L’aspect CLINIQUE
2. Les sources de la biotine
As mudanças da proposta revisada e ajustada estão articuladas, de forma geral, a alguns elementos que consolidam essas transformações, como já se foi exposto neste trabalho.
O primeiro elemento são as orientações nacionais da LDBEN acerca da adequação da organização curricular, a fim de que sejam atendidas as necessidades de alunos a partir dos seis anos de idade, bem como o alcance dos objetivos propostos para o ensino de nove anos. O segundo elemento consiste na organização do ensino em ciclo, que deve ser vista não como uma política de aprovação, mas como um meio para o entendimento e a prática do currículo.
O terceiro elemento faz referência às DCN’s e ao PNAIC, que incorporam as expectativas de aprendizagem, visando à organização do conteúdo destinadas a cada ano, de maneira progressiva, com o objetivo de êxito nas proficiências em leitura, escrita, interpretação e produção textuais.
O quarto elemento consolida-se pela introdução dos descritores e habilidades relacionadas na Matriz de Referência, uma vez que há muita pressão das avaliações externas e, portanto, fica estabelecida a responsabilidade compartilhada com os professores sobre os índices de desempenho aferidos.
O resultado final da revisão curricular abrange a concepção de alfabetização na perspectiva do letramento, aprofunda a compreensão sobre currículo nos anos iniciais do ensino fundamental na perspectiva da Educação Inclusiva, evidencia a importância da avaliação no ciclo, analisando e construindo instrumentos de avaliação e registro de aprendizagem, elencando de maneira progressiva as competências e habilidades anualmente.
Assim sendo, as principais mudanças que poderão ser observadas referem-se principalmente à adequação da proposta anterior e vigente no estado às diretrizes dos documentos nacionais e às solicitações dos professores, que tiveram participação nesse
59 processo de reformulação. Serão detalhados em seguida os aspectos específicos da nova proposta curricular19.
A revisão curricular organiza-se na tentativa de conciliar esses interesses. Para tanto, em consonância com as orientações fornecidas pelo PNAIC, foram inseridos os direitos gerais e específicos de aprendizagem no I ciclo e de acordo com a mesma organização, por uma iniciativa da SEDUC/AM, foram elaborados os direitos gerais e específicos para o II ciclo.
Os direitos gerais são alusivos às competências e os específicos às capacidades e habilidades, como pode ser visualizado no trecho retirado da atual proposta curricular, organizada nos quadros 10 e 11, respectivamente:
Quadro 10 - Direitos Gerais de Aprendizagem (Competências) - I e II ciclo
Compreender e produzir textos orais e escritos de diferentes gêneros, veiculados em suportes textuais diversos, e para atender diferentes propósitos comunicativos.
Apreciar e compreender textos do universo literário (contos, fábulas, poemas, dentre outros), levando-se em conta os fenômenos de fruição estética, de imaginação e de lirismo, assim como os múltiplos sentidos que o leitor pode produzir durante a leitura.
Fonte: Proposta curricular 2015 - SEDUC/AM
Os direitos gerais compreendem seis no total, retirados ipsis litteris do PNAIC e inseridos na proposta. Em contrapartida, os direitos específicos, equivalentes às capacidades e habilidades, apresentam no II ciclo uma particularidade, pois foram complementados com a matriz de referência da Prova Brasil do 5º Ano e PNAIC.
A introdução da matriz referência da Prova Brasil na proposta curricular, de acordo com a GENF, é importante para que o professor entenda que o currículo não se restringe somente a ela, como era visto na proposta anterior. Algo que era considerado distintamente mas, a partir de agora, pode-se perceber que eles são complementares e necessários para o desenvolvimento de competências e habilidades, não só exigidas nas avaliações externas, como também para o pleno exercício da cidadania.
