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Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).

46 O estudo foi classificado como um ensaio clínico controlado, com uma amostra composta por 18 praticantes de musculação do gênero feminino, com idade entre 18 e 25 anos. Foram incluídas voluntárias que treinavam musculação com o objetivo de promoção da saúde por pelo menos três meses. Os critérios de não inclusão e exclusão foram: a) voluntárias que treinam musculação visando performance e que fazem uso de qualquer recurso ergogênico; b) relato de qualquer distúrbio osteomuscular, agudos ou crônicos, nos membros inferiores e tronco, bem como doenças sistêmicas que contraindiquem o exercício; c) história de doenças cardiopulmonares e hematológicas clinicamente diagnosticadas ou sintomas de doenças agudas, tais como gripes e resfriados; d) relato de sensibilidade ao frio; f) uso de medicamento para controle da pressão arterial (PA) ou freqüência cardíaca (FC); g) história de paralisia nervosa decorrente de contraste térmico ou qualquer outra doença que implique comprometimento nervoso central ou periférico; h) unhas com esmaltes coloridos; i) surgimento de sinais cutâneos indicativos de sensibilidade ao frio durante a imersão; j) intolerância por parte do voluntário de permanecer no tanque com água fria pelo tempo pré- estipulado no protocolo de intervenção; l) nas avaliações em repouso pré-intervenção, PA maior que 140/100mmHg e/ou FC maior que 110 batimentos por minuto; m) voluntários que praticarem exercício extenuante na véspera das avaliações.

As voluntárias foram submetidas a uma avaliação de triagem para o registro de dados antropométricos e para identificação de possíveis fatores de não inclusão. Após aceitar o convite e ser constatada a elegibilidade para o estudo, as voluntárias assinaram o termo de consentimento em duas vias. Em seguida foram alocadas de maneira aleatória, por sorteio, em três grupos: o grupo controle (GC/n=06) que apenas recebeu o protocolo de treinamento de força; o grupo de imersão em água fria a 20° (GIF20°/n=06) que recebeu o protocolo de treinamento de força e foi imerso em um tanque com água fria à 20°; o grupo de imersão em água fria a 13° (GIF13°/n=06) que recebeu o protocolo de treinamento de força e foi imerso em um tanque com água fria à 13°.

Num primeiro momento foi determinada a carga para 10 repetições máximas (10RM) para dois aparelhos, a Cadeira Extensora (CE) e o Leg Press (LP). O teste de 10RM teve um aquecimento específico onde foram realizadas 12 repetições com cargas de 40% a 60% do máximo percebido antes do primeiro exercício. Os exercícios seguiram uma ordem, sendo primeiramente realizado LP e depois CE. A fim de diminuir a margem de erro no teste de 10RM, foram adotadas algumas estratégias, como: apresentação prévia do teste e instruções padronizadas, para que a voluntária conhecesse toda a rotina que envolvesse a coleta dados; instruções sobre a forma de execução do exercício; cuidado quanto ao posicionamento das articulações envolvidas no momento da medida, pois qualquer variação poderia ativar outros músculos, podendo levar a interpretações errôneas dos resultados obtidos; utilização de vozes de comando para manter o nível de estimulação; controle visual dos ângulos de execução dos exercícios, e atenção para a sustentação do mesmo padrão de movimento entre testes e sessões de treinamento para a mesma voluntária. As voluntárias tiveram três tentativas para executar cada exercício, com intervalo fixo de cinco minutos entre elas. Após ter sido obtida a carga de um exercício, as voluntárias foram submetidas a um intervalo de no mínimo 20 minutos antes de passar para o próximo exercício.

Após o estabelecimento da carga para 10RM, as voluntárias permaneceram 30 minutos sentadas em repouso. Em seguida, a voluntária foi submetida ao treinamento de força e imersão em água para os grupos experimentais. Inicialmente, as voluntárias realizaram três séries, com dois minutos de intervalo entre cada série, na CE com a carga de 10RM. Esse teste serviu apenas para acelerar o processo de fadiga induzido no teste de LP, realizado na sequência.

