LES PRESTATAIRES PRIVES DE COMMUNICATION PUBLIQUE
II.2 Caracteristiques : un marche centralise et tentaculaire
é possível na base de um esperar por, também a lembrança (Erinnerung) só é possível na base de um esquecer, e não o contrário; pois é no modo do esquecimento que o ser-sido abre primariamente o horizonte no qual, ao se engajar nele, o Dasein perdido na exterioridade daquilo com que se preocupa pode se relembrar.
Seguindo as etapas que levam ao nascimento da borboleta apresenta seu movimento de formação em uma construção que segue os passos da metamorfose da borboleta: ovo, larva, pupa e imago. Com isso oportuniza a colheita auto-reflexiva de uma formação potencializadora de um ser-mais. O que se vê é o brilho de quem deixou ser a metamorfose de sua própria imago, que também é um correlato de “imagem”. É quando a metáfora dá lugar ao acontecimento da auto-imagem construída pela autora em sua metamorfose espiritual (GALEFFI, 2011, p. 01, parecer avaliativo de Rita de Cássia Pereira).
O Dasein de Heidegger, os signos de Rosseau, e os “rastros do esquecimento” do Projeto Irecê, revelaram histórias e memórias de histórias, com consciência ou com o inconsciente. Omissões na mesa do banquete, histórias silenciadas e esquecidas, algumas intencionais, outras não. O esquecimento é, ou deve ser espontâneo, ao contrário da lembrança que muitas vezes pode ser objetiva, e tem diversos meios e métodos de ser preservada e armazenada. Se queremos esquecer alguma coisa, a melhor maneira é deixar o tempo passar, deixar as coisas se aquietarem, dormir, silenciar, fazer coisas alhures, despropositais e aleatórias.
Como está calmo o mundo E envolto em penumbra Tão íntimo e tão belo, Como um quarto silencioso, Onde deveis apagar no sono E esquecer O sofrimento do dia. (Canção da tarde – Matthias Claudius)
6.8 ESQUECIMENTO FELIZ
Navego assíduo; na dezena tarde, Ítaca e os lumes seus me apareciam: Rendo-me ao sono ali, cansado e lasso, Pois nunca o leme a outrem confiara, Para em terra o mais cedo nos acharmos. Do generoso Hipótades riquezas
Crendo que eu recebera, os da equipagem Discorriam destarte: “Oh! quanto Ulisses Por onde quer que aborde é festejado!
Onusto vem de Ilíacos tesouros, E nós, tendo corrido iguais tormentas, Vamos ao pátrio lar de mãos vazias. Brindes lhe fez agora o amigo Eolo;
Veja-se que ouro e argento esse odre guarda.” Vencendo o mau conselho, o desataram: Os ventos a ruir, de Ítaca os deitam, A empegá-los em lágrimas desfeitos. Acordo; ao mar calculo se me atire, Ou sofra a nova dor: sofri, jazendo No fundo oculto; os outros, suspiravam. Procela atrás à Eólia nos remessa:
(LIVRO X, ODISSEIA)
“Volta”! – Gritou a saudade
“Lembra”! – Disse a memória “Esquece”! – Aconselhou a razão
Esses versinhos chamaram-me a atenção em um post numa rede social e como as “artimanhas” do esquecimento não são tão fáceis de “desmascarar”, o esquecimento seria também o direito de esquecer uma memória interminável? Para Ricoeur, não é tão simplório falar de esquecimento feliz como falar de memória feliz. Para o autor a nossa relação com o esquecimento não é marcada por acontecimento de pensamentos comparáveis ao reconhecimento – “uma lembrança é evocada, ela sobrevém, ela volta, reconhecemos num instante a coisa, o acontecimento, a pessoa e exclamamos: É ela, É ele”! (2007, p. 508). O esquecimento não é um acontecimento, mas num dado momento se reconhece o que se esqueceu. Nietzsche é nossa inspiração, naquilo que o filósofo alemão chama de esquecimento ativo, uma “força”. A conversa na mesa do banquete é retomada sobre a ideia da memória feliz de Ricoeur, que foi baseada na sua apresentação da fenomenologia da memória. Lete abre a discussão sobre as palavras-chave assumidas pelo grupo de professores pesquisadores do projeto Irecê: Currículo. Formação. Experiência. Subjetividades. Narrativas. As inspirações hermenêuticas fenomenológicas, os sujeitos do currículo como narradores de si:
Mesmo ouvindo comentários de como seria a escrita dos diários de ciclo, continuei escrevendo meramente um texto descritivo e isso vinha sendo
alertado pela minha parecerista. Este fato me levou a ter uma atitude de
escrita e reflexão no que se referia aos diários. Daí tentei desenvolver uma escrita auto-avaliação, crítica e reflexiva. No Ciclo Um e no Dois, havia participado de maravilhosas atividades como: paisagem, fotografia e estudo sócio-ambiental, apresentada pelo professor Helmut Muller, nos mostrando com uma maneira simples, como trabalhar interdisciplinaridade; Arte- educação e autoconhecimento, com a professora Ana Paula Feitosa, uma
ótima atividade em que tive a felicidade de levá-la para a minha sala de aula e dividir com meus alunos, momentos por mim vivenciados no curso. (ROCHA, 2007, p. 46, grifo nosso)
Narrar ganha aqui, mais uma vez, caráter de suporte para a construção do sentido de nós mesmos, já que, segundo Larrosa (2004, p. 18), “[...] à pergunta sobre o que somos só podemos responder contando alguma história. E ao narrarmos a nós mesmos no que nos passa [...] nos construímos como indivíduos particulares”.
