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CHAPITRE 1 : SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE

1.6 Systèmes de production du Python royal au Bénin en 2004

1.6.2 Les établissements du Bénin en décembre 2004

De acordo com Reis, o PCB manteve uma postura de alianças com a chapa da situação a presidência da República, visto que, “Prestes preferiu ignorar estas nuances e querelas” (REIS, 2014, p. 289). O final do V Congresso coincidiu com o período eleitoral para presidência da república. O PCB apoiou para presidente o General Henrique Lott e para vice João Goulart. Mas, para legitimar este apoio, o partido fez algumas exigências, “reforma agrária, direito do voto ao analfabeto e legalização do PCB” (REIS, 2014, p. 289).

A escolha do nome de Henrique Lott como candidato do governo a presidência da república, foi antecedida por posicionamentos contrários a chapa escolhida. Os governadores do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, “Brizola e Roberto Silveira propuseram o nome de João Goulart” (FERREIRA, 2014, p. 209).

A candidatura de Lott não empolgou o eleitorado, parte pelo próprio perfil do candidato que “recusava-se a adequar sua linguagem de acordo com a plateia” (FERREIRA, 2014, p. 210). Também por levar o ônus de ser o candidato da situação, “cujo governo, embora atingisse altos índices de crescimento econômico, deixava a herança da inflação, da grave crise econômica e da denúncia de corrupção e favoritismo político” (FERREIRA, 2014, 211).

Além de Henrique Lott (PSD) em uma coligação de centro-esquerda com PSD-PTB- PST-PSB-PRT, as eleições presidenciais de 1960 tinham como candidatos das oposições: Ademar de Barros do PSP e Jânio Quadros do PTN por uma coligação com PTN-UDN-PDC-

PR-PL. Nestas eleições, o Partido Socialista Brasileiro aderiu à coligação de centro-esquerda, diferentemente da ocorrida em 1955, onde apoiou o candidato da UDN.

Para vice-presidente da república concorreram: João Goulart, na mesma coligação política de Henrique Lott; Milton Campos (UDN) com a mesma coligação de Jânio Quadros menos o PDC, e o dissidente do PTB, Fernando Ferrari (PDC) na coligação entre o Partido Democrata Cristão e o Movimento Trabalhista Renovador (MTR).

O momento econômico desfavorável com grandes taxas de inflação foi explorado pelos opositores. De acordo com Reis, Jânio Quadros, durante a campanha construiu um discurso para atrair eleitores da direita e da esquerda

Jânio muito hábil trabalhava com vários registros. Seduzia com um discurso moralista os setores conservadores, mas também se apresentava como representante dos pequenos contra os grandes. Além do mais, defendia bandeiras tradicionais das esquerdas: uma política externa independente, apoio à autodeterminação de Cuba, e o restabelecimento das relações diplomáticas comerciais com o mundo socialista (REIS, 2014, p. 290).

Quadros também explorou as fragilidades do governo, “criticava a corrupção e a inflação” (FERREIRA 2014, p. 211). Além disso, diferentemente do general Lott, era um político com experiência,48 e desta forma procurava agradar o conjunto do eleitorado, visto

que, “era capaz de visitar Khrushchev em Moscou e, em seguida, esticar a viagem a Lisboa até o templo de Nossa Senhora de Fátima. Assim, agradava as esquerdas e os católicos” (FERREIRA, 2014, p. 211).

A aliança do PTB com o PSD foi oficializada antes da campanha eleitoral, mas já estava de certa forma, desgastada, visto que, “com a previsão de que Lott não venceria a campanha eleitoral para presidência da república formou-se uma chapa informal, Jânio- Jango” (FERREIRA, 2014, p. 211).

A eleição presidencial em 1960 foi vencida por Jânio Quadros por grande margem de votos, Quadros obteve 48,26% de votos contra 32,94% de Lott e 18,79% de Adhemar de Barros. A eleição para vice-presidente foi vencida por João Goulart com 36,1% contra 33,7% de Milton Campos e 17% de Fernando Ferran. Desta forma, a vitória de Jânio Quadros foi bem mais expressiva do que a de João Goulart.

48 Antes de ser candidato a presidente da república, Jânio Quadros foi prefeito de São Paulo (1953-1955) e governador de São Paulo (1955-1959), além de deputado federal (1959-1961).

De acordo com Ferreira,

Lott, candidato dos progressistas, defendia teses conservadoras, como o não restabelecimento de relações com os países comunistas. Jânio, considerado de direita, tinha trato fácil com os sindicalistas e, na questão da política externa posições avançadas (FERREIRA, 2014, p. 213).

