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Langages de représentation des ontologies

2) Types d’ontologies basés sur le sujet de conceptualisation :

2.7 Langages de représentation des ontologies

No decorrer dos meses de março a maio busquei conhecer, por meio das observações, o cotidiano da escola e os professores, tendo em vista identificar aqueles que poderiam trazer contribuições mais significativas para a análise da subjetividade individual em relação às expectativas, frustrações e realizações vivenciadas na profissão. O convívio nos vários momentos que participei evidenciava que diversos professores do grupo apresentariam contribuições importantes nos momentos individuais de construção das informações. Com isso, elaborei uma relação com o nome de alguns professores do grupo e comecei o processo de realização das entrevistas individuais, que aconteceu com 11 professores, no decorrer dos meses de junho e agosto. Essa quantidade de professores se justificou em virtude da disponibilidade dos mesmos para participar do momento da entrevista, pois, caso houvesse um tempo maior, havia no grupo mais pessoas que trariam contribuições importantes para a pesquisa. Os professores autorizaram a gravação das entrevistas, que tiveram uma duração entre vinte minutos à uma hora, aproximadamente, totalizando 6h40min de gravação, as quais foram transcritas tendo em vista os procedimentos da análise.

Considerando a questão da ética da pesquisa, a identidade dos professores foi preservada e optamos por identificá-los com a utilização de números de um a onze da seguinte maneira: Professora 1, Professora 2, Professora 3, Professora 4, Professora 5, Professora 6, Professora 7, Professor 8, Professor 9, Professor 10 e Professor 11. Essa decisão teve por objetivo facilitar a compreensão das análises e o desenrolar da construção das informações.

Convém destacar que o grupo selecionado era constituído por sete professoras e quatro professores, aspecto que expressa uma singularidade do grupo de professores que atua nos anos iniciais do ensino fundamental nessa escola. Historicamente há uma tendência a que o trabalho com esse nível de ensino seja realizado por mulheres, em função da idade das crianças e da aproximação que se faz entre a docência e a questão da maternidade (CAMPOS, 2008; SILVA, 2008; MAURÍCIO, 2009). Contudo, o coletivo

de profissionais dessa escola era misto, aspecto que certamente interferia na constituição da subjetividade social e individual dessa escola. Entretanto, considerando que a questão de gênero não se constituiu como foco central da pesquisa, consideramos relevante apresentar essa informação mesmo que não fosse enfatizada na análise das informações.

Considerando o processo de seleção dos professores, que aconteceu a partir de uma aproximação do grupo como um todo, para se chegar a uma parte do mesmo, optamos por realizar uma análise temática das abordagens da pesquisa considerando as informações dos 11 professores. Após uma análise parcial das informações, foi possível identificar dois professores que apresentavam posicionamentos antagônicos no enfrentamento das adversidades da profissão. Frente a isso, realizamos um estudo de caso desses dois professores, tendo em vista um aprofundamento da interpretação da sua subjetividade na vivência desse processo.

Para a realização das entrevistas elaboramos um roteiro de perguntas8 com os seguintes temas: motivos da escolha profissional, papel do professor, expectativas em relação à docência e aos alunos, situações de realização e de frustração profissional, e perspectivas de futuro na profissão. Após a realização da primeira entrevista senti a necessidade de incluir mais um tema: considerações sobre o fato de muitos professores estarem desistindo da profissão. As perguntas serviram como um roteiro para a conversa, pois foram utilizadas a partir das informações que cada professor apresentava, sendo modificadas na sequência e/ou sendo incluídas outras, conforme a situação.

Além das entrevistas individuais, foram realizados dois momentos de discussão em grupo com quatro professores. A seleção dos professores para esse momento deu-se a partir de uma análise inicial das entrevistas individuais. As informações desse instrumento evidenciavam a possibilidade de um agrupamento dos professores em relação às diferentes compreensões que manifestaram sobre o significado da docência: alguns demonstravam gostar da profissão e compreendiam o magistério como uma vocação; outros evidenciavam uma visão crítica sobre o papel do professor, destacando a questão da transformação social; e outros expressavam gostar do magistério, porém viviam conflitos em relação à realização profissional e, por isso, se pudessem, mudariam de profissão.

      

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Nesse sentido, a partir desse olhar sobre os significados que os professores expressaram, procurei organizar a discussão em grupo de tal forma que tivesse pelo menos um representante de cada ideia, respeitando as condições da escola e dos próprios professores para que esse momento acontecesse. Os dois encontros foram realizados um em agosto e outro em setembro, com a duração de uma hora e trinta minutos, e cinquenta e três minutos, respectivamente, sendo as informações filmadas e gravadas com o consentimento dos participantes, tendo em vista a transcrição das falas para o momento da análise.

