• Aucun résultat trouvé

Les problèmes liés à l’utilisation des indicateurs non-financiers

Dans le document MESURER ET PILOTER LA PERFORMANCE (Page 145-151)

Orientamos esta discussão em função das questões estruturantes deste tra- balho, começando por comentar a implementação do programa.

Na medida em que não havia uma organização pré-determinada – como acontece em programas de intervenção estruturados, com uma descrição mi- nuciosa dos objectivos, actividades, materiais e tempos previstos (Almeida, 1997; Moreira, 2001) – não é possível confrontar o observado com o que previamente estaria estabelecido. A apreciação da intervenção está relaciona- da com as várias categorias identificadas.

O modo como se apresentou a tarefa às tutoras, em termos de proposta de ajuda a alunos com dificuldades, apelando à sua autonomia e partindo do contexto de um grupo de amigos, pôde contribuir para a configuração de uma interdependência positiva no grupo o que, por seu turno, facilitou a inte- racção promotora (Johnson et al, 1999). Esta concretizou-se através de atitu- des de empatia, encorajamento, em expressões mútuas de afecto e no humor e à-vontade que as crianças começaram a ser capazes de manifestar. O des- nível de idades e competências foi propício à actuação na zona de desenvol- vimento proximal, através de processos exploratórios que fomentaram a expli- citação de dúvidas, questionamento, modelagem de estratégias de resolução de problemas.

Em coerência com a autonomia que se quis fomentar nos alunos, não se previu o recurso a reforços grupais externos (Slavin, 1991). No entanto, algu- mas actividades da iniciativa dos participantes parecem ter cumprido essa função: jogos, lanches, um passeio, entre outras.

No que se refere às características do contexto de tutoria, a informalidade e flexibilidade são notórias e exprimiram-se na movimentação dos alunos, na mudança dos pares, na intersecção de diferentes campos de aprendizagem, no entrecruzar das matérias escolares com vivências do quotidiano. A interdis- ciplinaridade foi um elemento muito presente. Embora nem sempre os alunos de alto rendimento façam uma aprendizagem de tipo significativo, tal como é definida por Ausubel (2003), no caso das tutoras verifica-se um padrão de aprendizagem compatível com a atribuição de significado e foi este padrão que transferiram para a situação de tutoria.

Nas interacções das adolescentes com as crianças, distinguiram-se al- gumas características que persistiram ao longo de toda a intervenção: uma certa forma de autoridade; atitudes de empatia e encorajamento; alegria, humor. Estas atitudes foram consistentes com as finalidades visadas pelas tutoras: que os mais novos ganhassem autonomia, auto-estima, auto-con-

fiança e se tornassem capazes de assumir a persistência necessária às apren- dizagens.

O tipo de autoridade exercida pelas adolescentes, com um estatuto inter- médio face à autoridade de um adulto ou de um par da mesma idade, confe- riu segurança suficiente à relação e, em simultâneo, foi respeitadora do movi- mento para a autonomia e auto-regulação, aspectos essenciais em qualquer relação educativa de qualidade. Relativamente a esta forma de autoridade in- termédia, o conceito de zona de desenvolvimento proximal é particularmente oportuno e explicativo.

Esta característica vai também de encontro aos resultados da literatura que sugerem que as relações de tutoria favorecem processos mais explorató- rios e activos de aprendizagem. Um dos riscos dos programas de tutoria, apontado por Topping (1998), em particular quando existe uma formação muito estruturada dos tutores, traduz-se na mudança de papel que se pode observar: o tutor passa a funcionar na relação com os tutorandos como pro- fessor, anulando os efeitos positivos inerentes a uma relação de maior proxi- midade. Neste sentido, a opção pelo esquema de acompanhamento dos tuto- res, sempre intencionalmente informal e promotor da sua autonomia, não parece ter alterado a especificidade da relação entre alunos.

Nas interacções dos mais novos, foi patente a mudança nos padrões de interacção. Essa mudança é visível nas gravações-vídeo e foi confirmada pe- las declarações das tutoras.

As estratégias para aprender surpreenderam pela diversidade. As tutoras procuraram interligar as matérias, apelaram para a base de experiência co- mo plataforma de novas aprendizagens, utilizaram oportunamente os incenti- vos, corrigiram os erros de forma contingente sem provocar desânimo com críticas desajustadas, modelaram e explicitaram estratégias de aprendizagem, estruturaram os conhecimentos em unidades mínimas, acompanharam a par e passo a resolução das tarefas. Estas estratégias têm uma correspondência muito próxima com os objectivos traçados em programas de métodos de estu- do (Coman, 1998; James, 1998; Luckie, 1998; Silva, 1997).