Nessa análise, é interessante destacar os conceitos fornecidos pelo PNAIC, observados no quadro 11, a fim de classificar a progressão de conhecimento. Foram incorporados à proposta: a letra I, que será utilizada para indicar que determinado conhecimento ou capacidade deve ser introduzida; a letra A, garante que a ação deve ser aprofundada; a letra C, o conteúdo deve ser consolidado no mesmo ano.
60 Quadro 11 - Direitos Específicos (Capacidades/Habilidades)
EIXO: LEITURA 1ºAno 2ºAno 3ºAno
Ler textos não verbais em diferentes suportes. I/A A/C A/C Ler textos, de gêneros textuais diversos, com autonomia. I/A A/C C Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentes
gêneros.
I/A A/C A/C
Antecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos a serem lidos, por outras pessoas.
I/A A/C A/C
Reconhecer as finalidades dos textos lidos, por outras pessoas. I/A A/C A/C Fonte: Proposta curricular 2015 - SEDUC/AM
Esses mesmos conceitos foram estendidos ao II ciclo, mas devido à complexidade que essa etapa exige, foi elaborado um novo pela SEDUC/AM: a letra R, (quadro 12) que significa retomar algum conteúdo antes visto.
Quadro 12 - Direitos Específicos (Capacidades/Habilidades)
EIXO LEITURA 4ºAno 5ºAno
Ler textos, de gêneros textuais diversos, com autonomia. C R Ler em voz alta, com fluência, em diferentes situações. C R Identificar o tema de textos de diferentes gêneros. A C Fonte: Proposta curricular 2015 - SEDUC/AM
Como resultado, a proposta a ser implantada em 2016 se encontra organizada em blocos temáticos, sistematizados por eixos e distinguidos por cada fase de ensino, mantendo a complexidade gradativa, facilitando a compreensão do professor, igualmente como seu trabalho docente. Observaremos este fator, em tese, exposto nos quadros 13 e 14, composto por trechos retirados da nova organização curricular.
Os trechos apresentados no quadro 13 são retirados da proposta curricular vindoura, deixando clara a organização por ano de ensino e componente curricular. Apesar de o quadro de conteúdo ainda não estar completo percebe-se, pelo trecho abaixo, que a maioria dos conteúdos são repetidos, principalmente entre 1º e 2º anos, sendo diferenciados somente pelos conceitos trazidos pelo PNAIC, a fim de classificar a progressão de conhecimento.
61 Quadro 13 - Conteúdo Programático do I ciclo (Língua Portuguesa)
1º ano
Leitura Produção de textos
escritos Oralidade Análise linguística
>Leitura de textos não-verbais.
>Produção de textos. >Interações orais. >Alfabeto e sua ordem. 2º ano
> Leitura de textos não verbais.
>Produção de textos. >Interações orais. >Alfabeto e sua ordem.
3º ano Com ajuda de leitor
experiente leitura: Textos (gêneros textuais diversos)
>Produção de textos de diferentes gêneros com ajuda de escriba
>Interações orais. >Tipos de letras.
Fonte: Proposta curricular 2015 - SEDUC/AM
A progressão de conhecimento precisa ser explorada em sua implantação, em consonância com os professores, para que eles compreendam a concepção da proposta e possam, assim, aplicá-la, respeitando as etapas de desenvolvimento da criança.
Observa-se no quadro 13 que a organização curricular está articulada por quatro eixos: leitura, produção de textos escritos, oralidade e análise linguística. Destaca-se que no eixo análise linguística, a partir do 2º ano, se estuda a gramática aplicada aos textos, situação essa que se encontra presente nas mais diversas situações de comunicação do nosso cotidiano.
O professor terá direcionamento na organização dos conteúdos de seu planejamento e estará estabelecido o que é de competência e responsabilidade dele em cada ano escolar, desde que a formação com os docentes respeite a realidade da escola e que seja contínua, para subsidiar a compreensão e justificativa de todos os aspectos relacionados nesta seção.
Para obter uma visão geral de ambas as propostas sistematizou-se, no quadro 14, tudo que foi exposto, apontando as principais alterações que foram realizadas na revisão curricular, tornando-as mais didáticas para a compreensão. Esse quadro poderá, inclusive, fazer parte do material de divulgação da proposta junto às equipes pedagógicas nas escolas.
