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Les territoires transfrontaliers maritimes

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Chapitre 2 : Les territoires transfrontaliers maritimes

2.2 Les territoires transfrontaliers maritimes

Por ser aspectos da cultura, ensinar e aprender tem características eminentemente humanas, que estão presentes em todos os espaços sociais. Ocorre que a complexidade crescente da vida em sociedade com o avanço da ciência e da técnica e as contraditórias relações de trabalho, que, se vão estabelecendo ao longo da história levam à necessidade da sistematização do conhecimento e definição de um lugar próprio para a organização da sua produção e distribuição.

Instituem-se os espaços educacionais com a função precípua de ensinar e aprender conhecimentos socialmente produzidos, disseminar a cultura, contribuir no processo de formação individual e coletiva das pessoas. Nessas instituições, a aula organiza-se por níveis e objetivos de ensino constituindo-se espaço historicamente legitimado para desenvolver tal função.

No ensino superior, o processo de formação requer o ensino-aprendizagem de uma profissão. A universidade é lugar privilegiado dessa formação, numa perspectiva integradora, uma vez que contempla a universalidade do conhecimento e tem como princípio a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão.

Por ser a educação uma característica própria da humanidade, no seu processo de desenvolvimento pessoal e social, condição de sua sobrevivência, diversas formas de ensinar e de aprender têm acompanhado o processo de

desenvolvimento da vida. Pois aprender é condição do existir e do ser da pessoa, que só consegue sobreviver e situar-se no mundo com a ajuda do outro. Como diz Paulo Freire, ninguém aprende sozinho; as pessoas aprendem umas com as outras (1983).

Ensinar e aprender traz a marca da intencionalidade, ainda que de modo velado, mesmo por aqueles que tencionam. Há propósitos e interesses em disputa, explicitados ou não, que nascem nas relações de poder presentes na cultura, orientando as escolhas do agir humano.

Esse processo que, inicialmente, dá-se espontaneamente para atender a necessidades imediatas, vai-se complexificando à medida que as pessoas vão agregando-se em comunidades, forjando novas necessidades no cotidiano do trabalho e na relação com o outro.

Da informalidade da comunicação através dos gestos e sinais à linguagem oral nas comunidades primitivas, os processos de ensino e aprendizagem passam para mecanismos mais formais com o surgimento da escrita. As pessoas vão criando e compartilhando objetos - instrumentos técnicos e simbólicos - com vistas à melhoria das suas condições de vida, ampliando as relações sociais, produzindo cultura, humanizando-se no processo de aprender e ensinar. O que é feito de modo assistemático, informal, nas relações espontâneas, em meio às atividades cotidianas do trabalho, vai-se organizando e tomando lugar privilegiado nas instituições educacionais.

Isso leva a pensar na origem da diferenciação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual que é potencializado no contexto da divisão no trabalho capitalista, o que persiste, ainda hoje, na dicotomia teoria-prática, presente, também,

no processo de ensino-aprendizagem que se dá na universidade, conforme dados de pesquisa de Becker (1994) e Cunha (1998), dentre outros.

Nessa perspectiva, o ensino e a aprendizagem adquirem sentidos diversos, conforme o lugar e o tempo em que se dão; caminhando ao lado das diversas formas de trabalho com o avanço crescente do conhecimento e da técnica, tendo em vista concepções de sociedade, e de homem e finalidades educacionais específicas.

Vale lembrar que sigo o conceito de educação como processo de formação humana. Nesse sentido, ela se distingue de socialização, aculturação, adestramento, treinamento, domesticação, palavras por vezes equivocadamente tomadas como sinônimas. Aqui, refiro-me ao ensino-aprendizagem como uma prática pedagógica que se dá em instituições educacionais específicas.

Na história da educação brasileira, o ensino-aprendizagem toma diversos sentidos, haja vista as teorias pedagógicas que orientam as práticas, predominando ora conhecimentos da Filosofia e da Sociologia, ora da Psicologia.

No Brasil, esse processo tem origem no projeto didático-pedagógico dos Jesuítas com a influência da educação européia de princípios tomista-aristotélicos. A prática pedagógica valoriza a cópia, a repetição dos modelos prescritivos e a memorização; a figura principal é o professor, detentor do conhecimento “verdadeiro”, dentro do pensamento disciplinar-linear; nessa concepção a ênfase recai no paradigma do ensinar. As discussões didático-pedagógicas incidem na competência técnica do professor, que deve aprimorar-se nas aulas de modelo expositivo como forma de bem passar o conhecimento ao aluno.

Ensinar é tido como depositar conhecimentos no aluno; e aprender, entendido como uma atitude exclusiva desse último, ao fixar na memória o conhecimento que deve ser devolvido ao professor nos processos avaliativos. Esse formato de aula

leva a uma relação autoritária entre o professor, que dá aula, e o aluno, que recebe o saber vindo de fora como verdade inquestionável. Como já disse, Paulo Freire identifica esse modelo de ensino-aprendizagem com a “educação bancária”.

