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1.3 Les origines de la communication publique :

Foi-se a Lacedemônia a instar Minerva A que volte o magnânimo Ulisseida. Ele e o Nestório ao pórtico repousam De Menelau: Pisístrato num meigo Sono estava; desperto o companheiro, N’alta noite em seu pai medita e pensa. “Telêmaco, a Glaucópide bradou-lhe, Não mais vagues, soberbos tendo em casa Nenhum de vós me fale; que, se o velho

O suspeita, em prisões há de lançar-me E urdir a morte vossa. Eia, segredo;

Completo o vosso escambo e a carga dentro, Avisai-me com tempo: quanto pilhe, Ouro trarei. Mor frete oh! se eu vos desse! Nas casas do senhor penso um menino Travesso e andejo; à nau guiá-lo posso: Com ele alcançareis copioso lucro, Se for mercado ao longe. — Disse e foi-se. (LIVRO XV, ODISSEIA)

Sempre fui a mais falante da sala de aula, do grupo das primas a mais conversadeira, a “bocuda”. Já fui chamada até de “Fifi” quando criança, uma personagem de uma novela da qual já não me recordo o nome, mas que falava pelos cotovelos. Mais ou menos quando tinha uns 10 anos, minha mãe começa a frequentar a Igreja Católica da cidade, paróquia Senhor do Bonfim. Primeira comunhão, crisma, grupo jovem, retiros pela Bahia e missas. Os padres que por ali passavam não eram adeptos aos louvores mais contemporâneos da Igreja Católica, promulgados no Brasil desde a década de 1970. Passei a ser a coordenadora do grupo jovem Shalom, e nos “retiros espirituais”, a palavra silêncio ganha um significado de reflexão, de encontro consigo mesmo... Mas os estudos e formações com a “Revista Mundo Jovem” também nos instigava a luta pelas causas sociais pela/com a “força da palavra”. A veia falante falou mais alto, continuei a mais falante, a da oralidade...

Poderíamos pensar o silêncio como o intervalo preciso para as modulações da comunicação, a respiração do sentido. Mas não tem apenas significado na sua forma, o seu conteúdo desenha, no fio do discurso, figuras carregadas de sentido: fecho, abertura, interrogação, expectativa, cumplicidade, admiração, espanto, dissidência, desprezo, submissão, tristeza etc. É, imediatamente, nos limites dos assuntos a que se refere uma forma de discurso para além da palavra. O silêncio diz aquilo que as palavras não seriam suficientes para traduzir, inscreve a emoção no período em que a frase não teria salientado a importância. Marca a reserva de alguém que procura uma decisão, embora noutras ocasiões seja também a sanção clara do aborrecimento. O silêncio impõe-se, então, na fuga da palavra.

No início do Curso não me sentia bem naquele ambiente, ficava mais em silêncio por não ser uma pessoa bem preparada, como muitos ali presentes, mas sabia que experiência vem de um processo e do exercício da aprendizagem adquirida, através de estudos, pesquisas, curiosidade e vontade de aprender. Como diz Paulo Freire (1996): “Não existe quem sabe mais e nem quem sabe menos, o que existem são saberes diferentes”. Pois, foi nessa perspectiva que busquei

aprimorar o que já sabia construir e esquecer a timidez para construir caminhos novos para chegar ao final do Curso. (SANTOS, 2012, p. 27, grifo nosso).

Lete de imediato lembra-se da professora-cursista da segunda turma de Pedagogia do Projeto Irecê, Cláudia Leite, acompanhou-a como orientadora local. E como a mesma sentia dificuldades nas apresentações orais e nas outras linguagens que perpassavam pelo grupo, como a teatral e a musical.

