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Les premi`eres interactions, D2G 1 et D2G 2

A integração num local desconhecido e adaptação a tudo o que o constitui e envolve não é um processo propriamente fácil, mas é sempre uma curiosidade, uma incerteza e uma ansiedade positiva, um início de algo que nos vai fazer aprender, quem sabe crescer, fortificar ou descartar crenças e ideias pré-concebidas, tidas como certezas e que com as experiências poderão tornar-se incertezas ou fortalezas. Seguindo as ideias proferidas a observação tomou um cunho especial nesta primeira fase do meu estágio. Tal como refere Serafini (1990) “o aluno futuro professor à medida que aprende a observar aprende a investigar, pois a observação é uma etapa imprescindível que torna possível a inteligibilização do real” (p.2). Saber observar é uma habilidade, não é simplesmente olhar, é ver com atenção e saber interpretar o que se vê. Por exemplo se observo que uma criança não demonstra interesse em realizar uma determinada atividade, não vou limitar-me a dizer que esta não faz a atividade, tenho de tentar compreender o porquê dela não o fazer. Um verdadeiro investigador tem de saber observar para avolumar o seu estudo e, neste caso, a minha observação, como futura professora tem se ser uma observação de um investigador, para conseguir compreender o melhor possível os alunos e o ambiente em que se encontram para agir de modo pertinente e fomentador de uma atitude de motivação e de aprendizagens eficientes pelos alunos.

A primeira semana de estágio, semana de observação participante, conhecimento e colaboração na turma do 3.ºC, decorreu nos dias sete, oito e nove de outubro de 2013, entre as 13h e 30 minutos e as 18h e 30 minutos e representou um período essencial para a minha posterior intervenção junto do grupo. O conhecimento das características da turma em geral, dos seus pontos fortes e menos fortes, das suas personalidades individuais e identidade de grupo, comportamentos e funcionamento a nível rotineiro. A apreciação da metodologia utilizada pelo professor cooperante para retirar os meus pontos de vista e ponderar, também, a minha ação, as minhas crenças e ideologias. Não esquecendo ainda a organização da sala, benefícios e dificuldades que originam.

Esta etapa de observação permitiu um contato com os alunos de uma forma mais informal, num ambiente mais descontraído, em que interagi com eles e fui percebendo as suas formas de trabalhar, de ser e de reagir perante diversificadas situações.

Para estes dias de observação contei com uma grelha de observação, com indicadores definidos previamente, na qual apontei as observações realizadas nessa semana e as minhas conclusões relativamente às mesmas.

A motivação é um indicador difícil de se observar, não é possível afirmar com precisão se ela existe ou não, mas observei algumas situações que me levaram a considerar que esta está patente tanto no professor como nos alunos. O professor é uma pessoa que valoriza as opiniões dos alunos, deixando-os expô-las, discutir sobre elas, para através do diálogo chegarem a conclusões que fomentem aprendizagens para todo o grupo. Um professor que ouve os alunos e que os vê como seres autónomos e ativos no processo de aprendizagem, que os valoriza como pessoas e tem em conta as suas vivências e aprendizagens pessoais é, certamente, uma pessoa que está motivada para a profissão, que não se limita a fazer o papel de transmissor e olhar para o aluno como um ser passivo que apenas está ali para ouvir e interiorizar conhecimentos pré estipulados por outrem. Ainda no que se refere à componente motivação, constatei que se a prática pedagógica tiver em consideração as vivências dos alunos e situações úteis para a sua vida presente e futura e se utilizar materiais e temáticas de forma continuada para abordar diferentes conteúdos, os alunos demonstram mais interesse, concentração e empenho no desenrolar das atividades. O facto do professor cooperante utilizar o mesmo texto de um dia para outro para abordar conteúdos programáticos diferentes e o facto de ter utilizado a medição das alturas dos alunos para trabalhar os gráficos de barras na Matemática cativou mais os mesmos para a aprendizagem das temáticas subjacentes.

O tempo letivo não segue fielmente o horário, as áreas vão sendo abordadas conforme a pertinência das situações e a relação que é necessária entre as áreas, para que o decorrer da aula seja natural e não uma sequência obrigatória estipulada por horas. Esta organização dos tempos é positiva, na medida em que valoriza as especificidades e ritmos próprios dos alunos.

No que concerne às metodologias e estratégias utilizadas, constatei que o professor utiliza muito o método de interrogativo, dando a oportunidade dos alunos exporem as suas opiniões e saberes, tentando justificar os mesmos. O professor não se antecipa às respostas dos alunos e, só se pronuncia, quando verifica que estes já não conseguem chegar à conclusão. A autonomia dos alunos está, neste sentido, a ser trabalhada com a liberdade e oportunidade de serem eles a chegar às respostas pretendidas e satisfazer-se com as suas conquistas. Para o professor esta é uma boa

estratégia pois permite compreender se os alunos, realmente, interiorizaram os conhecimentos trabalhados de forma eficiente, contando com mais uma oportunidade para esclarecer dúvidas. Apesar de apresentar uma atitude de liberdade para que os alunos exponham opiniões, o professor cooperante valoriza as regras e a ordem.

