A.2. La caractérisation des matériaux spatiaux et la séparation des espèces
A.2.2. La séparation des espèces
A.2.2.2. Le couplage de techniques de caractérisation
Notamos a aproximação rodriguiana, inconscientemente, com a filosofia de Schopenhauer. Existem discrepâncias? Sim, claro. A compaixão schopenhaueriana se aproxima mais com a forma hindu. Outra diferença é que a vontade não tem finalidade, ela apenas é, enquanto para Rodrigues está mais preocupado com a vontade que governa o humano para o pecado, logo por sua herança cristã. Entretanto, o fator de negação da vida é o elemento que coincidem nos dois trágicos, a vida não vale a pena. Mas sem sombra de duvidas o elemento estético principal condizente entre os dois é: o trágico rodriguiano e schopenhaueriano ultrapassam as barreiras do teatro e da literatura, isto é, o trágico é a própria vida. Entretanto, podemos dizer que em Schopenhauer, a arte é única forma de entendermos o mundo, Rodrigues não eleva arte para esse patamar — é próximo, mas nem tanto.
O trágico rodriguiano jamais tem o sentido de superação histórica hegeliana, já que o progresso é a consciência para liberdade humana. O progresso não tem haver com uma limitação natural, ele é contra qualquer imposição da natureza. Ele é contrário a qualquer espirito mitológico do progresso, já que existe uma dialética que transformam as relações históricas, existem sempre novas atualizações, sendo necessária à própria consciência da humanidade neste processo.234 Todavia, Nelson não está preocupado com o espirito do progresso humano, para ele não existe isto, essa consciência. Consciência rodriguiana está mais para consciência schopenhaueriana de negação da vida. Entretanto, tem algumas similaridades como o elemento da culpa do herói trágico hegeliano. As representações de culpa das personagens apresentam a possibilidade de auto reflexão de caráter, isto é, “através da culpa235
o homem diz sim a tudo que lhe aconteceu... os homens superiores não e desfazem de nada do que em tempos foi parte da sua vida: por isso têm a tragédia como sua prerrogativa.”236
O comentário de Hegel, como diz
234
ADORNO, Theodor.W. Três estudos sobre Hegel. Apresentação à brasileira — Os deslocamentos da dialética, p. 20-21.
235
A culpa está no sentido da tragédia destino do século XVIII, como fora abordada neste trabalho.
236
Benjamin: “ Ser culpado é a honra do grande caráter”237
. A coragem do caráter é uma das grandes virtudes admiradas por Rodrigues. Entretanto, como abordado neste trabalho, a força do ethos é importante para Hegel, já que a finalidade trágica é a vontade da maioria representando a transformação para o real, mas o erro em Rodrigues é diferente. Nem sempre o erro do herói significa o progresso da ideia do coletivo, muito pelo contrário, é admitir que o coletivo apedreja o herói sem ao menos fazer a reflexão de si. Em suma é: atire a primeira pedra quem nunca pecou.
No que refere ao jovem Nietzsche, sua vontade foi de unir à metafísica schopenhaueriana e wagneriana, os ingredientes, como diz Benjamin, para melhor minar o melhor que havia nelas. Nietzsche dirá que todos os elementos representados na arte de modo algum são para nós, e nós tampouco somos os criadores:
[Não somos] os verdadeiros criadores daquele mundo da arte; mas sim podemos supor de nós mesmos que somos, para o verdadeiro criador da mesma, imagens e projeções artísticas, o que têm na significação de obras de arte nossa maior dignidade, pois só como fenômeno artístico são justificados eternamente a existência e o mundo; enquanto que nossa consciência sobre esta nossa significação não é mais do que a que têm guerreiros pintados numa tela, da batalha nela representada. Daqui resulta que todo o nosso saber artístico é, no fundo, uma completa ilusão, em virtude de nós, como conhecedores, não sermos com aquele ser uno e idêntico, que se proporciona, como criador e espectador único, um gozo eterno. Somente enquanto o gênio se fundir no ato da produção artística com aquele artista-primitivo do mundo, sabe ele algo sobre a essência eterna da arte; pois naquele estado é ele, milagrosamente, idêntico àquela imagem sinistra da fábula, que pode virar os olhos e se fitar a si mesma; então ele representa simultaneamente o sujeito e o objeto, ao mesmo tempo poeta, ator e espectador.238
Deste modo, a arte tem poder de transformar e dissolver tudo em nada. A ideia nietzschiana (jovem) é uma ideia esteticista, é a arte ocupando o centro da existência. Pode se especular que Nietzsche leva arte muito além do Nelson, é a arte como entendimento do mundo. Para o jovem alemão, quando a arte se torna o centro da vida, fazendo o homem uma manifestação sua, não como criador, mas como eterno pretexto das suas criações.239 Assim, o mundo só pode ser suportado quando é transformado em fenômeno estético. Mas podemos dizer que seria uma visão “materialista”, ateísta demais
237
Benjamin, Walter. Origem do Drama Trágico Alemão, p.135.
238
Nietzsche. A origem da Tragédia: Proveniente do Espirito da Musica, p.39-40.
239
para Nelson, já que centro de sua vida é cristianismo e fé na imortalidade da vida. Uma vontade sem sentido e fim, é acreditar, para Nelson, que nada tem sentido, tudo é permitido:
Um homem que não compreende a grandeza de um convento não compreende nada. Essa lei (uma lei moral superior, que dá a medida do mal, do pecado) existe, como existe Deus. Cada um de nós traz dentro de si essa opção: aceitar a imortalidade da alma, ou rejeitá-la. Aquele que prefere a alma mortal é um suicida. Morreu no momento mesmo que optou por esse caminho. Acho incrível e inexplicável que alguém prefira fazer a sua vida depender da contingência mais trivial: de uma lotação, ou de uma escorregadela. O materialismo é, para mim, uma atitude profundamente imbecil. Materialista é aquele que chutou a imortalidade, preferindo ver o homem apenas como um ser desprezível. Por isso mesmo, o materialismo exclui os problemas fundamentais do homem, a sua essência verdadeira e permanente, que dura através dos tempos.240
O romantismo rodriguiano está mais para uma perspectiva de uma solidez de uma tradição cristã católica, sentir o prazer da imensidão do mundo abandono, na procura de redimir com o divino. O poder arrebatador da história do Ser revolucionário que abre espaços para incontingências contrapõe-se com a visão de um asceta convicto como Nelson Rodrigues. Ou a possibilidade de superar através da arte — através da fantasia do tônico —, seria um pensamento bastante otimista, para quem já negou a vida como ela é...
240
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