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Chapitre I : REVUE DE LA LITTERATURE

I.4 Les différents types de vaccins bactériens

Hoje parece natural trabalhar. Esta afirmação não é apenas uma provocação, pois nos permite refletir sobre as mudanças ocorridas no trabalho e no emprego ao longo da história do modo de produção capitalista.

Conforme Marx, o trabalho é uma categoria histórica e, portanto, transitória. Na citação que apresentamos a seguir, Marx explicita o conceito de trabalho em geral:

Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes à sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para sua vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças a seu próprio domínio (1983, p. 149).

No processo de trabalho caracterizado como atividade exercida pelo homem sobre a natureza, objetivando a criação de valores de uso e assim transformá-lo para satisfazer as atividades humanas, que é tão antigo quanto a história da

humanidade, o trabalho será sempre qualificador, elemento determinante na própria constituição da natureza humana107.

Entretanto, se por um lado podemos considerar o trabalho como ponto de partida no processo de humanização 108, por outro

devemos apreender as transformações históricas em seu sentido e em seu lugar na vida das pessoas, buscando compreender a realidade em seu movimento. Com esse entendimento, verificamos que o trabalho apresenta uma dimensão homem/natureza e uma dimensão social-histórica, pois o homem é um ser social.

O trabalho, sob o modo de produção capitalista, isto é, sob-relações sociais capitalistas, é transformado em relação de assalariamento - separado de seu executor pela dominação do capital sobre os meios de produção – negação da essência humana, da criatividade. E, a partir de então, o trabalho assume o sentido de emprego remunerado.

Com esse novo significado, torna-se difícil compreender que quando estamos limpando nossa casa ou lavando nossa roupa, por exemplo, estamos trabalhando. Igualmente complicado é imaginar que não existe naturalidade no fato de uma pessoa ter que vender sua força de trabalho para outra, pois aprendemos desde cedo que um dia teremos que vender nossa capacidade de trabalho para sobreviver. Logo, trabalhar – assalariadamente - aparece como algo natural e inevitável.

Essa aparência resulta e constitui-se como parte das relações sociais, construídas num processo histórico, no qual seres humanos foram privados do controle de seus meios de produzir suas vidas e seu trabalho e conduzidos ao trabalho assalariado. Nos primórdios, quem conhecia outras formas de trabalho não o avistava com a naturalidade de hoje.

A necessidade de levar homens e mulheres ao trabalho assalariado é justificada pelo capital que “só pode multiplicar-se, sendo trocado pela força de trabalho, criando o trabalho assalariado” (MARX, 1963, p. 37).

107 Além disso, é célebre a distinção feita por Marx (1983) entre o pior arquiteto e

a melhor abelha, na qual evidencia que o arquiteto, ou seja, o homem concebe previamente o trabalho que vai realizar, enquanto a abelha age instintivamente.

108 Segundo Engels (1984), em “O papel do trabalho na transformação do

macaco em homem”, o trabalho é a condição básica e fundamental de toda a vida humana. Além disso, afirma o autor que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.

Em “A ideologia alemã”, Marx e Engels (1998) advertem que “não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência” (p.20). Não é a consciência, a teoria e a linguagem que criam a realidade. Estas são produzidas dentro e a partir de uma realidade histórica, sendo e tornando-se parte dessa realidade. Logo,

Se, em toda ideologia, os homens e suas relações nos aparecem de cabeça para baixo como em uma câmara escura, esse fenômeno decorre de seu processo de vida histórico, exatamente como a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico (MARX; ENGELS, 1998, p. 19).

Com essa afirmação, os autores acima citados evidenciam que as ilusões presentes no cérebro do homem, são resultantes, necessariamente, do processo de sua vida material e repousam em bases materiais. Dessa forma, toda ideologia, assim como as formas de consciência correspondentes, perdem a aparência de autonomia. São os homens que desenvolvendo sua produção e relações materiais transformam seu pensamento, suas representações e suas ideias - produtos de seu pensamento - de acordo com sua realidade.

Essa concepção nos conduz ao pressuposto de que os sentidos e significados do trabalho resultam e constituem-se como parte das relações sociais em diferentes épocas históricas. É importante compreender e tratar as relações de produção e reprodução sociais, a linguagem, o pensamento e a cultura de forma histórico-dialética para não cairmos numa discussão abstrata e atemporal (FRIGOTTO, 2009).

Nesse sentido, cabe ressaltar a segunda tese sobre Feurbach109:

109 As teses sobre Feurbach foram escritas por Marx em 1845 e editadas por

Engels em 1888 - como anexo - na obra “A ideologia alemã.” Estas foram escritas na forma de 11 (onze) notas nas quais Marx explicita sua crítica ao filósofo, jovem hegeliano, Ludwig Feuerbach.

