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Les différents régimes de rivières et leurs morphologies

2.2 Evolution morphodynamique des rivières alluviales

2.2.4 Les différents régimes de rivières et leurs morphologies

Devida às grandes mudanças recentes na sociedade chinesa, a fase contemporânea do Daoismo tem início nas últimas décadas do império Qīng no século XIX, passando pela revolução republicana na China de 1911 e a tomada de poder dos comunistas em 1949, até a atualidade. Todas essas mudanças no cenário social e cultural em seu ambiente tiveram fortes consequências para o Daoismo. Primeiro, enfrentou estigmatizações, perseguições e destruições. Depois, voltou a se recuperar paulatinamente, reobteve apoio estatal, liberdade religiosa e até sua recente expansão mundial.

As sementes dos acontecimentos que marcaram essa fase histórica do Daoismo encontram-se na expansão comercial e colonial de potências modernas, como a Inglaterra e a França, assim como os EUA, que culminou nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). Além de ajudar a por fim na última dinastia imperial chinesa, esses países acabaram influenciando muito as culturas chinesas a partir do século XIX. Em 1911 oficialmente o império Qīng caiu, e a China se tornou republicana, se modernizando com a forte influência dos EUA e outros países europeus. No que tange às religiões, a partir desse momento, muito da China tradicional começou a ser vista pelos próprios chineses como superstição, incluindo o Daoismo (Poceski, 2013, p. 309-310), somado ao peso da orientalização (Komjathy, 2014a).

Foram criadas associações nacionais daoistas, mas não houve tempo para estabilizar e ter influência social significativa (Silva, 2014, p. 49).

Já na década de 1930 estourou a guerra civil entre comunistas e nacionalistas republicanos. Em 1937 há a invasão japonesa, e, depois de sua expulsão pelos chineses em 1945, os comunistas finalmente tomam o poder e os nacionalistas migram para a ilha de Taiwan. Começa aqui o momento de maior fluxo da diáspora chinesa, quando alguns mestres de tradições chinesas e pessoas que não aceitam o governo comunista saem da China continental, indo seja para Taiwan, Hong Kong ou para qualquer outro país do mundo. Essa diáspora chinesa também significou a internacionalização de práticas daoistas através da migração de mestres.

Na República Popular da China (1949-) o governo comunista tem uma postura repressiva com as religiões nos primeiros anos. Por outro lado, também tentaram controlá-las, como fez com a criação da Associação Daoista Nacional. Chegou a ter, inclusive, um primeiro congresso nacional daoista (Silva, 2014). Durante a Revolução Cultural (1966-76) de Máo Zédōng a repressão aumenta, chegando a ter templos daoistas destruídos. Todavia, do final da década de 1970 e início de 1980 o governo afrouxa um pouco a pressão sobre as religiões, estando até hoje um pouco mais flexível. Assisti-se hoje a um crescimento de participação e filiação religiosa, bem como restabelecimento de templos e ordens religiosas budistas e daoistas (Poceski, 2013, p. 324).

Já na República da China, em Taiwan, não chegou a ocorrer repressão ao Daoismo, e também o 63º Mestre Celestial do Caminho da Ortodoxia Unitária, Zhāng Ēnpǔ, se estabeleceu neste novo país (Bokenkamp, 2005, p. 2189). E, apesar dos primeiros vinte anos de governo terem sido marcados por fortes controles sobre as religiões, que só poderiam existir na forma de associações fiscalizadas pelo governo, nos anos seguintes ocorre um florescimento das religiões em Taiwan, embora sem destaque para o Daoismo (Lu, Johnson, Stark, 1998). Foi neste momento, no entanto, que muitos pesquisadores fizeram as primeiras pesquisas de campo modernas sobre o Daoismo.

Interessante notar que antes da presença do Partido Nacionalista (Guómíndǎng - GMD) e da nova população chinesa que se refugiou, não havia um histórico de práticas religiosas institucionalizadas em organizações religiosas oficiais em Taiwan. Além disso, houve uma diáspora específica da própria ordem da Ortodoxia Unitária causada pelos eventos atribulados do século XX, que fez com que sacerdotes dessa ordem na China continental não estivessem ligados ao Mestre Celestial, e houvessem comunidades dispersas na Malásia e Cingapura. Com a chegada do Mestre Celestial e toda a estrutura e sacerdotes que o

acompanharam, o Caminho da Ortodoxia Unitária se esforçou por construir toda uma institucionalização do Daoismo. O “clero” dessa ordem começou a distinguir entre o que podia ser mantido e o que poderia ser alterado na tradição, bem como, entre o ensinamento “ortodoxo” e universal contra as religiosidades locais. Assim, buscou adaptar seu Daoismo para a nova situação, mas tentando se estabelecer institucionalmente (Murray, 2010).

Tendo em vista todos esses eventos, o Daoismo está cada vez mais marcado por influências externas à China. Depois de ser tratado publicamente, e pelos governos, como superstições, fato que tem resquícios até hoje, a religião não somente tem se recuperado, como também está buscando novas adaptações. Por exemplo, o ensino de futuros sacerdotes ocorre também com influência de sistemas de ensino moderno, como nos Institutos Daoistas (Dàojiào Xuéyuàn) na China continental (Wang, 2005). Existem associações nacionais e publicações do Cânon tanto na China continental como em Taiwan. Os modelos de organização cristãos começam a ter influência para o Daoismo, assim como ocorreu para outras religiões presentes na China, e, sobretudo, em Taiwan (Lu, Johnson, Stark, 1998).

Outro fator que reforça inovações no Daoismo é sua recente expansão para os vários países das Américas, Europa, África e Oceania. Tradições daoistas existem há alguns séculos na Coreia, Japão, Tailândia ou Cingapura, mas é só no século XX e XXI que sabemos da existência de mestres, instituições ou grupos daoistas nos EUA19, Espanha20 ou Brasil. É interessante perceber que, no entanto, muito mais do que representantes oficiais dessa religião, há livros e práticas daoistas que circulam mais ou menos livremente no mundo a mais de um século. Dessa forma, como afirma Miller (2008), mais uma vez o Daoismo está em fluxo e em processo de adaptação.

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