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CHAPITRE II Cadre théorique

2.3 Les axes de l'insertion professionnelle

Indagados sobre as principais dificuldades enfrentadas em sua atuação como professores da EJA, todos declararam que enfrentam dificuldades e estas são bem diferenciadas. O educador Paulo ressalta os educandos que estão indo para a escola para dar satisfação à justiça.

A questão de alguns alunos que ainda estão no processo de liberdade que as vezes são presos e tem que estudar, alguns alunos já cumpriram pena e vão pra escola mais pra dar satisfação pra justiça, aos pais porque eles querem que eles venham porque se não perde o bolsa família, às vezes a gente se depara com alguma situação de indisciplina, mas eu particularmente nunca tive problema com aluno de EJA, eu procuro ser amigo deles, jamais a gente deve se bater de frente. Não são todos, é a minoria. Por exemplo, eu estou na EJA V é uma turma maravilhosa, mas sempre tem um ou dois que são aqueles problemáticos (Paulo).

A educadora Madalena destaca que sua maior dificuldade se refere ao horário de planejamento, que muitas vezes coincide com o dia da formação e nesse caso o planejamento fica sacrificado.

Nas dificuldades a gente tem que se inteirar e às vezes até ser psicólogo. Agora assim a dificuldade que a gente tem é com o horário de planejamento que só temos um dia mesmo e só um horário. No ensino regular temos mais tempo para planejar, e aqui o tempo é muito curto, alegam que é corrido seria interessante ter mais tempo para planejar. Há muitas reclamações. A questão das formações, às vezes, é no dia do seu planejamento não é um dia a parte, porque aí a gente penaliza o planejamento da escola, a formação é feita em cima do dia do seu planejamento, tá atribuindo mais tarefa pra gente, porque a gente vai pra lá e deixa a atividade da escola, porque tirou o tempo de planejar do professor. É a questão da exploração. Eu acho isso exploração, de estarem obrigando o horário enquanto isso eles esticam os 200 dias letivos aí você chega uma época dessa tá todo mundo cansado. A gente percebe os alunos cansados, não rende a gente sente que a escola é uma reguladora da sociedade enquanto tirar as pessoas do meio da convivência social por mais tempo (Madalena).

Sobre o planejamento, Leal (2007, p. 61) defende que “é uma estratégia de formação por proporcionar a explicitação de princípios didáticos fundamentais, articulando-os aos saberes práticos que são gerados no cotidiano da experiência docente”. Desse modo, torna- se perceptível a importância dessa atividade. Saliento que o planejamento deve ter horário um destinado e adequado às atividades e que leve em consideração a sobrecarga de trabalho do

professor, fato que dificulta qualquer projeto comprometido com a transformação, com a emancipação humana.

A falta de recursos para trabalhar com a EJA e a rotatividade, ou seja, a falta de assiduidade dos educandos são as principais dificuldades apontadas pelo educador Sérgio:

Muitas vezes, a falta de recursos, principalmente, e também eles serem muito rotativos. Não vêm todo dia pra escola, a gente quer avançar numa coisa e não consegue, aí é complicado para avançar o conteúdo, o que eu acho difícil é isso principalmente na EJA I (Sérgio).

A educadora Eliane ressalta em seu depoimento que sua maior dificuldade é com a inexistência do Segmento I da EJA na escola, o que promove desencontros, como: alguns alunos matriculam-se em segmentos mais avançados, quando, na realidade, necessitariam estar na EJA I. Isso dificulta a relação com grupos de alunos heterogêneos, os quais possuem perspectivas de conteúdo e de vida diferentes.

Aqui, por exemplo, nós não temos EJA I. Tem EJA II, III, IV e V. Há uma discussão de muitos anos que eu venho colocando e outra professora, de que não temos EJA I e alguns alunos se matriculam com nível de EJA I e é chamado de EJA II então ele chega na EJA III com nível de II, e na EJA IV com nível de III, porque ele não pode retroceder. Então, isso é muito sério. A tentativa que a gente faz é um grupo mais homogêneo no sentido de alguns saberes que sejam iguais, então a gente tenta fazer a classe ficar com um nível mais igual possível, pra gente não ter que ou nivelar por baixo ou por cima, mesmo assim não ocorre. Tem outra questão, a gente tem uma aluna aqui que o esposo faleceu e o médico disse vá estudar como forma de terapia, essa senhora de 60 anos, enquanto o aluno de 16 anos tem outra perspectiva, então é muito complicado lidar com isso, não que a troca de experiência não seja importante, é interessante mas há uma disparidade grande de idade traz uma disparidade do que eu estou projetando pra minha vida; eu estou falando em termo de como é que eu faço o desenho da minha aula, porque um menino que tem 15 anos que veio do ensino regular, ele tem outra perspectiva inclusive de conteúdo, o conteúdo que eu vou aplicar pra ele deveria ser diferente do que eu vou aplicar pra uma senhora de 60 anos. Então, o desinteresse se dá muitas vezes por isso, são projetos de vidas e perspectivas diferentes e aí eles acabam se evadindo (Eliane).

De acordo com os depoimentos, foram visualizadas as diversas dificuldades enfrentadas pelo educador da EJA, como: educandos que estão em processo de liberdade que frequentam as aulas para dar satisfação a justiça; o horário de planejamento que nem sempre é respeitado, coincidindo, muitas vezes, com o dia da formação; a falta de assiduidade dos alunos,

o que dificulta o trabalho do educador quanto ao avanço nos conteúdos e a inexistência do Segmento I da EJA na escola.

Ante o exposto, ressalto a necessidade de um olhar mais cuidadoso sobre essas dificuldades enfrentadas pelos educadores.