Alguns textos são lançados sobre a mesa, e logo se misturam a alguns pingos de café que ficam sobre as folhas, o texto escrito pelas coordenadoras Inez Carvalho e Roseli Sá, os sujeitos nas narrativas curriculares: Formação, Experiência, Subjetividade (20015, no prelo).
Em nosso pensar/praticar Currículo, temos que uma de suas funções é a de subsidiar os percursos formativos e, dado que à Formação é atribuída a condição de nascer de um processo interno de constituição e não necessariamente de uma finalidade técnica (GADAMER, 1999), passamos a considerar, nas propostas curriculares, a singularidade de cada percurso formativo e a importância da narrativa desse próprio percurso como conhecimento curricular significativo. (CARVALHO; SÁ, 2015, p. 10).
A compreensão das conceituações contemporâneas de narrativas curriculares e interpretação dos Rastros do esquecimento “deixados” nos diários e memoriais de formação, ligam-se a um re-sentir, na concepção do esquecimento segundo Nietzsche, e, por isso, não moveria o homem à ação, já que promove a interiorização e não a exteriorização das suas forças existentes. Nietzsche, ao discutir a relação entre memória e esquecimento, na Genealogia da moral, utiliza o método genealógico para avançar nessa discussão, levantando uma hipótese ligada aos valores morais, consolidados e cristalizados como verdades no meio social. Em sua análise, o filósofo desenvolve uma crítica a tais valores, questionando os ideais estabelecidos em sua época.
Aliás, no processo de autognose e de autorrealização em que somos guiados pelo mestre, será importante considerar a dinâmica existente entre o lembrar, e o esquecer, já que o esquecimento pode abrir as portas para essa criação, para inaugurar novas possibilidades de vida e de uma cultura autêntica, e diária de um esquecimento feliz.
Depois de uma viagem entre ruas de barro e ruas asfaltadas, vendo a caatinga seca num dia ensolarado, sentido a poeira adentrar minhas narinas, voltamos ao Espaço Ufba-Irecê. Desci do ônibus escolar e caminhei em direção àquele lugar que sempre fora um auditório, mas que
naquele dia era outra coisa, que naquele dia se tornou outra coisa, a começar pelo hall de entrada. Era a segunda instalação.
Figura 20 – Instalações artísticas UFBA Irecê.
Fonte: Acervo da autora.
A primeira coisa que senti foi o cheiro de terra e serragem. Abri a porta. Os cheiros se intensificaram. Entrei naquele espaço no qual a música de fundo, a penumbra luz e tudo o mais convidava à introspecção.
Figura 21 – Instalações artísticas UFBA Irecê.
Fonte: Acervo da autora.
Ao cheiro de terra e serragem, juntou-se o cheiro das velas queimando. As velas estavam dispostas sobre uma mureta de tijolos, um caminho cheio de altos e baixos; algumas estavam acesas e outras, apagadas. São os altos e baixos da formação? As luzes e sobras dos caminhos de cada um? As opacidades da vida?