A experiência de tutoria foi encarada como uma mais-valia. Não como algo de revolucionário a substituir-se à escola, mas como algo que se acres- centa, traz benefícios mútuos e gera satisfação. Nas tutoras, foi patente a sa- tisfação pelo envolvimento no projecto e pela ajuda prestada. Elas referiram mudanças significativas na "maneira de encarar a vida", na capacidade de compreender os outros e no aprofundamento de conhecimentos já adquiri- dos.

persistência e envolvimento na tarefa foram também notórias. A progressão detectada no seu padrão de interacções constitui um indicador empírico do impacto da intervenção no seu desenvolvimento pessoal e interpessoal. Os progressos no rendimento escolar foram também significativos.

A principal conclusão deste trabalho parece confirmar a necessidade de mudar a escola, lançando mão de recursos aí presentes, mas frequentemen- te ignorados nas suas potencialidades como agentes de mudança: os alu- nos.

O tema da cooperação entre alunos é, contudo, apenas uma pequena parcela de um campo mais vasto. A cooperação entre alunos é condicionada pela estrutura organizativa de uma escola e esta reflecte o sistema escolar a que a escola pertence e pressupostos básicos de ensino e aprendizagem.

Implementar a aprendizagem cooperativa em escolas de estrutura massifi- cada, competitiva e despersonalizante e desenvolver culturas de cooperação em escolas inseridas em sistemas burocráticos e centralizadores é tarefa ár- dua. Educar os alunos para serem cidadãos cooperantes implica que as co- munidades educativas, no respeito por princípios de cidadania democrática, possam ser autónomas e livres de construir e oferecer os seus projectos educa- tivos. Implica que os professores possam ser engenheiros da aprendizagem e da educação e não meros técnicos de instrução, à mercê de múltiplos e mi- nuciosos decretos.

Muitas questões ficam por responder. É preciso conhecer melhor os pro- cessos implicados nestas interacções de pares e as repercussões no desenvolvi- mento dos participantes envolvidos. Noutros contextos, com outros participan- tes, este tipo de intervenção continuará a induzir ganhos educativos ou, pelo contrário, poderá comportar alguns riscos? Que condições podem garantir contra os possíveis riscos? Se a cooperação pode ser uma das formas de tor- nar a escola mais adequada ao cumprimento das suas funções educativas, que formas poderá assumir no sentido de se estender a toda a comunidade escolar, com vantagens educativas para todos?

Por último, é de notar que enquanto o grupo de tutorandos incluía alunos dos dois sexos, o grupo de tutores era constituído apenas por alunas. Neste estudo, o critério associado ao sexo dos participantes não foi uma variável que tivesse sido contemplada. No caso dos tutorandos, a sua selecção decor- reu de uma sinalização efectuada pelo conselho de turma, tendo por referên- cia o seu insucesso escolar. Por sua vez, as tutoras foram seleccionadas tendo como critério as suas competências sociais e académicas e a sua relação de amizade. Esta poderia facilitar a cooperação no desempenho do papel que lhes foi atribuído, hipótese que se verificou. Contudo, a importância do género

na constituição de grupos de tutores ou tutorandos é um aspecto que deve ser contemplado em estudos posteriores, uma vez que os resultados de alguns es- tudos indicam que os tutorandos tendem a avaliar de forma mais positiva os tutores do mesmo sexo (Jodi, 2006).

A procura de outros caminhos educativos é tanto mais importante, quanto as respostas que proporcionamos às crianças e aos jovens, se mostram insufi- cientes e pouco satisfatórias. Mais que um procedimento educativo, a coope- ração propõe uma alteração paradigmática da relação na escola e da educa- ção.

Referências

Almeida, L. (1997).Programa de promoção cognitiva. Barcelos: Didálvi.

Ausubel, D. P. (2003).Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Editora Plátano.

Baudrit, A. (2000).El tutor: Procesos de tutela entre alumnos. Barcelona: Paidós.

Castelló, T. (1998). Procesos de cooperación en el aula, In C. Mir (Ed.),Cooperar en la escuela. La responsabilidad de educar para la democracia. (pp. 51-71). Barcelona: Editorial Graó.

Coman, M. J. (1998).How to improve your study skills. Lincolnwood: National Textbook Company.

Damon, W., e Phelps, E. (1989). Strategic uses of peer learning in children's education. In T. J. Berndt e G. W. Ladd (Eds.),Peer relationships in child development. (p. 133- 157). New York: John Wiley.

Díaz-Aguado, M. J. & Baraja, A. (1993).Educación y desarrollo de la tolerancia. Progra- mas para favorecer la interacción educativa en contextos étnicamente heterogé- neos. Madrid: MEC.

Duran, D. (2002).Tutoria entre iguals. Processos cognitivorelacionals i anàlisi de la inte- ractivitat en tutories fixes i recíproques. Tesi Doctoral, Universitat Autònoma de Barcelona, Barcelona.

