2. Cadre théorique
2.7 Les ressources maison ou internes
Tabela 6.1 – Preservação da autoimagem: resultado por ano e por grupo
Ano Total (por ano) Professor Aluno
2001 11 (100%) 4 (36,36%) 7 (63,64%)
2003 23 (100%) 3 (13,04%) 20 (86,96%)
2005 31 (100%) 1 (3,22%) 30 (96,78%)
Os professores apresentaram redução de 75% no uso da preservação da autoimagem entre os anos de 20012005. Já os alunos tiveram aumento de 328% no mesmo período. Esses resultados refletem o aumento da preocupação dos alunos em não serem julgados de maneira negativa por seus avaliadores, optando por salvar a face (ou preservar a face) antes mesmo que ela fosse ameaçada, isentandose, o quanto possível, da responsabilidade por eventuais falhas ou erros no decorrer da aula. Não surpreende, então, o índice de 57 elocuções produzidas por alunos contra apenas 8 por professores. A tabela mostra que o volume de atos profiláticos sempre foi maior no grupo dos alunos que no dos professores, independentemente do ano.
A variação numérica vista ano a ano na Tabela 6.1 mostra a diminuição entre os professores de 36,36% para 3,22% entre os anos de 2001 e 2005, e o aumento de 63,64% para 96,78% entre os alunos. Esse resultado se deve, principalmente, ao fato de que, nos primeiros dados coletados, quando comparados aos dados mais recentes, os alunos tendiam a desenvolver os encontros com formato de umChat de entretenimento, mais livre e despreocupadamente no que concerne à avaliação. Com o decorrer do uso das aulas pelo computador, o gênero aula presencial foi se mesclando, de forma mais efetiva, ao gênero aula Chat, propiciando a apropriação e consolidação desse gênero e das estratégias de preservação da face, mostrando a
identificação crescente dos alunos com seu papel social e a relativa desigualdade entre os pólos – professor x aluno – dentro da interação.
O inverso ocorreu com os professores. No início, eles se mostravam mais cautelosos com o meio virtual. O meio em que as aulas se davam (virtual) foi a principal razão das elocuções de preservação da autoimagem. Com o decorrer dos anos, motivados pelas experiências positivas do primeiro ano de curso e mais acostumados com o meio virtual, os professores não mais se preocuparam em preservar a face antecipadamente a alguma ameaça. A qualidade das discussões temáticas das aulas e a idéia de exposição da face, que, certamente, inibia os professores nos primeiros dados, dão lugar a uma postura mais fiel do professor e mais confiante em relação ao meio.
A evidente desigualdade entre os grupos de interactantes apontada por essa estratégia já era prevista devido aos papéis impostos não só pela relação de poder, mas pela própria proposta avaliativa das aulas analisadas. Contudo, o uso visivelmente crescente por parte dos alunos revela um cuidado cada vez maior em como o aluno se coloca para o professor, como objetiva que este o enxergue, um cuidado necessário no caso de um eventual erro.
Os três gráficos seguintes mostram o percentual de atos produzidos por professores e alunos ano a ano. Gráfico 6.1 Preservação da autoimagem: 2001 Professores; 36,36% Alunos; 63,64%
Gráfico 6.2 Preservação da autoimagem: 2003 Professores; 13,04% Alunos; 86,96% Gráfico 6.3 Preservação da autoimagem: 2005 Professores; 3,22% Alunos; 96,78%
Os gráficos 6.1, 6.2 e 6.3 ilustram os dados da Tabela 1 e deixam, visualmente mais nítida, a discrepância entre o número de estratégias profiláticas utilizadas por professores e alunos, devido aos papéis sociais. Tanto o resultado dos alunos quanto o dos professores são evidências de que a aula se solidificou, ou seja, ambos apóiam o argumento de que o gênero aula Chat se consolidou por duas razões de mesma origem, a saber, os papéis sociais envolvidos.
A primeira razão é que, no primeiro ano de curso, os professores assumiram uma postura de preservação da face em alguns momentos e produziram elocuções antecipatórias, que justificavam eventuais falhas que pudessem cometer. O teor dessas elocuções não versava sobre o conteúdo das aulas, mas sim sobre o canal de comunicação adotado ou sobre conversas paralelas desligadas do tópico didático.
EXEMPLO 6.1 (2001 – AULA 3): PRESERVAÇÃO DA AUTOIMAGEM 1. rafael oi povo tudo bem 2. LIA Oi Rafael! 3. rafael oi lia . preparada para a discussão? 4. MARCIO Oi Rafael... (...) 5. Rosângela Oi! 6. LIA a gente nunca ta 100% ne? Mas vai dar tudo certo! O aluno Rafael (linha 3) pergunta se Lia, a professora, está preparada para a discussão, com a finalidade de engatar uma conversa, algo que os aproxime, sem qualquer intenção de acuála ou de julgar o percentual de seu conhecimento para a aula. Lia preserva sua face com um ato profilático (linha 6), no qual antecipa que, por nunca se estar preparada 100%, alguns equívocos podem acontecer naturalmente durante a aula.
A segunda razão versa sobre o aumento, em grande escala, do uso de atos de fala profiláticos por parte dos alunos, o que reflete diretamente uma maior preocupação com a própria face e com uma possível má avaliação que o professor venha a fazer em função do motivo da preocupação do aluno. EXEMPLO 6.2 (2003 – AULA 2): PRESERVAÇÃO DA AUTOIMAGEM 1. Smurfete fala para Laura: Tudo bem e vc? 2. Laura fala para Smurfete: Como anda na sua vila? 3. Laura fala para Smurfete: Estou bem. Tentando responder as perguntas no computador...(não gosto muito dele sabe...) No Exemplo 6.2, a professora Smurfete pergunta como a aluna Laura está e esta aproveita para dizer que, além de estar bem, está tentando fazer as atividades via computador e, ao acrescentar que não gosta muito da máquina (linha 3), Laura antecipa que as falhas que possam ser encontradas nos exercícios e as dúvidas que ela venha a ter são em função da falta de domínio do meio e não do conteúdo.
Observemse, agora, os resultados percentuais de professores e alunos, ignorandose os anos em que foram produzidos: Gráfico 6.4 Preservação da autoimagem: resultado por grupo (20012005) Professores; 12,30% Alunos; 87,70% Na comparação entre os papéis sociais, os alunos detêm a grande maioria do uso das estratégias de preservação da face, correspondendo a mais de 80% das ocorrências, o que evidencia uma desigualdade hierárquica que se pensava inexistente, ou, pelo menos, mais diluída nesse tipo de interação, já que inúmeros autores têm defendido que aulas virtuais, principalmente as Chat, são mais democráticas 35 . Assim o gráfico aponta que o aluno teme mais o préjulgamento dos outros e, por isso, protege mais a sua face que o professor, o qual, no papel de avaliador, aparentemente teme menos uma eventual avaliação da parte do aluno.
A principal conclusão a que se chega com essa análise é que há uma aproximação gradativa da preocupação com a face e com as normas sociais e institucionais – caso de situações mais formais da conversação – direcionando o comportamento lingüístico dos interlocutores aos seus respectivos papéis sociais. Por isso o resultado da Tabela 1 é relevante e esclarecedor na busca pela comprovação da consolidação do gênero aula Chat.
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