• Aucun résultat trouvé

4. Etude de réinformatisation du CIES

4.2 Analyse de l'existant

4.2.2 Le centre de documentation

A expressão corporal é entendida neste trabalho como sendo “algo natural” e inerente à vida humana, no sentido de que todos apresentam expressões corporais evidentes desde o nascimento. Assim,

corpo é o corpo e nele está a sua expressão... expressão corporal inerente à vida do indivíduo, que é inseparável de personalidade, de atitudes, da autenticidade, do jeito..., o vocabulário corporal conduz a sua forma de estar e se comportar no mundo... (HAAS; GARCIA, 2008, p. 12).

As expressões corporais ganham, com o passar dos anos de formação humana, forte importância no convívio social, pois ao aprendê-las e dominá-las compreende-se as formas de comunicação com outras pessoas. Expressões

77 iPod é uma marca registada da Apple Inc. que se refere a uma série de reprodutores de áudio

corporais como códigos entendidos e decifrados pelos membros das comunidades podem ser vistos como

o processo de expressão onde cada indivíduo busca sua maneira de demonstrar e de manifestar suas tristezas, alegrias, conhecimentos, dúvidas, razões e emoções. Para tanto, o ser humano utiliza o seu corpo, como instrumento, para tais manifestações, vivenciando e interagindo (BRAGANÇA; ANTUNES, 2010, p. 1).

As expressões corporais expostas neste item estavam associadas, de alguma forma, com a música. Apesar de algumas vezes não haver uma exteriorização sonora por meio do canto, percussão ou reprodução em aparelho de som, havia a expressão facial da criança, que evidenciava determinado tipo de pensamento relacionado a alguma música.

Tais expressões foram utilizadas, pelas crianças, de diferentes formas e lugares: quando ficavam nas filas ou andavam pelo pátio para instigar o colega em alguma brincadeira, para acompanhar alguma música reproduzida em aparelho de som, interagir com os colegas e zombar alguém.

Enquanto as crianças andavam pelo recreio nas filas, as expressões corporais estavam presentes. Registrei, em caderno de campo, um menino que “enquanto esperava na fila do lanche, estava bastante inquieto, dançava e brincava com os colegas, com a moça da cantina e sozinho. Dançava e murmurava algumas melodias improvisadas utilizando a sílaba bi” (Caderno de campo, 18 de outubro de 2011, p. 6).

Outro exemplo foi quando outro menino “foi até ao bebedouro pulando e cantando de forma coordenada com a música, marcando o pulso” (Caderno de campo, 7 de março de 2012, p. 65). Observa-se que não existe apenas o movimento de saltar, mas algo integrado com a música que estava cantando. A expressão corporal, nesse contexto, acompanha a melodia e demonstra, com o corpo, a percepção da música pela criança.

No recreio, a expressão corporal não está separada da música. Nas brincadeiras de pega-pega, ela foi também utilizada para chamar a atenção dos colegas, principalmente. As crianças saíam do pique, cantavam e dançavam e, por meio das expressões corporais, “pediam” aos colegas para pegá-los. Um dia, uma delas

me chamou a atenção, porque ela cantava e dançava de maneira diferente das colegas. Esticava os braços para frente, depois colocava as mãos no ombro de forma cruzada e, por fim, colocava as mãos na cintura. Repetiu essa dança enquanto cantava várias vezes (Caderno de campo, 5 outubro de 2011, p. 6).

Cantar e se expressar corporalmente foram práticas utilizadas pelas crianças quando se relacionam com os colegas. Uma forma de chamar a atenção era mostrar agilidade em não serem “pegos” por eles; é, de certa forma, uma maneira de provocá-los, brincando. Como colocado por Brougère (2001, p. 100) – para ser brincadeira, as crianças envolvidas devem concordar com as decisões acordadas entre elas –, as “provocações” na brincadeira de pega-pega tornam-se parte dessa atividade.

Também houve momentos em que o movimento era voltado para acompanhar a música. Essa forma de associação apareceu, porém, quando as professoras ligaram o aparelho de som para demarcar o início e o fim do recreio, pois o sinal estava estragado. Nesse dia, “as crianças menores, principalmente, as do 1º ano subiram no palco e começaram a dançar” (Caderno de campo, 18 de junho de 2012, p. 106). Daiane, do 1º ano, diz que gostava quando o sinal estava estragado, “porque aí a gente pode dançar” (Entrevista, 8 de agosto de 2012, p. 266).

Em alguns casos, as crianças se expressavam corporalmente para demonstrar a alegria, ou o que era remetido por aquela música. A expressão corporal, nesse caso, lhes possibilitava a exteriorização dos sentimentos.

