Professor de Geografia
Como eu entendo? Eu não entendo. [Tudo bem. Que informações você tem sobre... ?] O que eu entendo por deficiência intelectual pode ser um monte de coisas, se eu for avaliar parece que 90% desses alunos tem deficiência intelectual (risada)...[Então vamos pensar assim. Numa sala de aula, você tem vários...como você mesmo já falou que tem aqui, déficit de atenção , mas pra você olhar e falar assim “Esse tem deficiência intelectual”. Como é que ele é? Então, me descreve essa pessoa...] Não, não é como é que ele é... Uma pergunta que você tá fazendo pra mim que não cabe. Se fosse assim..., por exemplo... Uma coisa que eu já me deparei com uma situação dessas. Você encaminha um aluno, às vezes, para um psicólogo, né? Normalmente você encaminha para um psicólogo e tal, faz todo o encaminhamento, e o psicólogo pede a avaliação do aluno. Você faz uma avaliação com tudo o que você suspeita, o cara chega lá, analisa, faz duas consultas com o menino e fala que o menino tem tudo o que você escreveu. Cê fala assim: “Poxa, então, peraí”... [Não precisava, né?...] Por que que, né? Eu não sei detectar um aluno que tem deficiência intelectual. Não sei, a não ser se for uma síndrome de Down, talvez, algum problema que fisicamente, às vezes, aparente, entendeu? Que acontece... Com o autismo, por exemplo, eu já vi, só que eu não sei, por exemplo, os graus. Eu sei... pô, talvez ele tem... Na teoria há uma... tem que haver uma comunicação com a família e tem que haver um encaminhamento com o médico e esse laudo tem que chegar na minha mão...[ Então é o laudo que vai definir para você...] O que define pra mim é o laudo...se o menino tem. Agora o problema dos laudos, ultimamente, são o seguinte. Às vezes a gente pega alunos que, por mais que nem mencionamos... o déficit de atenção , não sei o quê... Eu não considero isso uma deficiência intelectual. [E eles consideram, os médicos?] Alguns consideram, alguns dão laudo. Ah, o menino tem isso, tem aquilo...E, às vezes, são coisas, na verdade que eles constroem assim... [...] Digamos, vamos pensar, alguém com problema de déficit de atenção é um problema de concentração... ligado talvez a uma sinapse cerebral, eu não lembro bem disso, ou da própria forma, que nem a hiperatividade e coisas do gênero... Só que a falta de desenvolvimento de habilidades e competências desse indivíduo no sistema escolar se dá por um costume, é uma aculturação também, feita de forma errada. O individuo chega, com determinados problemas. Com esses determinados problemas, ele acaba, no meio dessa multidão aqui dentro da sala de aula se distanciando , fazendo isso, fazendo aquilo, aquilo outro e o sistema político sobre educação, hoje em dia, vai negando a esse individuo com esses problemas, que às vezes podem ser sanados na própria sala de aula, vai...como a gente diz mesmo, empurrando esse menino, vai negando a ele o direito de... o direito de aprender de fato, de tipo, olha, rever, tentar um outro trabalho, tentar uma outra coisa que talvez ajude esse indivíduo a progredir. A gente tem um monte de aluno, por exemplo, que é analfabeto no 7º ano e...[E são considerados...] Não tem laudo [ pessoas com deficiência ?] Não, só que se você for fazer uma avaliação mais profunda, talvez esse menino tenha algum tipo de outro problema que seja não psiquiátrico, mas talvez algum outro problema psicológico, ou algum problema em termos de função cognitiva, ou qualquer coisa do gênero, que poderia ter sido trabalhada. A maioria é sem vergonha mesmo... (risada).
Professor de História
Bom, acho que definir um aluno com deficiência... [ Assim, pensando no que você já viu...] é um pouco complicado porque... [ O que você acha, como ele é, quais são as condições dele?] É que isso varia muito, varia absurdamente, né? Eu tenho, por exemplo, na 6ª série uma aluna que ela tem síndrome de Down, ela tem dificuldade de interagir com os outros alunos, que é a mesma questão do aluno dessa sala, dessa
turma que você está acompanhando. Por outro lado, tem outras turmas, como eu falei pra você, que tem alunos que se integram muito bem. Participam, se interessam... às vezes têm muito mais dificuldades. Eu tenho um aluno na 5ª C que tem muito mais dificuldade do que o da 5ª B, mas tem muito mais interesse, ele participa mais da aula. Ele pergunta toda hora, pergunta coisas que não tem, às vezes, nada a ver com a minha matéria. Às vezes ele pergunta para participar da aula, para interagir simplesmente, para a questão da sociabilização, mas ele procura, tem esse interesse. Tem alguns alunos que eles simplesmente se fecham e às vezes até uma abordagem que você tenta ter com esse aluno ele tem muita resistência. É difícil você trabalhar com esse aluno às vezes pela questão da resistência que ele apresenta em relação ao contato com o professor.