No primeiro encontro participaram duas professoras e dois professores, assim selecionados em relação à classificação apresentada anteriormente: uma professora que gostava da profissão, um professor que tinha uma visão crítica sobre o papel do professor e um professor e uma professora que vivia conflitos entre permanecer ou não na profissão. A distribuição dos professores em relação à classificação apresentada deu- se dessa maneira em função da disponibilidade de tempo dos mesmos e das condições da escola em organizar-se para que eles pudessem participar.

O encontro começou com uma atividade em que solicitei aos professores que expressassem situações de realização e de frustração em relação à docência, utilizando- se de alguns materiais disponibilizados para esse momento: massinha de modelar, canetinhas, lápis de cor, giz de cera, revistas para recorte, cola, tesoura, tintas, pincéis e folhas coloridas de papel A4. As duas professoras e um professor registraram suas informações por meio de recortes de revistas e um professor fez um desenho com caneta. Após a realização da atividade cada professor explicou as ideias que registrou e os demais teceram comentários sobre as mesmas.

Analisando as informações desse primeiro encontro, após a transcrição das falas, percebemos que as questões apresentadas pelos professores relacionavam-se mais com aspectos gerais da docência, os quais se distanciavam das situações cotidianas da sala de aula, da relação com os alunos e dos processos de aprendizagem e desenvolvimento dos mesmos. Com isso, decidimos realizar o segundo encontro, com o objetivo de focalizar as discussões em relação a esses aspectos.

Dessa forma, no segundo encontro participaram os mesmos professores do primeiro momento, com exceção deles, que estava resolvendo questões burocráticas com a coordenação pedagógica. Nesse encontro o enfoque da discussão foi abordado

diretamente, a partir de um roteiro para o diálogo9, sem a realização de uma atividade motivacional no início, em virtude da disponibilidade de tempo dos professores e de ser a continuidade do momento anterior. Dessa forma, o objetivo proposto foi alcançado em relação a focalizar mais as questões do cotidiano da sala de aula.

Assim como nas observações, nas entrevistas e nas discussões em grupo também houve manifestações em relação à relação de confiança que se estabeleceu no processo da pesquisa. Ao final desses encontros alguns professores expressaram sua satisfação em ter tido a oportunidade de participar desse momento. Exemplifico essa questão com algumas falas:

Entrevista:

“Eu que agradeço que assim... é uma forma da gente poder falar o que a gente pensa né, porque a gente tem muitas angústias, e seria bom se todo mundo pudesse falar, pudesse ser ouvido pelos outros professores [...]. E agradeço também, por você ter me ouvido, ter enchido seus ouvidos.(risos)” (Professora 2)

Discussão em grupo I:

“Eu acho que o que foi falado foi né, um pouco o desabafo da gente, [...] porque aqui é muito difícil acontecer esse momento de ouvir, de falar, [...] então é bom a gente desabafar, falar o que a gente pensa, ser ouvido e debater com os colegas também, né. Isso é gratificante pra mim.”

(Professora 1)

“A minha conclusão é o seguinte: eu não sei se essa entrevista aqui vai atingir as massas, mas eu quero deixar bem claro aqui que tudo que foi falado aqui é a mais pura realidade.” (Professor 8)

[...]

“Tudo que foi falado aqui é a pura verdade. Detalhe, a realidade é o mundo em que nós vivemos.” (Professora 2)

Tal situação se constituiu como uma questão importante no contexto da pesquisa, pois a expressão de sentimentos, emoções e pensamentos que explicitam principalmente a subjetividade individual, demanda que se estabeleça esse tipo de relação entre o pesquisador e os participantes, caso contrário as informações apresentadas podem ser apenas superficiais, não permitindo uma análise mais aprofundada dos sentidos subjetivos que os sujeitos produzem em relação ao problema em estudo (GONZÁLEZ REY, 2005b).

      

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Além das entrevistas individuais e das discussões em grupo, utilizamos mais dois instrumentos visando a aproximação dos sentidos subjetivos que constituíam a subjetividade individual dos professores: o complemento de frases (GONZÁLEZ REY, 2005b) e uma produção de texto. Ambos foram realizados com todo o grupo de professores dos anos iniciais do ensino fundamental. Decidimos por realizar esses instrumentos com todo o grupo, ao invés de ser somente com os 11 professores participantes das entrevistas, em virtude da possibilidade de analisar também informações relacionadas à subjetividade social da escola. Ou seja, as interpretações que estavam sendo sistematizadas por meio das informações registradas nas observações e entrevistas, talvez pudessem ser visualizadas também nesses instrumentos individuais, situação que realmente aconteceu.

