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Etude du r-process à ALTO

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C. Programme de recherche

3. Etude du r-process à ALTO

Esta seção versará sobre os aspectos ligados à expressividade, mas direcionados aos elementos das cores e das luzes como mais um fator fundamental na composição da capa de revista. Isso se justifica pelo fato de a manipulação da luz e da cor modificar drasticamente a realidade dos elementos específicos do processo visual na ilustração exposta na capa, já que passa a existir como elemento potencializador e, consequentemente, desperta o desejo de compra do produto.

O texto escrito é dirigido ao leitor com uma mensagem preestabelecida. Por sua vez, o sentido polissêmico é ancorando na construção da imagem, possibilitando

uma variedade de leituras possíveis. De acordo com Kossoy, a imagem fotográfica possui uma leitura plural à medida que,

A recepção da imagem subentende os mecanismos internos do processo de

construção da interpretação, processo esse que se funda na evidência

fotográfica e que é elaborado no imaginário dos receptores, em conformidade com seus repertórios pessoais culturais, seus conhecimentos, suas concepções ideológicas/estéticas, suas convicções morais, éticas, religiosas, seus interesses econômicos, profissionais, seus mitos (KOSSOY, 2009, p. 44, grifo do autor).

Podemos ressaltar que, por sua natureza polissêmica, a imagem permite uma leitura plural, pois cada leitor traz uma infinidade de imagens mentais preconcebidas sobre diversos assuntos. Essas imagens funcionam como filtros ideológicos capazes de atuar em maior ou menor intensidade diante de determinados assuntos. Pensando na construção da imagem, temos que a luz e as cores proporcionam um recurso extremamente importante na fotografia, pois “[...] o nosso olhar se move do canto superior esquerdo para o canto inferior direito, ou seja, a leitura é feita na diagonal” (GONZALES, 2003, p. 19).

No tocante à importância da luz na composição da imagem, temos que esse mecanismo é um recurso bastante utilizado, já que é uma forma de dar ênfase às partes mais importantes da imagem e, assim, guia os olhos do leitor para o foco da informação na capa de revista. Na comunicação visual, a forma nunca está dissociada do conteúdo. Por isso, a utilização de todos os componentes básicos visuais, seja verbal, seja não verbal, como meio de compreensão dos sentidos do texto torna-se um excelente método na construção da estrutura da capa de revista. Diante disso, recorremos à autora Dondis para esclarecer sobre a importância da luminosidade na construção da imagem, uma vez que, para ela, esse elemento é um dos responsáveis pela complexidade da informação visual:

A luz circunda as coisas, é refletida por superfícies brilhantes, incide sobre objetos que têm, eles próprios, claridade ou obscuridade relativa. As variações de luz ou de tom são os meios pelos quais distinguimos oticamente a complexidade da informação visual do ambiente (DONDIS, 2007, p. 61).

Assim, a imagem é uma representação de um fato real e/ou fictício, em que ocorrem as tramas ideológicas que se escondem na superfície da imagem, provocando reflexões e possibilitando ao leitor relações dialógicas diversas, por meio de códigos históricos, políticos, econômicos, culturais e sociais. Analisado, assim, o

jogo de luz representa uma maneira de ver o mundo por meio de tonalidade, que ao ser articulada na imagem provoca um projeto de dizer fundamental na construção de um enunciado concreto.

Outro ponto relevante na construção de qualquer capa de revista, ou de anúncio, panfleto, fotografia, cinema, diz respeito à tonalidade da cor na construção da imagem. Nesse contexto, a representação das cores é utilizada em larga escala, pois, muitas vezes, o tom está associado a questões de sobrevivência, tornando a cor um elemento capaz de proporcionar diversas emoções ao leitor. Para dialogar com essa afirmação, temos que:

A cor está, de fato, impregnada de informação, e é uma das mais penetrantes experiências visuais que temos todos em comum. Constitui, portanto, uma fonte de valor inestimável para os comunicadores visuais. No meio ambiente compartilhamos os significados associativos da cor das árvores, da relva, do céu, da terra e de um número infinito de coisas nas quais vemos as cores como estímulos comuns a todos. E a tudo associamos um significado (DONDIS, 2007, p. 64).

