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A partir do ano 800, começaram a construir-se edifícios tanto civis como religiosos, mas foi essencialmente este último que mais contribuiu para o sistema românico [14]. A igreja românica era uma evolução da basílica romana, que incentivada por abades e monarcas poderosos pretendiam reconstruir, através da arquitectura, o poder e esplendor da Roma Antiga, difundindo-se pelo continente europeu, mas que ao mesmo tempo acrescentaram-lhes elementos próprios, por vezes de influência islâmica ou de outras tradições cristãs.

Numa primeira fase, construíram edifícios com ligações às romanas, aplicando e recuperando as abóbadas de berço (Figura 2.48), assim como o aperfeiçoamento de todo o sistema construtivo desenvolvido em função desta. Posteriormente numa segunda fase, já no século XI começam-se a definir as tipologias e as estruturas características do sistema românico [14]. Mais tarde, o românico expandiu-se pelo continente europeu principalmente devido à associação da igreja com o claustro, a prática da oração à residência, em igrejas e abadias do mundo rural, colonizando-o. Construiu-se capelas e igrejas de peregrinação junto dos caminhos, que conduzem a lugares santos [1]. Depois, numa última fase, no século XII, tentou-se evoluir este sistema acabando por se impor o sistema gótico, como se pode ver mais à frente [14].

História da Evolução da Engenharia Civil 38 A Engenharia e a Arquitectura do românico são normalmente associadas à construção das igrejas e dos mosteiros, pois foram nestes edifícios que se concentraram as invenções. A igreja foi sucessivamente evoluindo e aperfeiçoada até conseguir chegar à monumentalidade da igreja gótica. As basílicas cristãs serviram como modelo às igrejas românicas, aperfeiçoando-as sobretudo devido à utilização da estrutura a um sistema de cobertura abobadada substituindo as coberturas de madeira. É principalmente a utilização e o desenvolvimento da abóbada de berço, que constitui o sistema românico.

As igrejas românicas possuíam um sistema estrutural (Figura 2.49) baseado em paredes espessas, que resistiam a esforços verticais e horizontais provocados pelo vento, abóbada e telhado, e abobadas semicirculares localizadas abaixo do telhado.

2.5.1.1. Formação da igreja

Uma igreja românica era composta essencialmente por uma grande nave longitudinal coberta por uma abóbada de berço, sobressaindo-se sobretudo em altura às naves laterais cobertas por outras abóbadas. As naves longitudinais eram atravessadas por um transepto ou cruzeiro, originando uma cruz., havendo um espaço central coberto por uma estrutura de cúpula [1] [14]. À cabeça havia uma abside (Figura 2.50), ala de um edifício (normalmente religioso) que se projecta para fora de forma semi-cilíndrica, por

Figura 2.48: Abóbada de berço no tecto da Igreja de Saint Philibert,, Tournus, França [14]

Figura 2.49: Sistema estrutural de uma igreja românica (fonte:www.lmc.ep.usp.br )

História da Evolução da Engenharia Civil 39 vezes acompanhada por absidíolas em torno do deambulatório e possuíam cripta e coro, tudo coberto por abóbadas de berço.

No exterior havia pórticos com arcos de volta inteira, formando arquivoltas (Figura 2.51), um elemento arquitectónico decorativo utilizado em conjunto a emoldurar uma abertura em arco, normalmente decorados com estátuas. As paredes eram exteriormente rematadas por cachorradas e reforçadas por contrafortes adoçados. Sendo assim, o românico é considerado a arte do volume das proporções, acumulando influências artísticas romanas, carolíngias, árabes e orientais, principalmente hindus [1].

Nos edifícios desta época, um dos aspectos que mais os caracterizou foi a opção pelas superfícies descontínuas, substituindo principalmente uma série de colunas por uma subdivisão do espaço interior em tramos. Substituiu-se a parede lisa por uma parede articulada, no qual se combinava com o arco de volta perfeita, outra das estruturas do sistema românico [14]. Na construção românica utilizam-se pedras talhadas em esquadria já do tempo dos romanos designadas recticulatum, formando paralelepípedos para levantar muros robustos e espessos, com vãos estreitos, evitando reduzir a resistência ao peso das abóbadas de pedra [1].

Outra característica importante foi devido aos diferentes pisos que a igreja possuía, formando assim diversas galerias nos pisos mais altos (Figura 2.52). Assim, a coluna sendo a estrutura de sustentação integrou-se na própria estrutura do edifício, gerando formas de pilares muito características. Ao longo dos anos, os pilares devido às funções que lhe são solicitadas foram adquirindo a forma mais usual, a quadrangular.

Figura 2.50: Planta de uma igreja, nave, transepto e abside (fonte: hist7alfandega.blogspot.com

Figura 2.51: Arquivolta na entrada para a Catedral de Speyer, Alemanha

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Figura 2.52: Catedral de Pisa, Itália (fonte: Omeusegredo.blogspot.com)

Um elemento também muito importante foi o arco de volta perfeita, que servia como elemento decorativo ligado à parede como servia para ocupar o vão e unir os suportes entre si. Dava forma aos vãos, janelas, portais assim como às aberturas existentes nas paredes. Outro elemento importante, senão o mais, foi a abóbada de berço, que no período romano servia para cobrir espaços secundários, passando no sistema românico ao elemento principal da cobertura de uma igreja [14].

Santiago de Compostela (Figura 2.53) é o principal exemplo de igreja românica no Ocidente, localizando-se em Espanha, mostrando também uma grandeza maior relativamente a outras igrejas [64].

Figura 2.53: Catedral de Santiago em Santiago de Compostela, Espanha

História da Evolução da Engenharia Civil 41 Na Idade Média muitas pontes foram construídas [1] mas também foram restauradas muitas pontes romanas. As românicas assemelham-se às romanas no traçado e nos arcos semicirculares, assentes em contrafortes com quebra-águas. Mas a maior parte das pontes construídas na Idade Média datam do período gótico, apresentando arcos ogivais, harmonizando-se com os de volta inteira, sendo que em algumas o arco central é ogival e os outros são românicos. Ainda hoje muitas destas pontes romanas e medievais são utilizadas oferecendo segurança e comprovando a qualidade da Engenharia desta época.

Os principais edifícios construídos na Europa no estilo românico estão caracterizados na Tabela 5 que se encontra em anexo.

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