As aulas são iniciadas fazendo sempre referência ao assunto sobre o qual a aula anterior foi finalizada. Esta revisão com os alunos é muito importante, permitindo consolidar os conteúdos abordados, tal como incentiva os alunos a demonstrar os seus conhecimentos. Os materiais utilizados numa aula são reutilizados, por exemplo numa das aulas o professor utilizou o texto do dia anterior, para abordar novos conteúdos. Esta é uma forma de interligar os conteúdos ao mesmo tempo que estamos a motivar os alunos para a aquisição de novos conhecimentos.

Uma outra estratégia que achei muito interessante e que envolveu os alunos foi a abordagem de conteúdos na área da Matemática sem que os alunos soubessem do que se tratava. Conforme os conteúdos iam sendo explorados os alunos iam dando as suas propostas do nome, que só descobriram no fim. Esta criação de suspense para com as crianças leva ao interesse, à envolvência pela curiosidade.

Centrando-me na relação pedagógica do professor para com os alunos e vice- versa, verifico que existe respeito mútuo, tal como amizade e cumplicidade. O professor é uma pessoa muito profissional, chega facilmente ao nível dos alunos e, nota-se que os alunos já estão habituados à forma de trabalhar do professor, antecipando, por vezes, as situações que se vão suceder. O facto dos alunos terem o mesmo professor ao longo de três anos permite uma relação mais fortificada e, esta relação, na minha opinião, é um caminho para uma aprendizagem mais natural e simplificada. Os alunos estão habituados a uma forma de trabalhar e não têm de estar constantemente a adaptar-se a formas de trabalhar diferentes, o que para alguns alunos pode ser muito prejudicial no processo de aprendizagem. Ressalvo que a capacidade de adaptabilidade a qualquer situação é importante, mas creio que a estabilidade em qualquer situação da nossa vida dá-nos mais abertura para o aprender.

Relativamente à relação entre os alunos esta é positiva. Existe um clima de união e interajuda, importante para que a turma se sinta bem, acolhida no contexto onde estuda, fortalecendo laços e tornando o seu processo de aprendizagem na escola mais facilitado, usufruindo de um ambiente de qualidade. Quanto ao aluno com necessidades educativas não se nota qualquer tipo de exclusão, há aceitação e espírito de ajuda para com o mesmo.

A comunicação é por mim uma componente muito valorizada, como tal, durante este período de observação foi um aspeto que me despertou especial interesse. Considero que a CC tem de ser um pouco mais trabalhada junto deste grupo, pois demonstram ter dificuldade em transpor para a oralidade os seus raciocínios na realização de exercícios, tal como na explicação de assuntos abordados nas aulas ou referentes a experiências do quotidiano. Os seus discursos são percetíveis mas creio que se trabalhado poderão fazê-los de forma mais clara e fluente. Sendo que a CC engloba a componente escrita, verifiquei que os alunos apresentam erros gramaticais e ortográficos na escrita.

A nível de comportamento é uma turma acessível. São acolhedores, bem- dispostos e trabalhadores, mas são muito conversadores e ativos o que por vezes disturba o decorrer da aula que é interrompida com assuntos descontextualizados. Têm dificuldades em aguardar a sua vez de falar, interrompendo os colegas e não respeitando as regras da boa comunicação. No exterior são crianças sociáveis, brincam entre eles e com crianças de outras turmas, principalmente seus familiares como irmãos e primos.

As rotinas diárias estão patentes, nomeadamente: a escrita da data no quadro; a descrição através de um adjetivo de como se sentem nesse dia; a hora de entrada, do lanche, da saída e das áreas curriculares de música e de educação física.

Relativamente às áreas de interesse não parece haver uma área que se sobreponha, mas em diálogo com os alunos percebi que gostam, de uma forma geral, de realizar fichas de Matemática, de experiências, de ler e de realizar jogos. Estas rotinas são importantes porque transmite responsabilidade aos alunos e dá-lhes estabilidade.

Por fim é importante salientar que as observações e conclusões descritas anteriormente são gerais, pois existem alunos que não apresentam algumas das problemáticas apontadas e existem outros onde essas problemáticas têm mais relevo. Apenas apresento uma descrição superficial do que observei nos três dias, que claramente são poucos para retirar certezas acerca do funcionamento, pontos fortes e fracos da turma.