O complemento de frases10 (GONZÁLEZ REY, 2005b) foi realizado no final de junho, antes de as coordenadoras pedagógicas iniciarem o conselho de classe do segundo bimestre com o grupo de professores. Considerando a extensão do instrumento, que se constituía por 75 frases, eu estava um pouco receosa em relação a como os professores se envolveriam com esse momento da pesquisa. Entretanto o envolvimento do grupo aconteceu com naturalidade e os 24 professores presentes no momento registraram suas respostas sem problemas. Ao entregar, alguns professores comentaram que haviam gostado, pois tinham poucos momentos para pensar sobre a sua pessoa e essa tinha sido uma oportunidade para se conhecerem melhor.

E a produção de texto11 foi realizada no final de agosto por ocasião da reunião mensal dos professores com a equipe gestora da escola. Como situação motivacional para esse momento, foi apresentado aos professores o desenho de uma árvore que representava a vida, e alguns bonecos pendurados nela, que representavam os sentimentos e as emoções em relação à vida profissional. A partir desse desenho, cada um projetava como estava vivendo esse momento da sua vida como professor, circulando os bonecos com os quais se identificava, escrevendo uma palavra que expressava seus sentimentos e elaborando um texto sobre a sua vida profissional.

O momento inicial da realização desse instrumento foi um pouco tenso, pois havia muitos assuntos a tratar na reunião e a minha participação parecia incomodar alguns pelo fato de não terem condições de debater toda a pauta proposta. Passei a observar o desenrolar da situação para decidir se esse seria o melhor momento para a realização       

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 Apêndice 5. 

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desse instrumento da pesquisa. Observei que as manifestações passaram a se mostrar favoráveis quando combinaram que teriam outro encontro para a abordagem dos assuntos da pauta dos professores.

Nesse sentido, considerando as colocações anteriores sobre a relação de confiança que se estabeleceu no processo da pesquisa, ao ler as produções de texto elaboradas pelos 26 professores que participaram desse momento, percebi que a insatisfação inicial do grupo não interferiu no registro das suas ideias. Além disso, percebi que alguns professores elaboraram seus textos a partir das palavras que registraram no desenho motivacional, aspecto que pode ter auxiliado o processo de sistematização dos seus pensamentos. Por outro lado, esse registro inicial pode também ter limitado a liberdade de expressão de alguns que, se não tivessem essa atividade, talvez teriam produzido seus textos expressando outros significados. Apesar dessa análise do instrumento, as informações elaboradas pelos participantes se mostraram suficientes em relação à análise do problema da pesquisa.

A seguir apresento uma tabela com um esquema do detalhamento dos procedimentos metodológicos, a partir do qual nos encaminhamos para o próximo capítulo, quando são apresentadas, analisadas, interpretadas e discutidas as informações construídas no desenvolvimento da pesquisa.

Tabela 1 - Desenvolvimento da pesquisa DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA Data / Período Ano: 2009 Procedimentos metodológicos Detalhamento Início de abril Atividade de aproximação do grupo com a pesquisa

Esse momento evidenciou contradições, tensões e coerências em relação à interpretação da subjetividade social da escola.

Março a agosto

Observações O convívio com o grupo permitiu que houvesse uma maior aproximação entre a pesquisadora e os professores. Proporcionou que fosse identificado um grupo de professores para a aproximação da subjetividade individual e social dos mesmos.

Junho e agosto

Entrevistas Esses momentos proporcionaram a aproximação da subjetividade individual dos professores, estando essa diretamente relacionada com os sentidos subjetivos manifestados na subjetividade social do grupo.

Final de junho Complemento de frases Agosto e setembro Discussões em grupo Final de agosto Produção de texto Junho a setembro Estudo de caso de dois professores

Foi elaborada uma análise da configuração subjetiva de dois professores, em relação a como se posicionavam frente às adversidades da docência.

OBSERVAÇÃO: todos os procedimentos metodológicos utilizados durante a pesquisa contemplaram os objetivos propostos.

OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES

Observações 21 observações, totalizando 48h45min de permanência na escola Entrevistas 11 professores, totalizando 6h40min de gravação

Discussões em grupo 2 encontros:

- um encontro com 4 professores, com a duração de 1h30min

- outro encontro com 3 professores participantes do primeiro momento, com duração de 53min

Complemento de frases 24 professores participantes Produção de texto 26 professores participantes