Gersten, R. (1998). Recent advances in instructional research for students with learning di- sabilities: an overview.Learning Disabilities Research and Practice, 13 (3) 162- 170.

Gonçalves, T. (2005).Aprendizagem cooperativa e tutoria de pares em contexto escolar. Implicações para o desenvolvimento. Tese de mestrado em Educação, Formação Psicológica de Professores. Instituto de Educação e Psicologia - Universidade do Minho, Braga.

Good, T. L., e Brophy, J. E. (1997).Looking in classrooms. Nova York: Adison Wesley Longman.

Gray, P., e Feldman, J. (2004). Playing in the zone of proximal development: qualities of self-directed age mixing between adolescents and young children at a democratic school.American Journal of Education, 110, 108-145.

Greenwood, C. R., Carta, J., e Kamps, D. (1990). Teacher-mediated Vs. peer-mediated ins- truction: a review of advantages and disadvantadges.Journal of Remedial and Spe- cial Education, 22(1) 34-47.

Invernizzi, M., Juel, C., e Rosemary, C. A. (1997). A community volunteer tutorial that works.Reading Teacher, 50(4) 304-311.

James, E. (1998).How to be school smart: super study skills: a school survival guide. New York: Lothrop, Lee & Shepard Books.

Jodi, W. (2006).The effect of gender on Student writers’evaluation of peer tutors. Thesis. Texas A.M University. Repositorium. http:// txspace.tamu.edu/handle/1969.1/3713, acedido em 2008-10-23.

Johnson, D. W., Johnson, R. T., e Holubec, E. J. (1999).La cooperación en el aula y la es- cuela. Buenos Aires: Aiques.

Luckie, W. R. (1998).Study power: study skills to improve your learning and your grades. Cambridge, Mass.: Brookline

Merriam, S. B. (2001).Qualitative research and case study applications in education. Re- vised and expanded from case study research in education. San Francisco: Jossey- Bass Publishers.

Moreira, P. A. S. (2001).Crescer a brincar: bloco de actividades para a promoção do ajustamento psicológico. Coimbra: Quarteto.

Mugny, G. (1985).Psychology sociale du développement cognitif. Berne: Peter Lang. Neuman, S. B. (1995). Reading together: a community-supported parent tutoring program.

The Reading Teacher, 49, 120-129.

Niza, S. (2007, Abril).As práticas pedagógicas contra a exclusão escolar no Movimento da Escola Moderna. Comunicação oral apresentada no IX Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Universidade da Madeira.

Perret-Clermont, A. N. (1978).Desenvolvimento da inteligência e interacção social. Lis- boa: Instituto Piaget.

Piaget, J. (1978).La equilibración de las estructuras cognitivas. Problema central del de- sarrollo. Madrid: Siglo XXI.

Rué, J. (1998). El aula: un espacio para la cooperación. In C. Mir (Ed.),Cooperar en la es- cuela. La responsabilidad de educar para la democracia. (pp.17-49). Barcelona: Editorial Graó.

Silva, A. (1997).Saber estudar e estudar para saber. Porto: Porto Editora.

Slavin, R. E. (1991).Student team learning: a practical guide to cooperative learning. Washington: National Education Association.

Spear-Swerling, L., e Sternberg, R. J. (1996).Off track: when poor readers became lear- ning disabled. Boulder: Westview Press.

Stainback, S., e Stainback, W. (2001).Aulas inclusivas. Un nuevo modo de enfocar y vivir el currículo. Madrid: Narcea.

Topping, K. J. (1998). Effective tutoring in America reads: a reply to Wasik.The Reading Teacher, 52, 42-50.

Verba, M., e Wiinnykamen, F. (1992). Expert-novice interactions: influence of partner sta- tus.European Journal of Psychology of Education, 69 (1) 113-127.

Vygotsky, L. S. (1988).A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psi- cológicos superiores. S. Paulo: Martins Fontes.

Wasik, B. (1998). Using volunteers as reading tutors: guidelines for successful practices. Reading Teacher, 51 (7) 562-572.

Wasik, B. (1998). Volunteer tutoring programs in reading: a review. Reading Research Quarterly, 33 (3) 266-290.

Wasik, B. (1998a). Developing a common language: a response to Topping.The Reading Teacher, 52, 52-54.

Wasik, B. (1999). Reading Coaches: an alternative to reading tutors.Reading Teacher, 52 (6) 653-700.

Wood, J. D., Bruner, J. S., & Ross, G. (1976). The role of tutoring in problem solving. Journal of clinical psychiatry(17), 89-100.

Yin, R. K. (1993).Applications of case study research. Newbury Park, C.A: Sage Publica- tions

COOPERATIVE LEARNING AND CROSS-AGE TUTORING

Dans le document MESURER ET PILOTER LA PERFORMANCE (Page 145-151)