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Les emprunts

Dans le document COMPTE FINANCIER 2020 (Page 51-58)

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Gráfico 2. Interações no grupo da A Batata Precisa de Você em 2014. Fonte: Autoral

em outubro, com a comemoração da seleção no Edital Redes e Ruas, as outras postagens de maior engajamento eram divulga- ções de eventos e comemoração de novos mobiliários instalados no Largo.

Postagens pontuais sobre a crise hídrica sofrida pelo Estado na- quele período começaram a surgir em agosto, mas apenas em setembro é apontado o nome de Geraldo Alckmin (PSDB), ree- leito governador na eleição daquele ano, com divulgação de ma- nifestações contra o governo que seriam realizadas no Largo. Nada foi postado sobre a realização desses protestos.

O prefeito Fernando Haddad foi citado em postagens que busca- vam apoio ao movimento da Paulista Aberta e outras divulgações pontuais de diálogos entre movimentos relacionados às ações de intervenção urbana e a prefeitura municipal.

A palavra “manifestação” apareceu por três vezes nas postagens: a primeira apontando a estrutura de carros policiais ocupando todo o entorno do Largo, e outras duas no final de outubro sobre a crise hídrica do estado, novamente nomeando o governador reeleito, mas com ausência de qualquer debate sobre o contexto do momento.

Em contrapartida, a palavra “mobiliário” foi usada 39 vezes, indi- cando ações no Largo ou referências de outros lugares, e outras 14 menções à intervenção urbana, todas se referindo também às ações internas ou externas - o movimento em prol do Parque Augusta estava bastante articulado naquele ano.

O que é percebido neste ano inicial da Batata Precisa de Você é que houve iniciativas de diálogo com o poder público, tanto subprefeitura quanto prefeitura, grande participação nos encon- tros de sextas-feiras dos envolvidos diretamente com o movimen- to da Batata Precisa, mas também de outras pessoas interessa- das com o grupo e a ocupação do espaço ao longo de todo o ano.

Capítulo 2.

Imagem 23 a 27 As cinco principais postagens no grupo da A Batata Precisa de Você em 2014. Fonte: Facebook

Capítulo 2.

A quantidade de publicações ao longo do ano também se man- teve estável, com exceção do mês de outubro, onde houve forte queda nas interações online, apesar dos eventos tanto às sextas quanto de outros grupos ainda estarem acontecendo.

Foi também mês de eleições federais, com a acirrada disputa entre Dilma e Aécio. No grupo online, o assunto surgiu entre os dias 22 e 25 de outubro, marcando uma disputa de discurso que ganhou novos formatos nos anos seguintes - especialmente com as ações de re-inauguração do Largo da Batata, em 2017.

Nesses dias, foi realizado no Largo uma manifestação pró Aécio. Ela não foi divulgada no grupo, mas seus resultados geraram reclamações e textos emocionados pró Dilma.

Em um deles, é falado sobre como o processo de prefeituras de direita18 à frente da gestão da cidade durante grande parte do pe- ríodo de obras sufocou o comércio com descuidos que poderiam ter sido evitados, colocou os usuários de transporte público em situações degradantes, promoveu a desvalorização de imóveis antigos em prol de uma política de supervalorização imobiliária, desconsiderou a cultura local que originou o bairro e o próprio nome do Largo da Batata, ao desmontar o terreno e em seu lugar construir uma complexa estrutura viária, shoppings e uma esta- ção de metrô que em seu nome já revela os interesses da obra, homenageando a avenida Faria Lima.

Além da questão ideológica da manifestação pró Aécio, também houve reclamação quanto às condições que o Largo ficou após a manifestação, de muito lixo e mobiliários danificados, sem que a prefeitura ou os organizadores tomassem as medidas neces- sárias para limpeza do espaço para receber suas atividades co- tidianas.

A questão da limpeza do Largo pós evento é uma discussão cons- tante no grupo, sendo ela oferecida pela prefeitura e, segundo o coletivo, insuficiente para manter o espaço limpo de forma per- manente, especialmente quando havia grandes aglomerações.

18. Aqui é feita uma polarização genéri- ca sobre os partidos políticos, em que PT representa a esquer- da e PSDB a direita.

festação, desta vez pró Dilma, mas a discussão política não se estendeu em nenhum momento, nem com novos comentários de aprovação ou reclamação.

O grupo da Batata Precisa em nenhum momento, seja em 2014 ou nos anos posteriores, abriu espaço para que discussões polí- ticas fossem realizadas naquele espaço, mesmo que fosse como indicações de pautas para conversas realizadas presencialmen- te.

Todo o grupo é organizado com ideais de esquerda, com apoio à Dilma e ao Haddad, com algumas críticas pontuais ao segundo. Não há também críticas direcionadas a outros governantes, ou discussões sobre as PEC em votação e outros temas políticos que inflamavam as redes sociais em diversos momentos.

Foi se instalando um estágio de apatia política dentro do grupo virtual, apesar de não corresponder com as atividades realizadas no Largo em si, que neste momento contava com a realização de diversas manifestações, se mantendo como o espaço de protes- tos que foi estabelecido durante as manifestações de 2013.

Em alguns raros momentos, que serão apontados quando ocor- rerem, houve discussões nos comentários, mas todos eles, como é característico das redes sociais, se tornavam brigas pessoais entre os usuários, sem qualquer construção conjunta ou espaço para o diálogo entre todas as partes envolvidas.