Sentia também o cheiro de querosene, emanando de candeeiros acesos, que me fazia lembrar os causos que meu avô contava após o jantar, na longínqua cidade baiana de Itaiá, onde costumava passar as férias.
Figura 22 – Instalações artísticas UFBA Irecê.
Fonte: Acervo da autora.
Em silêncio, continuei perscrutando aquele ambiente. Vi uma parede cheia de fotografias, algumas bem antigas, iguais às que eu costumava ver em casas de vizinhos dos meus avós, lá na roça. As fotos despertaram em mim um sentimento fúnebre. Uma sensação de morte, de perda, de vazio, de dor. Fiquei a pensar que a memória tem um tanto de perda; das pessoas que se foram, dos momentos que não voltam, das lembranças que se perderam. Pensei também no que escrevemos sobre as instalações da primeira turma do curso: nas instalações, ao invés de vivenciarem as experiências, foram os professores-cursistas que as proporcionaram.
Em meio a meus devaneios, fui interrompida por três cursistas que me perguntavam se eu já havia conseguido identificar alguém. Foi então que percebi que naquela parede da memória havia algumas fotos de crianças, de adolescentes. Olhei aquela parede repleta de fotos, tentando encontrar os professores-cursistas naqueles rostos. E reconheci muitos. A cada acerto, as cursistas riam e ficavam felizes se o rosto reconhecido era o de uma delas.
Figura 23 – Instalações artísticas UFBA Irecê.
Fonte: Acervo da autora.
Naquela instalação havia muitas tecnologias: do disco de vinil ao CD, da máquina de datilografar ao notebook, do candeeiro à lâmpada. Diversas temporalidades dispostas em um mesmo espaço. Havia também uma sala de aula e, ali, mais memórias nas palavras dos professores cursistas registradas em cartazes que pendiam do teto. Depois de passar pela sala de aula, cheguei a uma bancada repleta de notebooks. Neles, podíamos ver clipes produzidos pelos cursistas, nos quais cada um falava si, do curso, da sua formação. Na saída da instalação, os gostos do lugar: a pamonha, o milho cozido, a farofa, o café. Saí da sala roendo um milho cozido e ruminando ideias.
Figura 24 – Instalações artísticas UFBA Irecê.
Fonte: Acervo da autora.
Caminhei sob o sol durante alguns instantes, em busca da terceira e última instalação. Atravessei o espaço de um extremo a outro e me deparei com uma cerca. Havia uma abertura
na cerca; era a entrada para a instalação. Fui recebida por uma cursista que me acolheu com uma bolsa, um embornal.
Um embornal para guardar minhas lembranças.
O esquecimento ali, na narrativa de Paulinha sobre as instalações artísticas não seria coevo, análogo ou efeito da destruição e da eliminação. Pode-se esquecer, porque os memoriais ainda estarão lá, fisicamente insistentes e ancorados, para nos fazer lembrar. Zeladores que são da preservação da dialética do lembrar e do esquecer e, como tais, da celebração inconteste da memória, não apenas porque permitem lembrar, mas também porque possibilitam esquecer.
Não há, pois, o que corrigir em um memorial quando ele é feito com esmero e criatividade e não apenas para cumprir tabela na aprovação de um trabalho acadêmico. Percebo no memorial avaliado o traço de um trabalho feliz, feito em uma disposição apaixonante, pois sobressai o prazer em se saber capaz de ser-mais, por sua própria conta, a partir sempre de sua condição existencial concreta. Os efeitos se mostram evidentes: a responsabilidade pela emancipação humana através da profissão abraçada. A borboleta é uma personificação da educadora emancipada, capaz de tomar para si a responsabilidade de metamorfosear a vida em seu incessante e infinito transformar-se. Tudo continuará fluindo infinitamente! (GALEFFI, 2001, parecer final Ufba/Irecê)
Para chegar a ser o que se é, precisa-se dosar, harmonizar, algo a ser lembrado e algo a ser esquecido, assim, o esquecimento de relacionamentos anteriores, ou de uma filiação religiosa ou política, por exemplo, torna-se muitas vezes necessário para a construção de novas identidades individuais ou coletivas. Nietzsche mostra como o esquecimento pode ser um fator permissivo da felicidade do homem, visto que este, ao se deparar com um acúmulo excessivo de informações na memória, encontraria aí a sua própria ruína.