Após 20 segundos de intervalo da última série da CE, as voluntárias realizaram o LP até o alcance de falha muscular (limite máximo de repetições). Depois as voluntárias tiveram 20 minutos de recuperação e foram novamente submetidas a um novo bloco de treinamento de força com intenção de induzir a fadiga (teste do LP). Porém, durante o tempo de

47 recuperação entre os dois blocos do LP, cada um dos grupos foi submetido a protocolos de recuperação distintos. O GC permaneceu sentado em uma cadeira durante os 20 minutos. O GIF20°, nos primeiros seis minutos, ficou imerso em um tanque com água à temperatura de 20° e os 14 minutos restantes permaneceu sentado. O GIF13°, nos primeiros seis minutos, ficou imerso em um tanque com água à temperatura de 13° e os 14 minutos restantes permaneceu sentado.

Toda sequência dos procedimentos de intervenção podem ser visualizados esquematicamento no organograma abaixo (figura 1).

Teste de 10 RM no LP e na CE

Repouso de 30 minutos

Três séries de 10 rep. na CE

20 segundos após a última série na CE

Repetições no LP até a fadiga muscular

GC G20 G13

Repetições no LP até a fadiga muscular

Figura 1: Organograma com a sequência de procedimentos.

A imersão foi feita em um tanque de turbilhão com largura de 59 cm, comprimento de 106 cm, altura de 62 cm. Nesse tanque foram colocados blocos de gelo até o ponto que fosse atingida a temperatura desejada (13° ou 20°), a qual foi controlada por um termômetro. A temperatura foi mantida durante os seis minutos de imersão, onde a voluntária ficou imersa até a altura do terço médio da coxa.

O tratamento estatístico foi realizado pelo software GraphPad Prsm 3.0. Através do teste de Smirnov-Komogorof observou-se que os dados respeitaram uma distribuição normal. Foi aplicado o teste t pareado para as comparações intra-grupo e o ANOVA one-way com pós teste de Tukey para as comparações inter-grupos. Para isolar o efeito da intervenção, utilizou- se o Delta Percentual, que forneceu, em valores percentuais, o quanto de mudança ocorreu entre a medida pré e a medida pós. Para o cálculo do Delta Percentual, foi usada a fórmula ((pós/pré) – 1)x100. Para todos os testes foi adotado α=0,05.

RESULTADOS

48 TABELA 1

Valores de média e desvio padrão dos dados antropométricos do GC, G20 e G13 GC G20 G13

Idade 20,5 ± 1,3 23 ± 1,7 21,1 ± 1,7 Peso 63,17 ± 4,2 56 ± 4,8 65,5 ± 8,1

Altura 1,67 ± 0,04 1,65 ± 0,04 1,67 ± 0,05 IMC 22,6 ± 1,8 20,51 ± 1,1 23,26 ± 2,4

Legenda: Grupo controle – (GC); grupo imersão em 20°C – (G20); grupo imersão em 13°C – (G13); Índice de Massa Corporal – (IMC).

Quanto aos dados antropométricos, houve diferença significativa em relação à idade entre os grupos GC e G20 (p<0,05). Nas demais variáveis não houve diferenças significativas. A tabela 2 mostra os dados referentes às cargas expressas em kg (quilograma) obtidas pelos testes de 10 RM, na Cadeira Extensora (CE) e no Leg Press (LP). Não foram encontradas diferenças significativas intergrupo (CE/p=0,05489; LP/p=0,0323), nem intragrupo na CE (GC/p=p>0.10; G20/p=0,0774; G13/p=0,0024) e no LP (GC/p=0,0045; G20/p=0,0445; G13/p=p>0.10).