A retenção da palavra traduz muitas vezes a tentativa de conservar o controle da comunicação, de não se achar implicado num intercâmbio não desejado é uma postura de observação, de escuta. Permite ver a chegada, esperando o momento favorável, sem mostrar a sua eventual vulnerabilidade ou as suas dúvidas. É também um poder temível, como lembra Susan Sontag ao analisar o filme Persona, de Bergman, “onde o silêncio obstinado de um dos protagonistas lhe confere uma posição virtualmente inviolável de força com a qual manipula e desconcerta a sua companheira, a única a carregar com o fardo da palavra” (SONTANG, 1994, 17). O silêncio do outro, nas circunstâncias que exigem sua palavra, introduz uma posição penosa de espera, a repercussão de uma subordinação difícil de contornar. (BRETON, 1997, p. 79-80)

A dimensão do esquecimento silencioso se manifesta em um padrão generalizado, enraizado na sociedade civil, de maneira quase que secreta não marcada, nem reconhecida. E no silêncio de colusão trouxe por um tipo particular de vergonha coletiva, existe detectável tanto um desejo de esquecer e às vezes o efeito real do esquecimento. No entanto, o silêncio pode ser uma forma eficiente de expressão, talvez mais do que a própria fala. Neste sentido, a necessidade do esquecimento revela um “tipo particular de vergonha coletiva” sobre os fatos que merecem ser esquecidos (CONNERTON, 2008). A linguagem não existe sem a pontuação do silêncio, que a torna inteligível.

A linguagem é poder, poder de obrigar o outro, de lhe impor idéias, de lhe dar ordem de se calar ou de falar. A palavra não é inocente naquilo que implica que um outro se cale e se subordine a ela, principalmente às suas conseqüências que podem ser mais ou menos pesadas. É muitas vezes um monopólio ou uma prioridade que aproveita ao detentor do poder ou da autoridade hierárquica. A retenção da palavra traduz muitas vezes a tentativa de conservar o controle da comunicação, de não se achar implicado num intercâmbio não desejado, é uma postura de observação, de escuta. (BRETON, 1997, p. 78-79)

Com essas figuras do esquecimento do silêncio, aquele que dá a memória os meios de combater o esquecimento. Para Ricoeur (2007), “contra o esquecimento destruidor, há o esquecimento que preserva”. Talvez seja esta a explicação de um paradoxo pouco notável no texto de

Heidegger, a saber, que o esquecimento torna possível a memória: assim como a expectativa só é possível na base de um esperar por, também a lembrança (Erinnerung) só é possível na base de um esquecer, e não o contrário; pois é no modo do esquecimento que o ser-sido abre primariamente o horizonte no qual, ao se engajar nele, o Dasein perdido na exterioridade daquilo com que se preocupa pode se relembrar.

Seguindo as etapas que levam ao nascimento da borboleta apresenta seu movimento de formação em uma construção que segue os passos da metamorfose da borboleta: ovo, larva, pupa e imago. Com isso oportuniza a colheita auto-reflexiva de uma formação potencializadora de um ser-mais. O que se vê é o brilho de quem deixou ser a metamorfose de sua própria imago, que também é um correlato de “imagem”. É quando a metáfora dá lugar ao acontecimento da auto-imagem construída pela autora em sua metamorfose espiritual (GALEFFI, 2011, p. 01, parecer avaliativo de Rita de Cássia Pereira).

O Dasein de Heidegger, os signos de Rosseau, e os “rastros do esquecimento” do Projeto Irecê, revelaram histórias e memórias de histórias, com consciência ou com o inconsciente. Omissões na mesa do banquete, histórias silenciadas e esquecidas, algumas intencionais, outras não. O esquecimento é, ou deve ser espontâneo, ao contrário da lembrança que muitas vezes pode ser objetiva, e tem diversos meios e métodos de ser preservada e armazenada. Se queremos esquecer alguma coisa, a melhor maneira é deixar o tempo passar, deixar as coisas se aquietarem, dormir, silenciar, fazer coisas alhures, despropositais e aleatórias.

Como está calmo o mundo E envolto em penumbra Tão íntimo e tão belo, Como um quarto silencioso, Onde deveis apagar no sono E esquecer O sofrimento do dia. (Canção da tarde – Matthias Claudius)

6.8 ESQUECIMENTO FELIZ

Navego assíduo; na dezena tarde, Ítaca e os lumes seus me apareciam: Rendo-me ao sono ali, cansado e lasso, Pois nunca o leme a outrem confiara, Para em terra o mais cedo nos acharmos. Do generoso Hipótades riquezas

Crendo que eu recebera, os da equipagem Discorriam destarte: “Oh! quanto Ulisses Por onde quer que aborde é festejado!