O que paira sempre em minha mente com muita nitidez e acredito que jamais esquecerei, foi a primeira festinha de encerramento do ano letivo, no primeiro ano em que também fazia parte daquele grupo que estava chegando ao final de um ano cheio de emoções. (ROCHA, 2007, p. 13)
Todavia é em seu texto “O Aleph”, a pautarmos pela forma como encerra o conto, que Borges coloca em xeque não só a autenticidade dos acontecimentos evocados pela memória, mas o seu próprio relato: “Nossa mente é porosa para o esquecimento; eu mesmo estou falseando e perdendo, sob a trágica erosão dos anos, os traços de Beatriz” (BORGES, 2000, p. 698).
Saio daquela instalação com o som do cata-vento roçando a cerca enquanto gira. Vou caminhando e pensando em tudo que experimentara naquela manhã de sábado: as lembranças agridoces, os sons macios, os barulhos cortantes, as imagens leves e pesadas... Penso nos sentidos evocados por aquelas produções sinestésicas...
Fim de mais ciclo. Missão cumprida. É o que penso. Termino aquela manhã com um misto de orgulho, alegria e saudade. Orgulho e alegria ao ver o que fora produzido pelos professores- cursistas em cada instalação, e ao pensar no que as instalações produziram em cada um de nós.
Saudade de tudo que vivemos ao longo de três anos, principalmente por saber que o trabalho com aquela turma chegará ao fim. Termino a manhã com a expectativa de que essas experiências possam ressoar nas escolas, no fazer docente de cada professor. Para que possamos fazer escola com cada vez mais cor, aroma e sabor.
Novembro de 2016, a mesa é retirada, será esquecida por mais um tempo, exatamente nesse ponto entra também a retórica com sua arte de esquecer. Se as imagens mnemônicas – com ou sem a ajuda da arte retórica – estão presentes no espírito, a arte de esquecer e de lembrar hão de ser narradas em outros cafés, outros diários e outros memoriais... Com memórias e esquecimentos felizes!
Considero que o Memorial escrito por Rita Cácia Fernandes Pereira é merecedor de Aprovação plena, e parabenizo a autora pela bela obra de arte apresentada como coroamento de uma formação que se transformou em uma implicação com a potencialização da educação como lugar da liberação humana. Afinal, a realidade de nossa educação local e nacional só poderá mudar se existirem educadoras e educadores fazedores de uma imago humana para além dos atavismos e territórios já conhecidos e conquistados. A autora revela potência na direção do crescimento criador. Votos de novas metamorfoses!
Salvador, 08/09/2011
7 CONCLUSÃO
ESQUECIMENTOS FINAIS...
“Suspeito, entretanto, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair”. (Funes o Memorioso, Ficções, Jorge Luis Borges, 1944) Para
Fabrizia
06/14/12 às 8:26 AM
A dimensão esquecimento, mais uma vez se fazendo presente. INEZ
Resumo Cipa Inez II
Seria praticamente impossível lembrar de todas as questões postas incinialmente neste trabalho. Tentei me atentar a sua premissa, à problemática inicial; contudo, a partir da revisão teórico- conceitual sobre esquecimento e as implicações para com a memória, fui dando-me conta da dimensão do esquecer. Do quanto o mesmo foi fazendo-se presente em diversos momentos do currículo do projeto Irecê, e no seu a-com-tecer. Mesmo que não intencionalmente, todavia com a presença de elementos não tão “potencializados” nos dispisitivos formativos do Curso de Pedagogia do Projeto Irecê.