TABELA 2

Média e desvio padrão da carga em kg na CE e LP GC G20 G13 CE 15,83 ± 3,7 17,5 ± 6,8 16,67 ± 2,5

LP 101 ± 1,6 85,83 ± 22,2 90 ± 9,4

Legenda: Grupo controle – (GC); grupo imersão em 20°C – (G20); grupo imersão em 13°C – (G13); cadeira extensora – (CE); leg press – (LP).

O número de repetições máximas obtidas no LP, na pré e pós intervenção podem ser visualizados na figura 2. Não houve diferenças significativas intragrupo (GC/p=0,2572; G20/p=0,2152; G13/p=0,1136) e nem intergrupo (pré/p=0,5483; pós/p=0,8656).

Figura 2: grupo controle – (GC); grupo imersão em 20°C – (G20); grupo imersão em 13°C

49 Os resultados referentes às aplicações do cálculo delta percentual sobre as repetições máximas no LP estão descritos na tabela 3. Não houve diferença significativa entre os grupos (p=0,3832).

TABELA 3

Valores de delta percentual GC 18,11 ± 37,5

G20 55,32 ± 58,7

G13 53,56 ± 53,7

Legenda: Grupo controle – (GC); grupo imersão em 20°C – (G20); grupo imersão em 13°C – (G13).

REFLEXÕES

Todos os grupos aumentaram o número de repetições máximas no LP na pós- intervenção, embora nenhum resultado tenha sido significativo. Através do cálculo do Delta Percentual, observa-se que houve um maior aumento dos grupos G20 e G13 em relação ao grupo GC. Acredita-se que esse aumento não tenha sido significativo pela amostra ser pequena.

Muitos estudos descrevem que o resfriamento tecidual causa benefícios aos sistemas musculoesquelético e nervoso. Sandoval et al., (2005) mostraram em seu estudo de revisão que o resfriamento promove o aumento do limiar de dor, pois o frio atua diretamente nas terminações nervosas sensitivas e nos receptores e fibras de dor. A redução do nível da dor e de lesão muscular após uma sessão de crioterapia em 20 homens saudáveis também foi observado no estudo de Bailey et al. (2007). Wilcock et al., (2006) também afirmam que a crioterapia age sobre os fatores neurais, aumentando o limiar de dor.

Já Eston & Peters (1999) que avaliaram o efeito da imersão em água gelada nos sintomas do dano muscular induzidos pelo exercício excêntrico máximo realizado no dinamômetro isocinético por 15 mulheres, concluíram que a crioterapia reduz sintomas de dano muscular pós-exercício, porém não mostra efeito sobre a percepção da dor e na perda de força características do exercício excêntrico.

No presente estudo, observou-se que após a intervenção, foi necessário um maior número de repetições no LP para a instalação da fadiga muscular. Acredita-se que nos grupos G13 e G20 esse retardo da fadiga deveu-se aos efeitos da imersão, como afirmado por Pastre

et al. (2009), que sugerem que a imersão modifica as respostas em nível periférico e central,

com diminuição da resposta neuromuscular e assim reduz a sensação de fadiga.

No grupo GC, acredita-se que o aumento do número de repetições após o período de recuperação é decorrente de fatores psicológicos, visto que se busca um melhor desempenho na segunda fase de repetições em relação à primeira, mesmo que de forma inconsciente. Porém, não foram encontrados estudos que apresentassem essa hipótese em seus resultados.

Sugere-se que os grupos submetidos à imersão em água fria possam ter alcançados valores clinicamente relevantes, embora não possam ser extrapolados para a população por não terem sido significativos. Assim, sugere-se que sejam realizados estudos com amostras maiores.

50 CONCLUSÃO

Conclui-se que para a amostra estudada o efeito da imersão em água fria à 20° e 13° não foi significativo sobre o volume total de repetições máximas produzidos em uma sessão de treinamento de força.

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UNINGÁ Review. 2011 Jul. N

o

07(2). p. 51-58

recebido em 23 de fevereiro de 2011 Aceito para publicação em 06 de junho de 2011

CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE MORTES