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Les représentations d’attachement des enfants accueillis

Classe 3 20% des uce

1.3 Les représentations d’attachement des enfants accueillis

No momento seguinte, após a retomada do passado, considerando os acontecimentos que levaram a permanecer estudando ou à migração para outra atividade, pretendo descobrir os caminhos que as normalistas seguiram depois da formação e as marcas que esse período gerou em suas vidas.

Desta maneira, as contribuições dos autores nos levam a pensar que

as histórias de vida profissional, nas formas de relato oral ou escrito das vivências dos sujeitos, remetem as primeiras experiências relacionadas a sua escolarização, formação profissional e até à prática docente, o que permite uma aproximação com o imaginário desses professores em relação a suas práxis, entendendo o processo de constituição destes sujeitos como profissionais da educação (HORN et al., 2000, p. 27 apud OLIVEIRA, 2000, p. 27).

Aprendemos, no decorrer da nossa história de vida, que as coisas fazem sentido a partir de necessidades e interesses que temos, pois a vida nos apresenta resultados das escolhas que fizemos, e isso nos transporta, também, para um sentimento de utopia, que nos move. O compartilhamento das experiências vividas proporciona aprendizagens importantes para a constituição do ser docente, aperfeiçoando e construindo modos de ser e agir diante do trabalho e da apropriação do conhecimento.

Tratamos, ainda, da interculturalidade,45 pois cada normalista é procedente de uma realidade, o que determina um tipo de minicultura.46 Considera-se que não existe uma cultura melhor que a outra e que se deve conhecer, respeitar e aceitar todas como necessárias para as pessoas, pois isso depende de suas escolhas, sem ter a necessidade de mudar a nossa ou desvalorizar a do outro. Todo processo requer respeito pelas escolhas de cada pessoa, pois algo que é normal para um aos olhos de outro pode ser intolerável.

Isso não se restringe a adaptações e diferenças de língua e costumes, pois toda razão de ser da sociedade se justifica pelos seus usos e maneiras de ser que vêm à tona no processo de interculturalidade.

Como a pesquisa desenvolvida junto as normalistas é de cunho pessoal e profissional, do tipo histórias de vida, em virtude do fato de que cada uma é única em suas experiências, podemos identificar pontos de cultura, currículo, protagonismo social,47 globalização,48 hibridismo,49 pois são fatores inerentes à capacidade humana e que influenciam a nossa vida e a constituição da pessoa por todo tempo.

Somos protagonistas de nossa história. Temos o papel principal de produzir interações junto aos grupos de convivência e com eles compartilhar as experiências vividas, podendo, assim, usufruir de uma permuta de experiências que possibilita nos constituir como pessoas em constante aprendizado.

Neste ato de protagonismo, trago para esta colocação as palavras da Normalista IC, que discorre sobre a forma como se determina como sendo a protagonista da sua história de vida no espaço escolar, onde se sujeita a viver os diferentes papéis sociais.

45 Interação entre as culturas com aceitação e enriquecimento das variedades que são apresentadas na sociedade.

46 Jeitos específicos de convivência no meio em que vive, nas inter-relações que faz parte. Próximo a si.

47 Protagonismo social quando as normalistas assumem o seus papéis perante a sociedade e se tornam responsáveis pelas suas escolhas.

48 Globalização no sentido de acesso a mais informações, o que vai proporcionar amplos aspectos de conhecimentos.

49 A partir do momento em que sofre influências externas, as normalistas possuem um hibridismo de suas convicções, ou seja, são alteradas pelas experiências.

[...] fundamental para trabalhar em sala de aula. Para mim essa base do Magistério foi de extrema importância. É um desafio diário onde desempenho papel de mãe, pai, amiga, psicóloga, professora, onde cada um traz consigo medos, dúvidas, carência, amor, carinho, vontade, desânimo.... Uma mistura de coisas, vontades e sentimentos, e preciso estar pronta para auxiliá-los e ensiná-los. Vêm sem noção de responsabilidade e respeito.... Enfim, tudo isso, antes de tudo, é preciso conquistá-los... Mas sem esquecer jamais do propósito principal, que estou ali para ensinar minha disciplina e fazer algo para que muitos possam mudar de vida.

Nosso aprendizado acontece, também, a partir do acesso aos meios de comunicação, que, pela globalização, nos permite ter notícias dos pontos mais distantes do mundo. Desta forma, podemos manter um contato assíduo às informações a qualquer momento, desde que tenhamos em mãos uma ferramenta tecnológica para acesso, o que proporciona uma experiência que nos transforma, pois possibilita que conceitos sejam alterados. O novo passa a ser a renovação de todas as experiências adquiridas pelas interações. Tudo o que aprendo, transformo e uso como aprendizado. Em suma: a essência das pessoas depende de componentes externos e genéticos para produzir interações que elas fazem no meio de suas convivências sociais.

Na transcrição das experiências com as colegas, identificamos que algumas normalistas, por vários motivos, abandonaram a caminhada após a formação no Magistério. Consideramos, então, que, progressivamente, o sentido e a necessidade profissional não eram mais os mesmos e as oportunidades que surgiram são as que foram seguidas.

As aprendizagens compartilhadas fazem com que novos conhecimentos sejam elaborados e produzam novos significados, o que vem potencializar as experiências, vínculos e valores que cada uma usufrui, sendo determinantes para a constituição dos sujeitos. Em outras palavras, as normalistas experienciaram e se tornaram educadoras a partir das competências que adquiriram no período de formação.

