• Aucun résultat trouvé

Les obstacles à l’application effective des valeurs

Dans le document LIVRE BLANC (Page 72-75)

A Investigação-Ação que fui desenvolvendo ao longo das minhas PES foi apoiada por diferentes técnicas de recolha de dados, que me possibilitaram o conhecimento dos contextos e a análise das práticas. Para tal utilizei, principalmente, técnicas que me auxiliavam na recolha de dados ao nível qualitativo, isto é, as que me apoiavam na procura por significados. Cada técnica foi escolhida tendo em conta a questão de investigação e os objetivos específicos, de

58 forma planeada e refletida. Assim, utilizei as seguintes técnicas de recolha de dados qualitativos: a observação, as entrevistas, as conversas informais, os questionários e a análise documental.

Em relação à observação participante, a técnica que mais utilizei durante toda a investigação, senti que é uma parte essencial do/a profissional, devido à sua envolvência e ao seu dinamismo. Através dela consegue-se conhecer o grupo de crianças com que interagimos, desde os seus interesses às suas necessidades, colocando-lhes diversos desafios, com a intenção de explorarem e descobrirem por si. “Deste modo, a curiosidade e desejo de aprender da criança vão dando lugar a processos intencionais de exploração e compreensão da realidade (...).” (Marques et al., 2016, p. 11). Máximo-Esteves (2008) refere que olhar o mundo auxilia o investigador, de forma a que este compreenda os contextos em que está inserido, as pessoas que nele intervêm e as interações que existem. Para além disso, também o próprio profissional é instrumento de pesquisa, tendo em atenção as suas práticas (Correia, 2009). No entanto, é necessário praticar esta técnica para que seja bem utilizada, de modo a evitar a dispersão, pois só se aprende praticando. Assim, “o observador permanece no seio do grupo que estuda, observa de modo espontâneo, como espectador, embora mobilizando a informação na condução do seu olhar.” (Correia, 2009, p. 33).

A intenção de conhecer o ponto de vista dos intervenientes, relativamente à temática que me propus estudar, levou-me a realizar entrevistas, em ambos os contextos. Neste sentido, elaborei uma entrevista semiestruturada onde, num guião (instrumento), inscrevi um conjunto de amplas questões. Este instrumento é flexível e permite o improviso e a troca de perguntas, dependendo da resposta. O entrevistado diz o que pensa e partilha o seu conhecimento sobre a temática (Máximo-Esteves, 2008).

De forma a conhecer o ponto de vista em relação à Hora do Conto, realizei conversas informais com as crianças de Jardim de Infância e questionários às de 1º CEB. A intenção foi tornar as crianças participantes ativos nesta investigação, dando-lhes voz.

A última técnica utilizada numa perspetiva qualitativa foi a análise documental. Esta técnica permite-nos ter acesso a informações alusivas ao contexto ou ao que acontece na prática, através de documentos oficiais, livros, relatórios, entre outros.

A fim de conseguir organizar-me, planifiquei para cada questão de investigação: os objetivos que lhe correspondiam; as técnicas que iria utilizar para obter a resposta; a fonte de onde brotariam os dados; os procedimentos que me remetiam para o espaço e o tempo que iria disponibilizar para realizar a técnica; os instrumentos que são essenciais, constituindo um apoio

59 para orientar a recolha de dados; os suportes de registo que, tal como o nome indica, me auxiliaram na preservação dos dados que fui recolhendo.

Primeira questão de investigação: “Como estimular nas crianças o prazer/gosto pela leitura?”

Objetivos:

• Perceber qual a visão da educadora, do professor e da professora bibliotecária perante a Hora do Conto;

• Perceber a visão das crianças sobre a audição/ leitura de histórias na sala; • Analisar as reações das crianças em relação à Hora do Conto;

• Refletir sobre a procura do livro por parte das crianças;

Técnicas utilizadas: os questionários; as conversas informais; as entrevistas; a observação da interação das crianças com os livros e na área da biblioteca; a análise documental.

De forma a organizar o pensamento, foi necessário elaborar um protocolo para o questionário. Nele estava contido o objetivo estabelecido para cada questão colocada, e que foi preservado em suporte papel.

Os questionários, com a duração de 30 minutos, direcionaram-se para as crianças da sala de 2º ano do 1º CEB.

A conversa informal foi conduzida através de algumas questões, que poderia colocar às crianças durante um momento informal, sendo estas de caráter direto. A conversa foi realizada com as crianças da Educação Pré-Escolar, durante o momento de Atividades e Projetos.

A entrevista, conduzida através de um guião semiestruturado e das notas de campo que fui retirando, teve a duração de cerca de 30/40 minutos. Através dela foram recolhidos depoimentos do professor cooperante, da professora bibliotecária e da educadora cooperante.

A observação das interações das crianças com os livros e com a própria área da biblioteca, foi realizada durante a rotina diária. Deste modo, pretendi perceber se as crianças procuravam o livro ou se o traziam para a sala. A informação obtida através desta técnica foi registada em suporte fotográfico e sob a forma de notas de campo.

A análise documental requer a recolha de informações referentes à problemática, através de documentos oficiais, de livros, de relatórios.

As notas de campo que retirei ao longo do tempo, refletem a vida que existia em cada contexto, os sentimentos, as interações, as questões que me levavam a querer refletir.

Importa referir que as notas de campo eram retiradas diariamente, sendo parte integrante das reflexões semanais. Para planificar, tinha de projetar, tendo em conta as reflexões semanais

60 que realizava, com a intenção de aprofundar a minha ação e de ir ao encontro dos interesses das crianças.

A informação reunida através das notas de campo permitui-me elaborar um caderno de formação, onde integrei o que acontecia de forma detalhada e mostrei o meu lado mais pessoal. Este caderno é uma compilação das reflexões, planificações e das notas de campo. Ele constitui um documento que contem passagens descritivas, mas também muitas práticas e temáticas refletidas. Este caderno permite, às pessoas que o leiam, conhecerem os contextos, as práticas utilizadas e o ponto de vista de quem lá esteve.

As fotografias foram um excelente suporte para as notas de campo, pois demonstram o que aconteceu, permitindo relembrar o momento e focar-me na temática. Através delas, no decurso da minha observação participante, foi possível registar ações e reações, das crianças e dos próprios adultos.

Ao longo do tempo, fui-me integrando no contexto, junto das crianças e dos diferentes intervenientes adultos, e compreendendo como podia melhorar a minha prática.

Segunda questão, “Quais os contributos da Hora do Conto para um maior contacto das crianças com o livro e a leitura na Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo?”

Objetivos:

• Perceber qual a visão da educadora, do professor e da professora bibliotecária perante a Hora do Conto;

• Ampliar o repertório literário das crianças;

• Promover o desenvolvimento da criatividade e imaginação das crianças através da Hora do Conto.

As técnicas de recolha de dados que utilizei para abordar e tratar a primeira questão também foram empregues com vista a responder a esta segunda questão. A utilização destas técnicas permitiu que eu fosse desenvolvendo o processo investigativo ao longo das duas PES. Portanto, além da análise das práticas pedagógicas, das rotinas, das brincadeiras, das conversas, das interações, das atividades, entre outros momentos, despertei para as práticas relacionadas com este tema. Consegui concentrar maior atenção na relação que as crianças estabeleciam com o livro, com o espaço da biblioteca, e com as práticas de leitura por parte do adulto presente (educadora, professor cooperante e professora bibliotecária).

61

Dans le document LIVRE BLANC (Page 72-75)