62 Quadro 14 - Adequação entre as duas Propostas Curriculares do Estado do Amazonas.
Itens analisados Proposta 2005 Alterações para a
Proposta 2016 Direitos gerais de
aprendizagem
Competências Inserção dos direitos gerais de aprendizagem no I e II ciclo.
Direitos específicos de aprendizagem
Não apresenta sua composição
Inserção dos direitos específicos de aprendizagem no I e II ciclo (capacidades/habilidades).
Eixos Ambas são articuladas por eixos
Uso de conceitos para a progressão do conhecimento
Não apresenta em sua composição
Inserção dos conceitos utilizados pelo PNAIC:
I - introduzir A – aprofundar C – Consolidar R - retomar
Sugestões de atividades Sugestões de atividades organizadas por eixo
Não há sugestões de atividades, para o componente curricular língua portuguesa.
Competências e conteúdos para o I ciclo
Matriz curricular
Matriz curricular vigente + a Inserção dos direitos específicos de aprendizagem no II ciclo.
Matriz de referência - Prova Brasil 5° ano e PNAIC).
Organização de conteúdos Conteúdos sem divisão por ano escolar, somente por ciclo
Organização de conteúdos por ano escolar.
Fonte: Quadro elaborado pela autora, a partir de dados retirados da proposta curricular de 2005 e de 2016.
Estamos imersos em um processo, sendo importante que, nas estratégias de implantação desta reestruturação curricular do Amazonas, haja sensibilidade suficiente para um diálogo aberto com os professores de todas as escolas, tanto para o conhecimento de tal proposta como para possíveis colaborações (período experimental), nos direcionando para uma prática profissional emancipadora, cuja face revele a concretização do que tanto almejamos, ou seja, conteúdos condizentes com a realidade dos sujeitos em determinado contexto.
Entretanto, é importante trazer para este momento dois pontos levantados na subseção anterior em torno da revisão da proposta, pois podem refletir negativamente na implementação da mesma, isto é, a pouca representatividade dos professores, bem como o pouco tempo de
63 discussão, entre uma manhã ou tarde. Vemos que não há a intensidade necessária no debate sobre todos os assuntos relevantes para a composição do currículo.
A pouca representatividade e o tempo reduzido para debate podem ser justificados, na época, em virtude da preocupação no cumprimento de prazos e pela a entrega das sugestões organizadas pelas comissões, para a composição dos ajustes necessários na revisão do currículo.
Todavia, passados quase dois anos do trâmite, sem o encaminhamento para o CEE, vemos que tanta urgência no cumprimento das etapas do processo, não é válida. Fica latente a oportunidade desperdiçada frente à necessidade de espaços democráticos de debate para o repensar do currículo, pois temos em mente que a “organização curricular afeta a organização de nosso trabalho e do trabalho dos educandos” (ARROYO, 2008, p. 18). Por isso, é importante o estímulo a uma consciência crítica/reflexiva, a fim de conceber um processo conciliador dos interesses envolvidos.
Entretanto, de acordo com a entrevista realizada com a GENF, em 25 de julho de 2014, há de se considerar que o MEC deverá apresentar em uma futura formação para os professores, os direitos de aprendizagem destinados ao II ciclo, ocasionando pequenas diferenças entre eles. Aspecto que pode gerar resistência pelos professores, pois aplicarão algo que já vem com a possibilidade de ser alterado posteriormente, inclusive este foi um fator apontado pela GENF, como limitador da proposta. Por outro lado, essa possibilidade constante de alterações demonstra que um currículo não deve ser visto como uma “camisa de força” ou uma “receita”, onde cabe ao educador somente seguir os passos para a realização de uma tarefa.
1.3 O CONTEXTO DA PRÁTICA: ANTEVENDO OS DESAFIOS DA BAIXA