Antigamente, o acesso à informação era restrito. Aprendia-se por meio de: tradições orais, nas quais os conhe- cimentos são repassados de geração a geração por familiares e pessoas da comunidade; troca de cartas; livros, jornais e revistas. Hoje, entretanto, o acesso à informação encontra-se bastante alargado, o que permite a obtenção de notícias quase que instantaneamente. A internet, em seus diferentes suportes, permitiu uma mudança de paradigma, com a qual é possível obter informações em qualquer lugar, em tempo real.
Nesse contexto, Momo (2007) destaca que antigamente as crianças aprendiam com as famílias, a igreja e as relações comunitárias centradas na experiência. No entanto, isto tem sido modificado frente à perspectiva da televisão e seu conteúdo performático de estímulo a compras e consumo. Para a autora, a rede midiática e consumista em que as crianças vivem mobiliza o desejo, estimula a imaginação e cria necessidades, padrões de exigência, significados, capital simbólico e práticas que são compartilhadas pelos infantes.
Atualmente, vive-se a cultura do consumo (SOUZA, 2005), com a qual aprende-se a supervalorizar os objetos que circulam entre nós. Já a tradição dada pelas famílias se tornou uma cultura desvalorizada, pois como o próprio autor ressalta: “a abundância
do supérfluo nos deixou mudos. Ora, o que é novo já se torna velho ao mesmo tempo em que se surge. Como então os pais haveriam de contar histórias antigas ou mesmo dizer velhas?”.
Cabe ressaltar que, atualmente, as informações e as notícias estão cada vez mais próximas e ao alcance de todos. Com apenas um clique, seja de um celular ou um tablet, toda essa veiculação que faz parte da mídia invade o cotidiano das pessoas. Em se tratando do que vem a ser mídia, compreen- de-se que esta tem um sentido muito amplo, o qual implica em expandir, tornar acessível, incentivar, estimular e levar ao conhecimento do público objetos, atividades, bens e serviços.
Na Educação Infantil, as crianças, sendo pequenas e não tendo o devido entendimento das implicações da mídia para as relações sociais, devem ser incluídas em um trabalho que leve a refletir sobre a relação entre conteúdo, práticas e vivências. De acordo com Fantin (2011), é preciso trazer para a discussão em sala de aula a temática da mídia e das práticas comunicativas, a fim de se estimular na criança a reflexão e o posicionamento crítico frente à influência do conteúdo publicizado na rotina, escolhas e comportamentos no dia a dia das crianças.
A mídia-educação na escola não se presta à expansão de propagandas ou ao fortalecimento do consumismo desenfreado, mas implica em estabelecer uma conceituação crítica e reflexiva acerca de formar cidadãos que sabem fazer uso ativo, crítico e criativo (IBIDEN) das tecnologias para fins de formação pessoal e social. A mídia-educação visa, portanto, trabalhar questões de pertencimento, de democratização de oportunidades e de expansão do saber, e não de reforço ao consumismo.
Assim, é preciso que haja um trabalho direcionado para o entendimento de que as mídias na educação devem contri- buir para a ampliação das possibilidades de aprendizagem,
fazendo uso dos conhecimentos que poderão enriquecer temáticas em sala de aula, bem como estimulando a reflexão acerca das conexões entre a realidade particular de cada um e o contexto em sociedade. O que se busca é a oportunidade de facultar à prática pedagógica uma relação com a mídia- -educação que favoreça a construção de uma nova forma de mediação cultural, como destaca Fantin (2011). Uma mediação que amplia os horizontes educacionais em forma de conceitos e saberes que influenciarão nas formas de ver, perceber e agir na sociedade em que se vive.
No Dicionário de Língua Portuguesa, define-se a palavra “mídia” como um conjunto de meios de comunicação (jornais, revistas, rádio, televisão, etc.) para alcançar as massas com fins de propaganda (BUENO, 2007). De fato, ao se falar em mídia, pensa-se diretamente em propagar bens e produtos. No entanto, em educação, as mídias contribuem para a expansão de conhe- cimentos, ao tratar com os alunos os conteúdos por meio de uma dinâmica que promova a curiosidade e a criatividade.
Na Educação Infantil, as mídias têm um papel funda- mental, dado o caráter lúdico que pode se atribuir às atividades realizadas. Como destaca Fantin (2011, p. 31), “uma abordagem mais ampla da mídia-educação pode ser entendida a partir de três perspectivas: educar sobre/para os meios (perspectiva crítica), com os meios (perspectiva instrumental) e através dos meios (perspectiva expressivo-produtiva)”. Assim, o que se busca na Educação Infantil é a construção de um trabalho que utilize a mídia em uma perspectiva dialógica, que permita a práxis centrada na ação reflexiva.
O trabalho com mídia-educação na escola favorece a expansão da comunicação, permitindo a análise de signos repre- sentativos, que estimulam na criança a reflexão e expansão do
objeto comunicativo por meio da interpretação (IBIDEN). Assim, trabalha-se linguagem, comunicação e educação mediante a perspectiva de evidenciar saberes e fazeres que contribuam para a efetiva formação de uma proposta de trabalho dialética que forma e informa. Tudo isso resulta em uma prática significativa que proporciona uma aprendizagem relacionada à realidade e pautada na inquietação da pergunta e da descoberta.
Desse modo, é preciso pensar como se tem dado o trabalho da mídia e tecnologia em relação à Educação Infantil, bem como sua influência na infância. A prática pedagógica deve buscar a reflexão acerca do que as ações midiáticas têm estimulado quanto às questões de consumo, de forma a possi- bilitar o desenvolvimento de uma percepção crítica frente ao que se deve realizar no contexto social. A mídia-educação na Educação Infantil, portanto, deve estar associada ao lúdico/ brincar, trazendo para seu contexto discussões pertinentes no que tange à formação para a cidadania, de modo a contribuir para a reflexão do que vem a ser necessário, pertinente e útil para a atuação e o desenvolvimento da criança em sociedade, em uma perspectiva crítico-reflexiva.