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Language and Cognitive Tasks

Dans le document neuroeducation and neurorehabilitation (Page 40-44)

biblioteca e teria uma aula pública (Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1896).

No entanto, manter um clube social tem custos e isto aparece como preocupação nos reclames do Clube Jaguarense em 1898, no jornal A Ordem, de 25 de outubro de 1898. Um chamado assinado pelo secretário Eduardo Levy, “convida os cidadãos e sócios deste grêmio em atraso, solverem seus débitos até 25 de novembro, sob pena de exclusão, segundo artigo 11 de nossos estatutos”. Isso pareceu que seria também um reflexo do custo da divisão social, suportada por ambos os clubes e dado o caráter reservado das entidades, assumir e chamar publicamente os sócios pendentes é sinal de que este seria um problema sério.

2.1 AS ATIVIDADES DO CLUBE JAGUARENSE APÓS A INAUGURAÇÃO DA SEDE CENTRAL (DEZEMBRO DE 1898)

Em 1902, encontra-se uma nova direção, cujos nomes foram citados, como forma de registro, mesmo que sem acesso às atas da entidade – conforme anteriormente mencionado. Então, foram escolhidas – de forma aleatória –, algumas direções para constarem no trabalho, de preferência não muito próximas, dando relevo para momentos e pessoas diferentes.

Cabebe informar, via de regra, de acordo com o encontrado nas fontes pesquisadas, a quase totalidade dos pleitos eram decididos por consenso, à exceção da tensão ou disputa interna que só aparece publicamente na década de 1960, momento que vai perdendo um pouco da vitalidade, ou passa por uma ruptura geracional, ou de grupo, e, mais tarde, essa crise talvez deixe o Clube Jaguarense para trás.

Retornando à direção de 1902: Presidente: Julio Leivas Mallet; Vice-Presidente Capitão Alfredo Riveillean; Diretores: Cândido Vilas Bôas, Dr. Faustino J. Corrêa, Raul Nielson, Augusto Morteiro, Alferes Basilio Angasto Wildt, José Bento Piúma, Capitão Monoel Felipe Ferreira, Tenente José Maria Terra, Eduardo Levy, Capitão Augusto F. Soares, Miguel Cassal, Jeronimo N. Cardoso Brum. (Cf. O Comércio, 04 de janeiro de 1902).

Nesse mesmo ano, havia o registro de outra nota, quando em 05 de abril são chamados os acionistas para receber os juros correspondentes ao segundo semestre do ano anterior, demonstrando o viés econômico liberal do clube, como forma de investimentos, sendo rentável em alguns períodos (O Comércio, 05 de abril de 1902). Depois, ainda em 1902, conforme o jornal O Comércio em 26 de junho de 1902, julga-se oportuno trazer ao trabalho que dentre as modalidades de atividades que um clube poderia promover,seriam concertos e encontros, desta forma, transcreve-se, a seguir, o programa e a crítica posta no jornal seguinte, parabenizando o diretor Monoel Felippe Oliveira, que provavelmente seja o diretor do mês e, assim, fica possível entender que caberia ao diretor do mês a responsabilidade pelo baile, verificar os preparativos e a execução, além da opção de propor atividades no seu mês de atuação. Neste caso, um Concerto (O Comércio, 1º de julho de 1902).

Considera-se relevante mostrar essa forma de organização que, embora hierárquica, é bastante horizontal, de modo que os próprios membros do clube, como um espaço social colaborativo, desempenhavam grande parte das tarefas para o êxito do proposto, provavelmente com limitado ou restrito número de empregados. Essa transição do clube de proximidade para o clube de massas, com muitos empregados e serviços contratados vai ocorrer após 1975, abordagem que não está no proposto para essa tese, mas será citado como forma de reconhecimento que as mudanças possivelmente geraram na formação de outro tipo de entidade associativa.

Primeira parte

1º Jota araganesa – Capricho Espanhol – Gotschalk – Piano, pela Exmª Srª Estrella Coscollano.

2º Scena Tyrolienne – Poppe – Duo de flauta e piano, pelos Srs. Osório e professor Vellozo.

3º Torna – Danza Romanza para canto e piano – pelos Srs. Menna Barreto e Vellozo.

4º somnambula – Margaria, Trio para violino, flauta e piano, pelos Srs. Broqua, Osório e Vellozo.

5º Parla walsa – Arditti Canto o piano pela Exmaª Srª Estrella Coscollano e

professor Vellozo.

