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G) L’analyse de certains marqueurs spécifiques

4. Les Perturbateurs endocriniens environnementaux

4.4.2 Les Perturbateurs endocriniens d’origine naturelle

Nesta seção da tese justifico a escolha do termo (re-)configuração, em lugar de representação, expondo qual é sua relação com a linguagem, a partir da abordagem de Jean- Paul Bronckart (1997).

As representações sociais não são interpretadas e observáveis só por elas mesmas; elas são reveladas nos e pelos textos (orais e escritos) que as comentam. Sendo assim, os indivíduos que entram em contato com esses textos em práticas sociais, de leitura e de conversa, interiorizam as representações coletivas e acabam por organizá-las de modo que acabam se tornando individuais e não mais coletivas. Como ilustração, pode-se tomar um acontecimento histórico, por exemplo o ataque das torres gêmeas no World Trade Center nos Estados Unidos em 11/09/2001 e perceber que as verdades são as maneiras diferentes de perceber tal acontecimento e que influenciam as representações coletivas. O ponto de vista de um morador da cidade de Nova York é diferente do de um iraquiano ou, ainda, do de um paulistano. Assim, a representação sobre a verdade muda de acordo com a interpretação e de como ela é construída nos e pelos textos.

Da mesma forma, circulam em nossa sociedade várias representações sobre a educação em manchetes de jornal: “Rio tem 8 das 20 melhores escolas do país” (Folha S. Paulo 04/04/2008). “Apenas 10% dos mestrados e doutorados têm nível europeu” (Folha S. Paulo 11/10/2007); “37% dos aprovados na 1ª série não sabem ler” (Folha S. Paulo 12/10/2007). Circulam também várias representações sobre o professor propriamente dito: “83% dos alunos têm professor insatisfeito, afirma UNESCO” (Folha S.Paulo 29/05/2008); “Carreira de professor atrai menos preparado” (Folha S.Paulo 09/06/2008); “Professores

decretam greve e param Paulista” (Folha S.Paulo 14/06/2008). Essas representações são construídas por meio de textos validados coletivamente postos a nossa disposição, ou seja, no nosso grupo social.

A representação veiculada não é uma cópia nem um reflexo da realidade, já que a linguagem não espelha, ela materializa as representações, não existindo representação que não seja social. É uma tradução, uma versão da realidade. A epígrafe deste trabalho nos aponta que nem mesmo a matemática, que está na área das ciências exatas nos mostra a realidade e, sim, apenas uma representação aproximada, porque até nessa área do conhecimento há muitas variáveis. A representação, portanto, é um “construto”, ou seja, uma mera interpretação. As representações sociais são elementos simbólicos que homens e mulheres materializam nos textos em uma situação de comunicação específica.

Em outras palavras, as representações sociais são historicamente construídas e estão estreitamente vinculadas aos diferentes grupos socioeconômicos, sociais, culturais e étnicos que as expressam por meio de mensagens. Portanto, para estudá-las, em primeiro lugar, é indispensável conhecer as condições de produção em que os indivíduos estão inseridos mediante a realização de uma cuidadosa análise contextual.

O papel da linguagem nesse processo de interpretação é central, posto que é somente por meio de uma manifestação textual, seja oral ou escrita, complexa e concreta, que podemos detectar representações sobre o que somos, sobre o que pensamos e sobre como agimos, podendo dar sentido ao nosso agir

Bronckart (1997) considera que os textos exercem influência sobre o agir humano, pois, ao mesmo tempo em que refletem reações/avaliações já existentes na sociedade, podem contribuir para a modificação dessas mesmas representações e das próprias atividades e ações. Quando se analisa o trabalho do professor, portanto, também se torna importante investigar os textos que falam sobre ele, quer eles sejam produzidos pelos próprios professores, quer sejam produzidos por agentes externos ao métier, como é o caso dos cronistas e jornalistas das revistas em estudo. A partir dos textos propostos para análise, pode-se detectar as

interpretações que são feitas das intenções, motivações, capacidades e responsabilidades do professor, na medida em que, concordando com Bronckart (2004a:22): “o agir só existe no processo interpretativo”16. Assim, para esse pesquisador: “...qualquer texto, qualquer que seja seu gênero ou seu tipo, seja oral ou escrito, pode contribuir, a seu modo, no processo de reconfiguração do agir humano” (Bronckart, 2008: 35).

Entretanto o termo representação é carregado de conotações cognitivistas, nos dando a impressão de que ela estaria na mente e que vamos “vesti-las” de linguagem e, consequentemente, usá-las em nossos discursos. Essa falsa concepção de linguagem, como uma “vestimenta” de ideias, pode causar uma certa confusão. Assim, neste estudo não analiso o que está na mente da “pessoa” (Bronckart, 2006), mas sim estudo as “(re-)configurações” construídas nos e pelos textos, não levando em conta o que a “pessoa” pensa, mas o que está em seu discurso, com base nas ideias de Ricoeur.

Para este, as condutas humanas são heterogêneas, discordantes ou não racionalizáveis. Diante disso, “as narrações proporiam um mundo ficcional no qual agentes, motivos,

intenções, razões, circunstâncias etc. são postos em cena, de modo que formem uma estrutura harmoniosa.” (Ricoeur apud Bronckart, 2008: 36) Assim, colocariam ordem no caos em que se encontram as pessoas, os objetos, o mundo. Os textos narrativos organizariam os acontecimentos em uma estrutura com sentido. Entretanto para Bronckart, indo além de Ricoeur, todos os tipos de textos serviriam para essas (re-)configurações.

Neste trabalho, pretendo fazer uso desse conceito, apontando que é na linguagem, reconfiguração simbólica de experiências humanas manifestas nas formas de sentir, pensar e agir na vida social, que são construídas as (re-)configurações sociais. A linguagem é construto e construtora do social e gera a sociabilidade.

Nesta pesquisa, estudo, portanto, as (re-)configurações do trabalho docente em crônicas e roteiros de reflexão, publicados na esfera midiática. Mais especificamente, pertencentes à mídia escrita, que, embora não sejam prescritivos, uma vez que analisamos crônicas, são textos que (re-)configuram o agir humano em diversas atividades coletivas, dando-lhes um certo sentido e configurando-se como verdadeiros “modelos do agir docente”.

Se o trabalho é uma forma central de agir humano cujas (re-)configurações são construídas na e pela linguagem, é necessário aprofundarmos essa ideia, focalizando o trabalho do professor como forma de agir no ISD. É o que veremos na próxima seção.