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Chapitre IV : Quorum Sensing

2) Les différents systèmes de Quorum Sensing

Dentre os estudos que vêm sendo desenvolvidos sobre a problemática dos acidentes de trânsito no Brasil, merecem destaque as ações do Centro de Pesquisas dos hospitais da Rede SARAH - CEPES, pautadas na experiência médica de tratamento e reabilitação de patologias do aparelho locomotor, e no envolvimento direto com as graves conseqüências da violência urbana no país. Desde 1995, os acidentes de trânsito constituem-se na principal causa de internações de pacientes com lesão medular traumática e traumatismos crânio-encefálicos. Agregando-se esses pacientes àqueles que foram vítimas por disparos de arma de fogo, pode-se afirmar

que a maior parte dos pacientes portadores de lesão medular traumática têm sido vítimas da violência social.

As mortes violentas de crianças e adolescentes incluem, além dos acidentes de trânsito, outras causas externas, tais como: queda, arma de fogo, arma branca, queimadura, choque elétrico, estrangulamento, enforcamento, afogamento, etc. Em pesquisa que abrangeu a totalidade das internações por causas externas, registradas no período de 01 de fevereiro de 1999 a 31 de janeiro de 2000, nos hospitais SARAH- Brasília e SARAH-Salvador, foram verificadas que as internações por causas externas se constituíram 26,2% do total das internações.

No período da pesquisa, registraram-se 1.578 internações por causas externas, das quais 74,1% no Hospital SARAH-Brasília e 25,9% no Hospital SARAH-Salvador. Os acidentes de trânsito foram a primeira causa externa de internação em ambas as unidades investigadas (38,6% e 38,0% dos casos registrados pelo SARAH-Brasília e pelo SARAH-Salvador, respectivamente), correspondendo a uma média de 38,5% das internações por causas externas (CEPES, 2000a), conforme apresentado na Figura 3.3.

Figura 3.3: Distribuição dos pacientes por causas externas (CEPES, 2000a).

0,3 0,4 1 1 1,3 1,8 2,2 3 3,3 4,1 9,1 16,9 17,1 38,5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Afogamento

Agressão por Animais/Insetos Procedimento Cirúrugico/Anestésico Acidente com Máquina Lesão por Objeto Pérfuro-Cortante Agressões por Arma Branca

Impacto por Objeto Queimadura Outras Causas Externas Acidente por Mergulho Acidente em Prática de Esportes Agressões por Armas de Fogo Queda Acidente de Trânsito

Os acidentes de trânsito investigados constituíram a primeira causa de lesão nos grupos de 5 a 14 anos, 15 a 34 e 35 a 49 anos, conforme apresentado na Figura 3.4, sendo o principal evento gerador de lesões medulares, cerebrais, ortopédicas e neurológicas registradas como causas de internação. No grupo de 5 a 14 anos, composto por crianças em idade escolar e pré-adolescentes, os pacientes dos sexos masculino e feminino se equipararam em termos proporcionais (CEPES, 2000b), e as quedas constituíram a segunda principal causa de lesão (CEPES, 2000a).

55,2 54,3 34,2 5,5 16,8 2,7 31,9 12,2 28,8 62,6 32,7 63,1 0 10 20 30 40 50 60 70 5 a 14 15 a 34 35 a 49 50 a 99 %

Acidente de Trânsito Agressão por Arma de Fogo Queda

Figura 3.4: Distribuição dos pacientes por faixa etária na ocasião da lesão, segundo as três principais causas de lesão (CEPES, 2000a).

Com relação à caracterização dos acidentes de trânsito investigados na pesquisa, foram envolvidas seis categorias de meios/modos de locomoção: automóvel, utilitário ou caminhonete; caminhão e ônibus; motocicletas; bicicletas; a pé; e outros. Conforme apresentado na Figura 3.5, verifica-se que em primeiro lugar aparecem os ocupantes de automóvel, utilitário e caminhonete; seguidos pelos ocupantes de motocicletas; e em terceiro as pessoas que se deslocavam a pé (CEPES, 2000b).

A maioria dos acidentes (65,2%) investigados nos hospitais SARAH Brasília e Salvador ocorreu no período diurno, concentrando-se entre 14:00 e 19:00h (representando 43,6% do total de acidentes), mantendo-se este intervalo preponderante independente do dia da semana em que ocorreram. A maioria dos pacientes (68,4%) atribuiu a causa do acidente a comportamentos/ atitudes humanas, apenas 12,5% indicaram algum aspecto da via como causa do acidente e um número ainda menor indicou alguma deficiência mecânica do veículo. O consumo de álcool antes do acidente foi admitido por 15,4% dos condutores/ pedestres (CEPES, 2000b).

Figura 3.5: Distribuição dos pacientes segundo meio/modo de locomoção utilizado na ocasião do acidente (CEPES, 2000b).

Com relação à distribuição dos pacientes por tipo de via em que ocorreram os acidentes investigados na pesquisa, a Figura 3.6 apresenta os resultados obtidos, sendo que em primeiro lugar ficaram os acidentes ocorridos em rodovias (69,4% deles envolvendo automóveis, utilitários ou caminhonetes), e em segundo lugar os acidentes ocorridos em vias urbanas, os quais envolveram majoritariamente condutores e passageiros de motocicletas e bicicletas. A quase totalidade de pacientes que se deslocava a pé foi atropelada em vias urbanas (CEPES, 2000b).

