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Le parc logement de la commune d’Ain Melouk

Equipements et Dynamique de l’espace

2- Le parc logement de la commune d’Ain Melouk

A pregação de Clermont inspirou tão profundamente os homens e as mulheres da França meridional que eles não pouparam esforços para dissolver problemas que antes pareciam insuperáveis, inclusive no aspecto econômico, como a falta de recursos. Guiberto de Nogent relata que, no final do século XI, o reino conhecia uma profunda crise econômica, que afetava a pobres e a ricos. A escassez de grãos e a miséria eram grandes, e faltava pão a muitas pessoas87. Essa crise, entretanto, merece ser relativizada. Há críticas historiográficas em relação a ela, pois o período conheceu um grande desenvolvimento agrícola e, portanto, econômico88. Além disso, das fontes contempladas na bibliografia deste trabalho, apenas Guiberto faz referência ela.

       87 Guiberto de Nogent. Gesta... P.141.   88 Essa crise econômica encontra pouca confirmação historiográfica, uma vez que o final do século XI foi  uma época de explosão demográfica, que trouxe consigo, de certa forma, um grande avanço tecnológico  na produção. Cite‐se como exemplo o texto de André Joris, “L’essor du XIIe siècle”, no qual é afirmado: “No  seio de uma sociedade quase exclusivamente rural, as repercussões da revolução demográfica e agrícola  são particularmente profundas. A economia, em seu conjunto, sofreu seu contra‐golpe. Os excedentes da  agricultura permitem, a partir de então, à maioria dos homens de comer mais regularmente. Uma relativa 

Independentemente de qual fosse a situação financeira geral da França ou particular de cada um dos peregrinos, os setores mais abastados da sociedade aproveitaram a oportunidade da Cruzada para enriquecerem-se mais – a esses, Guiberto de Nogent dá o nome de “avaros”89. Diante desse conflito social, onde miséria e riqueza ainda coexistiam – a expansão econômica dessa época ainda é relativa –, e na qual ainda havia pessoas que enriqueciam com a pobreza alheia, Cristo, a partir das palavras de Urbano, tomou lugar central nas mentes dos homens. Segundo Guiberto, o espírito de Cruzada contribuiu para que a sociedade se ajustasse, inclusive economicamente, tamanha foi a movimentação que ele gerou. Mais uma vez, pode-se enxergar o papel congregativo e conciliador que a Cruzada possui nesse momento. O apelo do Papa é tão forte, tão convincente e tão profundo que mesmo diante da penúria e da miséria, pobres e ricos unem-se no serviço a Cristo. Através das palavras de Urbano – e sobre outro aspecto – é a Igreja que une um povo que se opõe devido a disputas internas.

Nessa mesma lógica, como o movimento cruzadista mobilizou grande número de pessoas, atribuiu-se à intercessão do próprio Cristo a organização dessa sociedade em crise em volta de um objetivo comum. Guiberto de Nogent descreve que o mercado estava travado à época da Cruzada, com preços exageradamente altos, que impediam a compra de víveres pelos mais pobres, e que engendravam, como conseqüência direta, a dificuldade de venda de manufaturados e até de propriedades pelos mais ricos. A preparação para a partida em Cruzada dá, senão

      

melhoria do bem‐estar manifesta‐se nas condições de existência.” (André Joris.  L’essor du XIIe siècle. In: 

Georges Duby (dir.).  Histoire de la France – Des origines à nos jours. Paris: Larousse, 2007.  89 “Avarorum stibunda praecordia...”. Guiberto de Nogent. Gesta... P.141.  

um novo dinamismo à economia da época, ao menos uma aceleração no processo de compras e vendas e de circulação de moedas e bens.

O mercado, então, volta a ter suas engrenagens funcionando a partir do momento em que toda a sociedade envolve-se com a Cruzada, uma vez que, com a iminência da partida, todos precisavam vender o que tinham para comprarem os víveres e demais bens de que necessitariam ao longo da caminhada. Do ponto de vista econômico, independentemente da adesão pessoal e de fé ao movimento, as vésperas da partida foram momento muito propício para um aumento das trocas nesse mercado. O número de pessoas dispostas a comprar e a vender aumentou e, com isso, as condições de compra e venda também se flexibilizaram. Segundo Guiberto de Nogent, como já pôde ser visto, as flexibilizações foram grandes, e o mercado adquiriu, pois, novo dinamismo.

Como todos passam a estar envolvidos, passa a ser interesse comum fazer com que a peregrinação de fato acontecesse. Para tanto, os preços baixaram, e cada um dos que partiriam esforçou-se ao máximo para arrecadar aquilo que podiam. Os que possuíam alguma coisa dispuseram-se a vender por preços mais baixos do que os anteriores, para não serem os últimos a partirem para Jerusalém. Dessa forma, vendia-se caro tudo aquilo de que se necessitaria para uso durante a viagem; e vendia-se a preços baixos tudo aquilo que seria utilizado para a aquisição desses bens90. Esse “milagre”91 reequilibrou, pois, a economia da França, conferindo a ela a dinamicidade ausente nos tempos imediatamente anteriores à preparação da Cruzada.

      

90 Guiberto de Nogent. Gesta... P.141.  

Percebe-se, pois, que as palavras proferidas por Urbano II em 1095 geraram reações de profunda adesão à Cruzada que então era pregada. Aquela população da França meridional identificou-se com a convocação papal, a qual permeou todos os setores sociais. Liberar Jerusalém e combater os infiéis fez sentido para aquelas pessoas, uma vez que, das mais variadas maneiras, esses indivíduos viram na peregrinação a perspectiva de algum tipo de ganho – que poderia ser material ou espiritual, pio ou militar. Disso tudo, como já disse, o essencial do discurso do Papa foi a necessidade que se impunha aos cristãos do Ocidente de socorrerem os irmãos orientais, que eram humilhados e mal tratados na Terra Santa. Ocorre que essas humilhações e esses maus tratos também merecem uma revisão crítica.

Capítulo II

A relação entre cristãos e muçulmanos em Jerusalém de 614 a