G) L’analyse de certains marqueurs spécifiques
6. Les protéines de choc thermique (HSPs)
6.2 Classification et fonctions des HSPs
6.2.1 La famille HSP70
O interesse de linguistas aplicados pelo objeto de estudo trabalho é um fenômeno recente. Um dos fatores para explicar tal interesse é a importância que a linguagem passou a ter na realização do trabalho. Outro é que os linguistas aplicados também se sentem responsáveis pela eficácia das práticas educacionais, formativas, pedagógicas, como as políticas escolares e a formação de professores. Lembremos que a linguagem é um elemento essencial na construção da ação e da significação, na negociação, nas tomadas de decisão, no planejamento, pois há discurso nessas relações, já que o homem sempre está se expressando, produzindo textos.
Considerando os discursos que circulam no e sobre o trabalho, há diferentes textos escritos, produzidos por e para professores, por aqueles que observam ou analisam o seu trabalho. Como vimos, o agir humano é (re-)configurado nos e por esses textos, não deixando de mostrar uma interpretação compreensiva desse agir, porque sempre estamos interpretando. Ao escrever, o produtor do texto solidifica uma visão de mundo, revelando e (re-) configurando, através da linguagem, sua compreensão do vivido. E o faz, sempre, na forma de materialização de um gênero, no caso específico de nosso trabalho, do gênero crônica.
Os textos, por sua vez, exercem influência sobre a atividade e sobre as ações nela envolvidas; refletem (re-)configurações existentes na sociedade sobre essa atividade e sobre essas ações; contribuem para a consolidação ou para a modificação dessas mesmas (re-) configurações e das próprias atividades e ações. Nesse aspecto, a análise e interpretação da diversidade dos textos escritos que circulam na sociedade contemporânea podem revelar as diferentes interpretações referentes ao agir do professor ou os “modelos preexistentes” a seu trabalho efetivo. Sendo assim, considero que os textos aqui selecionados para a análise podem influenciar o agir do professor, uma vez que formam ou alteram as (re-)configurações do professor sobre sua própria profissão, contribuindo para formar (re-)configurações positivas ou negativas sobre o agir docente brasileiro.
Nesses textos, podem-se identificar as intenções, as motivações, as capacidades, as responsabilidades dos indivíduos envolvidos no agir, as quais não podem ser detectadas diretamente na observação de condutas/comportamentos, mas por meio de interpretações/avaliações dos próprios agentes e de observadores externos expressas em textos, que contribuem para a (re)construção ou modificação das formas de agir. Para Bronckart:
Todo agir se efetiva sobre o pano de fundo de atividades e de ações já feitas e geralmente já avaliadas por meio da linguagem. Portanto, é necessário
assumirmos, em primeiro lugar, a preexistência de modelos do agir, que alguns autores chamam de recursos tipificados e tipificantes que orientam as condutas [...] Esses modelos práticos disponibilizam “modos de fazer”,
estilos de agir que, evidentemente, dependem dos domínios nos quais esse agir se desenvolve, mas que também variam em função da configuração das formações sociais. (Bronckart, 2006: 244, grifos do autor).
Em relação a esses modelos de agir, há, além de textos prescritivos sobre o trabalho educacional – leis sobre o ensino, documentos do ministério da educação como os PCNs, os projetos das escolas, livros ou materiais didáticos, textos sobre formação de professor, planos de aula, planejamento do curso, ata de reunião, diário de aula etc. –, os que são veiculados socialmente na mídia, em revistas e jornais, que trazem, visivelmente, formas para o agir em diferentes situações sociais. Pode-se tomar como exemplo, um fragmento retirado de um livro didático, portanto indicado ao docente: “O jornal pode fornecer [ao professor] inúmeras
possibilidades de trabalho: debate de assuntos que estabelecem relações entre o indivíduo e o mundo que o cerca; diferentes interpretações de um mesmo assunto; ... e enfim, a produção de gêneros jornalísticos.” (Cereja e Magalhães, 2007: 11) e outros exemplos retirados de revistas voltadas para públicos diferenciados: “Barriga lisinha – O que fazer para eliminar a
flacidez depois do parto” (Revista Crescer – out. 2005); “Construção – tudo que você precisa
para a sua obra” (Revista Festival da Casa)17.
Não importa qual seja o tipo de texto, todos eles podem fornecer uma imagem do agir, como é o caso dos nossos dados: “Esta aula é para você, professor! Veja refletidos na
crônica bons momentos de sua carreira” (Belinky, 2000) Ao se fazer uma análise de crônicas e roteiros de reflexão, de diferentes periódicos, é possível verificar como o trabalho do professor é interpretado por observadores externos, ou seja, como esse trabalho é visto pelos autores que não estão na realização da tarefa. Nesses textos, podem-se identificar as figuras interpretativas do agir, as imagens que se tem sobre o agir do outro, as (re-)configurações construídas sobre o professor e seu agir em situação de trabalho.