Figura 3.6: Distribuição dos pacientes por tipo de via em que ocorreu o acidente (CEPES, 2000b).

Ainda nessa pesquisa, foi constatado, nas vias urbanas, que as principais motivações de deslocamento foram o estudo e o consumo de bens/serviços. Nessas

22,4 13 54,4 5,4 4,3 0 10 20 30 40 50 60 Automóvel, Utilitário e Caminhonete

Motocicleta A pé Bicicleta Caminhão e

Ônibus % Via urbana 38% Estrada de ferro 11% Rodovia 51%

duas categorias, obteve-se a distribuição mais equilibrada entre pacientes do sexo masculino e feminino.

Com relação aos atropelamentos, estes foram responsáveis por 13,0% do total de internações no período da pesquisa. No conjunto das internações por acidentes de trânsito, os atropelamentos constituíram o terceiro tipo mais freqüente. A baixa representatividade estatística das internações por atropelamento parece confirmar, portanto, a alta taxa de mortalidade das vítimas desse tipo de acidente, conforme demonstram diversos estudos nacionais e internacionais (CEPES, 2000c). Registrou- se pequena diferença quantitativa entre pacientes do sexo masculino e feminino, em praticamente todas as faixas etárias. A faixa etária de 5 a 14 anos foi predominante nas internações por atropelamento, e a maior incidência isolada de casos de lesões ocorreu na faixa de 5 a 9 anos, conforme pode ser observado na Figura 3.7.

2,5 22,8 15,2 8,9 6,3 6,3 11,4 19 3,8 1,3 2,5 0 5 10 15 20 25 0-4 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70 a mais %

Figura 3.7: Distribuição dos pacientes vítimas de atropelamento, segundo faixa etária na ocasião do atropelamento (CEPES, 2000c).

Considerando-se a idade na época do atropelamento, a faixa etária de 5 a 14 anos representou 38% do total de pedestres atropelados, com destaque para as idades de 8 e 10 anos. A literatura norte-americana sobre o assunto aponta maiores índices de atropelamentos na faixa etária de 5 a 15 anos (IIHS, 1999).

A maioria dos atropelamentos (61%) ocorridos com crianças de até 12 anos ocorreu no período da tarde, o que somados aos 32% que ocorreram pela manhã, confere ao período diurno a quase totalidade dos atropelamentos nessa faixa etária,

os quais se distribuíram de forma equânime pelos demais dias da semana. Os horários de fim de tarde e início de noite são os mais críticos, considerando-se que nesses horários a iluminação pública ainda não faz efeito, os condutores não acenderam os faróis dos veículos, e as crianças ficam pouco visíveis, principalmente se não estiverem vestindo roupas claras.

Segundo dados do Ministério da Saúde, relativos ao ano de 2003, o total de mortes por tipo de acidente no Brasil, em crianças e adolescentes nas faixas etárias de 5 a 9 anos e de 10 a 14 anos, também aponta como principal causa os acidentes de trânsito, representando mais da metade das ocorrências, conforme a Tabela 3.5.

Tabela 3.5: Distribuição do total de mortes por tipo de acidente no Brasil, no ano de 2003, nas faixas etárias 5 a 9 anos e 10 a 14 anos.

Total de mortes (2003) 5 a 9 anos 10 a 14 anos Tipo de acidente Nº % Nº % Acidentes de trânsito 832 51,3 978 52,8 Afogamento 418 25,8 545 29,5 Outros 117 7,2 105 5,7 Queimaduras 87 5,4 71 3,8 Quedas 80 4,9 74 4,0 Sufocação 37 2,3 34 1,8 Intoxicações (envenenamento) 35 2,1 - - Armas de fogo 16 1,0 26 1,4

Contato com animais e plantas - - 19 1,0

Total 1622 100,00 1852 100,00

Fonte: DATASUS – MINISTÉRIO DA SAÚDE 2003

Ainda com relação à pesquisa dos hospitais da Rede SARAH, a maioria das vítimas de atropelamento foi atropelada por automóvel (67,1%), e o segundo tipo de veículo mais envolvido nos atropelamentos investigados foram os utilitários ou caminhonetes (13,9% dos casos). Segundo a pesquisa, 40% dos pacientes do sexo feminino investigados disseram fazer uso de facilidades para pedestres na ocasião do atropelamento, enquanto que 92,3% de pedestres do sexo masculino não o faziam na mesma ocasião (CEPES, 2000c).

Os deslocamentos motivados por consumo de bens/serviços e por estudo foram comparativamente muito mais freqüentes nos casos de atropelamento do que nos demais tipos de acidentes de trânsito, o que reforça o caráter eminentemente urbano dos atropelamentos, a predominância de pedestres em idade escolar no

universo pesquisado (49,4% tinha até 19 anos, e nessa faixa etária 69,2% tinham como principal modo de locomoção o transporte a pé), bem como as distâncias passíveis de serem cobertas a pé até escolas ou comércios locais (60,8% dos pedestres faziam, diária ou semanalmente, o percurso onde ocorreu o atropelamento). A distribuição dos pacientes segundo o principal meio/modo de locomoção à época do atropelamento está apresentada na Figura 3.8.

Figura 3.8: Distribuição dos pacientes segundo principal meio/modo de locomoção à época do atropelamento (CEPES, 2000c).

Esses estudos permitem que se amplie o conhecimento sobre a realidade trágica dos acidentes de trânsito, para que a partir dessas informações possam ser propostas ações visando à redução do número de vítimas envolvidas a cada ano.