O termo imobilização química, que também pode ser designado por contenção química,
refere-se à indução com recurso a fármacos de um estado de sedação, anestesia e/ou
relaxamento muscular que permita manusear um animal reduzindo os riscos para o mesmo
associados aos procedimentos de captura efectuados (West, Heard, e Caulkett 2007). Todo o
processo de imobilização química em animais selvagens, desde o planeamento inicial até à
libertação do animal, deve ser da responsabilidade de um médico veterinário com formação
específica nestes procedimentos, uma vez que requer um grande conhecimento da biologia
das espécies abordadas e principalmente um conhecimento aprofundado dos fármacos
utilizados e as respectivas técnicas de administração (Portas TJ 2004; Tribe e Spielman 1996).
Uma vez que muitos dos efeitos dos fármacos não estão completamente compreendidos em
relação à fauna bravia, o profissional deve sempre proceder a uma extensa revisão
bibliográfica (direccionada para os estudos relacionados), de modo a decidir qual é o melhor
protocolo a utilizar em cada caso específico ou que adaptações aos mesmos poderão ser
efectuadas (Tribe e Spielman 1996; West, Heard, e Caulkett 2007).
Este método de captura começou a ser desenvolvido no decorrer de acções com fins conservacionistas direccionados para algumas espécies que apresentavam um declínio acentuado e cujo estatuto passou a ser considerado preocupante, entre outros, assumem especial destaque os rinocerontes africanos (McCulloch e Achard 1969; West, Heard, e
Caulkett 2007). Neste capítulo foco especialmente a imobilização de indivíduos de ambas as
durante o estágio.
A título de curiosidade, destaco que as primeiras capturas de indivíduos destas espécies foram efectuadas sem recurso a fármacos, empregando um sistema no qual se perseguia o animal a bordo dum veículo e se enlaçava com uma corda, a fim de o conter. Ainda que algumas equipas se tenham tornado especialistas neste método de captura, este revelou-se bastante stressante para o animal e com grandes riscos associados para o operador (McCulloch e Achard 1969).
Data da década de 60 o emprego de substâncias químicas utilizadas na imobilização química destes animais. As primeiras substâncias utilizadas para este fim foram a feniciclidina, um agente anestésico dissociativo, em conjunto com a galamina, um relaxante
muscular curariforme, numa acção de translocação de indivíduos de rinoceronte preto de uma
área onde iriam ser vitimados pela subida das águas do lago Kariba, localizado na zona fronteiriça entre a Zâmbia e o Zimbabwe (Harthoorn e Lock 1960; Child e Fothergill 1962).
Na mesma década, na Republica da África do Sul, foram levadas a cabo acções de repovoamento de rinoceronte branco provenientes da provincia de KwaZulu-Natal (onde
então existiam cerca de 50 indivíduos), para áreas protegidas onde já não existia nenhum
exemplar desta espécie, nomeadamente no perímetro do KNP (R. Emslie 1999).
Actualmente a captura química de rinocerontes no estado selvagem, normalmente tem
como objectivo a implementação de algumas medidas de protecção da espécie, tais como:
remoção cirúrgica do corno, marcação dos animais, aplicação de sistemas de monitorização
electrónica ou translocações de animais (West, Heard, e Caulkett 2007).
imobilização química têm riscos associados para o animal, assim como para o operador, pelo
que toda e qualquer acção desta natureza deve ser rigorosamente planeada a fim de maximizar
a sua eficácia (West, Heard, e Caulkett 2007; Rogers 1993a; Tribe e Spielman 1990).
Antes de mais, deve ter-se um conhecimento aprofundado em relação à espécie a
capturar, nomeadamente a sua etologia, reacção ao stress (“lutar ou fugir”), assim como as
técnicas relacionadas com a imobilização química e a acção dos fármacos a utilizar. Para além
disso, deve ser ponderado o motivo pelo qual o animal deve ser imobilizado quimicamente,
sendo que esta imobilização só deve ser empreendida caso não exista uma forma menos
intrusiva de alcançar o objectivo em questão. Todos os procedimentos, assim como eventuais
complicações, devem ser previstos para que se proceda a uma preparação rigorosa de todo o
material que se possa verificar necessário em qualquer acção de imobilização. A decisão da
altura do dia a que deve ser efectuada a captura também é de extrema importância, sendo
preferível os períodos em que a temperatura ambiente é menor nomeadamente de manhã cedo
ou no final da tarde, para contornar eventuais problemas relacionados com a hipertermia, que
frequentemente se verifica em rinocerontes imobilizados por via de fármacos opióides(Portas
TJ 2004; Tribe e Spielman 1996).
