L’enclave comme objet géographique : ses discontinuités et au-delà
1. Les discontinuités à l’œuvre
1.4. Le retranchement ou la limitation des pratiques spatiales
A maioria dos agentes antineoplásicos interfere por vários mecanismos de ação com os ácidos nucleicos, levando à destruição celular. Inicialmente valorizou-se como sendo a maior diferença entre células normais e células neoplásicas, a rápida taxa de divisão; depois outras diferenças foram identificadas, resistência à apoptose e à senescência celular o que permitiu novas abordagens terapêuticas. Os fármacos disponíveis não são específicos para as células neoplásicas pelo que, com frequência, lesam os tecidos normais, tendo uma margem terapêutica característica estreita. O avanço do conhecimento científico tem permitido prolongar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida. Conhece-se vários tipos de tratamento, nomeadamente o tratamento neoadjuvante e adjuvante. Com o intuito de aumentar a eficácia, utilizam-se associações de citotóxicos em ciclos repetidos, com frequência variável [19]. Consistem em protocolos terapêuticos de quimioterapia adequadamente validados para determinado tipo de cancro. A título de exemplo, para a região da Cova da Beira, onde a maioria dos cancros são colo-rectais, são muito utilizados protocolos tais como o protocolo Folfiri (5-fluoracilo/Irinotecano). Protocolos como o Gemox, Extreme e ECF também são frequentes.
A posologia é na maior parte dos casos expressa em função da área de superfície corporal, havendo diversas tabelas e réguas de cálculo para a sua obtenção, em função do peso e altura do doente [19]. Apesar de ser um passo fundamental nesta área, não realizei qualquer cálculo neste âmbito.
Na terapêutica citotóxica são de esperar, dum modo geral, reações adversas que interferem com a qualidade de vida do doente tais como: náuseas e vómitos em grau variável, hiperuricémia, alopécia, alteração da resposta imunológica, depressão medular e efeitos teratogénicos [19]. Por esta razão os referidos protocolos são constituídos por uma pré medicação que visa combater/minimizar estes efeitos adversos. As náuseas e os vómitos podem ser agudos (se ocorrerem nas primeiras 24 horas após o início do tratamento), antecipatórios (se ocorrerem previamente a ciclos subsequentes) e tardios (após 24 horas da administração) [19]. No CHCB são muito utilizadas associações de fármacos, nomeadamente ondansetrom e dexametasona para o tratamento destes efeitos.
Tal como recomendado, a preparação de soluções injetáveis de citotóxicos é realizada numa unidade centralizada de citotóxicos dos SF do CHCB, em condições que garantem a qualidade das preparações e a proteção do preparador e meio ambiente. Isto permite racionalizar a utilização destes fármacos; uma melhor gestão do risco, porque os fármacos são preparados em câmara de fluxo laminar vertical, por profissionais qualificados; integrar o Farmacêutico na equipa de oncologia; disponibilizar o tempo dos Médicos e Enfermeiros para tarefas para as quais estão mais vocacionados; e uma gestão de stocks mais eficaz [3 e 7].
Os equipamentos necessários para a preparação dos citotóxicos são semelhantes aos usados na preparação de estéreis com as seguintes alterações: é necessária uma câmara de fluxo de ar laminar vertical da Classe II B, com preferência para as da Classe II B2, de
exaustão total ou sistemas isoladores (cabines fechadas, com acesso do manipulador por mangas de borracha) [2]. Pode referir-se também a utilização de bata esterilizada (que nesta área tem de ser impermeável, frente fechada, mangas compridas e punhos de elástico ou malha de forma a ficarem justos), de luvas esterilizadas e apropriadas para o manuseamento de citotóxicos e máscara bico de pato.
As instalações destinadas para este efeito são perfeitamente definidas e isoladas, constituídas por um sistema modular de salas limpas Misterium.
Este sistema modular de salas limpas é constituído por duas salas: Pré‐sala e a Sala de preparação dos citotóxicos injetáveis. A Pré‐sala ou antecâmara é a sala onde o manipulador se equipa (bata, touca, máscara, cobre‐sapatos e luvas) e efetua a lavagem e desinfeção das mãos. A Sala de preparação dos citotóxicos injetáveis é onde está localizada a câmara de fluxo de ar laminar vertical e onde se efetua a reconstituição e/ou diluição de citotóxicos injetáveis.
A câmara de fluxo de ar laminar da UCPC é da classe II (fluxo de ar laminar vertical descendente, filtrado por filtro HEPA, o que garante uma proteção eficaz do operador e do medicamento) e do tipo B (o ar é expulso para o exterior do edifício após filtração por filtro HEPA, o que garante uma proteção do ambiente). O acesso à zona de trabalho (onde se localiza o fluxo de ar laminar vertical descendente, filtrado por filtro HEPA) é limitado por um vidro frontal que protege o operador e que permite que apenas os braços deste acedam à zona de trabalho [7].
