Percebemos que existem vários tipos de espiritualidade. Enfocaremos ao longo do trabalho, a espiritualidade cristã. Vivemos num país de maioria católica,
com crescimento evangélico, e de outras religiões tais como o espiritismo. Mas um país com grande tendência ecumênica e ecletismo, no qual todas as religiões citadas e inclusive outros ramos destas se intitulam como cristãs. Sendo assim, sente-se a vontade para expressar este tipo de espiritualidade.
O cristianismo é uma religião monoteísta baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como estes se encontram recolhidos nos Evangelhos, parte integrante do Novo Testamento. Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias e como tal referem-se a ele como Jesus Cristo.
Mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil. Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século: na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos (SUPER ABRIL, 2012) .
Espiritualidade é o tema da agenda religiosa nesta virada de milênio. Em todos os encontros, debates e discussões ela está presente. Não apenas no universo teológico, mas cultural, empresarial, econômico, etc. Todos conversam sobre o assunto, falam de suas experiências, descrevem seu momento espiritual.
Antes de tudo é bom ressaltar que ao abordar o tema espiritualidade refere-se não apenas à obra do Espírito Santo, mas também aos movimentos do espírito humano na busca por identidade e significado. Logo se fala de espiritualidades, pois se trata não somente de uma realidade, mas de várias, com expressões e formas diferentes.
Segundo Anderson citado por Nichols e Schartwz (2007 p.61), ao abordar este assunto percebe-se que não há muito tempo, discussões religiosas não eram fatores que merecessem consideração por nenhuma ciência. Os diferentes sistemas de crenças se julgavam donos da verdade. A ciência estava contra a religião e vice- versa, mas hoje os estudiosos tentam aliar a religião como fator de grande poder para tratamento e cura de muitas mazelas.
De acordo com o mesmo autor citado acima:
Durante o século XX, os psicoterapeutas querendo evitar qualquer associação com o que ciência considera irracional, tentaram manter a religião fora do consultório. Também tentamos permanecer fora de empreendimentos moralizadores, lutando para continuar neutros para que
os clientes pudessem tomar suas próprias decisões de vida.
Contudo, na virada do século XXI, quando cada vez mais pessoas acham à vida moderna solitária e vazia, a espiritualidade e a religião surgem como antídotos para um disseminado sentimento de alienação tanto na imprensa popular quanto na literatura sobre terapia familiar.
Algumas das mais poderosas crenças organizadoras de uma família têm a ver com como eles encontram significado em suas vidas e com suas idéias sobre um poder superior. No entanto, a maioria dos terapeutas nunca pergunta sobre essas questões. É possível explorar as crenças espirituais da família sem fazer proselitismo e sem zombaria? Mais e mais terapeutas acreditam que isso não apenas é possível, como também é crucial. Eles acreditam que as respostas das pessoas a essas questões maiores estão intimamente relacionadas à sua saúde emocional e física. (NICHOLS e SCHWARTZ, 2007, p.292).
Com relação ao fato de que muitas neuroses têm um condicionamento religioso, Jung ressalta nos ensaios sobre "A relação entre a Psicoterapia e a Pastoral" e "Psicanálise e Pastoral" a necessidade da colaboração entre a Psicologia e a Teologia (JUNG, 1978, p.5). Esse é o pensamento atual a respeito deste integracionismo.
Segundo o Instituto de Pesquisa Gallup citado por Walsh (2009), os americanos estão entre as pessoas mais religiosas do mundo. Pesquisas realizadas em 2007 apontaram que 83% dos adultos diziam que a religião era importante na vida deles e 56% consideraram muito importante, e aproximadamente 33% consideraram a parte mais importante de suas vidas. Com relação este assunto Walsh, postula que:
Mesmo com a consciência crescente da sua profunda influência, muitos hesitam em abordar a dimensão espiritual na psicoterapia (Prest e Keller, 1993; Walsh, 1999). A longa tradição de separar a psicoterapia da religião marginalizou e, em muitos casos, estigmatizou as crenças espirituais, de tal forma que os clínicos podem apenas revelar as partes da sua experiência que se ajustam às expectativas normativas daquilo que lhes interessa. Eles podem editar as dimensões espirituais de suas vidas em relatos contínuos que se ajustam à cultura dominante, mas tornam essas crenças e práticas invisíveis. Griffith e Griffith (1998) estimulam os terapeutas a não simplesmente esperar que os clientes lhes tragam questões espirituais, supondo-as sem importância caso não sejam expressadas (WALSH, 2009, p.69).
Cremos que com todos esses diálogos a mentalidade tem mudado bastante e hoje há provas científicas do valor das crenças, e da dimensão espiritual na melhora da qualidade de vida e no sucesso de terapia de várias pessoas.
Princípios mencionados por Henriette Moratto, inclui toda esta questão de respeito ao ser humano e diálogo interdisciplinar:
Resoluções do 1 Congresso Nacional de Psicologia: Ética de respeito ao indivíduo e à sociedade; Trabalho interdisciplinar (complexidade e singularidade do ser humano); Compromisso social do psicólogo não se esgota na função institucional. (Moratto, 2007, p.40)
A religião é um fenômeno humano, a fé tem componentes cognitivos, comportamentais e emocionais. A Espiritualidade e Resiliência pessoal são aspectos pessoais que podem ser desenvolvidos, e observados por conselheiros pastorais, profissionais de serviços humanos e educadores como veículo estruturantes através dos quais os seus detentores podem atingir desenvolvimento de recursos internos que contribuem para o sucesso de enfrentamento de crises, em condições tristes e adversas.
O trabalho de um religioso e de um psicólogo juntos podem levar que pessoas conheçam mais de sua própria força, da sua resiliência psicológica, a profundidade da internalização da sua própria espiritualidade, e saberem em que grau a sua espiritualidade está para a sua capacidade de resistência psicológica, ou seja leva as pessoas a conhecerem a si mesmas.
CAPÍTULO II