Quando se trata da administração de fármacos em animais no estado selvagem, há que ter em conta que os animais não estão habituados ao contacto com seres humanos, tornando- se por isso demasiado esquivos e/ou agressivos para serem capturados e manuseados. Assim sendo, foram desenvolvidos alguns métodos para a administração de fármacos à distância em fauna bravia, levando a taxas maiores de sucesso das acções empreendidas, assim como a uma diminuição acentuada dos riscos para os operadores (Rogers 1993a; West, Heard, e Caulkett 2007).
Os dispositivos usados na imobilização química consistem genericamente em duas partes: um dardo, no qual é colocado o fármaco, ou a combinação de fármacos a administrar;
e um projector que impele o dardo a percorrer a distância, pelo ar, até perfurar a pele do animal (West, Heard, e Caulkett 2007). Existem três formas, mais amplamente utilizadas, de
viabilizar a propulsão do dardo: com uma zarabatana em que o propelente é o ar expirado pelo
operador; com armas (pistolas ou carabinas) que usam como propelente ar previamente
comprimido; armas cujo propelente é pólvora colocada num cartucho especialmente
desenhado para esta finalidade (Tribe e Spielman 1996; West, Heard, e Caulkett 2007). Para
além destes, têm vindo a ser adaptados outros métodos alternativos como por exemplo o uso
de arcos e bestas em que o dardo é montado numa seta (West, Heard, e Caulkett 2007; Stander
et al. 1996).
A zarabatana é um tubo no qual é colocado o dardo e é operada à semelhança daquelas
utilizadas para fins venatórios pelos índios sul americanos. Este método requer muita práctica
por parte do operador e o alcance é relativamente reduzido, comparativamente aos outros
métodos, sendo preferencialmente empregue a curtas distâncias, entre os 10 e 15 m e em
animais cuja cobertura tegumentar não é muito espessa (Tribe e Spielman 1996; West, Heard,
e Caulkett 2007).
O sistema com recurso a ar comprimido é aquele mais utilizado actualmente em acções
de imobilização química de rinocerontes em estado selvagem podendo ser utilizada uma
pistola ou uma carabina para o efeito. Neste método, recorre-se a uma fonte externa de ar
comprimido, que pode ser obtida por uma bomba pneumática ou por uma garrafa contendo
dióxido de carbono sob compressão, dependendo das características do mecanismo em
premido, dá-se a abertura de uma válvula que liberta uma determinada quantidade de gás, cuja
expansão ao longo cano leva à propulsão do dardo. Neste método a quantidade de gás
necessária pode ser ajustada em função da distância a que o disparo é efectuado, assim como
das características anatómicas (nomeadamente o porte e a espessura da pele) do animal a
imobilizar. Este sistema tem-se revelado relativamente preciso, nomeadamente quando
empregue com uma carabina, tendo um alcance satisfatório até 50m (quando utilizada uma
pistola, o alcance é de cerca de 20m), à qual, inclusivé, se pode incorporar uma mira
telescópica, sendo assim justificável a sua preferência pelos profissionais da área, em relação
aos outros sistemas indicados (Tribe e Spielman 1996; West, Heard, e Caulkett 2007).
O sistema que recorre ao uso de pólvora num cartucho é empregue numa arma de fogo
de calibre .22, adaptada para que a força expansiva dos gases provenientes da explosão da
pólvora (é de referir que o cartucho não contém projéctil) possibilite a propulsão do dardo
colocado no cano da arma. Este sistema não deve ser empregue a curtas distâncias (pelo risco
de traumas que pode infligir ao animal), uma vez que possui uma grande potência, que lhe
possibilita um grande alcance. A precisão deste método também é bastante satisfatória (West,
Heard, e Caulkett 2007).
