobilizados no processo de construção do trabalho ensino (SCHNEUWLY, 2000).

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