3. MULTILATÉRALISME ET COOPÉRATION
3.2 N ÉGOCIATION COMMERCIALE ET RÉCIPROCITÉ
3.2.3 Les difficultés du processus de négociations. Le cas des services
Os participantes que aplicaram o modelo 3 na organização de seus pensamentos sobre os projetos de vida apresentaram como valor central o compromisso social. Ao longo de todo o questionário estes jovens trouxeram como elemento central o objetivo de proporcionar melhores condições de vida para um grupo de indivíduos ou para a sociedade.
Q-1. “[...] quero fazer Gerontologia, também gosto de fazer trabalhos solidários”. Q-8. “Me
imagino terminando a faculdade, trabalhando e sempre terei comigo Deus, família e amigos, e estarei fazendo trabalhos solidários”. Q-12. “Pra mim projeto de vida é traçar algo que eu acho que seja importante que eu tenha que fazer, o projeto que eu tenho para minha vida é terminar a escola, fazer uma boa faculdade, começar a trabalhar, poder ajudar a quem precisa [...]”. (Participante 5, 16 anos, sexo feminino, escola A).
Q-10. “[...] o que eu mais me preocupo é como será esse país daqui a 25 anos, quais coisas
e ser útil para uma parcela da sociedade, entre outras coisas”. (Participante 66, 15 anos,
sexo masculino, escola A).
Apesar da força do elemento central, não são estabelecidas metas a serem perseguidas que possam lhes encaminhar para a concretização de seus projetos. Tampouco eles parecem ter clareza do percurso que devem seguir para galgá-lo. Frequentemente os elementos abstraídos parecem estar envoltos em uma idealização sobre “mudar o mundo”.
Q-8. “Eu quero ajudar cada vez mais o mundo e tentar fazer com que as pessoas parem de se
egoístas e olhem para o que existe em seu redor”. Q-9. “Como alguém que estará tentando fazer do mundo um lugar melhor”. Q-10. “Eu acho que estaria tentando melhor o mundo o máximo possível. E o mais importante seria ver o mundo não mais como um lugar de miséria, ou guerras, mas como um lugar que conseguiu lutar por seus sonhos , e que pode conseguir”.
Q-12. “Estudar na USP, para conseguir lutar pelo que eu quero, que é tentar ajudar o
mundo no máximo que eu puder”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Deus é um elemento que comparece em apenas um protocolo, mas que não possui centralidade no projeto do participante em questão, visto que foi destacado apenas em alguns momentos e a ele foram atribuídos poucos significados.
Q-8. “Me imagino terminando a faculdade, trabalhando e sempre terei comigo Deus, família
e amigos, e estarei fazendo trabalhos solidários”. Q-12. “[...] o projeto que eu tenho pra minha vida é terminar a escola, fazer uma boa faculdade, começar a trabalhar, poder ajudar a quem precisa, ter filhos, amar alguém e quem sabe casar, e sempre ter comigo Deus, família e amigos”. (Participante 5, 16 anos, sexo feminino, escola A).
Para a maioria, o estudo comparece como a atividade que gera as capacidades necessárias para atuar no âmbito em que são comprometidos socialmente.
Q-6. “Que as pessoas trate bem umas as outras não, viver com uma família, eu tento ajudar o
mundo com trabalhos voluntários filantrópicos e sempre lendo e estudando mais sobre o mundo contemporâneo”. (Participante 86, 16 anos, sexo masculino, escola A).
Q-4. “[...] E aprender, quanto mais eu aprendo mais eu me sinto capaz de fazer as coisas e
por isso é importante sempre estar aprendendo coisas novas”. (Participante 61, 15 anos, sexo
masculino, escola A).
As mudanças que estes jovens gostariam de ver no mundo estão intimamente associadas aos seus projetos de vida. São elas: os valores das pessoas e a injustiça social. Os sentimentos atrelados a essas mudanças são o de bem-estar e a sensação de que “ninguém se importa”. Um dos participantes explicitou sentir-se mal com estas situações.