O uso de arcos ou bestas pode ser preciso quando utilizado por arqueiros experientes,
com alcances úteis que podem ir até aos 30 metros. Esta técnica necessita de um longo
período de aprendizagem, pelo que será apenas útil quando já haja arqueiros experimentados
disponíveis. Mas mesmo para o arqueiro experiente há um problema novo que é a capacidade
de dosear com precisão a força com que o dardo atinge o animal (Stander et al. 1996; West,
Em relação aos dardos utilizados também existem vários tipos, sendo que todos possuem quatro componentes comuns na sua constituição: uma agulha-que possibilita a injecção do(s) fármaco(s); uma câmara na qual é colocada a substância a administrar; um mecanismo que accione a injecção do(s) fármaco(s) presentes na câmara referida para o efeito; e um estabilizador de voo, para que este percorra a distância pretendida efectuando um trajecto o mais rectilíneo possível. Segundo West, Heard, e Caulkett (2007), os vários tipos de dardos existentes são:
-dardos de duas câmaras com ar comprimido- a câmara anterior possui a(s)
substância(s) a administrar; e a câmara posterior contém ar sob pressão. As duas câmaras estão separadas por um êmbolo de borracha (que é movido consoante os gradientes de pressão em ambas as câmaras). A agulha empregue nestes dardos possui um ou dois orifícios, por onde se dá a saída do fármaco, localizados lateralmente na ponta da agulha que estão tapados por uma bainha de silicone. A primeira fase da preparação destes dardos é a colocação do fármaco na câmara anterior, com auxílio de uma seringa. Após este procedimento, é colocada a agulha (contendo a respectiva bainha); depois é injectado ar, também recorrendo a uma seringa, na câmara posterior do dardo, a qual possui uma válvula unidireccional com o objectivo de impedir a saída do gás. O último passo é a colocação do estabilizador de voo e o dardo fica pronto a utilizar. Quando a agulha perfura a pele do animal, a bainha de silicone desliza caudalmente ao longo da agulha, expondo os orifícios e fazendo com que a que a pressão exercida pelo gás desloque o êmbolo frontalmente, o que leva à expulsão das substâncias presentes na câmara anterior. Estes dardos são fabricados em plástico ou alumínio, o que faz com que apresentem um baixo peso e consequentemente sejam relativamente atraumáticos para o animal, podendo ser utilizados numa grande variedade de
espécies. No entanto, derivado do seu baixo peso, não atingem um grande alcance nem apresentam uma taxa de sucesso satisfatória em condições climatéricas adversas (por ex. vento ou chuva);
-dardos cuja propulsão advém de um mecanismo explosivo- na câmara posterior deste
tipo de dardos encontra-se um percutor metálico, separado do detonador por uma mola. Quando a agulha penetra na pele do animal, o movimento do corpo do dardo interrompido e a energia cinética gerada faz com que o percutor oscile frontalmente (sobrepondo-se à força da mola) detonando a carga explosiva. Deste modo a expansão dos gases resultante propulsiona o êmbolo e a substância presente na câmara anterior é impelida a sair pelo orifício da agulha. Dada a elevada velocidade a que o fármaco é expelido, este método revela-se relativamente traumático para os tecidos, para além de que a força proveniente da explosão também impele o dardo a abandonar o corpo do animal, motivo pelo qual as agulhas utilizadas devem possuir uma barbela, para promover uma melhor fixação.
- dardos cuja propulsão advém de uma reacção química- a câmara posterior destes dardos contém duas substâncias químicas separadas fisicamente, de modo a que, aquando do impacto estas se misturem desencadeando uma reacção ácido-base, o que leva a que a efervescência produzida promova um aumento de pressão nesta câmara e assim a substância contida na câmara anterior seja impelida a sair do dardo, pela agulha.
–dardos com um mecanismo de mola- este mecanismo é muito semelhante ao verificado nos dardos cuja câmara contém ar sob pressão, sendo que neste é a mola existente na câmara posterior que gera pressão no êmbolo que separa as duas câmaras. Neste sistema também é colocado uma bainha de silicone ocluindo o orifício da agulha. As principais
desvantagens deste tipo de dardos são a dificuldade de preparação e a perigosidade decorrente da activação do mecanismo quando aquando da preparação pelo operador, como ocorria frequentemente, motivo pelo qual caiu em desuso.
Existem vários fabricantes deste tipo de aparelhos de propulsão: Dan Inject, Telinject,
Teledart; Pneu-Dart, Palmer Cap-Chur, Maxi-ject, Dist-Inject; no entanto nem todos se
revelam eficientes uma vez que estes devem projectar dardos com eficácia a uma distância superior a 20 metros, requisito que nem todos os modelos disponíveis evidenciam (Tribe e Spielman 1996; West, Heard, e Caulkett 2007). A escolha do material varia consoante as
finalidades visadas (espécies, alcance, qualidade de fabrico, etc.) e da afinidade pessoal pelos modelos comerciais disponíveis (Tribe e Spielman 1996; West, Heard, e Caulkett 2007). Nas
acções de imobilização química que presenciei o veterinário utilizou uma carabina de ar
comprimido DAN-inject (modelo JM Standard) e dardos de duas câmaras com ar comprimido
de nylon, fornecidos pelo mesmo fabricante.