Podemos ressalvar, ainda, que a cor, em termos de categoria, tem vários significados simbólicos, por exemplo: podemos associar o vermelho à raiva, mas também o associamos à capa agitada pelo toureiro para açular o touro. Além disso, temos para essa cor o significado do amor, do perigo, da vida, do sangue, entre outros possíveis significados. Nesse sentido, Gonzales (2003) estabelece que os significados das cores possam variar de sociedade para a sociedade, seguindo a tendência de uma determinada cultura. Diante disso, as cores constituem um dos recursos mais utilizados em peças publicitárias, pois:

Os significados das cores num determinado texto publicitário é definido pelas relações entre as mensagens verbais e não-verbais nele presentes, ou seja, é preciso analisar as cores dentro do contexto do anúncio, pois são as mensagens linguísticas que definem o significado de determinador cor, no texto (GONZALES, 2003, p. 20).

As cores fazem parte do nosso dia a dia e estão carregadas de simbologia e de significados. Na natureza, as cores estão distribuídas de forma harmoniosa, inspirando os vários segmentos de criação na aplicação dos conceitos em obras de artes, na moda e na publicidade. A pigmentação das cores segue uma lógica para melhorar os efeitos, a harmonia e a temperatura. Nesse sentido, a expressividade que as cores e a luz podem representar na construção da imagem possibilita, ainda, um

projeto de dizer capaz de explicitar uma leitura plural, dependendo de quem as aprecia.

Pensando na importância do assunto para o meio publicitário e para o marketing, a autora Dondis (2007) afirma que a estrutura basilar das cores pode ser ensinada por meio do círculo cromático, nesse caso, as cores primárias (amarelo, vermelho e azul) e as cores secundárias (laranja, verde e violeta), cada uma delas, representam qualidades fundamentais na composição da imagem. Somam-se a essa estrutura basilar as variações de cores capazes de criar outros tons, conforme podemos observar:

A cor tem três dimensões que podem ser definidas e medidas. Matiz ou croma é a cor em si, e existe em número superior a cem. Cada matiz tem características individuais; os grupos ou categorias de cores compartilham efeitos comuns. Existem três matizes primários ou elementares: amarelo, vermelho e azul. Cada um representa qualidades fundamentais. O amarelo é a cor que se considera mais próxima da luz e do calor; o vermelho é a mais ativa e emocional; o azul é passivo e suave. O amarelo e o vermelho tendem a expandir-se; o azul, a contrair-se. Quando são associadas através de misturas, novos significados são obtidos (DONDIS, 2007, p. 65).

Geralmente, as cores proporcionam um recurso persuasivo que ao ser usado de forma correta, torna-se um facilitador na memorização e na adesão ao produto e/ou serviço por parte do público consumidor. Diante disso, o contraste entre escolha de luz e cor é um instrumento essencial na estratégia de controle dos efeitos visuais e, consequentemente, na influência do significado.

Diante do exposto, percebemos um entrecruzamento entre luz e cor na construção da imagem. Contudo, não existe um sistema estrutural definitivo e absoluto na escolha desses dois elementos. Na verdade, o que existe é um grau de compreensão que pode variar de acordo com o conhecimento compartilhado pelos leitores. Assim, o modo visual permite uma transposição do mundo físico ou imaginário, tangível ou intangível. Para isso, o tema selecionado/escolhido na composição de cada edição da capa é um produto elaborado a partir de um processo criativo, cuja imagem é representada e idealizada.

Em suma, a partir das informações expostas nesta seção, compreendemos que a capa de revista apresenta elementos verbais e não verbais que se coadunam com um projeto de dizer, uma vez que segue uma orientação valorativa com a função de conferir credibilidade à mercadoria, divulgando um produto e/ou um serviço com o objetivo e informar e de despertar o interesse de compra por parte do consumidor.

5 METODOLOGIA: CONSTRUTOS NORTEADORES DA PESQUISA

A história das ciências humanas seria assim a história do pensamento voltado para o pensamento e para o sentido produzidos pelo outro e isto só se dá ao pesquisador sob a forma de texto. Pensamentos sobre pensamentos, textos sobre textos, tal é a substância dessas ciências (AMORIM, 2004, p. 187).

Nesta seção, apresentaremos os fundamentos e os procedimentos metodológicos orientadores da pesquisa. Inicialmente, situaremos o percurso dos domínios da Linguística Aplicada, mostrando a importância para os estudos em diferentes contextos situacionais. Em seguida, esclareceremos o paradigma, a abordagem e o tipo de pesquisa que desenvolvemos nesta dissertação. Por último, descreveremos o processo de construção dos dados da pesquisa e os procedimentos de análise, cujo objetivo é fazer uma reflexão acerca das relações dialógicas a partir do estudo dos elementos que envolvem a verbo-visualidade.

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