A não-consideração das subjetividades e do saber dos alunos e a imposição de um conhecimento como único, permanente, descontextualizado, vetadas quaisquer formas de participação do aluno, geram relações autoritárias, no contexto da aula, em que cooperação e solidariedade são apenas figuras de retórica. Vale lembrar que esse princípio pedagógico prevalece até meados do século XX.

A partir das grandes mudanças sociais do início deste século - ruptura de paradigmas, estudos no campo da Biologia, da Psicologia e da Sociologia, junto às teorias pedagógicas (Cf. LIBÂNEO, 1992) -, surgem novas propostas de ensino e aprendizagem nas instituições de educação.

Na crítica feita nos últimos anos ao modelo “tradicional”, cujo paradigma do ensino é predominante, surge uma produção acadêmica de valorização do paradigma da aprendizagem. Conforme Masetto (2005, p. 83), “a ênfase na aprendizagem altera o papel dos participantes do processo”. Ao professor cabe o papel de “mediador pedagógico ou de orientador do processo” e são atribuições do aluno “buscar informações, trabalhá-las, produzir um conhecimento, adquirir habilidades, mudar atitudes e adquirir valores”.

A problemática que envolve os processos do ensino e da aprendizagem na universidade toma espaço no debate acadêmico nos últimos anos, ora focalizando as estratégias de ensinar, ora incidindo nos mecanismos de aprendizagem, como fator de melhoria da formação universitária.

Cunha (1998, p. 14), como já disse, tem constatado nos seus estudos sinalizações de práticas pedagógicas na universidade em que são vivenciados

processos de transição paradigmática, nos termos usados por Santos (1999) para definir o momento que oscila entre novos e antigos conhecimentos, novas e antigas práticas. Diz a autora:

(...) a possibilidade de uma nova matriz para construir a ciência que ultrapasse o pensamento epistemológico positivista estabeleceu novas alternativas para pensar o processo ensino-aprendizagem na universidade (CUNHA, 1998, p. 20).

A emergência do novo paradigma de ciência com a valorização do senso comum, a aceitação da dúvida e das incertezas, as novas teorias pedagógicas abrem espaço para a participação dos alunos, a aceitação do outro, o respeito ao seu saber e às suas falas; o processo de produção compartilhada do conhecimento toma, então, o lugar da mera reprodução de saberes.

Anastasiou define o processo de aprendizagem como uma forma de apreensão do conhecimento que impõe “agir, exercitar-se, informar-se, tomar para si, apropriar-se (...), entender, compreender (...), de modo a distinguir do aprender como forma de tomar conhecimento, reter na memória (...)” (2003, p. 14). Adota o conceito de “ensinagem” para indicar

(...) uma situação de ensino da qual necessariamente decorra a aprendizagem, sendo a parceria entre professor e aluno a condição fundamental para o enfrentamento do conhecimento, necessário à formação do aluno durante o cursar da graduação (ANASTASIOU; ALVES, 2003, p. 15).

A autora destaca a atitude de parceria entre professor e aluno como condição fundamental do processo de ensino-aprendizagem na perspectiva de novo paradigma. “O assistir ou o dar aula precisa ser substituído pela ação conjunta do fazer aula” (Ibid., p. 14). Nesse sentido, vale ter cautela e escutar Saviani (1991)

quando ele chama atenção para o fato de que a relação pedagógica na sala de aula é uma relação assimétrica, na qual alunos e professores são parceiros, mas com papéis distintos.

Essas considerações permitem compreender o momento de crítica e revisão pela qual passa a universidade em meio às reformas curriculares com a definição de novas propostas de ensino-aprendizagem. O avanço da ciência e da técnica, a ruptura com antigos paradigmas com a valorização da informação e da comunicação, potencializados pela nova organização do trabalho em tempos de globalização passam a requerer determinados modos e objetos de ensino- aprendizagem e impõem novas exigências à universidade, como condição de preservação do seu lugar legítimo de formação.

A despeito dos avanços no campo da Pedagogia e de diversas outras áreas do conhecimento, ainda hoje prevalecem objetivos de ensino-aprendizagem voltados, primordialmente, para os interesses do mercado de trabalho, com prioridade do desenvolvimento de habilidades e técnicas no processo da formação.

Ora, tomando o homem na sua inteireza, como diz Freire, e a educação como processo de desenvolvimento humano integral, há de se considerar que, se ele aprende para satisfazer suas necessidades, estas transcendem os aspectos técnicos ou físico-biológicos, e envolvem também dimensões mais profundas do seu ser, a exemplo do afeto, da moral e da espiritualidade.

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