3. Le séjour
3.8. Langue(s) d’enseignement des étudiants SMS
tronco hematopoiéticas
Os problemas de sono tem sido alvo de vários estudos realizados com pacientes oncológicos, embora os achados variem bastante em função do método utilizado pelos pesquisadores(4,6). Parece haver, entretanto, um consenso quanto ao fato de que as queixas desta natureza, entre os pacientes com câncer, superem a estimativa para a população em geral(6,11,29). Assim, o desenvolvimento dos distúrbios de sono podem estar relacionados ao próprio câncer e ao seu tratamento(9-10). Alguns autores destacam que os fatores psicológicos (=depressão e a ansiedade), médicos (=dor e toxicidade relacionada à quimioterapia) e comportamentais (=nível de atividade reduzido, permanência prolongada no leito, cochilos durante o dia) estariam envolvidos na etiologia dos problemas de sono destes pacientes(6).
A consistência interna do instrumento PSQI, utilizado para a avaliação da qualidade de sono ao longo do transplante, foi semelhante à encontrada por outros autores em estudos realizados com pacientes com câncer, nos quais o valor variou entre 0,73 e 0,81(5,11,125-126). Somente durante a hospitalização, o valor obtido neste estudo foi compatível com consistência interna intermediária, semelhante ao achado de outro estudo
Discussão
realizado com pacientes internados para o tratamento clínico do câncer(70). Não foi encontrado nenhum estudo com pacientes de TCTH que apresentasse o resultado do Alpha de Cronbach.
O sono de má qualidade foi um achado que acompanhou os pacientes submetidos ao TCTH nas três etapas deste estudo, mostrando que as dificuldades de sono se fazem presentes entre os pacientes diagnosticados com câncer hematológico. O número de estudos sobre sono em pacientes com câncer hematológico e, sobretudo, entre aqueles submetidos ao TCTH, ainda é reduzido. Entretanto, as queixas de insônia incidem em 46% destes sujeitos(35). Um estudo realizado com portadores de diferentes tipos de câncer destaca que os problemas de sono foram identificados em 30,2% dos sujeitos, tanto entre aqueles nos quais a doença encontrava-se em atividade quanto entre aqueles que já haviam sido tratados(4). Mulheres com câncer de mama parecem apresentar distúrbios de sono e fadiga antes mesmo de iniciar o tratamento quimioterápico(8). Achado semelhante foi encontrado em outro estudo realizado com pacientes portadores de câncer de mama, pulmão e outras neoplasias evidenciando, ainda, correlação entre fadiga, depressão e os problemas de sono(10). Pacientes em quimioterapia referem sono de má qualidade antes, durante e após o tratamento(98,127), enquanto uma elevada porcentagem de pacientes submetidas a cirurgia decorrente do câncer de mama apresenta dificuldade com o sono no pós-operatório(5).
No estudo, verificou-se piora da qualidade de sono relacionada à idade somente na terceira etapa, na qual foi identificada uma tendência à indivíduos com idade igual ou superior a 40 anos a apresentarem pior qualidade de sono quando comparados a sujeitos mais jovens. Sugere-se que, após o desfecho inicial do TCTH, um número menor de fatores relacionados ao transplante tenham interferido no sono, possibilitando que características inerentes ao indivíduo aparececem relacionadas à qualidade de sono. Na população em geral, as alterações do sono tendem a se destacar com o avançar da idade e, alguns autores, referem-se a elas como parte de um processo natural do envelhecimento(13,128). Em indivíduos submetidos ao TCTH, foram encontrados estudos antigos que correlacionaram a idade com a presença de distúrbios do sono(39,76). Entretanto, em um dos estudos, não foi evidenciado o efeito da idade entre os fatores que interferiram nos quadros de insônia(88).
Discussão 103
Verificou-se que a duração de sono, antes da enxertia de neutrófilos, foi menor em relação ao período depois da enxertia, com presença de maior latência de sono, enquanto a qualidade de sono foi pior avaliada. Tais achados evidenciam pior padrão de sono no período anterior à enxertia de neutrófilos, que envolve o momento do condicionamento e do nadir, o que corrobora o achado de alguns trabalhos. Os distúrbios de sono em pacientes submetidos ao TCTH estão associados ao seu estado funcional, à presença de fadiga e às preocupações relacionadas ao transplante(53). A intensidade deste e outros problemas vivenciados durante o transplante intensificam-se durante o período de condicionamento e atingem o pico máximo no nadir. Para mais de um terço dos pacientes, os distúrbios de sono são descritos como moderados ou intensos(55-56). Um estudo aponta, ainda, que as dificuldades com o sono tornam-se mais severas até a enxertia de neutrófilos(53).
Quando a questão do TCTH é discutida, os estudos são quase unâmines em apontar o transplante alogênico como aquele em que predominam indivíduos com sono de má qualidade(31,53,86,88). Curiosamente, neste estudo, os pacientes submetidos ao TCTH autólogo apresentaram escores indicativos de pior qualidade de sono em relação aos pacientes de TCTH alogênico, exceto na hospitalização. Talvez a presença de sono de má qualidade, antes mesmo do TCTH, signifique um predomínio de distúrbios prévios que se mantiveram ao longo do transplante. Entretanto, outras características com potencial para alterar a qualidade de sono, nesta população, poderiam ser investigadas para explicar tal achado.
Nas três etapas do estudo, o resultado da comparação entre o escore de qualidade de sono e os tipos de diagnósticos, mostrou presença de pior qualidade de sono para pacientes com mieloma. Na primeira etapa, tais diferenças inclusive alcançaram significância estatística. Estes resultados, entretanto, opõem-se ao achados de outros autores que apontam que os pacientes com diagnóstico de mieloma múltiplo apresentam menor gravidade de alterações de sono ao longo do transplante quando comparados aos pacientes com linfoma não-Hodgkin(56). A leucemia ocupou uma posição intermediária, predominando o sono de má qualidade somente na hospitalização.
Algumas considerações devem ser feitas a respeito destes resultados: convém destacar que a comparação entre os diagnósticos englobou na categoria linfoma aqueles do tipo Hodgkin e não-Hodgkin, o que pode ter contribuido para esta diferença de achado
Discussão
(1); no presente estudo, utilizou-se um instrumento específico para a avaliação da qualidade de sono, enquanto a citada referência engloba a avaliação de 14 outros sintomas, além do distúrbio de sono (2) e quando a questão do transplante não é considerada, os pacientes com mieloma múltiplo apresentam sintomas mais graves em relação a outros tipos de câncer hematológico, devido à presença de dores ósseas e infecções de repetição (3)(35).