Essa apatia política permeia todas as atividades do grupo nos anos seguintes, ficando ainda mais problemática em 2017, sendo um potencial motivo para o declínio da atuação do movimento na ocupação do Largo ao longo do tempo.

O ANO DE 2015

O ano e 2015 teve como contexto o novo mandato de Dilma Rou- sseff, e com ele uma constante disputa de discursos a favor e contra a manutenção do mandato da presidenta eleita.

Capítulo 2.

Foi também um período crítico na gestão de Haddad. Com mui- tas críticas contra as ciclovias construídas, as ciclovias na Faria Lima foram objeto de acusação de superfaturamento e irregula- ridade no processo de contratação, fazendo com que diversas outras obras do setor sofressem processos jurídicos para análise de sua regularidade.

Outro tema que foi questionado neste ano foi o projeto “De Bra- ços Abertos” na defesa de um atendimento humanista dos usuá- rios de drogas que frequentam a Cracolândia. A crítica era contra o funcionamento do projeto, alegando que as regras de trabalho estabelecidas para os usuários não estavam sendo cumpridas, as condições de abrigo dessas pessoas também apresentavam irregularidades. Sendo um assunto recorrentemente delicado na cidade, mais uma vez, a Cracolândia se tornou um problema po- lítico, sem indicação de solução pela via municipal.

Outras promessas de campanha foram alvos de críticas, como a não construção do Arco do Futuro, obra que objetivava redirecio- nar o crescimento da cidade construindo vias paralelas na região da Avenida Cupecê nas marginais Tietê e Pinheiros, e as Ave- nidas Jacu Pêssego até a divisa com Mauá. Alegando falta de orçamento, o projeto não teve apoio da Câmara ou de iniciativas privadas, e não foi finalizado.

Outras obras também não finalizadas foram criticadas, como os Centros Educacionais Unificados (CEU), creches, hospitais, in- vestimento em infraestrutura.

No entanto, um dos problemas mais críticos da gestão de Had- dad foi sua atuação no transporte. As ciclovias foram constante- mente tema que dividiu opiniões, as faixas exclusivas de ônibus e os corredores também criaram diversas crises pela demora nas obras e seus custos. Além da diminuição na velocidade máxi- ma das marginais, associada ao aumento no número de radares, criou um movimento anti Haddad extremamente enraivecido.

somando às correções do período.

Em âmbito nacional, o ano foi marcado pelos “panelaços” contra Dilma, quando parte da população batia panelas em suas janelas em protesto contra pronunciamentos da presidenta. Os protes- tos eram constantes, com adesão de artistas e da FIESP com a campanha “Não vamos pagar o pato”, contra o aumento dos impostos.

Nessa época, o dólar atingiu o valor de R$4,00, o maior da his- tória, houve escândalos envolvendo brasileiros em processos de corrupção na FIFA e o Movimento dos Secundaristas, especial- mente no estado de São Paulo, contra as reformas na educação.

Esse ano marcou o início das investigações sobre as pedaladas fiscais contra Dilma, posteriormente a publicação de uma carta enviada por Michel Temer (PMDB) à Dilma, reclamando sobre seu papel de “vice decorativo” e da falta de confiança da presi- denta em relação ao seu papel enquanto vice. Finalmente, em dezembro, Eduardo Cunha, também do PMDB, aceitou o pedido de impeachment contra Dilma.

Nas redes sociais da Batata Precisa de Você, esse ano registrou o maior número de atividades da rede de todo período analisado, com pico em Abril, e o mês de março marcado pelo casamento de Laura Sobral, realizado com uma festa pública no Largo da Batata.

O ano contou com atividades realizadas por meio do Edital Re- des e Ruas e com o início das discussões sobre o Edital Ba- tataLab, ambos comentados anteriormente. Esses dois editais, especialmente o Redes e Ruas, foi um dos responsáveis pela movimentação nas redes e no espaço físico da Batata naquele ano, com investimento financeiro e de pessoal para que a ocupa- ção acontecesse de forma periódica.

Neste ano o grupo Batata Construtoras esteve bastante presen- te, realizando oficinas de mobiliários temporários, os eventos e

Capítulo 2.

reuniões semanais vinculados ao Edital Redes e Ruas continu- avam sendo divulgados, e postagens sobre a gestão do espaço relacionados à manutenção dos mobiliários, novas plantas e lim- peza do local foram pautas constantes de discussão.

As principais postagens seguiram a mesma temática, de come- moração de novos mobiliários construídos ou recebidos no Largo e seu entorno, como o banco do designer Hugo França, colocado na praça em frente à Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate, ao lado do Largo da Batata, no aniversário de 461 anos da cida- de.

Neste ano também houve ausência de discussões políticas em relação à Dilma, que vivia seu primeiro ano de gestão e passou a ser alvo de investigação no processo que culminou em seu impeachment no ano seguinte. Como tema político, novamente a questão da crise hídrica foi levantada, mas com citações em apenas quatro momentos ao longo de todo ano.

Em âmbito municipal, o então prefeito Haddad foi citado em nove postagens referentes, em sua grande maioria, à divulgação do que acontecia com o movimento do Parque Augusta, e em duas situações às negociações entre prefeitura e A Batata, com indi- cações de abertura de diálogo com a prefeitura e o desejo de construção de uma relação de cooperação entre as duas instân-

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