Segunda parte

6º Sinfonia pela banda

7º Invitacion al wals – Weber para piano, pela Exmaª Srª Estrella Coscollano. 8º Aria da Opera. Ernani-Verdi Canto e Piano pelos Srs. Mariano Coscollano e Vellozo.

9º Marcos Visconti – Margaria, Trio, para violino, flauta e piano, pelos Srs. Broqua, Dr. Quintiliano e Vellozo.

10º Duo de anillo de Hierro – Tiple e Baixo pela Exmaª Srª Estrella Coscollano, Mariano Coscollano acompanhados ao piano por Vellozo. (O

COMÉRCIO, 1º de julho de 1902).

Seguindo sobre o concerto, o jornal O Comércio, em 1º de julho de 1902, trouxe uma extensa matéria sobre o sarau musical. É de interesse – para essa pesquisa – compreender o sentido e a repercussão social do fato via jornais, como sócio transmissores, suportes da memória e também, mantendo muitas vezes uma dimensão valorativa das atividades realizadas. Busca-se, assim, mais críticas ou entonações sobre a apresentação mencionada, para o entendimento sobre o objeto pesquisado e sua relação com a comunidade jaguarense ao longo do tempo. Diz a nota que o evento, trouxe “[...] aquele gosto primoroso dos velhos tempos”, sendo oportuno evidenciar que durante o estudo notou-se que, nos jornais, havia a comercialização de pianos no século XIX em Jaguarão, sendo encontradas semelhantes notas ao longo do século XX.

Aponta o cronista, em tom prescritivo, o quanto seria bom se os jovens acompanhassem apresentações musicais, preferencialmente de forma compartilhada, como foi nesse momento no Clube Jaguarense e não executada de forma solitária. Diz ainda “Façamos música.... e teremos feito alguma coisa em favor da sociabilidade de que tanto se fala e se prega”. Ainda, cita que nas sociedades mais educadas a música é concebida como uma espécie de religião em que as pessoas se reúnem para "[...] lhe renderem o mais fervoroso culto”. Por fim, aponta que a atividade, realizada em um sábado, foi seguida de um baile.

Apresenta-se a seguir Laura Alice Rinaldi Camargo (2008), que estudou os clubes sociais dentro do processo civilizatório brasileiro: hábitos e costumes, apontando para a relevância dessa modalidade de entidade associativa no Brasil.

Na matéria mencionada e no trabalho de Camargo (2008) fica posta uma disposição culta, onde é ressaltado que depois do concerto, com duração estimada de uma hora, ocorreu um baile com, duração estimada em quatro horas.

Portanto, a principal atividade do clube, foi, sem sombras de dúvidas, os bailes, o restante poderia acompanhar, iniciar, ou ser realizado no clube, desde de que após, fosse liberada “terpsícore” para produzir os seus efeitos. Percebe-se que, normalmente, as memórias que são acessadas nas atividades do clube se cristalizam como uma emoção forte, acessível a quem vivenciou na sua época, normalmente associada às danças e a música.

Esse é o sentido maior do clube encontrado em todo o período pesquisado, mas não desconsiderando as outras atividades sociais que por ventura fossem realizadas, sejam de forma periódica ou eventual. Nesse sentido, há a lembrança de uma das memórias mais antigas acessadas, que foi a de José Alberto Portela, em 1910, quando assinou o livro de visitas do clube e deixou a síntese da sua trajetória. Pelo visto, é alguém que conheceu o clube, nos seu início, 29 anos antes.

Certamente, este relato não é absolutamente singular, muito pelo contrário, parece que representa o sentido geral da experiência coletiva no Clube Jaguarense em seus primórdios. Ele fala de 1910, lembrando do clube em outra casa, fundado em 1881, mas é inequívoco ao afirmar o recorte geracional, sendo jovem, poderia dançar com toda a graça, disposição corporal e gastar a sola dos sapatos. Aqui, ressalta-se a palestra sobre dança, tango como patrimônio imaterial uruguaio, proferida pelo professor uruguaio Walter Veneziani (2011) em Jaguarão na Unipampa, ao afirmar que a “verdade coreográfica” [grifo do pesquisador] de uma geração está situada entre os 15 e os 25 anos, pois é o tempo em que a disposição corporal é maior, apontando a afirmativa que dança cada geração “[...] o que dançam as pessoas

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