Se considerarmos todo o período de mandato, o governo JK deu ganhos salariais aos trabalhadores, “entre 1944 e 1968, os índices de salário mínimo, no Rio de Janeiro e em São Paulo foram os mais elevados em seu governo” (FERREIRA, 2014, p. 213). Porém, nas vésperas da eleição presidencial de 1960, “a queda dos salários, a crescente concentração da renda e a inflação em processo ascendente, desagradou o movimento sindical e o conjunto dos trabalhadores” (FERREIRA, 2014, p. 213).

Nesta linha, Jânio Quadros, ao assumir a presidência, criticou severamente o governo JK, “convocou uma cadeia de rádios e pronunciou um discurso implacável contra seu antecessor” (FERREIRA, 2014, p. 219). “Ao explicar a sociedade, como estavam as finanças do país, iniciou declarando que era terrível a situação financeira do Brasil” (FERREIRA, 2014, p. 219). Os números apresentados por Jânio Quadros, neste pronunciamento, foram os seguintes: “em 1955, início do governo JK, o déficit financeiro era de 28 bilhões e 800 milhões de cruzeiros e em 1960 chegou a 193 bilhões e 600 milhões de cruzeiros” (FERREIRA, 2014, p. 219).

Diante deste cenário, Jânio Quadros optou por uma política econômica guiada pela ortodoxia do FMI, ou seja, “instaurou a verdade cambial, desvalorizando o cruzeiro 100% diante do dólar e cortou os subsídios ao trigo e a gasolina. As medidas atingiram a classe média e os trabalhadores” (FERREIRA, 2014, p. 220).

Por outro lado, “na política externa, seguiu uma linha independente. Encontrou simpatia nas esquerdas e o combate ostensivo dos grupos conservadores” (FERREIRA, 2014, p. 220). O presidente fez acordos comerciais, com diversos países, entre eles: URSS, Coreia do Norte e China.

Porém, de acordo com Ferreira, entre todas as medidas adotadas por Jânio Quadros no início do seu governo a que lhe causou maior isolamento político, foi a decisão de promover

uma sindicância nas contas públicas, “os chefes das Casas Civil e Militar, receberam ordens para instaurar cinco comissões de sindicância” (FERREIRA, 2014, p. 221).

Os resultados destas sindicâncias tiveram grande repercussão perante o mundo político, pois envolveram o nome de João Goulart e de deputados e senadores, visto que, “após atingir diretamente o vice-presidente da república, as comissões passaram a denunciar deputados e senadores, por atos de corrupção, favoritismo e desvios de recursos públicos” (FERREIRA, 2014, p. 222).

Por outro lado, desde o começo da gestão de Jânio Quadros, o PTB se posicionou contra o governo, visto que “o partido se impôs no campo oposicionista, radicalizando ideologicamente, afinado com o movimento sindical e nacionalista. Sob a liderança de Goulart, e a influência de Brizola, o PTB aproximou-se do PCB” (FERREIRA, 2014, p. 223).

A sustentação política do governo de Jânio Quadros, no Congresso Nacional era muito frágil, pois os partidos de oposição: “PSD, PTB e PSP chegavam a 200 parlamentares. Os partidos de situação: PTN, UDN, PR e PDC, não alcançavam 100 cadeiras no Congresso Nacional. A UDN, ainda agia como cúmplice, da oposição aumentando o isolamento do presidente” (FERREIRA, 2014, p. 223).

No governo de Jânio Quadros, o Brasil viveu um ambiente político bastante conturbado que culminou com a renúncia do presidente em 25 de agosto de 1961, segundo Reis

[…] Suscitando suspeitas de derivas ditatoriais. Sob ataque da grande mídia e de Carlos Lacerda, governador da Guanabara, numa campanha de intensidade semelhante à que levara Getúlio Vargas ao suicídio, Jânio não aquentou o tranco e renunciou ao cargo de Presidente (REIS, 2014, p. 293).

A renúncia de Jânio Quadros surpreendeu o país, segundo alguns pesquisadores, o presidente, planejou com esta ação, “um golpe de Estado, sua atitude, imaginaria ele, provocaria a reação popular e militar” (FERREIRA, 2014, p. 227).

No entanto, a renúncia de Jânio Quadros foi prontamente aceita, “pois os congressistas estavam insatisfeitos com as comissões de inquéritos, a direita assustada com a política externa independente e a esquerdas o ignorava” (FERREIRA, 2014, p. 227).

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