A questão de atribuir ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas sim uma questão prática. É na práxis que o homem precisa provar a verdade, isto é, a realidade e a força, a terrenalidade do seu pensamento. A discussão sobre a realidade ou irrealidade do pensamento – isolado da práxis – é puramente escolástica (MARX; ENGELS, 1998, p.100).

Assim, buscando compreender a realidade em seu movimento, em seus diferentes aspectos e contradições visando compreender as transformações ocorridas no trabalho e no emprego ao longo da história, entendemos ser crucial conhecermos a gênese do modo de produção capitalista.

Marx (1977) em “A origem do capital (A acumulação primitiva)”, identifica o processo histórico que precedeu a formação da produção capitalista, como acumulação primitiva, e ressalta que a considera primitiva porque constitui a pré-história do capital e do modo de produção capitalista. Sua análise evidencia que o modo de produção capitalista saiu das entranhas do feudalismo, sendo a dissolução de um a base constitutiva do outro. Ou seja, a morte de um está entrelaçada ao nascimento do outro. No momento de desintegração da sociedade feudal, são criadas as condições para a generalização do modo de produção capitalista. Ou seja, ao produzir, o homem cria novas relações sociais e assim, condições para o surgimento de uma nova sociedade.

Marx tece suas críticas aos economistas políticos que insistem em naturalizar os fenômenos históricos e criam um mito em torno da acumulação primitiva. Não por acaso, o autor faz uma analogia entre os mitos do pecado original, na teologia, e da acumulação primitiva, na economia política. A lenda teológica nos conta que a partir do momento em que Adão mordeu a maçã, o pecado surgiu no mundo e os homens foram condenados a ganhar seu pão com o suor de seu rosto. A econômica descreve que, num tempo remoto, havia de um lado, pessoas laboriosas, inteligentes e dotadas de aptidões administrativas e, de outro, uma porção de preguiçosos, que só queriam diversão. Naturalmente, aos primeiros, coube a

acumulação de tesouros, enquanto aos segundos, em breve encontraram-se desprovidos de tudo.

Contudo, enfatiza Marx que, nos anais da história real os métodos da acumulação primitiva nada têm de idílicos. Além disso, são baseados, fundamentalmente na conquista, na dominação e na violência, pois requerem, de qualquer maneira, a separação entre o produtor e os meios de produção:

O movimento histórico que converteu os produtores em assalariados se apresenta, pois, como sua libertação da escravidão e da hierarquia industrial. Por outro lado, estes libertos não chegam a ser vendedores de si mesmos senão depois de terem sido despojados de todos os meios de produção e de todas as garantias de existência oferecidos pela antiga ordem das coisas. A história de sua expropriação não pode ser objeto de conjeturas: está escrita nos anais da humanidade com letras indeléveis de sangue e de fogo (MARX, 1979, p. 16).

Quanto aos capitalistas, os novos potentados, precisam não somente desalojar os mestres de ofícios, mas também os detentores feudais das fontes de riquezas. Em suma, tanto os trabalhadores assalariados como os capitalistas se originam do mesmo ponto de partida, ou seja, da eliminação da servidão. Há não apenas mudança na forma de sujeição, mas transformação da expropriação feudal para exploração capitalista.

Na forma capitalista a exploração é dissimulada por meio do encontro de dois diferentes tipos de proprietários de mercadorias que devem deparar-se no mercado para livremente barganhar seus bens. De um lado os capitalistas, proprietários dos meios de produção, e de outro, os trabalhadores, possuidores de força de trabalho livre.

Logo, o que explica o novo caráter da relação é paradoxalmente a liberdade. Conforme a explicação dos economistas políticos para a origem do capital cabe aos trabalhadores utilizar seu livre arbítrio para optar pelo trabalho ou pela preguiça e assim não serem castigados com a pobreza. Contudo, no modo de produção capitalista, ao se tornarem

homens livres, só lhes resta ir ao mercado e vender sua única mercadoria, a força de trabalho e assim, sobreviver.

Mas este caráter de exploração, nada tem de transparente, tudo aparece como se a natureza produzisse, de um lado, possuidores de dinheiro e de mercadorias e, de outro, meros possuidores de força de trabalho. Aparência que é real, mas que é oposta à essência, ambas são partes de uma mesma totalidade. Dessa feita passa a ser natural trabalhar, pois “o trabalho é um processo que permeia todo o ser do homem e constitui a sua especificidade” (KOSIK, 2002, p. 199), contudo, nada há de natural em trabalhar assalariadamente, embora seja desta forma que apareça. E mais, trabalhar assalariadamente é estar empregado, é despender sua força de trabalho.

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