Nos ambientes escolares podemos fazer relação com as crianças que adentram esses espaços, advindas de várias culturas, com suas peculiaridades familiares que as determinam, em grande parte, como são. O processo que ocorre nesse espaço por meio do convívio, ocasiona o relato de experiências que

proporciona novas aprendizagens, resultando em novas elaborações acerca de sua prática de vida, pois a pessoa é capaz de experimentar, reconstruir e modificar suas atitudes.

O processo de globalização interfere na vida das normalistas, na medida em que, a convivência no ambiente escolar faz com que tenham de se adequar às novas situações, posto que, no período de formação, as exigências eram outras.

Com o passar do tempo, a contemporaneidade levou as normalistas à continuação de seus estudos, uma vez que havia a necessidade desse requisito para dar conta de uma nova realidade de alunos. Ou seja, torna-se indispensável a atualização profissional para se manterem no mercado de trabalho e não serem rotuladas de profissionais ultrapassadas.

A globalização produz maior fluidez de comunicação e favorece o contato com as informações entre as sociedades, o que proporciona o convívio das várias culturas existentes e que passam a ser difundidas nas mais diversas partes do mundo, acarretando apropriações, levando informação de si e proporcionando uma multiculturalidade50 entre os povos. Esse processo gera novas estruturas e práticas sendo incorporadas, o que provoca uma hibridização dos usos e costumes em tudo que envolve a capacidade humana, favorecida pelo intercâmbio e diversidades do nosso tempo.

A partir da coleta de dados, que pode ser determinada por uma autobiografia, é possível caracterizar as normalistas com um perfil socioeconômico de classe média, que estão com suas famílias constituídas e possuem um filho na sua maioria. A profissão que seguiram após a formatura é sua fonte de renda e sustento, seja no campo educacional ou comercial.

Constato, em meus apontamentos, que usufruo de informações relevantes oriundas da pesquisa, com as quais consigo visualizar que as questões sugeridas possibilitaram o mapeamento de alguns aspectos que julgo importantes e que contribuem neste trabalho, já que possuo

[...] uma multiplicidade de histórias de vida, experiências de infância, escolares, familiares, ainda, saberes e narrativas que constituem as singularidades destas histórias, pois muitas são as identificações e representações sociais que contribuem para construção dos processos indenitários destas jovens (DIAS; WESCHENFELDER, 2015, p. 193).

Quando optamos pelo Magistério, constato que fizemos uma escolha que nos direcionou para a vida e esta determinou a profissão a seguir. Assim, quando da opção pelo curso em nível de 2º Grau: Magistério, para as normalistas, tanto as professoras quanto as que seguiram outras carreiras, as influências do Ensino Fundamental foram determinantes para proporcionar escolhas. O que a Normalista S escreve sugere que as lembranças da infância são importantes para escolhas futuras.

Estava na 2ª série e tive uma professora que jamais vou esquecer. Ela era magnifica, ativa, alegre, criativa, recebia bem todo aluno que chegava e eu me apaixonei por esta professora, e eu dizia pra mim mesmo que quando crescesse queria ser igual ela.

Desta forma a Normalista O ilustra quando ressalta:

A brincadeira de infância de professora com as colegas e o encanto com a professora da 2ª série, Rosane, são lembranças para toda a vida.

Também a Normalista L, na busca de justificativa, lembra:

Escolhi ser professora porque queria ser igual às professora que eu tinha na pré-escola e na 1ª série. Elas me inspiraram e, depois disso, sempre dizia que queria ser professora e continuei nesta ideia até o momento de fato de ir estudar.

As influências familiares também fazem parte da nossa identificação com a profissão. Assim a Normalista T justifica a sua escolha pelo Magistério:

Sempre quis ser professora, cresci com uma professora em minha casa. Com 5 anos já estava alfabetizada. Brincava de “dar” aulas para minhas bonecas. Sempre pensei que seria professora quando crescesse.

A questão financeira também foi um fator que levou à busca da profissão de professora. Conforme a Normalista O:

Devido à condição que o curso proporciona de sair com uma titulação num espaço de tempo curto e que o mesmo poderia proporcionar uma fonte de renda, já com a titulação básica sem formação superior e o investimento no mesmo seria de valor compatível com a situação financeira familiar.

O meio social em que a pessoa está inserida, portanto, influencia as tomadas de decisão e a constituição do sujeito. As experiências formadoras que a vida familiar e escolar proporcionam resulta no amadurecimento e, por consequência, nas decisões.

Na vida de cada sujeito, há acontecimentos críticos, momentos que estimulam o pensamento, que fazem pensar duas e três vezes antes de escolher um caminho específico. A metodologia das histórias de vida permite reconstituir alguns desses momentos, por vezes particularmente dramáticos, onde se estimula, constrói e reconstrói a capacidade de reflexão sobre o quotidiano, e que levam a opções, a tomadas de posições, por vezes feitas em contextos de grande conflito intelectual e emocional (VIEIRA; VIEIRA, 2016, p. 24).

Após verificar as motivações que levaram à escolha do Magistério, percebo que todas as normalistas que não foram para dentro dos bancos escolares quando terminaram o Magistério, fizeram curso superior na área de educação. Isso demonstra que todas tinham a intenção de continuar sendo professoras, porém não foram favorecidas pelas oportunidades que tiveram posteriormente.