• Aucun résultat trouvé

1. L'IDENTITÉ PROFESSIONNELLE DES ARCHITECTES DU PATRIMOINE

1.2. Les souhaits d’évolution de la profession

O Colégio Regina Coeli foi o primeiro a ser visitado durante a pesquisa e, sendo assim, resolvemos mantê -lo nessa mesma orde m ao longo deste capítulo . Antes de iniciarmos a aprese ntação e análise dos dados sobre ele, ente ndemos se r importante apresentar algumas informações sobre o município que o acolhe, a saber: Limoeiro.

De acordo com dados do IBGE (1963), o município de Limoeiro está localizado na Região do Agreste de Pernamb uco, distante 84 km da capital Recife, e se u território fa z fronteira com o Vale do Siriji.

Com relação ao histórico do município de Limoeiro, registros da IBGE (1963) contam q ue, no i nício do século XII, o território onde hoje se situa esse município representa va uma sesmaria. Essa região era habitada por ind ígenas e havia a presença abunda nte de limoeiros. Nas proximidades, ha via um lugar chamado Poço do Pau, onde residia um português de nome Ale xandre de Moura, o qual construiu uma capela sobre a invocação de Nossa Senhora da Apresentação. O padre Ponciano Coelho, interessado no desenvo lvimento local, fe z desaparecer a imagem da Santa para ser encontrada em um dos limoeiros, simula ndo um milagre. Assim, o

local ficou conhecido como Limoeiro de Nossa Senhora. Elevou-se à categori a de cidade em 30 de maio de 1881.

Ainda de acordo com o IBGE (1963), na década de 1950 Limoeiro possuía uma população tota l de 76.527 habitantes, distribuídos entre a sede e os distritos de Cumaru, Passira e Urucuba, assim como Ameixas e Benga la (recém-criados na época). Sua economia girava principalmente em to rno da agricultura, pecuária e silvicultura, bem como seu comércio conta va co m quatro agências ba ncárias, uma cooperativa agropecuária e os estabelecimentos atacadistas e varejistas, comercializa ndo também co m a capita l e outros municípios (Carpina, Bom Jardim, João Alfredo, Surubim e Caruaru). Contava, ainda, com serviço telegrá fico feito pelo Telégrafo Nacional e pela Rede Ferroviária do No rdeste.

Na questão cultural, há registros da e xistê ncia de 1 biblioteca pública municipal, 1 radioemissora e 2 cinemas que funciona vam na sede. Além disso, o município de Limoeiro organiza va seu sistema de ensino em “[...] 28 unidades escolares de ensino pré-primário, 110 do ensino fundamental comum, [...] 16 do ensino sup letivo, 2 do secundário, 1 do comercial, 1 do pedagógico e 1 do artesanal”, conforme IBGE (1963, p. 162).

Na segunda metade da década de 1930, os cenários histórico e educacional de Limoeiro ficaram marcados pela criação do Colégio Regina Coeli. De acordo com seu histórico, o colégio foi fundado em 1936 pelas Irmãs Beneditinas de Tutzing, oferecendo ensi no primário com quatro séries e a escola norma l, com poucas alunas (COLÉGIO REGINA COELI, 2011). Em virtude de dificuldades, o colégio foi deixado para as missionárias alemãs da Congregação Franciscana de Maristella, sob a direção da madre Reginfrieda Nerz, por volta de 1939.

Entre tanto, a história daquelas alemãs da congregação Maristella à frente do colégio Regina Coeli começou em 1937, em Augsburg, na Alema nha, q uando tivera m que deixar muitas de suas instituições educacionais, por ordem do gove rno alemão, em razão da iminência de guerra . Com o auxílio do abade beneditino Dom Bonifácio Jansen, de Olinda – que naquele momento estava num retiro na Abadia Beneditina de Beuron – foi possível articula r a vi nda das irmãs para o Brasil. Em junho de 1938, chegaram as primeiras irmãs, que seguiram para o município de Timba úba-PE, enquanto o segundo grupo aportava em deze mbro do mesmo ano e seguia para o município de Triunfo-PE (COLÉGIO REGINA COEL I, 2011).

