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Mesures de masses

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C. Programme de recherche

6. Mesures de masses

A revista Mundo Estranho (ME) está há treze anos em um mercado editorial diferenciado e competitivo, com mais de 150 edições publicadas. Surgiu em 2001, como uma edição da Superinteressante que integrava o que de melhor a revista publicava na seção Superintringante. Essa coluna era direcionada para as perguntas enviadas pelos leitores.

No ano de 2001, a revista Superinteressante lançou uma edição especial intitulada Mundo Estranho, compilando as melhores perguntas já respondidas de forma atualizada e com infográficos. No mesmo ano, diante do grande sucesso de vendas, a Editora Abril resolveu dar conteúdo e formato próprio à Mundo Estranho. Nesse sentido, cronologicamente, a ME tem os seguintes momentos como os mais importantes no mercado editorial de revistas:

Em 2001, a revista Superinteressante publica a edição Mundo Estranho com perguntas frequentes dos leitores, um compilado com as melhores perguntas respondidas na seção Superintrigante.

➢ Em dezembro de 2001, foi lançada a segunda edição do compilado, intitulada Mundo Estranho 2.

Em 2002, a Mundo Estranho torna-se uma revista mensal e independente da Superinteressante.

➢ Em 2009, a revista teve um significativo crescimento na venda de exemplares e um aumento do número de assinantes.

➢ Em 2010, um grupo de leitores jovens intitulado “Turma do Fundão” participa da elaboração da revista, sugerindo conteúdos e pautas para a revista.

Em 2011, a revista Mundo Estranho ganhou o prêmio Abril de Jornalismo, como sendo a Revista do Ano.

➢ Em 2013, a revista registra o ápice da edição mais vendida da história – A Disney que ninguém vê – com mais de 144 mil exemplares vendidos.

➢ Em Março de 2016, a equipe de redação comemorou a premiação do megainfográfico A Revolução do Bicho, publicado na edição de setembro de 2015. Essa edição ganhou o prêmio Award of Excellence na 37ª edição do The Best of News Design, pela Society for News Design (SND), considerado o "Oscar" do design.

Atualmente, é uma das cinquenta revistas da Editora Abril e trata de assuntos diversos, de “física quântica a Óvnis, abduções e ETs”. Essa revista tem um público bastante heterogêneo, reunindo homens e mulheres, de uma larga faixa etária (pré- adolescentes a adultos), de modo geral, interessados em curiosidades abordadas a partir de um enfoque científico.

Diante dessas informações, a publicação dessa revista tem como matéria- prima curiosidades que permeiam o mundo da cultura, fatos históricos, filmes, séries e curiosidades. Além disso, o foco está no tratamento da informação que será transmitida para o público jovem. Diante disso, o editor, em consonância com a equipe de design gráfico, trabalha todos os recursos verbais e não verbais na confecção da revista, especificamente da capa, que será a grande responsável por chamar a atenção do leitor para a revista.

Diante do desafio de pesquisar a capa de revista como gênero discursivo4,

especificamente a Mundo Estranho, torna-se necessário um aprofundamento teórico e uma orientação bakhtiniana para esse estudo, pois as capas entendidas como gênero que dialogam com enunciados concretos não servem apenas para simples decodificação de signos linguísticos mas ainda procuram observar as relações sócio- históricas e, consequentemente, os interesses mercadológicos das grandes empresas de comunicação, tantos nos aspectos publicitários quanto nos valores propagados pela instituição.

Nesse sentido, pensando na diversidade e na riqueza de gêneros discursivos, os quais são inesgotáveis no uso das atividades humanas, as relações interativas criam um ambiente para manifestações discursivas da heteroglossia, ou seja, dos signos não vinculados à palavra. Com isso, extrapolando a barreira da linguagem verbal, amplia-se a possibilidade dos discursos e dos processos de transmissão a partir do surgimento dos gêneros discursivos híbridos. Desse modo, surge o gênero discursivo capa de revista, inserida no nosso dia a dia, seja na banca de revista, seja nas clínicas, seja na nossa casa etc.

4 Cabe destacar que existem vozes dissonantes que se opõem em considerar a capa como gênero

As capas fazem parte de uma corrente discursiva que visa a uma função comunicativa diferenciada, uma vez que podem ser consideradas unidades enunciativas com características próprias. Esse gênero discursivo vislumbra três objetivos primordiais: o primeiro é o de informar; o segundo é o de anunciar; e o terceiro o de vender. No entanto, sabemos que tais objetivos compõem-se de um conjunto de informações que busca uma informação maior.

A esse respeito, Bakhtin (2010a) coloca em evidência a necessidade de a ideologia contemporânea situar o lugar social, a fim de se fazer compreender que o poder econômico é quem determina o espaço e o tempo em vista de seus próprios interesses. Sobre isso, o autor postula:

Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social) como todo corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e refrata uma outra realidade, que lhe é exterior. Tudo que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo que é ideológico é um signo. Sem

signo não existe ideologia (BAKHTIN, 2010a, p. 31).

Os meios de comunicação nessa sociedade têm um grande poder de persuadir e transformar as várias realidades sociais. Nesse sentido, o enunciado proferido por meio de alguma mídia, seja impressa, seja televisiva, seja via rádio, busca instituir um fundo ideológico no qual o sujeito é sempre o próprio meio de comunicação, podendo assumir a função de entrevistador, diretor, jornalista, equipe de design ou até mesmo direção do veículo de comunicação.

Na verdade, as recentes tecnologias de comunicação impulsionaram o surgimento da sociedade de consumo. Com isso, a nova identidade explorada pelos meios de comunicação é o poder e a informação em massa. Tendo em vista que em toda forma de comunicação existem traços que demarcam a presença de dialogismo, observa-se que a capa de revista se constitui como gênero discursivo na perspectiva bakhtiniana, pois apresenta um formato peculiar: um tema, uma forma composicional e um estilo. Assim, para este estudo, entendemos as capas de revista como gêneros discursivos (BAKHTIN, 2011), isto é, tipos relativamente estáveis de enunciados, que

Refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua construção composicional. Todos esses três elementos – o conteúdo temático, o estilo, a construção composicional – estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente

determinados pela especificidade de um determino do campo da comunicação (BAKHTIN, 2011, p. 261-262).

Considerando os postulados de Bakhtin (2011), a capa de revista tem um propósito bem definido, uma vez que apresenta um tema que interage com as informações, as quais são articuladas à construção composicional dos signos verbo- visuais.

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