Professora de Língua Portuguesa
Nossa! Essa pergunta é muito difícil. [Pense assim em alguns que você conhece. Você acha que eles têm alguma coisa em comum?] Não, acho que não. Às vezes você suspeita que o aluno tem alguma dificuldade especial em aprender, mas você não consegue detectar exatamente qual é essa deficiência ou qual é essa dificuldade ou se ele tem uma deficiência intelectual ou só uma dificuldade por outros motivos. Quando o aluno vem com um laudo que diz que ele tem uma deficiência intelectual, né...e são poucos os alunos assim nesses meus onze anos que eu tenha com laudo. Olha, esse tem deficiência intelectual. [Alguns têm laudo?] Alguns têm laudo, outros não e outros a gente nem imagina se tem algum problema ou não. Eles são dife...Eu não consigo enxergar uma coisa em comum. Cada caso é um caso, né? Tem alunos que não conseguem memorizar as letras do alfabeto; eu tenho outros que reconhecem sílaba, conseguem formar frase. Tem outros que conseguem localizar a informação no texto curto. Cada caso é um caso. [São bem diferentes?] São. Não consigo ver uma coisa em comum.
Professora de Artes
A principal coisa que a gente começa a detectar é aquele aluno que não consegue se concentrar. Começa daí, né? Primeiro... Tem uns que são muito visíveis mesmo, já têm o laudo médico, tal e então...[Quando ele tem o laudo médico, todos os professores ficam sabendo?] Todos os professores ficam sabendo e tem a professora de SAAI, que ela é uma professora que atende esses alunos fora do horário de aula. [ E ela tem uma comunicação com vocês?] Tem. Nem sempre...[ Mas não é formal essa comunicação?] Deveria ser, mas no caso da nossa professora aqui, a gente não consegue, principalmente com o fundamental II ainda ter um atendimento, mas ela tenta encontrar a gente aqui na hora do intervalo, passar algumas coisas...às vezes em reuniões pedagógicas. Porque assim, o horário que a gente tem pra conversar ainda é pequeno. Deveria ter mais profissionais pra esta sala em especial pra que a gente pudesse ter um...É uma coisa que está caminhando na prefeitura e eu acho que a um curto prazo a gente vai ter mais profissionais. Porque a gente chegou à conclusão, em várias discussões que já vêm vindo, não só aqui na unidade, mas quando a gente acaba se relacionando e eu fui a algumas dessas discussões já , é que precisa de uma rede de atendimento pra esses alunos. Só nós aqui, no fundamental tanto o I como o II, não importa, a gente não dá conta de atender esse aluno plenamente. Ele precisa de outros acompanhamentos. [E na sala de aula, você acha que ele é um aluno que consegue aprender alguma coisa?] Consegue. É lógico que não vai ter um aproveitamento no ritmo de uma criança comum, né? Mas ele tem, tem sim. Não só de convivência, mas intelectualmente sim. Tem sim. [Apesar da deficiência?] Apesar da deficiência. Nós temos um exemplo do R., que ficou uma graça. Ele é autista e ele chegou pra nós assim, e nossa, ele deu muito trabalho porque assim... ele chorava muito, ele se recusava... porque ele perdeu a referência que era aquela professora que ficava única e exclusivamente na sala. Quando chega no fundamental II são vários professores, aquele entra e sai, que pra ele foi um terror isso. Foi quase assim um ano pra ele se acostumar com isso, mas ele se acostumou, né...e a gente ficou com muito medo também a partir do momento em que a gente mudou pra sala ambiente que não seria mais nós trocando de sala e sim eles trocando de sala, nós tivemos essa preocupação, mas ele se adaptou muito bem, porque ele já estava ambientado.
Coordenador Pedagógico
Os alunos que eu tenho aqui, né? A parte de socialização ...quando ele está com um grupo ele faz, mas a parte de cognição, de aprendizagem você tem que pensar em atividades diferenciadas para esse aluno. [Você acha que ele tem capacidade para aprender?] Tem, dentro dos limites que você tem de conhecer. Você tem que conhecer o aluno e saber até que ponto ele pode chegar. Porque, assim, você tem casos aqui...até ontem mesmo um professor estava falando com a Mariana. A Mariana, quando você propõe uma atividade diferente para ela, aí ela não quer fazer porque ela quer fazer o que os outros colegas estão fazendo. Só que ela, assim, ela não dá conta. [É complicado, né?]Muito difícil. [Mas tem então pessoas que pensam em dar atividades diferentes para esses alunos?]Tem sim. Em alguns momentos ela aceita fazer uma coisa diferente, mas precisa muito do jogo de cintura do professor, né? Para saber lidar com a situação.
2 Como você vê um aluno como esse na sala de aula? Se você tivesse que descrever