No dia 16 de julho de 1939, pouco a ntes da Seg unda Guerra Mundial, desembarcou no Recife o terceiro grupo, composto por dez missionárias, sendo sete encami nhadas para o município de Limoeiro: madre Friedeswida Weimann, madre Berchmana Wenzel, madre Sigisberta Sitzmann, madre Gabriele Andasch, madre Mathia Jörg, madre Amari ne Kraus e madre Caroli ne Wackerl. O começo do trabalho foi difícil, principalmente pela desconfiança da população sobre aque las alemãs. Por volta de 1942, começaram a trabalhar, juntame nte com o padre Otávio Aguiar, no no vo prédio para o colégio, onde antes funciona va a Fábrica de Algodão de Anderson Clayto n. E lá investiram para que o colégio crescesse e se firmasse (COLÉGIO REGINA COEL I, 2011).

De acordo com Maia (1999), o antigo prédio do colégio estava localizado na Rua da Ma tri z. Era um sobrado de espaço peq ueno, o nde no térreo funciona va o parlatório, a diretoria, a secretaria, o refeitório e a cozi nha, enq uanto o primeiro anda r era destinado à clausura e à capela. Por volta de 1944, as irmãs tra nsferiram o colégio para o prédio onde havia uma fábrica de beneficiamento de algodão, desativada, se ndo o terre no comp rado com a ajuda de Dom Bonifácio. O colégio se encontra até hoje nesse mesmo local, situado na Ave nida Dr. Severino Pinheiro, nº 60, Centro.

Qua nto a sua orga nização, ha via poucas salas para dar conta das a tividades escolares, se ndo as mesmas distribuídas em dois turnos:

[...] pela manhã, alfabetização, as turmas do primário e uma turma de preparação para o Exame de Admissão; à tarde, estudavam as alunas do Curso Normal Rural, que também tinham suas aulas de Educação Física em alguns dias, pela manhã (MAIA, 1999, p. 32-33).

Seu perfil e ra caracterizado pri ncipalmente, pela preparação das alunas para o exercício do magistério, mas as atividades pedagógicas também da vam formação na área de agricultura, como era o caso das a ulas de ja rdinagem e horticultura, po r exemp lo; no universo da formação humana, além de elas pa rticiparem das aulas de Ensino Religioso, havia ainda uma ate nção especial na questão do comportame nto social, e para esse tipo de orientação as alunas recebiam as chamadas aulas de

polidez, ci vilidade ou boas ma neiras; a dime nsão cultural também não ficou fora, sendo ofe rtadas aulas de ca nto orfeônico, desenho, pintura e “pré-orientação”.15

Sobre o trabalho educacional rea lizado pelas irmãs da Congregação Maristel la, o currículo era basta nte diversificado.

[...] além da formação espiritual e cultural desejada pelos jovens e familiares. R evolucionaram a Educação em Limoeiro com seus ensinamentos nas diversas áreas do conhecimento preparando as alunas para a cultura em geral incluindo no currículo: Canto,

Economia D oméstica, Esportes, Música, Teatro e Cinema, de

forma que as mesmas estivessem preparadas para a função de professora ou para casamento, assumindo bem a educação dos filhos (COLÉGIO REGIN A C OELI, 2011, grifo nosso).

Observando a citação ante rior, é possível ver q ue no conjunto de disciplinas da área diversificada há grande espaço para aquelas relacionadas ao campo das artes e, dentre elas, destacamos o ci nema, objeto do nosso estudo.

A contribuição das irmãs para a educação dos limoeire nses se deu mediante uma metodologia eclética, vez q ue madre Gabriele sempre b uscava se atua lizar para melhor atender os alunos. Na questão do cinema , entre o utras atividades extraclasse, por exe mplo, havia o ci neclube do co légio.

De acordo com a senho ra Lúcia Maria Amaral de Melo Silva (e x-aluna), o cineclube iniciou suas a tividades na seg unda me tade da década de 1950: “Olhe , e u sei que foi e ntre [19]56 e [19]59. Porque 56 [...] 58 e u terminei o pedagógico, não é? Na época, eu participava do cineclube já como aluna do pedagógico” (informação verba l).

Essa iniciativa se deu após a participação de madre Gabriele e suas alunas num e ncontro regional dos estudiosos da Sétima Arte, cha mado de Semana de Cinema, reali zado no Recife, em 1955. Ao retornar a Limoeiro, a madre tratou de criar o cineclube, ao qual se associaram as alunas do Regina Coeli, co nforme Maia (1999). A chamada Semana de Cinema do Recife era uma e xposição de cinema organi zada pelos integra ntes do Cineclube Vigilanti Cura, realizada anualme nte. De acordo com matéria publicada no Diário de Pernambuco (9 de junho de 1952), o primeiro evento dessa natureza foi realizado no té rreo do prédio do Círculo Católico,