Q-6. “Eu gostaria que não existisse injustiças sociais e desrespeito pelo mundo. E que mais
pessoas dessem valor a vida. Eu ajudo em instituições de caridade”. Q-7. “Eu me sinto mal POIS vejo que esta mudança está longe de acontecer. E poucos a querem”. (Participante 61,
15 anos, sexo masculino, escola A).
Q-6. “Principalmente o preconceito da população, não específico, mas de todas as formas,
sobre nacionalidade, raça, sexo, doenças não contagiosas. Todos os tipos de preconceito acho injusto, ninguém é igual a ninguém e nem devem ser, ninguém tem o direito de dizer o que é padrão e o que está fora dele. O que eu faço para concretizar é conversar com os meus amigos e familiares sobre isso e simplesmente não ser preconceituosa”. Q-7. “Bem, e acho que ela deveria acontecer rápido, que as pessoas tivessem valores melhores. Porque o mundo está muito preocupado com dinheiro, sim eu tenho preocupação com isso, mas apenas tenho valores que são mais importantes que o próprio dinheiro. O mundo se preocupa demais com ganhar dinheiro para sobreviver, mas também pra de alguma forma ter status e ser melhor do que alguém, e não ganhar dinheiro para sobreviver e também para ajudar o próximo. Quantos desses milhões de pessoas ricas no mundo ajudam alguma instituição de caridade? Ou adotam uma criança já que essa pessoa tem tanto dinheiro? Então acho que deveriam ser mudados esses valores e pararem com preconceito, ninguém nasceu pra agradar ninguém e ninguém tem o direito de exigir mudança e descriminar essa pessoa pelo que ela é”.
(Participante 12, 15 anos, sexo feminino, escola A).
Q-7. “Em relação a mudança eu sinto que ás pessoas a minha volta não se importassem
Os sentimentos que comparecem nas respostas destes participantes e que estão associados aos seus projetos de vida são o bem-estar, a felicidade e a realização. Compareceram também, em menor frequência, o medo (associado ao não cumprimento do projeto) e a satisfação. Diferenças significativas em relação a tais sentimento serão exploradas mais adiante.
Q- 11. “Vivida, com bastante conhecimento, plenamente satisfeita com a vida que tenho e me
sentiria realizada”. Q-13. “Me sinto segura, e sei que vou me esforçar para que eu condiga realizar ele todo e ficar satisfeita quando ele estiver terminado [...]”. (Participante 12, 15
anos, sexo feminino, escola A).
Q-9. “Acho que vou sentir meio com medo de não saber muito bem o que fazer quando
estiver mais velhos, mas acho que vou me sentir bem se eu conseguir fazer o que gosto e que tenho vontade acho que vou estar muito bem”. Q-13. “Me sinto meio com medo de que eu não consiga realizar os projetos que programo para minha vida como ter um bom emprego”.
(Participante 86, 16 anos, sexo masculino, escola A).
Devido à diversidade e a diferenças na dinâmica da estruturação do pensamento daquele que aplicaram o modelo 3, optamos por subdividi-lo em dois submodelos que abarcam com maior precisão os elementos abstraídos pelos participantes.
Submodelo 3.A: Por meio do trabalho voluntário
O submodelo 3.A caracteriza-se por jovens que desejam exercer seu compromisso social através de trabalhos voluntários. Eles utilizam as expressões: “filantropia”, “solidariedade” e “caridade” na formulação de suas respostas.
Q-10. “Uma vida tranquila, estarei casada com filhos, estável financeiramente, mais
precisamente gostaria de estar rica, estaria ajudando alguma instituição de caridade na medida do possível [...]”. (Participante 12, 15 anos, sexo feminino, escola A).