Para analisar tais reconfigurações, parti do modelo de análise de texto do ISD, que será apresentado na próxima seção, e interpretei os resultados dos dados a partir da concepção de trabalho docente apresentada por Machado (2007). Essa autora concorda com Saujat (2004), ao tentar definir o trabalho docente como um enigma; discute alguns conceitos sobre o trabalho, no geral, e sobre o trabalho do professor, em específico, reforçando a importância do estudo sobre o trabalho docente e dessa tentativa de conceitualização de “trabalho” para
qualquer ciência do humano, incluindo o ISD. Embora a autora reconheça a dificuldade em encontrar uma definição universal que abarque todas as formas do agir humano no trabalho, ela propõe uma reflexão e aponta a importância da representação do trabalho docente em esquema inspirado em Clot (2004a), e reformulado por ela, para facilitar a compreensão da dimensão da complexidade que envolve o trabalho do professor, o qual exponho a seguir:
PROFESSOR
Esquema 1: O trabalho do professor e seus elementos constitutivos (Machado, 2007)18
Para Machado (2007), o trabalhador, seja ele qual for, está relacionado com o outro e com o objeto, ou melhor, com aquilo que ele vai produzir com esse trabalho. Para realizá-lo, ele vai precisar de determinados artefatos, os quais, caso sejam apropriados pelo trabalhador, tornam-se instrumentos para o seu agir. Quanto ao objeto do trabalho do professor, trata-se da criação de um meio favorável para o aprendizado e o desenvolvimento do seu interlocutor
18 Atualmente, a Professora Dra. Anna Rachel Machado, consultora do CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em educação, cultura e ação comunitária),considera que esse esquema aponta apenas o trabalho em sala de aula, precisando ser revisto para contemplar todas as atividades de trabalho fora da sala de aula.
instrumentos
OBJETO
Criar um meio que possibilite a aprendizagem de determinados conteúdos e o desenvolvimento de determinadas capacidades a eles relacionados. O OUTRO Os alunos,
os pais, os colegas, a direção, os outros interiorizados, as outras atividades do sujeito.
ARTEFATOS: Simbólicos ou materiais
Sistema de ensino Sistema educacional Contexto sócio-histórico
maior, ou seja, o aluno. Entende-se que a ponta esquerda do triângulo distingue a simples transmissão do conteúdo da criação de um meio propício para isso.
Em outros termos, um sujeito age sobre o meio, em interação com diferentes outros, utilizando-se de artefatos materiais (o objeto, o utensílio, a máquina) ou imateriais (o programa de computador) ou ainda os simbólicos (signos, regras, conceitos, metodologias, planos, esquemas) construídos sócio-historicamente. Sendo assim, o trabalho do professor não se encontra isolado, mas em uma rede de numerosas relações. O professor tem relações não apenas com os alunos, mas também com a instituição que o emprega, com os pais, com diferentes profissionais.
Além de se dirigir a todos os outros desse sistema, a atividade do professor, de acordo com Amigues (2004), busca seus meios de agir nas técnicas profissionais que se construíram no decorrer da história da escola e do ofício de professor. Ou seja, a atividade não é a de um indivíduo destituído de ferramentas, socialmente isolado e dissociado da história; pelo contrário, ela é socialmente situada e constantemente mediada por objetos que constituem um sistema. Para agir, o professor deve estabelecer e coordenar relações, na forma de compromisso, entre vários objetos constitutivos de sua atividade (Amigues, 2004: 41). O autor destaca a importância nesse contexto, de todos os participantes, diretos ou indiretos, bem como das condições físicas e sociais, as prescrições, as regras do ofício, as ferramentas (recursos); enfim, aquilo que liga os profissionais entre si.
Portanto, o trabalho do professor não é individual. Como lembra Faïta (2004), esse profissional encontra-se diante de coerções institucionais, com prescrições explícitas ou não, com políticas dos estabelecimentos de ensino; e é, ao mesmo tempo, obrigado a resolver os problemas do cotidiano, em que abundam as escolhas a serem feitas para concluir as tarefas a realizar. Desse modo, a atividade, ou seja, o modo próprio de cada um reconstituir sua tarefa (Schwartz, 2003), entendido como aquilo que deve ser realizado, ou seja, aquilo que foi prescrito (Amigues, 2004), é resultante de uma dimensão intermediária, intercalada entre o meio e o sujeito. Ainda segundo Faïta (2004), há um coletivo de trabalho, ou seja, um grupo de profissionais que, através do tempo, constrói regras e formas de pensar e de fazer por realizarem atividades semelhantes, manterem diálogos frequentes e se verem trabalhando. Ao realizar uma atividade, o profissional pode tanto submeter-se a essas normas ou opor-se a elas.
Reunindo esses aportes, acredito que possa colaborar no sentido de uma melhor compreensão daquilo que se veicula na sociedade brasileira contemporânea sobre o professor
e seu trabalho, sobretudo, sob o ponto de vista do outro. Abordo, na seção seguinte, a concepção do agir e sua (re-)configuração nos textos mais especificamente.