15

A pré-orientação era uma espécie de aula de artesanato, visando desc obrir e incentivar o desenvolvimento das habilidades de c ada aluna (s eus talentos artístic os), na produç ão de objetos a partir de materiais c omo madeira, couro, papelão e gesso.

do dia 28 de junho a 6 de julho de 1952, em comemoração ao 16º a niversário da encíclica Vigilanti Cura e, além da projeção de filmes selecionados, contou com a seguinte programação de palestras:

Quadro 2 – Semana de cinema do Rec ife: programação de palestras

Data Tema Palestrante Patrocínio

29/jun/1952 A Arte, a Moral e o Cinema. Dr. Heronides Coelho Filho

JUC

1/jul/1952 As Crianças, os Adolescentes e o Cinema.

Cronista José de Souza Alencar

JEC

3/jul/1952 Filmes religiosos ou profanos. Rev. pe. Miguel Cavalcanti

JIC

6/jul/1952 A Ação Apostólica dos Católicos do Cinema.

Srtª. Marilda Vasconcelos

JOC

Fonte: Diário de Pernambuco (1952)

Nos a nos seg uintes, a Sema na de Cinema do Recife co nti nuou sendo realizada sempre na última sema na de junho e início de julho. Outros temas sobre estudos do cinema foram abo rdados pelos palestra ntes do evento nas edições seguintes à de 1952, a saber: Cinema como forma de arte, pelo crítico literário Dr. Moacyr de Albuque rque ; Humanismo cinematográfico, pelo pe. Daniel Lima; Considerações sobre técnica do cinema, pelo então presidente do Cineclube do Recife, Dr. Marce lo Pessoa; Classificação moral dos filmes, pelo pe. Antônio Fragoso; O estudo do cinema no mundo atual, pela Srª. Ma ria do Carmo Vieira; Relações do cinema com as demais artes, pelo pe. Daniel Lima, conforme noticiado no Diário de Pernamb uco (1952-1956).

Ainda sobre o entusiasmo e perseve ra nça de madre Gabriele na criação do cineclube do Regina Coeli, a se nhora Lúcia Amaral relata:

Tudo se deve à atividade dessa irmã Gabriele. A iniciativa dela. Ela era uma visionária e idealizava. Tudo o que queria, realizava. Tinha muita perseverança. Então, ela foi quem descobriu quem podia dar uma ajuda, quem podia dar um reforço, pessoas que podiam vir compor a mesa num dia de festa, interrogar os alunos. Foi tudo a partir dela (informação verbal).

Ela contou não só com a ajuda q ue vi nha de fora de Limoeiro, como também com os próprios alunos do colégio, engajados no trabalho e organizados numa diretoria, como lembra o senhor José Alexa ndre Nunes (ex-participante do cineclube):

Irmã Gabriele era a dirigente na época, ela tinha uma diretoria que lhe ajudava nas atividades, tínhamos estatutos e tínhamos uma diretoria que sempre ajudava. Eu fui presidente vários anos e [...] fiquei ajudando. Até depois de terminar os estudos ainda continuei ajudando a irmã no cineclube (informação verbal).

As atividades cineclubistas q ue integravam a proposta pedagógica do Colégio Regina Coeli eram cuidadosamente sistematizadas por madre Gabriele , de modo a não i nterferir no andamento das demais obrigações escolares das alunas. De acordo com Dona Maria Matias (ex-aluna), a reali zação das atividades se dava

[...] dentro da escola, no horário da tarde. O nosso turno de estudos normal era pela manhã e à tarde atividades extras. Existiam várias naquele momento e uma delas era o cineclube. [...] era uma vez por semana, uma tarde. E já esse dia era marcado, vamos dizer assim, era determinado [...] e já sabia os dias para se preparar (informação verbal).

A fala dessa ex-aluna relata que o tipo de envolvime nto apresentado pelas alunas do Colégio Regina Coeli em relação ao se u cineclube não se restringia a meros momentos de entrete nimento. Sobre os encontros para estudar cine ma, o senhor José Alexandre lembra :

Preferencialmente a gente estudava cinema nos debates. Cada um se enriquecia o mais que podia. Era uma fraternidade. Era como se fosse uma religião que a gente fazia toda sexta-feira. Nós tínhamos reuniões, debates e enriquecimento ou por uma pessoa de fora ou pela própria irmã que entendia bastante de cinema (informação verbal).