Ao investigar as estratégias para a discussão no espaço acadêmico, sobre a possibilidade de formação dos sujeitos com os “elementos formativos” das dimensões do esquecimento, assim como foi o trabalho com os dispositivos memorialísticos do curso (memorial, diário de ciclo, produção livre, Gelit´s etc.) pude perceber que não há nesta tese anúncio de fórmulas ou modelos prontos, capazes de promover a descontrução de um ideário de intelectualidade e produção de pesquisas sobre a formação de professores com as autobiografias formativas, e nem é essa minha intenção, uma vez que sou parte desse grupo de professores-formadores e pesquisadores. E foi no quanto vi e nas percepções que pude ter, que analisei a grande
contribuição quanto à questão da profissionalidade docente a partir da estética e dos elementos formativos, otimizados no currículo do projeto Irecê.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – FACULDADE DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES – UFBA/IRECÊ
GRUPO DE ESTUDO LITERÁRIO: ANARQUISTAS GRAÇAS A DEUS PROFª. FABRÍZIA PIRES
CURSISTA: GERVÁSIO MENDES MOZINE AUTOAVALIAÇÃO
Analisando os outros Gelits que participei, posso dizer que este foi o que rendi menos. Devido a um problema de falta de saúde, não consegui me inteirar da forma que exigia o estudo durante os encontros do Grupo e também do Ciclo Quatro em si. Na verdade não foi fácil para mim, pois a leitura que fazia em um dia, ia para o esquecimento no dia seguinte. Devido a esse fator, minha contribuição com as discussões nos encontros ficou um pouco tímida. As falas dos colegas contribuíram para que eu fosse relembrando o que li. A contribuição da professora Orientadora, Fabrízia, não poderia ser melhor. Usou de uma diversidade de recursos para conduzir os estudos, o que facilitou compreender um pouco mais a obra literária de Gattai. Até uma linha do tempo foi realizada com fotos de tempos passados de minha vida e dos colegas também. Achei legal, pois me possibilitou a estruturar o que eu precisava de fato colocar em meu memorial.
Apesar das dificuldades, o livro permitiu que eu desse uma nova cara ao meu memorial, pois Gattai descreve suas memórias de maneira simples, valorizando todos os aspectos positivos e negativos de sua vida. O casarão onde morou e a rua dela ganharam detalhes e gosto. Tudo era bem descrito: o cachorro, o bode Bito, o cinema, o parque, os vizinhos, a vida do apaixonado por corridas automobilísticas, Ernesto Gattai, seus irmãos e irmãs mais velhos, sua mãe Angelina que parecia não lhe gostar muito bem, e até a Revolução de 1924 em São Paulo, com o famoso Tenentismo. Agora fiquei mais ciente com as falas do meu pai ao falar sobre os revoltosos, sobre Militão e Horácio de Matos.
Em meu memorial, já relatava sobre minha rua. Após a leitura do livro, os relatos ficaram mais apoiados, com as referências tiradas de Anarquistas Graças a Deus.
Por fim posso dizer que fiz o máximo possível para tirar proveito dos estudos que realizamos. Já posso falar na minha prática da contribuição do livro para entender alguns períodos de revolta, da imigração, colonização que passou o nosso Brasil e até da revolução tecnológica, quando um disco de vinil era uma joia rara, quando o cinema mudo ainda era para poucos, quando o remédio para doenças como a malária ainda não tinha uma definição do qual era o correto.
Mensurar um aprendizado é muito complexo, mesmo assim, afirmo que aprendi de forma considerável a mensagem pedagógica do livro. Minha bagagem inicial de contribuição, de zero a dois e meio, era de pouco mais que zero. No final esta bagagem teve uma evolução de aproveitamento que possibilita não ser reprovado.
Carinhosamente,
Gervásio Mendes Mozine 04 de julho de 2010.
A tessitura entre esquecimento e memória se configura, na interpretação hermenêutica das narrativas apresentadas nos memoriais de formação do Curso de Pedagogia Ufba/Irecê, onde as dimensões analisadas do esquecimento fortalecem o trabalho formativo como uma das condições da memória. Ou seja, o esquecimento deve ser visto como um verdadeiro rastro, firme e obtuso, rumo ao devir.
O desejo que sempre me acompanhou, de interpretar e compreender os afetamentos da formação a partir do trabalho com Memórias, e as configurações dessas implicações nos contextos pessoais e profissionais daqueles professores-cursitas, era algo que me acompanhava desde minha graduação. Essa inquietação me levou também a perceber nos congressos e nas políticas públicas de formação de professores, algo que já sinalizei nos capítulos anteriores, o “exagero da rememoração”, com a prevalência do “sujeito forte” que precisa “lembrar” a todo custo para o encontro e mergulho em si mesmo, ainda que em alguns momentos ou acontecimentos da vida, o mais viável é esquecer para o novo fluir. Contenho-me a um instante da ideia de profundidade, e proponho pôr em correlação a problemática relativa a esse nível,
com abordagem cognitiva de memória espontânea. De fato, o que o esquecimento desperta nessa encruzilhada é a própria aporia que está na fonte do caráter problemático da representação do passado, a saber, a falta de confiabilidade da memória, sendo ainda o desafio por excelência,