Para chamar a atenção dos colegas, “um menino que esperava para entrar para a sala fazia uma movimentação corporal como se dança funk até o chão” (Caderno de campo, 19 de outubro de 2011, p. 11). Em outros casos semelhantes, “um menino do 5º ano na fila fazia uma parte da dança Moonwalker do Michael Jackson” (Idem, 22 de novembro de 2011, p. 33). Essa forma de dançar também apareceu no

no pátio quando algumas meninas brincavam querendo fazer a finalização do passo Moonwalker criado por Michael Jackson. Elas se apoiavam umas nas outras e falavam “– Um, dois, três e já” no “já” tentam fazer. Uma delas num momento diz: “–Vamos lá meninas igual ao Michael Jackson”. O problema é que queriam ficar se equilibrando um tempo na ponta dos pés, mas logo se desequilibravam e caiam todas. Elas fizeram várias vezes o mesmo

movimento e riam muito quando caíam (Caderno de campo, 24 de abril de 2012, p. 104).

Apesar do foco não estar no canto, a referência ao cantor é muito forte. Tão intensa que as meninas até o citavam, fazendo clara referência ao ídolo pop. Marsh (2008) observou que a

prática de inclusão textual de ícones da cultura popular nos jogos é bem conhecida [...]. Nessa instância, porém, a referência aos cantores dos EUA, Michael Jackson e Madonna eram acompanhadas de movimentos explicitamente sensuais de beijar, impulsos pélvicos e levantamento das saias para mostrar as roupas íntimas, imitando os cantores populares e manifestando um estilo de performance sensual (MARSH, 2008,p. 168, tradução minha)78.

Outra forma que o movimento corporal ou de dança foi usado no recreio se relaciona à zombaria dos colegas (as crianças utilizavam-no para enfatizar a troça em relação a algo). Geralmente, eram expressões corporais irreverentes como, por exemplo, quando dois meninos se aproximaram de outros dois colegas que tinham um rádio e “um deles começou rapidamente a dançar até o chão para provocar os colegas que estavam com o rádio” (Caderno de campo, 18 de outubro de 2011, p. 8).

Outro exemplo para demonstrar o desagrado se refere à situação em que a professora ligou o aparelho de som da escola e um menino do 5º ano que, aparentemente, não gostava das músicas que eram reproduzidas

dançava muito naquele recreio. Ele dançava parecendo ironizar as músicas que a professora colocou. Ele ficou com seus amigos praticamente o recreio todo comendo e olhando os colegas jogarem pênalti e dançando. Não parou de dançar praticamente o recreio todo. Em um determinado momento ele largou o prato e começou a dançar com a mão na cabeça e a outra na cintura como se dança um axé, enquanto tocava uma música bem diferente disso (Caderno de campo, 18 de junho de 2012, p. 107).

Foi possível observar, no recreio, momentos em que as crianças não cantavam ou percutiam. Além disso, não havia música, mas era possível perceber, por meio da expressão facial das crianças, que elas estavam pensando em uma música; algumas chegavam até a mexer os lábios, mas sem emitir som.

78

No original: “Practice of textual inclusion of icons of popular culture in games is well known [...]. In this instance, however, the references to U.S. singers Michael Jackson and Madonna were accompanied by sexually explicit movements of kissing, pelvic thrusts, and lifting of skirts to display underwear, emulating the popular singers’ overtly sexualized performance style”.

Pode-se citar um dia em que Carla, do 4º ano, também fez “uma dança até o chão” (Caderno de campo, 26 de outubro de 2011, p. 18-19). Ou quando

um menino do 1º ano estava na porta da sua sala de aula pulando de um lado para o outro do portal, algumas vezes percutindo nele. Passava a impressão de estar cantando, mas não pude ouvir porque ele só demonstrava isso com gestos, balançando a cabeça e mexendo os lábios (Caderno de campo, 31 de outubro de 2011, p. 21-22).

Houve, ainda, “um menino do 1º ano que cantava e dançava sozinho. Via-se que ele estava cantando a música interiormente a música e dançando” (Caderno de campo, 30 de novembro de 2011, p. 44), e outro menino que estava na fila para comprar lanche “quando começou a pular e a cantar internamente. Parecia bastante envolvido com a “música que estava na sua cabeça”, ficava pulando e dançando” (Idem, 28 de março de 2012, p. 78).

Nesses exemplos, por meio da expressão corporal, é possível perceber que as crianças “pensam” numa música. A criança, quando se expressa por gestos, vivencia uma prática musical, aciona o corpo e sente a pulsação e o andamento, expressando-se musicalmente por meio de gestos.