Os mome ntos de estudo conta vam com a participação de várias pessoas interessadas, conforme lembra a senho ra L úcia Amaral:

Primeiro a diretoria. Os colegas que sempre gostavam muito de cinema, a irmã Gabriele, professores, pais de alunos, e pessoas, às vezes até pessoas de [...] Recife, convidados como José Rafael de Menezes. Quem quisesse participar da comunidade, poderia também (informação verbal).

O local de reali zação das pro jeções tanto poderia ser de ntro do Regi na Coeli quanto fora de le, como recorda o se nhor José Ale xandre:

A gente tinha atividade dentro do colégio, [...] inclusive lá tinha sempre a máquina de projeção. Tinha projeção pra gente, a gente pegava o filme e passava lá mesmo. Agora, para o povo de fora tinha a semana do cinema. Todo ano tinha a semana do cinema e a comunidade todinha participava com palestras, com cine-fórum, com debates. [...] [Era] ou no Regina Coeli ou na rádio difusora antiga (informação verbal).

Ainda de acordo com ele, esses momentos representavam encontros festi vos e contavam com a participação de nomes importantes nos estudos cine matográficos em Pernamb uco. Ele afirmou:

[...] nós tínhamos, assim, todo ano a semana do cinema para a qual vinham muitos convidados do Recife, com o Dr. Lauro de Oliveira, Mar ilda também, [...] Jomard de Brito, [...] professor Zé Menezes [...], Lindolfo Carvalho Pimentel [...], o senhor Valdir Coelho, [...] era muito bom no cinema e sempre ele vinha ( informação verbal).

O senhor José Alexand re afirma ta mbém q ue a fama do cineclube do Regina Coeli corria não só em território pernambuca no:

Agora, uma coisa importante, viu, é que o cineclube era conhecido até fora do Estado. Algumas vezes chegaram alunas da Faculdade de Filosofia de João Pessoa, para assistirem trabalhos aqui de Limoeiro e também do cine-fórum. Então, outras pessoas, assim, chegavam sem a gente esperar e participavam dos encontros (informação verbal).

A preparação para as atividades cineclubistas (sessões de estudos e cine- fóruns) também era le vada a sério pelos seus participantes, principalmente por trabalhar as q uestões de ordem moral, co mo relato u dona Maria Ma tias:

E acho que o reforço maior talvez fosse nessa parte moral, que era a intenção delas. Porque elas tinham a intenção de evangelização mesmo. E o que elas queriam era formar as alunas para a vida. Pra formá-las para a vida não precisava só conhecer a parte técnica do cinema. Então todos esses filmes [...] que a gente assistia eram estudados profundamente nessa [sic] parte moral [...] (informação verbal).

O processo de educar as pessoas focava tanto os aspectos técnico e artístico como o moral, mas sem deixar de estimulá -los a refletir sobre o conteúdo fílmico, como lembra a senhora L úcia Amaral: “Eu acho que ed ucou nesse se ntido, aprende r a mensagem e toda a situação. Por pior que seja, pode-se aprender alguma coisa e tirar uma boa lição para a vida. Eu acho que esse lado foi positivo” (informação verba l). Ela também lemb ra como madre Gabriele orientava as análises dos filmes:

Era uma coisa, assim, mais complexa. Não era somente através do [estudo do] plano. Ela relacionava sempre um plano com uma atitude social ou humana. [...] Então, pra mostrar outra coisa muito mais importante do que só aquele detalhe. Ela fazia muita ligação, [...] fazia uma associação muito boa entre os elementos que a gente estudava técnicos e o que tinha de lição [...] para a vida (informação verbal).

Esse empenho nos estudos cinema tográficos por parte das alunas é confirmado por Maia (1999). Ao discorrer sobre os esforços de madre Gabriele na criação e coordenação das atividades do cineclube, lembra que este abriu as portas para uma maior interação entre as alunas do Regina Coeli e os alunos do Ginásio de Limoeiro. Na opinião de Dona Maria Matias, uma das mudanças mais marcantes ocorridas no contexto educacional limoeirense se deu na questão da socialização entre as alunas do Regina Coeli e os alunos do Gi násio de Limoeiro:

[...] na convivência mudou muito porque quebrou [...] aquela separação que existia. Aquele colégio fechado, só feminino. [...] Com o cineclube houve, assim, uma convivência mais harmoniosa, mais normal. Quebrou aquele tabu, aquela coisa, sabe. [...] O colégio começou a receber alunos [...] do sexo masculino. [...] A partir do cineclube eu acho que isso já ajudou (informação verbal).