Neste sistema modular de sala limpa a pressão deve ser negativa na sala de preparação (<0 mmH2O) e positiva na antecâmara (>1 mmH2O) por forma a evitar a entrada
de qualquer tipo de partículas que podem ser contaminantes do exterior para o interior do sistema da sala limpa e garantindo que partículas tóxicas existentes sejam mantidas dentro da câmara.
De forma semelhante com a preparação de NP, preparação de um citotóxico é sempre precedida de uma prescrição médica. A prescrição deverá ser feita preferencialmente via informática e tendo por base protocolos previamente estabelecidos e aprovados na respetiva indicação [7].
Quando chega à farmácia, a prescrição é validada pelo farmacêutico responsável pelo sector. Para cada doente é elaborado, em suporte de papel, o perfil farmacoterapêutico onde se registam os dados do doente e o seu histórico em termos de prescrição de citotóxicos.
Para a preparação é emitido um mapa em duplicado onde consta a identificação do serviço, identificação do doente (nome e número do processo), dados do doente (idade, peso, altura, creatinina, diagnóstico), protocolo prescrito e periodicidade do mesmo, descrição da medicação a preparar (designação por D.C.I. e dosagem), via de administração, designação e volume do solvente onde se vai diluir o citotóxico (se for o caso), tempo de administração, a ordem de administração e identificação do médico prescritor [7]. Para cada citotóxico deve ser também emitido um rótulo, rubricado do preparador.
Os procedimentos de limpeza, forma de equipamento do operador e cuidados com a câmara de fluxo de ar laminar vertical são em tudo semelhantes aos seguidos nas preparações estéreis, apenas com algumas diferenças já referidas. O que ainda não foi referido é o material usado na preparação de citotóxicos. Ao contrário do que acontece na preparação de produtos estéreis, na preparação de produtos citotóxicos evita-se ao máximo a utilização de agulhas ou pressões positivas dentro dos frascos, evitando a dispersão de partículas tóxicas, recorrendo a sistemas luer-lock, spikes com compensação automática de pressão, seringas sempre com volume superior ao pretendido e compressas esterilizadas para cobrir as ampolas durante o seu manuseio. Todos os remanescentes guardados são registados com a data e o operador, bem como com a validade que apresentam.
Todo o lixo citotóxico é colocado numa biobox existente na câmara para ser incinerado, de acordo com o decreto já referido a cima. O produto final deverá ser inspecionado quanto à integridade física das embalagens, prazo de validade, ausência de partículas em suspensão, inexistência de precipitação, separação de fases (se for caso disso) [7]. É de seguida colocado no interior do tranfer e recolhido no exterior da sala limpa. Aos citotóxicos juntamos a pré-medicação, ficando assim o esquema descrito no protocolo completo. Desta forma, são transportados para o hospital de dia, para serem administrados, em maletas herméticas utilizadas para o efeito, e devidamente identificadas com a sinalização de “material citotóxico”.
Trimestralmente com a colaboração do Serviço de Patologia Clínica, é efetuado um controlo microbiológico do ar laminar da câmara, utilizando placas estéreis. Segue-se o mesmo procedimento seguido no controlo microbiológico da câmara de fluxo laminar horizontal usada para preparação de bolsas de NP.
Apesar de todas as medidas tomadas com vista a diminuir a probabilidade de acidentes com citotóxicos, nomeadamente o transporte deste produtos mediantes a utilização de recipientes resistentes devidamente identificados, os acidentes podem ocorrer. Existem para isso, protocolos que definem o procedimento a realizar e em várias zonas do SFH pode encontrar-se um “estojo de acidente” com um conjunto de utensílios fundamentais para conter o derrame e sinalizar o local. É de referir que estive presente durante uma das verificações periódicas a este estojo, com o objetivo de garantir a validade dos utensílios bem como se existem na quantidade pré-fixa.
A minha participação mais ativa nesta área foi na preparação da pré-medicação, contagem de stock e elaboração de perfis farmacoterapêuticos. Tive também oportunidade de reconstituir e diluir uma ciclofosfamida em glucose 5%, um 5-Fluorouracilo em cloreto de sódio 9%, um levofolinato dissódico também em cloreto de sódio 9% e de preparar um regime de quimioterapia intravesical utilizado para o tratamento de cancro da bexiga (BCG). Todas estas tarefas foram efetuadas sob orientação e supervisão farmacêutica e segundo os procedimentos operativos aprovados. Colaborei igualmente na preparação de uma solução para perfusão que contém a enzima alfa-glucosidase. Esta preparação é utilizada no
tratamento de doentes com doença de Pompe, uma doença hereditária rara, caracterizada pela deficiência daquela enzima.