Q-6. “[...] eu tento ajudar o mundo com trabalhos voluntários filantrópicos [...]”. Q-12. “Eu
quero fazer uma faculdade boa ter um ótimo emprego que eu goste de fazer aquilo que faço, continue sempre perto da minha família e sempre possa ajudar todos que estão ao meu redor
e querem meu bem e sempre fazer o bem ao próximo e os que precisam”. (Participante 86, 16
anos, sexo masculino, escola A).
Outra característica diferencial e marcante é a presença do estudo, do trabalho e da
família, que comparecem como elementos com grande significação na constituição de seus
projetos de vida.
Q-8. “Estarei estudando numa faculdade trabalhando conseguindo pagar minhas contas
aproveitando minha família, minha família será importante pra mim e todos os outros valores ou virtudes que aprendi que devem sempre estar comigo”. (Participante 86, 16 anos, sexo
masculino, escola A).
Q-12. “Pra mim projeto de vida é traçar algo que eu acho que seja importante que eu tenha
que fazer, o projeto que eu tenho pra minha vida é terminar a escola, fazer uma boa faculdade, começar a trabalhar, poder ajudar a quem precisa, ter filhos, amar alguém e quem sabe casar, e sempre ter comigo Deus, família e amigos”. (Participante 5, 16 anos, sexo
feminino, escola A).
Além disso, cabe ressaltar que aqueles que aplicaram este submodelo expressam com maior frequência os sentimentos atrelados aos seus projetos. Além disso, eles parecem comparecer com maior intensidade e positividade.
Q-9. “Acho que estarei muito feliz”. Q-10. “[...] feliz com minha vida, acho que será muito
importante fazer com que meus filhos tenha consciência dos valores da vida”. Q-11. “Estarei feliz e bem madura”. Q-13. “Sinto que tenho que batalhar muito e ser confiante para conseguir chegar onde eu quero”. (Participante 5, 16 anos, sexo feminino, escola A).
Submodelo 3.B: Por meio do trabalho formal
O submodelo 3.B caracteriza-se por jovens que pretendem exercer seu compromisso social através do trabalho formal. Eles não explicitam quais carreiras pretendem seguir, mas indicam que o trabalho será o meio para atingir seus objetivos.
Q-10. “[...] o que eu mais me preocupo é como será esse país daqui a 25 anos, quais coisas
e ser útil para uma parcela da sociedade, entre outras coisas”. Q-12. “Projeto de vida para mim são as coisas que eu penso em ser, em fazer, desde a minha infância. O que mais pretendo em minha vida é ser útil para a sociedade, constitui família e ter uma boa formação e sucesso financeiro”. (Participante 66, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Q-12. “Estudar na USP, para conseguir lutar pelo que eu quero, que é tentar ajudar o
mundo no máximo que eu puder”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Um dos participantes indica o desejo de ser cantor e de fazer desta atividade o meio para exercer seu compromisso social, embora ainda não apresente elementos para concretizá- lo.
Q-1. “[...] adoro cantar funk acho que isso me deixa relaxado e o eu verdadeiro sonho e ser
um grande cantor [...]”. Q-3. “[...] Cantar para mim é um modo de expressar o que eu sinto em relação ao dia-a-dia das pessoas, quero mostrar que o funk não expressa apenas putaria mas também a realidade das pessoas que vivem na favela”. Q-12. “Projeto de vida para mim é mostrar as pessoas que nada tem importância se você não estudar, e demostrar seu valor entre a sociedade”. (Participante 105, 16 anos, sexo masculino, escola A).
A família configura-se como elemento abstraído, possuindo significação frágil. Para um dos participantes ela comparece apenas nas questões iniciais do questionário.
Q-10. “Em um período maior (25 anos) creio que eu já terei uma família constituída (apesar
de não pretender ter filhos atualmente [...]”. (Participante 66, 15 anos, sexo masculino,
escola A).