O trabalho a partir do cineclube gero u uma reconfiguração no ce nário estudanti l, na medida em que modificou as relações existe ntes e ntre os alunos do Regina Coeli e do Ginásio de Limoeiro, os q uais, “[...] eram um pouco rivais. Então a madre queria que os estudantes [...] se afinassem mais na ami zade, q ue pudessem trabalhar juntos” (informação verbal), seg undo o senhor José Alexand re (na q ualidade de ex-aluno do Ginásio). A esse respeito, Lúcia Amaral acresce nta o seguinte: “Era um colégio, na época, exclusivamente femi nino. Mas, como Zé Alexa ndre sempre foi muito ligado ao Regina Coeli, por outras razões, e eu acho que e le foi a ponte para entrarem rapa zes para participarem do ci neclube” (informação verbal).

Ela relata ainda alguns casos pitorescos nessa abertura do Regina Coeli, por meio do cineclube, para receber alunos do Ginásio de Limoeiro nas atividades cineclubistas:

Antigamente um colégio era masculino e o outro era feminino e um não podia entrar no outro. E quando aparecia menino no colégio, a madre já ficava pensando alguma coisa de namoro. Fazia muita separação. Os meninos subiam no muro da escola para ver as meninas fazendo ginástica e jogando. Então a madre botava pra correr: – Desce do muro! E isso começou aos pouquinhos a desaparecer. Acho eu [que] foi a questão do cineclube (informação verbal).

Além dessas intervenções no co ntexto social limoeire nse, o utras ações importantes foram reali zadas, como, por exemp lo, i nvestimentos na compra de materiais didáticos para dar suporte aos estudos cinematográficos daquele grupo de estudantes. Nas aulas, discutiam-se questões relacionadas aos aspectos histórico, social, mora l, técnico e artístico a partir de a lg uns livros, como le mbra José Alexand re:

Olha, a gente estudou a história do cinema, [...] o livro de Guido Logger “Elementos do Cinema” e vár ios outros [...]. A gente tinha coisa para estudar e debater. Geralmente a gente passava filme lá e tinha sempre cine-fórum e Elementos de Cinestética. Muitos livr os da história do cinema [...] que a gente estudou, [...] Caminho do Cinema também. E as reportagens que saíam a gente tava sempre pegando pra ver, pra estudar, pra debater (informação verbal).

Sobre os livros, dois muito utilizados por eles eram Eleme ntos de Cinestética, do pe. Guido Logger (LOGGER, 1957), lançado em 1957 pela editora Agir, e Caminhos do Cinema, de José Rafael de Mene zes (MENEZES, 1958), lançado em 1958 pela mesma editora:

Figura 7 – Livros utilizados pelos alunos do cineclube do Regina

Coeli em seus es tudos cinematográficos.

Fonte: Logger (1957); Menezes (1958)

O primeiro deles, Elementos de Cinestética (LOGGER, 1957), como o próprio título declara, trata da estética do cinema. Logo na primeira parte, trabalha os conceitos de arte e bele za , bem como fa z uma distinção entre os vários tipos de arte, entre elas o cinema. Este , de acordo com Logger (1957, p . 26, grifo do autor), visa “[...] criar a beleza por meio de imagens luminosas em movimento” e é considerado pelo autor como uma arte indepe ndente e autônoma, mesmo traze ndo eleme ntos de outras artes, como o teatro e a dança. Na segunda parte, trata da escolha do te ma (brigas de vizinhos, g uerras, romances, desemprego) e dos eleme ntos do conteúdo , como a construção dramática, te ndo a inte nção de envolve r emocionalmente o espectador com o tema.

A terceira parte fala da fotografia como parte do processo cinematográfico e dos elementos estéticos visuais que a compõem, a saber: a ilumi nação, o ator, o plano, a angulação, o enquadra mento e a pa norâmica. Esse cap ítulo também inclui os eleme ntos estéticos auditivos, como: o som, o diálogo e a música. Todos cumpre m um papel importante na co nstrução da narrati va cinema tográfica, bem como das ideias a serem trabalhadas no filme. Na sequê ncia, a q uarta parte trata do ritmo cinematográfico, construído a partir do processo de montagem, respo nsável pela sucessão das imagens que causam determinadas impressões no espectador. Esclarece também alg umas questões sobre: os conflitos da tomada, os métodos e efeitos de montagem e a divisão do filme, entre outras coisas.

Finaliza o livro com uma q uinta parte trata ndo dos vários aspectos do cinema, a