Muito do conhecimento actual em relação ao comportamento das diferentes moléculas
deve-se às inúmeras experiências de imobilização química do rinoceronte branco. Dentre os
diferentes princípios activos empregues, assume especial relevância ao hidrocloridrato de
etorfina [6,14 endoeteno-7 alfa-(2hidroxi-2pentil)-tetrahidrooripavine hidrocloróide] (M99®),
um composto opióide que tem sido frequentemente utilizado em acções desta natureza nas
últimas décadas (Fowler e Miller 2008; West, Heard, e Caulkett 2007) e que foi o fármaco que
me indicaram ter sido empregue nas actividades de imobilização química que presenciei.
importância o rápido acesso ao animal imobilizado e a vigilância dos parâmetros fisiológicos,
particularmente monitorização cardio-respiratória. Foram referidos fenómenos de hipoxia,
hipoventilação, hipercapnia, hipertensão, taquicardia e acidose respiratória em acções de imobilização química de rinocerontes tanto no estado selvagem, como em cativeiro (Hattingh e Knox 1994; Bush et al. 2004; Portas TJ 2004). É de referir que o rinoceronte preto apresenta
uma resposta menos evidente ao efeito narcótico dos fármacos opiáceos que o seu aparentado
rinoceronte branco, assim sendo nem sempre se justifica administrar fármacos antagonistas
para reverter o efeito da etorfina, uma vez que a rápida recuperação do animal (dada a maior
tolerância à etorfina) pode ser perigosa para os intervenientes na captura devido à reversão
quase imediata do efeito dos fármacos indutores (Rogers 1993a; Kock e du Toit 1990a).
Os agentes opióides têm como efeitos indesejáveis uma marcada depressão cardio-
respiratória. Na tentativa de atenuar estes efeitos, têm sido experimentados vários protocolos
de indução química, que podem incluir o uso de agonistas ou antagonistas parciais, tais como
a nalorfina (para reverter a depressão respiratória); estimulantes respiratórios como o
doxapram; ou ainda suprimento artificial de oxigénio. Com o objectivo de diminuir as doses
de agentes opióides utilizadas, estes têm sido utilizados em associações com outras moléculas
para que a acção sinérgica entre elas viabilize o estado de depressão pretendido, reduzindo os
efeitos secundários a nível cardio-respiratório (Citino e Bush 2007; Kock e du Toit 1990a;
Kock e Morkel 1995).
De seguida, descrevo de forma sucinta alguns dos fármacos que podem ser empregues na indução:
tebaína, com uma potência 1000 a 3000 vezes maior do que a morfina. O seu efeito evidencia- se nos 2 a 12 minutos subsequentes à administração. Em rinocerontes, frequentemente leva a uma depressão respiratória que é directamente proporcional à dose administrada. Devido à sua natureza lipofílica, esta molécula acumula-se nos tecidos gordos e pode ser redistribuída ou participar no ciclo entero-hepático, levando a que esta entre novamente na circulação sistémica- fenómeno de renarcotização. A acção deste fármaco pode ser revertida com naltrexona ou diprenorfina (West, Heard, e Caulkett 2007; Portas TJ 2004; Tribe e Spielman 1996).
Citrato de carfentanil- este é um composto opióide sintético 10 000 vezes mais potente do que a morfina. O seu efeito no organismo é semelhante ao da etorfina, apresentando tempos de indução mais curtos, um período de acção mais prolongado e com uma depressão respiratória menos marcada. Este fármaco foi empregue em várias espécies de rinoceronte, ainda que já tenha caído em desuso (Portas TJ 2004; West, Heard, e Caulkett 2007).
Tartarato de butorfanol- este é um composto agonista-antagonista sintético opióide, com 3 a 5 vezes a potência da morfina. A depressão cardio-respiratória, aquando da utilização deste fármaco, é muito menos evidente comparativamente à verificada quando é utilizada etorfina. Este composto pode ser utilizado, em acções de imobilização, isoladamente como sedativo, ou combinado com outros fármacos, nomeadamente azaperona ou detomidina (Kock e Morkel 1995; Portas TJ 2004; West, Heard, e Caulkett 2007).