Q-3. “Em primeiro a família, pois é ela que ajuda em momentos difíceis da vida e foi com ela
que vivi meus melhores momentos”. Q-4. “A família que eu nasci, ela me ajuda e isso eu tenho como maior valor”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Outra característica é o viés político que o discurso desses jovens apresenta. Elemento marcante é a “luta” significada como meio para alcançar a justiça social e as demais preocupações envolvidas em seus projetos.
Q-3. “[...] Acredito que pessoas com ética e bom senso são fundamentais na constituição de
uma escola, ou até uma sociedade organizada, o que muitas vezes é presente em abundância ou muitas vezes está em abstinência”. Q-4. “A medida que os anos de passaram criei uma visão de mundo diferente, graças aos meus familiares, amigos e o restante da sociedade”. Q- 6. “Gostaria que as pessoas da minha idade tivessem uma maior maturidade no modo de pensar, já que dizem que a juventude é o futuro de uma nação, para uma nação organizada necessitamos de uma juventude sensata, inteligente, e a inteligência nem sempre é dada em sala de aula, a inteligência é dada ao longo da vida”. Q-7. “Sinto que se todas as pessoas “evoluíssem de acordo com tempo” haveria uma sociedade mais organizada, etc”.
(Participante 66, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Q-12. “Estudar na USP, para conseguir lutar pelo o que eu quero, que é tentar ajudar o
mundo no máximo que eu puder”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
O estudo é significado para um dos participantes como um valor em si e a necessidade do esforço e da dedicação se fazem visíveis nas repostas dos que aplicaram o submodelo 3.B.
Q-2. “1-Minha família 2-O mundo e o país 3-Aprender”. Q-3. “[...] Em terceiro aprender,
pois acho que ninguém cansa de aprender, e isso é fundamental para a vida”. Q-4. “[...] E aprender, quanto mais eu aprendo mais eu me sinto capaz de fazer as coisas e por isso pra mim é importante sempre estar aprendendo coisas novas”. Q-13. “Eu sinto que tenho que me esforçar bastante para conseguir aquilo que quero, e que se eu conseguir, vou me sentir como alguém vitorioso”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Q-13. “Sinto que para conseguir êxito em meu projeto, terei que me dedicar muito”.
(Participante 66, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Aqueles que aplicaram este submodelo fazem poucas referências aos seus sentimentos e, quando o fazem, isso se dá ou de forma bastante simplificada, inclusive em relação ao tipo de sentimento, ou está preenchida pelo discurso político já mencionado. Abaixo destacamos as respostas oferecidas às questões que abordam explicitamente os sentimentos associados aos projetos de vida.
Q-7. “Sinto que se todas as pessoas “evoluíssem de acordo com o tempo” haveria uma
sociedade mais organizada, etc”. Q-9. “Acredito que terei mais maturidade, talvez pensarei de outra forma do que agora”. Q-11. “Espero que me sinta bem tenha sucesso financeiro e pessoal”. Q-13. “Sinto que para conseguir êxito em meu projeto terei que me dedicar muito”. (Participante 66, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Q-7. “Eu me sinto mal pois vejo que esta mudança está longe de acontecer. E poucos a
querem”. Q-9. “Como alguém que estará tentando fazer do mundo, um lugar melhor”. Q-11. “Como alguém que está tentando fazer a diferença”. Q-13. “Eu sinto que tenho que me esforçar bastante para conseguir aquilo que quero, e que se eu conseguir vou me sentir como alguém vitorioso”. (Participante 61, 15 anos, sexo masculino, escola A).
Tendo realizado a descrição dos submodelos A e B, apresentamos abaixo a tabela de sistematização da dinâmica geral de organização do pensamento dos participantes que aplicaram o modelo 3.
Tabela 4 – Descrição da dinâmica de organização do pensamento do modelo 3. Número de participantes que aplicaram o modelo: 6
Elementocentral: compromisso social Sentimentos: bem-estar, felicidade, realização
Características: o elemento central comparece com força ao longo de todo o questionário;
respostas coerentes; ausência de metas; elementos idealizados com conteúdo relativo a “mudar o mundo”