Principais fármacos empregues na reversão:
Hidrocloreto de diprenorfina- este composto tem propriedades a agonistas e antagonistas dos agentes opióides, sendo o fármaco de eleição utilizado para a reversão do
efeito da etorfina. Contudo, dada a sua semi-vida relativamente curta, este fármaco pode predispor o animal a fenómenos de renarcotização, particularmente no caso do rinoceronte branco, sendo que nesta espécie deve ser ponderada a sua utilização em detrimento do uso de outros fármacos. Nas acções de imobilização do rinoceronte branco, após a reversão o animal deve ser vigiado durante algumas horas para que se possa intervir caso estes efeitos ponham em risco a saúde do animal. Os efeitos de renarcotização poderão ser evidentes até 8 horas após a administração deste fármaco (West, Heard, e Caulkett 2007; Portas TJ 2004; Kock e Morkel 1995).
Hidrocloreto de naltrexona- este composto é um antagonista opióide puro, com uma semi-vida relativamente longa, sendo utilizado na reversão de potentes compostos opióides, tais como a etorfina ou carfentanil, por minimizar os efeitos de renarcotização (West, Heard, e Caulkett 2007; Portas TJ 2004).
Hidrocloreto de naloxona- este composto é um antagonista opióide, com uma semi-vida relativamente curta, sendo que está desaconselhada a sua administração para reverter a acção da etorfina ou do carfentanil, pela elevada predisposição a fenómenos de renarcotização. Este fármaco pode ser empregue para reverter a acção do butorfanol, quando utilizado como sedativo (West, Heard, e Caulkett 2007; Portas TJ 2004).
Outros fármacos que podem ser co-administrados juntamente com os fármacos indutores:
Hidrocloreto de Xilazina- Este composto é um agonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos com uma acção de duração curta, comparativamente a outros fármacos. Esta substância melhora os fenómenos de sedação, analgesia e relaxamento muscular, sendo
frequentemente empregue juntamente com compostos opióides, nomeadamente a etorfina (Kock e Morkel 1995).
Hidrocloreto de detomidina- Este composto é um alfa-2 agonista de longa acção, com propriedades sedativas e analgésicas, sendo mais potente do que a xilazina e cujos efeitos também se evidenciam mais rapidamente. Este fármaco predispõe a hipertensão marcada, por longos períodos de tempo, quando comparado com o fármaco acima indicado. Está descrito que a sua associação com a etorfina leva a um bom relaxamento muscular, com períodos de indução mais curtos e suaves. Dada a sua semi-vida relativamente longa, este fármaco minimiza o surgimento de fenómenos de renarcotização após a reversão dos fármacos indutores (Tribe e Spielman 1996; Portas TJ 2004; West, Heard, e Caulkett 2007).
Azaperona- este composto é uma butirofenona com propriedades neurolépticas. Um dos seus efeitos é uma vasodilatação periférica, que atenua os efeitos hipertensivos causados pela etorfina. Este composto tem poucos efeitos a nível respiratório, quando utilizado em baixas doses (Portas TJ 2004; West, Heard, e Caulkett 2007).
A enzima hialuronidase (5000 UI) é utilizada pela capacidade que tem de hidrolisar de
forma reversível as ligações dos glicosoaminoglicanos de elevado peso molecular existentes
no tecido conjuntivo, o que facilita a dispersão do fármaco aumentando a velocidade de
absorção para a corrente sanguínea, reduzindo assim o tempo de indução (Hofinger 2007;
Protocolos Reversão Observações
Rinoceronte
branco 2–3.5 mg etorfina40-90 mg butorfanol 25–50 mg midazolam Administração: dardo IM
40 mg de naltrexona por mg etorfina IV (para reversão completa) ou 2–2.5 mg diprenorfina por mg de etorfina IV (reverte o efeito da etorfina, mas não do butorfanol)
Reduz a depressão respiratória, hipoxia, rigidez muscular e tremores, com um tempo de indução relativamente longo
(Bush et al. 2004)
3–4.5 mg etorfina, 100– 250 mg azaperona (40–60 mg caso o objectivo seja a translocação).Pode substituir-se a azaperona por 10–20 mg detomidina caso não seja necessário translocar o animal. Considerar 5–20 mg midazolam lentamente IV para relaxamento muscular. Administração: dardo IM
Para reversão parcial, com o animal dentro de uma caixa/ contentor: 6–12 mg (2 a 3 vezes a dose de etorfina IV) detomidina (M50:50®) e 1–2 mg naltrexona IV
Para reversão de campo ou em cercado: 40 mg de naltrexona por mg de etorfina IV (reversão completa)
É considerado o protocolo padrão para translocações
(Rogers 1993; Kock e Morkel 1995)
Rinoceronte
preto 4 mg etorfina40–60 mg azaperona (este composto pode ser substituído por 100mg de xilazina ou 10 mg de detomidina) 5000 IU hialuronidase Administração: dardo IM 40 mg de naltrexona por mg de etorfina IV (para